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Gente na História de Loriga - Figuras |
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Padre
Theotónio Luiz da Costa * |
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Em 1813 foi
colocado em Loriga como pároco-colado, como se dizia na altura e lhe esteve
atribuída durante muitos anos, apesar de temporariamente deixar esta localidade
por motivo se ter alistado na milícia então organizada na época,
para expulsar do solo da Pátria os franceses.
Novo e cheio de vida, tinha a particularidade e tudo leva a crer que sim, de ser um
homem combativo e enérgico, capaz de dar a vida pela causa que defendesse. Depois
de ter contribuído para a expulsão dos franceses, viria novamente a participar
nas "lutas" liberais, só depois regressando a Loriga em 1852, já
cansado mas ainda com forças para paroquiar nesta "sua" paróquia
até aos fins de Novembro de 1855.
Apesar de cansado e velho mas estando por dentro das "lutas" liberais, quando
regressou a Loriga, teve que enfrentar uma população verdadeiramente
inclinada para a causa "Miguelista" tendo por isso muitos problemas, nomeadamente
quando no altar e nas suas pregações expressava as suas ideias politicas
e, por conseguinte feria aqueles com ideias contrárias. Por esse motivo, chegou
ao ponto, de pegar numa cadeira e correr com todos eles até ao adro, quando
lhe vinham, no final das mesmas, pedir explicações.
Era de comprovado zelo paroquial e apesar da avançada idade permaneceu pároco-colado
de Loriga até à sua morte. |
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* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias) |
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Padre
Sebastião Mendes de Brito * |
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Pertencendo
a família abastada era natural de Loriga, foi na sua terra pároco-encomendado,
como se dizia na altura, logo após o pároco-colado Theohtónio
Luiz da Costa se ter alistado nas milícias.
Padre rígido, disciplinado e bastante zeloso, ao ponto de pensar todos terem
por obrigação o cumprimento da religião católica. Muitas
vezes, e já paramentado, saía da igreja e obrigava a entrar nela, para
assistir à missa, todos aqueles que se encontravam no adro ou que na altura
por ali passavam.
Viria a falecer no dia 24 de Dezembro de 1851 e segundo os escritos desse tempo foi
sepultado ao fundo dos degraus do altar-mor, no lugar onde o celebrante principiava
as missas. |
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* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias) |
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Padre
Manuel Matias dos Santos e Figueiredo * |
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Nasceu na Vide,
e depois de ter sido Pároco de Piodam, foi colocado em Loriga como Pároco-colado,
onde esteve, desde Janeiro de 1860 até 1893.
Os 33 anos como Pároco na freguesia de Loriga, foram ferteis em acontecimentos.
Homem de uma personalidade bem vincada, onde acima de tudo era reconhecido por ser
paciente, teve sempre contra si duas das famílias mais poderosas da terra, as
famílias Marques e Britos.
Em Novembro de 1882, desabou a igreja matriz, em consequência de um tremor de
terra que se tinha sentido em Loriga, no mês de Setembro desse mesmo ano, o Padre
Manuel Matias dos Santos Figueiredo, teve arte em conseguir unir todos os loriguenses,
juntando a isso todas as forças possíveis, para concretizar a reconstrução,
que se viria a verificar. Tendo sido restituída ao culto em fins de Setembro
de 1884, para satisfação de todos e do próprio Pároco,
que quando ao ver a igreja por terra, pensou que já não seria na sua
vida que voltaria a ver a igreja edificada.
Foi no seu tempo, quando Pároco de Loriga, que foi construída a Capela
de Nossa Senhora da Guia, que na altura se tornou num problema conflituoso, por motivo
do local escolhido pelos loriguenses, serem de família abastada na localidade
e não aceitava de maneira nenhuma a ocupação abusiva daquele local.
Em todo esse processo mais uma vez o Padre Matias, deu mostra da sua total paciência,
que tanto o caracterizava.
O Padre Matias, ficou na história da igreja de Loriga, que não sendo
natural desta localidade, mais anos esteve efectivo como Pároco da Freguesia. |
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* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias) |
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Padre Doutor António
Mendes Lages *
1838 - 1916 |
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Nasceu em Loriga
no dia 2 de Janeiro de 1838, era filho de António Mendes Lages e de Maria do
Rosário de Moura. Com a idade de 21 anos entrou para a Universidade de Coimbra
matriculando-se, ao mesmo tempo, em matemática e teologia. Em 1862 matriculou-se
em medicina e arrastado pelas doutrinas desvairadas do tempo acamaradou com sociedades
suspeitas, perdeu a fé abandonando mesmo as práticas religiosas que frequentara
desde criança, chegando até a inscrever-se na Maçonaria.
Terminada a formatura em 1867
sempre com excelentes classificações foi exercer clinica no Sabugal onde
obteve o partido médico. Em 1870 deixou essa vila e foi para o Porto onde exerceu
clínica no Hospital de St. António, esteve também na Golegã
e, mais tarde, vai para Lisboa, onde se fixou, chegando a ser chefe de serviço
no Hospital de S.José.
Foi um dos fundadores do primeiro
jornal de Loriga chamado "Estrella D´Alva" ocupando o lugar de Redactor
principal tendo a cargo a Redacção e Administração.
Casou com Dona Adelaide Soriano
em 1874, e foi pai de dois filhos. Com a morte da esposa em 1908, começou a
sentir continuados rebates de consciência que o convidavam a servir a igreja
e a emendar a vida desleixada, ingressou na Companhia de Jesus como noviço.
Pensou ir a Roma expor ao Santo Padre a sua vida, mas antes foi confessar-se em Coimbra
onde fez, durante oito dias, os exercícios de Santo Inácio, no final
dos quais se sentiu de consciência tranquila e de bem com Deus.
Colocando de parte a ideia de
ir a Roma dedicou-se à defesa dos operários vindo a fundar a Associação
"A Cruz do Operário e Artistas" promovendo conferências sociais
que despertaram muito interesse em numerosas localidades e arrastaram muitos à
conversão. Pediu admissão como noviço da Companhia de Jesus com
70 anos de idade, pedindo para entrar na Ordem de Jesuítas de Campolide em 1908,
seguindo depois para Torres Vedras onde inicia o noviciado durante três anos.
Em 1908 começou então
a preparar-se para o Sacerdócio, ordenando-se em 8 de Maio de 1911, dia da festa
do Patrocínio de S.José em Exaten na Holanda, com 73 anos de idade.
Há no entanto, outros
relatos que nos dão conta ter concluído o noviciado e obtida a licença
necessária para a ordenação em 11 de Fevereiro de 1911, "
atendendo às circunstâncias absolutamente extraordinárias do caso"
, tendo de facto celebrado a sua primeira missa em Maio desse ano.
Com a implantação
da República teve muitos problemas e sofreu perseguições, tendo
mesmo sido preso em 1910 e colocado na prisão de Caxias com outros jesuítas.
Quando foi posto em liberdade, exilou-se na Holanda, chegando mesmo a ser-lhe suspensa
a carta médica.
Os últimos anos da sua
vida foram passados na oração e no sacrifício, edificando os religiosos
da Companhia pelas suas altas virtudes. Faleceu em Múrcia - Espanha, no dia
11 de Janeiro de 1916. A Companhia de Jesus em Portugal considerou-o como uma das suas
glórias e Loriga pode orgulhar-se de ter sido o berço de tal filho. |
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* Padre
António Mendes Cabral Lages (Memórias) |
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Augusto Luis Mendes
*
1851 - 1925 |

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Nasceu em Loriga
no dia 23 de Janeiro de 1851, filho de Manuel Mendes Aparício Freire e de Maria
Teresa Luis Brito, foi um dos maiores industriais desta localidade. Na sua infância
frequentou um colégio em Valezim, que nessa época ali existia.
Homem culto, dinâmico e acima de tudo muito católico, de muito novo começou
a ser atraído para os meios empresariais, passando a ter um conhecimento grande
na industria de Lanifícios que o levaria a ser um industrial de sucesso. Era
na sua fábrica da Redondinha que teciam os melhores panos e onde os melhores
operários de Loriga tinham grande orgulho em ali trabalhar.
Casou com D.Eduarda Guimarães, de quem veio a ter cinco filhos, e que viria
a falecer quando ainda seus filhos eram novos. Tempos depois voltaria a casar pela
segunda vez, com D. Maria do Carmo Monteiro, senhora abastada cuja riqueza junta à
do marido, formaram uma das famílias mais ricas existentes nessa época
em Loriga.
O seu solar era um esmero naquele tempo, tendo ali recebido grandes personagens sociais,
políticas e religiosas, mandando mesmo construir uma capela dedicada a Nossa
Senhora Auxiliadora onde, aos Domingos, fazia questão de ali assistir à
missa rodeado da sua família e convidados. Nela foram também realizados
os casamentos de seus filhos, o baptismo dos seus netos, e velado o corpo da sua primeira
esposa, da sua filha Ermelinda, dos seus netos e também o seu próprio
corpo, quando do seu falecimento em 1925.
Foi sócio da empresa Hidroeléctrica e o grande impulsionador para trazer
a electricidade para as industrias de Loriga, que fez também estender pelas
ruas da povoação. Foi um dos maiores lutadores para conseguir a ligação
da construção da estrada de São Romão a Loriga, assim como
teve um papel importante para a criação do Posto Telegráfico e
Correios nesta localidade, mandando também construir os poços na serra
para que no Verão não falta-se a água para a rega.
Reconhecido pelas suas virtudes humanas, era grande amigo dos pobres a quem distribuía
esmolas semanalmente. Sendo possuidor de imensas terras de cultivo, viria a ser um
grande benemérito para a sua terra que tanto adorava, oferecendo mesmo os terrenos
que eram seus para neles ser construído o acesso principal à povoação
por estrada. Esta doação foi de grande importância para a sua terra,
bem reconhecida pelos seus conterrâneos loriguenses que, como prova de gratidão,
e desde logo perpetuaram o seu nome naquele local, passando aquela via a chamar-se
Av. Augusto Luis Mendes.
Envelhecido, foi ficando quase cego, adoece e é levado para Coimbra, vindo a
falecer no dia 26 de Novembro de 1925. O funeral é realizado numa manifestação
de dor, onde toda a população chora o homem que muitos consideravam como
pai dos pobres, ficando esta localidade mais pobre ao ver partir para sempre um dos
seus maiores beneméritos. |
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* Albrito |
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Cónego Manuel
Fernandes Nogueira *
1861 - 1944 |
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Nasceu em Loriga
no dia 7 de Abril de 1816, era filho de Joaquim Fernandes Nogueira e de Custódia
Mendes Jorge e foi baptizado a 18 do mesmo mês.
Cursou no Seminário de Coimbra e foi ordenado sacerdote em 10 de Outubro de
1884. No ano seguinte, foi nomeado pároco do Píodam concelho de Arganil,
onde transformou aquela freguesia de tíbia em fervorosa, iniciando e radicando
nela práticas de piedade e devoções que não eram comuns
naquela época, o que demonstra a sua intensa vida interior de fervoroso apostolado.
Em 1886 levou para junto de si alguns rapazes para o ensino do curso preparatório
dos seminários e do liceu, tendo formado no Píodam uma espécie
de colégio por onde passaram filhos de famílias de todas as categorias
sociais da região que durou até 1906.
Durante esses 22 anos que esteve à frente daquela paróquia, para a população
local o Sr.Cónego Nogueira foi como que um anjo enviado por Deus, onde a sua
piedade era um dos aspectos mais característicos da bondade e zelo cristão.
A sua pregação estendia-se também às freguesias vizinhas
onde, percorrendo rudes caminhos pelas serras, levava a doutrina de Cristo e exercendo
a sua verdadeira caridade, e distribuindo pelos pobres aquilo que lhe sobrava.
Em 1907 foi colocado como director espiritual no Seminário de Coimbra e, em
1914, foi nomeado arcipreste do distrito eclesiástico de Coimbra. Em 5 de Janeiro
de 1922, foi nomeado cónego da Sé, pelo Bispo D. Manuel Luiz Coelho da
Silva. Mesmo assim e, dentro da feição espiritual que lhe era comum,
ficou ainda pároco de Moinhos (Miranda do Corvo) conquistando ali também
muita simpatia e admiração.
A última vez que voltou à sua terra foi em 19 de Setembro de 1941, com
81 anos, já muito débil. Sentado no altar-mor a população
de Loriga desfilou perante ele, ajoelhando-se e beijando-lhe as mãos, numa singela
homenagem, para depois se dirigirem para junto do Largo Dr.Amorim, onde seria descerrada
uma lápida colocada na casa onde oitenta e um anos antes ali tinha nascido tão
ilustre Loriguense.
Faleceu em 28 de Fevereiro de 1944 no Seminário de Coimbra e foi sepultado no
cemitério do Pio, num dia em que choveu torrencialmente o dia inteiro, mesmo
assim, não deixaram de ser centenas, as pessoas que o acompanharam à
sua última morada, onde se podiam ver todas a classes sociais, assim como, mais
de 50 sacerdotes que vieram de longe, representações de muitas comunidades
religiosas, representações de muitas paróquias e organismos e
até de Piodam, foram pessoas a pé até Coimbra para assistirem
ao funeral.
Em 1972, no Piodam, foi realizada uma homenagem dos 111 aniversário do seu nascimento,
com a presença de muitas centenas de pessoas, onde foi inaugurado um monumento
erguido ao Santo Cónego Nogueira, tendo sido dado o seu nome ao Largo da Igreja.
Uma homenagem merecida a essa figura que ficou para sempre no coração
do povo dessa localidade. |
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* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias) |
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Dr.Joaquim Augusto
Amorim da Fonseca *
1862 - 1927 |

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Natural de Varziela
concelho de Felgueiras (Minho) onde nasceu no ano 1862, era filho de Francisco da Fonseca
e de D. Emília da Fonseca. Foi médico municipal em Loriga mais de 30
anos (1893 a 1927) onde viria a falecer com 65 anos, vítima do dever profissional
quando nesta localidade se lutava contra a grave epidemia do "Tifo Exantematico"
Homem de profundos sentimentos religiosos, era sempre com um sorriso nos lábios
que falava aos pobres, ricos e até às criancinhas. Era verdadeiramente
dedicado aos seus doentes, ao ponto de, muitas vezes, o verem chorar quando se via
impotente para debelar a doença ou minorar o sofrimento dos seus pacientes.
Quando concluiu a formatura médica, casou com D.Urbana Madeira natural da freguesia
de Poiares concelho de Arganil, onde fixou residência até à sua
colocação como médico municipal na freguesia de Loriga, e onde
viria a construir a sua casa de habitação em terreno cedido gratuitamente
pelo industrial Abilio L.Brito Freire.
Além de Loriga prestava assistência médica às localidades
vizinhas, onde se deslocava a pé ou de "mula" quer chovesse ou desse
Sol, nevasse ou estivesse vento, nada cobrando a quem quer que fosse. Vivia feliz e
alegre e nada lhe faltava, porque lhe ofereciam muitas recompensas materiais, pois
era acima de tudo muito adorado pelo povo.
Quando faleceu, em 21 de Maio de 1927, depois das respectivas exéquias, o seu
corpo ficou depositado no jazigo do Sr.Augusto Luis Mendes. Mais tarde, em 19 de Setembro
desse mesmo ano, foi transladado para a sua terra natal e sepultado no cemitério
de Pedreira-Felgueiras, por decisão da família, num dia que ficou assinalado
com a despedida emocionante do povo de Loriga, todo a chorar e dando adeus a tão
grande e bom benemérito desta Vila.
Anos mais tarde como prova de gratidão, a Junta de Freguesia mandou erguer uma
estátua num dos largos da povoação, que passou também a
chamar-se de seu nome. Em 1977 e quando da passagem do Cinquentenário da sua
morte, ali lhe foi prestada uma homenagem alusiva a essa data, assim como, a todas
as vítimas dessa epidemia de 1927. |
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* Padre António Mendes Cabral Lages (Memórias) |
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Professor Pedro
de Almeida
1873 - 1959 |
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Nasceu em Santiago
de Cassurrães - Mangualde, em 2 de Dezembro de 1873.
Colocado em Loriga como professor
primário, exerceu proficientemente o magistério, durante longos anos,
nesta localidade, onde se veio a radicar.
Professor culto, competente,
profundamente dedicado aos seus alunos, tinha uma característica própria
de ser também muito exigente nos seus ensinamentos, atraiu à sua escola
estudantes de freguesias distantes, confiados pelos pais ao saber e cuidados do ilustre
professor.
Reconhecido por um republicano
verdadeiramente fervoroso, era também rigoroso nas suas ideias e naquilo que
acreditava, era um orador fluente, por isso também muito respeitado e admirado.
Casado com D. Adelaide de Almeida,
constituiu toda uma família virada para o ensino. Todos os seus filhos foram
professores do ensino primário, que se distinguiram, por onde quer que passaram,
e aos quais também doou a tradição republicana. Deixou ainda na
hora da sua morte numerosa descendência entre a quais netos e bisnetos, que no
ensino primário e secundário e em outras actividades ocupavam relevantes
posições sociais.
Muito católico, não
faltava à missa dominical ou mesmo nas devoções das tardes celebradas
na igreja, privando ainda da sua estima com todos, deixando muitas saudades.
Contribuiu sempre, quando solicitado,
para várias organizações loriguenses, tendo chegado a desempenhar
diversos cargos, entre os quais de Julgado da Paz e Registo Civil.
Faleceu em Loriga no dia 4 de
Dezembro de 1959, com 87 anos, ao funeral incorporaram-se centenas de pessoas, muitas
delas vindas de vários pontes distantes do país. Na igreja foram cantados
Ofícios Solenes, o funeral realizou-se depois para o cemitério local,
onde ficou sepultado. |
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Coronel José
Mendes dos Reis
1873 - 1971 |

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Oficial Superior
da Armada de Infantaria (Coronel) nasceu em 1 de Abril de 1873 em Macapá-Pará
- Brasil, era filho de José dos Reis e de Maria Águeda Mendes Lemos naturais
da Vila de Loriga.
Alistou-se com voluntário em Infantaria 5, a 19.11.1889, sendo promovido a Alferes
em 30.11.1895, tendo alcançando o seu posto de Coronel em 11.3.1922.
Foi professor de esgrima na Escola Prática de Cavalaria e altamente premiadoem
diversos concursos dessa disciplina. Em 1911-12 por ocasião das incursões
e movimentos monárquicos do Norte comandou um grupo de metralhadoras em operações
efectuadas em Braga, Arco de Valdevez, Chaves e Montalegre e foi comandante do destacamento
que sufocou a rebelião de Celorico de Bastos em 1912.
Comandou a força de Infantaria e Metralhadoras que forçou o Batalhão
de Infantaria 21 mobilizado, a depor, a sua atitude de recusa para C.E.P. em França
e comandou também uma força que prendeu os oficiais de Infantaria 34
que se recusavam, também a embarcar para a França em 1917. No ano seguinte
foi ele mesmo também incorporado no C.E.P em França e em Inglaterra como
chefe de uma missão militar.
De 1919 a 1926 foi Senador da República em quatro legislaturas consecutivas
e ainda 2. e 1. Secretário dessa Assembleia e representou-a como vogal no Concelho
Colonial. Por ter chefiado a revolução de 7.1.1927 contra o governo saído
do movimento de 28 de Maio, foi separado do serviço de 15.11.1927 a 11.7.1930,
tendo sido preso e deportado para Angola e reformado a 12.7.1930.
Passando pela ilha da Madeira por motivos de saúde, ali secundou o general Sousa
Dias no movimento revolucionário eclodido no Funchal, sendo novamente preso
e demitido do Exército em Abril de 1931, mas em 1937 foi reintegrado em situação
de reforma.
A folha de serviços como militar regista dezenas de altos louvores e condecorações
que depois da sua morte e, a após a revolução dos cravos (Abril
1974) passaram a poderem ser visionadas e que fazem parte de um espólio que
pertence e está à guarda da Junta de Freguesia de Loriga.
São realmente muitas as condecorações e louvores que recebeu,
no entanto são apenas algumas as que aqui se registam: -Medalha de Ouro comemorativa
das Campanhas do Exército Português com a legenda "Sul de Angola
1914-1915"; Medalha Comemorativa do C.E.P. com a legenda "França 1917-1918";
Medalha da Vitória com estrela; Cruz de Guerra 1.Classe; Grau de Oficial da
Ordem de Torre e Espada com palma dourada; os Graus de Comendador das Ordens de Cristo
e de Sant´lago de Espada e a Ordem de Mérito Militar de Espanha com distintivo
branco.
Segundo relatos antigos, quando na passagem e, com alguma influência, pelos meios
governamentais da época, o Sr. Coronel Mendes Reis conseguiu fixar em Loriga
os Correios Centrais que eram já de grande necessidade, falta que se fazia sentir
pois, nesses tempos, era já uma realidade o desenvolvimento das fábricas
de Lanifícios nesta localidade.
Por motivo de todos os contornos e audácia ao longo da sua vida militar, passou
a sentir-se vigiado pelo poder governamental, refugiando-se em Lisboa na sua casa e
junto à família, onde velho e cansado viria a falecer com 98 anos de
idade, no dia 19 de Novembro de 1971. |
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Emilia Mendes Brito
1874 - 1946 |
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Nasceu em Loriga
a 6 de Dezembro de 1874, mas desde muito nova era visível a sua piedade, talvez
fruto do ambiente piedoso em que vivia, dedicando à igreja da sua terra a sua
total fidelidade, onde tratava da limpeza, no ornamento dos altares e dando catequese
aos mais novos.
Vida de amor!.. Como ela passava horas sem fim diante do Sacrário!.. Como ela
compreendia a virtude da humildade, junto do tabernáculo dum Deus infinitamente
humilde!.. Como o publicano do Evangelho, jamais alguém a viu, que não
fosse no lugar mais solitário do templo, entregue à oração
mais concentrada.
Vivendo unicamente para o Senhor passava todo o tempo na igreja onde era sempre uma
presença em continuada oração que o povo chamava Santa. Era tão
grande a sensibilidade desta mulher na sua bondade, que chegava a deixar de comer o
pão para com ele alimentar os animais ou os passarinhos que não saiam
da sua porta
Mas não era simplesmente a oração que lhe absorvia todo o seu
dia. Ela era igualmente a grande mulher de acção. Cobrava as quotas da
sua queridíssima Propagação da Fé, inscrevendo novos associados,
visitando os pobres protegidos pela Conferência de S. Vicente de Paulo e muitas
das vezes se encontrava à cabeceira dos moribundos recitando-lhes o ofício
da agonia, apontando-lhes o Céu como termo dos sofrimentos humanos.
Durante toda a sua vida assistiu às missas e recebeu a comunhão diariamente.
As pessoas estavam já habituadas a ver aquela figura com as suas vestes a varrer
o chão, passando pelas ruas sempre de olhos baixos como que desejando que ninguém
a visse e, quando falava, a sua voz suave prendia todos aqueles que a escutavam, mas
ela própria se arrepiava ao ouvir de alguém uma palavra maldosa por mais
insignificante que fosse.
Com 72 anos de idade adoece e pouco tempo depois, em 28 de Janeiro de 1946 ocorre o
seu falecimento. Segundo relatos da época, parecia até haver um sorriso
na sua boca, como que feliz, por partir para junto do Senhor a quem dedicou toda a
sua vida.
O seu funeral foi um dia de muita tristeza para a população de Loriga,
ao verem partir para sempre a sua Santa. A Junta de Freguesia cedeu a sepultura onde
descansa eternamente, e o povo da sua terra, como prova de gratidão, mandou
colocar a mármore.
Durante anos, e ainda hoje, se comenta a possibilidade do seu corpo se encontrar intacto
na sua sepultura, pois segundo o povo "O corpo das Santas mantém-se tal
como foi durante a sua passagem pela vida". |
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Maria Ermelinda
Mendes Guimarães e Cunha *
1881 - 1926 |

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Nasceu em Loriga,
era filha de Augusto Luís Mendes e de Eduarda Guimarães.
Notabilizou-se como uma senhora de grande sensibilidade e de uma enorme ternura e amor
pelos outros, principalmente para com os pobres da sua terra.
Desde muito nova se evidenciaram as suas qualidades de bondade e de amor pelo próximo,
bem demonstradas na sua atitude para com os mais necessitados. Numa época em
que em Loriga, a pobreza extrema era bem visível, frequentemente, saía
do seu Solar da Redondinha, a fim de visitar as casas dos mais carenciados, onde para
além de esmola, levava carinho.
A virtude de querer fazer o bem, aliada a outras qualidades, fizeram com que fosse
adorada pelos pobres de Loriga. Para além das cestas com comida que mandava
entregar em casa dos pobres, pelas suas criadas, intercedeu junto de seu pai para que
fosse distribuída semanalmente uma esmola pelos mais carenciados, um gesto que
se manteve durante muito tempo.
Era uma excelente pianista, dando uma certa alegria àquele solar, quando o som
das teclas do seu piano se faziam ouvir. Casou com o Sr. Fernandes da Cunha, vindo
a ser mãe de quatro filhos.
Faleceu no ano seguinte à morte de seu pai, com apenas 45 anos, deixando os
filhos ainda muito novos. A sua morte causou grande consternação, e o
povo chorou a sua perda. As cerimónias fúnebres foram realizadas na capela
da Nossa Senhora Auxiliadora, na Redondinha, propriedade da sua família, sendo
o seu corpo depositado no jazigo da família no cemitério local. |
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* Albrito |
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José Gomes
Luís Lages
1881 - 1950 |
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Nasceu em Loriga
no lugar do Cabrum em 1 de Outubro de 1881, filho de José Gomes Luís
Lages e de Ana Jorge.
Era o mais velho de três irmãos, que com o falecimento precoce do seu
pai (com 24 anos) com apenas 8 anos e, após a abolição da escravatura
no Brasil, viaja com o padrasto e o irmão António para este país,
mais precisamente para o Rio de Janeiro.
Residiu no vale do Rio Paraíba e depois foi viver para Belém do Pará
e também para Manaus, onde já existia uma vasta comunidade loriguense,
que trabalhava no Café, na cana-de-açúcar e na borracha e onde
consegue sobreviver à febre amarela, na altura muito comum naquela região.
Teve a sorte de regressar a Portugal
em 1900, enquanto o irmão partiria para Argentina que à semelhança
de tanta gente de Loriga, nunca mais voltou à sua terra.
Em Portugal, começa por viver em Loriga com a irmã Teresa e com a avó
paterna Emma. Depois trabalha com um primo em Mangualde até regressar a Loriga
em 1902, para o casamento da irmã com José Gomes Luiz de Pina. Nesse
mesmo dia, começa um namoro com a irmã do cunhado, com quem acaba por
casar passado meio ano.
Por via da mulher, Maria Emília de Luís Duarte Pina entra na Fábrica
do Regato de onde sai após a morte do cunhado José, por tifo, e em divergência
com a sogra e os restantes cunhados.
Em 1929, trabalhou para Carlos Nunes Cabral e travou conhecimento e amizade com o Conde
da Covilhã. Em 1930, após hipoteca das terras que herdou da avó
no lugar do Cabrum, no "Portugal" e no Teixeiro, perante o Conde da Covilhã
contrai um empréstimo de 500 contos que serviria para construir a Fábrica
das Lamas, aproveitando a levada de água que alimentava também a Fábrica
da Redondinha.
Funda a Fábrica das Lamas e inicia a sociedade de lanifícios Lages que
posteriormente adopta as designações de Lages, Santos & Companhia,
Lda e mais tarde Lages Santos & Sucessores, Lda., não tendo já pertencido
a esta sociedade que cessaria laboração em 1973 e que foi vendida por
500 contos em 1980 à firma Pedro Vaz Leal e Companhia.
Da memória dos netos, na sua maioria afilhados, fica a ideia de um homem que
se gabava de travar amizade e histórias com salteadores e nobres e de ser de
estatura notoriamente mais baixa que a esposa.
Católico e monárquico com um bigode com pontas encaracoladas e cicatrizes
profundas nas mãos que passava muitas tardes a jogar às cartas com amigos
de Loriga, como Joaquim Leitão, José Carreira e Pedro de Almeida, entre
outros, no "Clube", que ficava na sua casa.
Durante a vida, dos 14 filhos que teve, perdeu dois rapazes (António e Augusto),
finalistas da Faculdade de Coimbra com tuberculose e um filho (Isaac Luís) de
sete anos, afogado no poço que posteriormente teve o nome pelo qual era vulgarmente
conhecido, na Ribeira de Loriga.
No final da vida, fez as pazes com a família da esposa e viaja constantemente
para Belas, onde visita a irmã, internada por demência após ter
contraído meningite, em 1930.
Veio a morrer em Coimbra, em 11 de Dezembro de 1950, aos 69 anos, após internamento
por acidente cardíaco. A sua casa no "Pátio" , no local conhecido
pela "Praça" em Loriga, continua a ser parte indivisível de
todos os seus herdeiros.
Loriga viu partir mais um dos seus filhos, fundador de uma das suas Fábricas de Lanifícios, que o tornou
num dos muitos industriais que contribuíram em muito para o engrandecimento
da sua terra. |
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Padre António
Mendes Cabral Lages *
1884 - 1969 |
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Nasceu em Loriga
em 23 de Agosto de 1884, filho de Augusto César Mendes Lages e de Rosalina Mendes
Gouveia. Foi ordenado sacerdote em 18 de Julho de 1909, pelo Prelado D.Manuel Vieira
de Matos na Guarda, tendo celebrado a sua primeira missa em 25 do mesmo mês em
Loriga.
Pouco tempo depois foi colocado como pároco encomendado como se dizia na altura,
na freguesia de Santa Maria de Manteigas e no ano seguinte foi nomeado pároco
da freguesia de Aldeia da Ponte onde permaneceu até fins de Junho. Entretanto,
como o seu tio e padrinho Monsenhor António Mendes Gouveia Cabral por motivos
de saúde e impossibilitado de estar à frente da paróquia de Loriga,
fez um pedido ao Prelado para a vinda para a sua terra, que viria a acontecer em Julho
desse mesmo ano e na sua terra permaneceu como pároco cerca de 34 anos. Paroquiou
também em Valezim, Alvôco da Serra e foi o maior impulsionador para a
construção das capelas da Teixeira de Baixo, Frádigas e Fontão.
Formado em Teololgia no Seminário da Guarda além de sacerdote sentia-se
politico, sendo caracterizado pela sua frontalidade e determinação, defensor
dos mais desfavorecidos e dos pobres. Conhecia bem as diferencias sociais existentes
na sua terra, por vezes dizia não serem justas e que apesar de não concordar
com elas, estranhamente era com elas mesmo que tinha um mais estreito relacionamento.
Muito devoto do Sagrado Coração de Jesus primava por ser um verdadeiro
cristão. No entanto era, acima de tudo um disciplinador e exigente no ensinamento
da catequese, tendo fundado em Loriga alguns organismos da Acção Católica
que, mais tarde, o seu sucessor reorganizou.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga em 1944, nos anos da II Guerra Mundial,
onde a lei e justiça eram superados pelos interesses dos mais poderosos e teve
grandes problemas com os seus paroquianos. Talvez fosse essa uma das causas mais marcantes
para que o Bispo lhe retirasse a paróquia de Loriga, tendo-lhe até sido
retirado o direito de celebrar missa no altar-mor da igreja, vindo a ser substituído
pelo Sr.Padre Prata natural de Manteigas.
Chegou mais tarde a ser pároco da localidade da Cabeça onde durante anos
realizou ali obras de grande vulto e de valor, sendo o grande obreiro na edificação
da igreja local de bela arquitectura.
Já velho e cansado com frequência se podia ver passar umas horas no café
do "Zé Maria" ou no "Clube", mas muitas mais horas passava
refugiado na sua casa a bater nas "teclas" da sua velha máquina, escrevendo
as suas memórias que intitulava de "Para Constar" que infelizmente
muitas delas se viriam a perder.
Possuidor de muitos bens, ainda em vida resolveu doar tudo à igreja paroquial,
doação que foi importante para a Acção Social e Religiosa
em Loriga, sendo instalada nesta vila uma Ordem de Irmãzinhas, onde passaria
a viver mais acompanhado e acarinhado o resto dos seus anos de vida e onde viria a
falecer após doença em 19 de Fevereiro de 1969, com a idade de 84 anos. |
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* Albrito |
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António
João de Brito Amaro
1890 - 1961 |

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Natural de
Loriga onde nasceu em 4 de Janeiro de 1890, foi um industrial e comerciante de sucesso,
que muito contribuiu no desenvolvimento industrial da sua terra, e que se destaca,
entre outros, na verdadeira expansão dos tecidos fabricados em Loriga para outros
localidades nomeadamente ao mercado da Beira Baixa.
Na sua infância fez parte da Banda Musical de Loriga onde tocava cornetim Era
um cristão convicto e um verdadeiro católico praticante, possuidor de
um coração bondoso tendo, ao longo da sua vida angariado a estima e amizade
dos seus conterrâneos que, mesmo depois da sua morte o recordavam com saudade.
Após o seu casamento com Maria José Nunes Brito, também natural
de Loriga, o casal rumou para o Brasil - Estado de Manaus. Ali adquiriu uma mercearia
que tinha em anexo uma olaria iniciando, assim, a sua actividade comercial que o levaria
a manter-se por lá durante alguns anos.
Regressou à sua terra em 1923, com alguns dos seus filhos ainda muito pequeninos,
e que entretanto por lá tinham nascido e, mais tarde, o casal voltaria a ter
mais filhos, mas desta feita nascidos em Loriga.
No ano seguinte (1924) fundou em Loriga uma sociedade do ramo de lanifícios
com os cunhados António e Alfredo Nunes Luis. Um ano mais tarde (1925) e na
ideia de expandir as vendas dos tecidos que nesta localidade se fabricavam e ainda
para estarem mais perto dos clientes na Beira Baixa, para onde se destinava a grande
parte dos mesmos, compraram uma loja de mercearia na Covilhã, centro industrial
por excelência, alterando a gerência da dita casa comercial com o sócio
António Nunes Luis, um mês na Covilhã e outro em Loriga.
Esta casa comercial na Covilhã viria a encerrar em 1935, passando a Sociedade
a ter os seus negócios sediados apenas em Loriga. Entretanto esta sociedade
é extensiva a mais familiares, com a finalidade de se expandirem um pouco mais
na industria de lanifícios, tendo nesse mesmo ano arrendado a Fábrica
da Redondinha (Augusto Luis Mendes & Comp.). Os sócios nomearam-no como
gerente da dita fábrica, funções que viria a desempenhar até
1953.
Foi também um dos sócios fundadores da fábrica Nunes Brito &
Comp., criada em Loriga no mês de Fevereiro de 1948, que nessa época passou
a ser uma das mais modernas.
No ano de 1939 acontece o falecimento de sua esposa, Maria José Nunes Brito
(28.10.1887 - 15.6.1939) com a idade de 51 anos, uma mulher muito sensível no
seu trato e dotada de uma inteligência pouco vulgar para a época onde,
o seu grande sentido de administração, contribuiu parte muitos dos êxitos
nos negócios do marido. A morte de sua esposa foi um duro golpe que abalou profundamente
o Sr. António João.
Esta figura de Loriga viria a falecer em 5 de Fevereiro de 1961, ficando esta Vila
mais pobre ao ver desaparecer mais um dos seus maiores industriais que em muito contribuiu
na divulgação e expansão da industria de lanifícios da
sua terra. |
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Carlos Simões
Pereira *
1890 - 1977 |
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Nasceu em Loriga
em 9 de Agosto de 1890. Segundo se sabe, parece ter nascido para a música e,
quando surge a ideia da fundação da Banda nesta vila, passou logo a fazer
parte dela, aprendendo música com o mestre espanhol que viria a ser o primeiro
regente.
Eram tão grandes as suas qualidades para a música, que depressa aprendeu
o suficiente e, em 1911, com apenas 21 anos, passou a ser o regente da Banda de Loriga
funções que viria a desempenhar até 1914.
Emigrou um dia tendo como destino o Brasil, onde esteve sempre em contacto com a música,
fazendo mesmo parte e sendo até regente de diversas tunas. Regressou a pedido
da família mas, mais tarde, partiu novamente, desta feita até ao Congo
(África), mas só, que por lá, não esteve tão perto
da música como desejaria.
Regressou a Portugal e a Loriga por altura de 1937, e é ainda com mais intensidade
que se dedica à música, e entra novamente como músico na Banda
da sua terra ocupando-se, também, a ensaiar o Grupo Coral da Igreja Matriz.
Era homem de verdadeiro sentido de interpretação musical, exigente, disciplinado
e educador, ficando para sempre ligado como uma legenda pelas gerações
de músicos que com ele muito aprenderam e, que a instituição musical
desta localidade muito lhe ficou a dever. Pensou e reuniu uma série de músicas
brasileiras que depois transcreveu para a banda executar com o título de Rapsódia
Brasileira, assim como, copiou e aperfeiçoou muitas peças musicais, algumas
das quais foram tocadas pela Banda de Loriga.
Foi regente da Banda Musical de Loriga, de 1911-14; de 1922-24; de 1951-61 e de 1966-68,
era também, acima de tudo,
um cristão convicto que muito fez pela igreja da sua terra, tendo ainda, e durante
muitos anos, desempenhado as funções de Regedor da Freguesia.
Nos anos da década de 1950 e principio de 1960, consegue elevar a Banda Musical
de Loriga a altos níveis e que ficaram famosos na história desta instituição.
Entre outros feitos, recorda-se quando, entre muitas outras Bandas, foi a Banda Musical
de Loriga honrada a tocar o Hino Nacional ao Cardeal António Cerejeira nas Festas
da Rainha Santa realizadas em Coimbra no ano de 1956.
O "Mestre Carlos" como popularmente assim era chamado, deixa de colaborar
na Banda já velhinho, afastando-se completamente aos oitenta anos, vindo a falecer
em Loriga no dia 13 de Agosto de 1977 com 87 anos. |
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* Albrito |
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António
Cardoso de Moura
1892 - 1967 |

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Nasceu em Loriga,
em 20 de Janeiro de 1892, filho de Emídio Cardoso de Moura e de Benedita Luiz
Moura.
Uma vida recheada de múltiplos aspectos, teve na sua inteligência a virtude
de angariar considerável fortuna, que foram frutos para que ao doá-los
à sua querida terra, se tornaria no maior benemérito da Vila de Loriga.
Nascido de uma família humilde, passou os primeiros anos entre a educação
de seus pais e a frequência escolar, tendo obtido o diploma da 4ª. classe
na Guarda.
Tinha apenas 11 anos quando foi para o Brasil, com a sua família, trabalhou
em diversos estabelecimentos comerciais, mas cedo começou a alimentar a ideia
de se emancipar profissionalmente, assim aos 17 anos iniciou o trabalho por conta própria,
e foi tão evidente a sua qualidade de trabalho, que se veio a impor-se como
verdadeiro comerciante.
Posteriormente viria a construir a primeira sociedade com o conterrâneo José
Fernandes Gomes, surgindo assim a "União" para impor no conceito geral
como casa de sólida constituição e renome no meio comercial.
Todavia, seria na sua terra que não esquecia, que viria a começar novo
ciclo, ao associar-se com alguns cunhados na constituição da firma industrial
Moura Cabral & Comp.
Homem de brio e de excepcionais qualidades de trabalho, que vindo de um meio comercial
diferente para uma actividade industrial completamente desconhecida, veio a firmar-se
como um orientador perspicaz, aliando ao exemplo de homem activo e de nobreza de trato,
que fazia de cada fornecedor ou cliente um amigo.
Desempenhou funções públicas tanto na Junta de Freguesia da sua
terra, como também na Câmara Municipal de Seia, onde foi vereador durante
muitos anos. Tinha o lema de acarinhar todas as obras ou iniciativas que tinham por
fim desenvolver ou valorizar a sua terra, tendo mesmo pelos seus conterrâneos
um certo carinho, que tentava por certos meios proteger, com todos colaborava e a todos
subsidiava.
Os desprotegidos da sorte ou instituições loriguenses, muito dele receberam,
não só no incentivo moral, bem como material, como nunca ninguém
o tinha feito.
Era casado com D. Eduarda Mendes Cabral e Moura (11.11.1894 - 3.3.1971), onde a formação
moral e cristã de ambos, se manifestou ao longo de 55 anos do casamento.
Se a sua vida não bastasse para constituir um hino de exaltação
ao trabalho generoso e honrado, à riqueza de carácter e à generosidade
esclarecida, quis ainda prolongar para além da morte esse mesmo lema, deixando
a maioria dos recursos tão laboriosamente adquiridos à sua terra Natal.
Depois da sua morte e perante a doação feita a Loriga, foi constituída
a Fundação Cardoso de Moura, sendo o prédio em que viveu este
ilustre loriguense, situado na Rua Coronel Reis (antiga Amoreira), aquele que mais
tem sido utilizado em prol da comunidade desta localidade. Já ali esteve sediado,
a Junta de Freguesia; a Banda de Loriga; os Bombeiros quando a sua fundação;
a Biblioteca; os CTT , enquanto se procediam a obras no edifício dos correios,
assim como, foi utilizado com as máquinas da Associação da 3ª.Idade,
enquanto não tinham sede, também funcionou ali o Curso dos Tapetes de
Arraiolos e os Cortes e actualmente funciona ali o Posto de Informação
Turística.
Faleceu em 31 de Outubro de 1967, em Lisboa, com a idade de 75 anos, sendo o seu funeral
realizado para Loriga, para ser sepultado no cemitério local, conforme sua vontade.
Os seus conterrâneos quiseram estar presentes, tomando em massa, parte activa
nos ofícios fúnebres e missa, numa expressão sentida de estima
e admiração. Esta presença espontânea de toda a freguesia,
foi sinal de gratidão que tinham na alma, pois nesta altura ainda ninguém
sabia das suas últimas vontades. |
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António
de Brito Pereira
1895 - 1987 |
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Nasceu em Loriga,
em 17 de Maio de 1895, filho de António Pereira e de Emília Lopes de
Brito.
Desde muito novo começou a ter um gosto especial pela Banda, onde ingressou,
vindo a notabilizar-se ao tocar diversos instrumentos, mas seria o Bombardino, a consagrá-lo,
dizem até, que era um verdadeiro artista a tocar esse instrumento.
Homem humilde, de poucas falas, sofreu na carne a sua condição social.
Alfaiate de profissão, ou por necessidade, era no entanto, a música que
mais lhe estava no coração.
Era do pão que lhe faltava em casa, cujo filhos bem sentiram. Só que
em vez de cortar mais pano, copiava papéis de música horas e horas sem
conto. Só que em vez de alinhavar mais, perdia-se no sonho belo da cultura musical
da sua terra.
Foi regente da Banda de Loriga, quando era ainda relativamente muito novo, funções
que viria a desempenhar muitas mais vezes. No total deve ter estado na regência
da Banda de Loriga cerca de 30 anos.
Trabalhou sempre incansavelmente para não deixar acabar a Banda da sua terra,
porque em determinada altura parecia agonizar, devido a uma boa parte de loriguenses
partirem para outras paragens, nomeadamente Sacavém e Brasil.
Esteve arredado da Banda Musical durante 30 anos, sofrendo interiormente quase um degredo.
E era fácil vê-lo escutando a sua Banda, procurando ser discreto, mas
a paixão não o deixava ocultar. Voltaria novamente à regência
da Banda Filarmónica da sua terra, depois de todos esses anos, já velhinho,
uma vez mais para a salvar.
Popularmente mais conhecido por "Mestre Barriosa", foi a muitos que ensinou
música, passando-lhe pelas mãos quase todos os executantes da Banda de
Loriga no seu tempo, até se dizia que era "ele a fazer a Banda, e depois eram outros a possuí-la".
Sendo pessoa de bem tinha na sua modéstia, uma virtude, que ao longo dos tempos
lhe fez angariar a estima, a amizade e o respeito dos seus conterrâneos.
Chegou a ser regente de outras Bandas, a de Silvares e depois a de Candosa, mas nelas
não "murou" muito tempo, pois a Banda de Loriga e a sua terra, para
ele eram tudo.
Era casado com Maria dos Anjos Alves Dinis, e pai do Albano, Manuel, João, António
e Idalina, que tal como o pai muito viriam a fazer pela comunidade loriguense.
Faleceu velhinho e cansado em Loriga, no dia 24 de Junho de 1987, o funeral foi realizado
para o cemitério local onde ficou sepultado. Perdendo Loriga um dos seus filhos
queridos, que adorando a sua terra, acima de tudo amava a sua Banda, que por ela, grande
parte da sua vida lutou, para que continua-se a manter-se bem viva e bem activa. |
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Joaquim Pinto Ascensão
1895 - 1971 |

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Natural de Loriga
onde nasceu em 11 de Outubro 1894, filho de António Pinto D' Ascensão
e Benedita Lopes de Brito.
Nasceu na vigência da Monarquia,
e assistiu à Implantação da República, tinha então
15 anos de idade. Com a idade de 18 anos cumpre o serviço militar e já
depois de ter cumprido todo o tempo, foi novamente chamado para voltar a ser integrado
o serviço militar, mas desta vez para ir combater para França, na 1ª
Grande Guerra Mundial, que ocorreu de 1914 a 1918.
Na altura já casado com
a senhora Amélia de Jesus Florêncio (1894 - 1958) e com dois filhos que
entretanto vieram a falecer, mesmo com todos os problemas inerentes á sua condição
de pai, lá foi integrado no contingente português mobilizado para combater
em França.
Regressado da Guerra são
e salvo, começou a trabalhar na Indústria dominante em Loriga, os Lanifícios.
Devido à competência revelada, cedo se tornou Mestre da Secção
das Cardas, da Fábrica Leitão & Irmãos. Tanto mais que era
uma das poucas pessoas em Loriga que, naquela altura lia e escrevia fluentemente.
Era vê-lo então
um conversador nato a contar os episódios passados na guerra e nesses seus relatos
nunca deixava de contar aqueles que mais o marcou e que mais perto esteve da morte.
Um dia, algures pela França,
o seu contingente foi atacado, para além dos habituais bombardeamentos com gazes
tóxicos, que punham as populações em debandada, nesse dia houve
também uma investida da infantaria alemã.
Da farda, fazia parte um capacete
a que chamavam "franquelete" e foi o "franquelete" que lhe salvou a vida como contava
aos amigos, à família e aos seus netos, que ainda o parece estarem a
ouvir. -"Quando
começou o ataque soaram as sirenes e um homem com uma bandeira na mão
corria no meio da multidão em fuga gritando - Salve-se quem puder!.. -Ao meu
lado corriam duas mulheres. Entretanto uma bala atingiu o meu capacete, o "franquelete"
saltou da minha cabeça com o impacto da bala. Corri ainda mais para fugir da
confusão. As mulheres que corriam ao meu lado e dos meus camaradas, nunca mais
as volta-mos a ver. Acho que ficaram soterradas nos escombros das paredes que desmoronavam.
A morte rondava muito perto de mim. Mas… não tinha chegado ainda a minha
hora!.. O Franquelete salvou-me a vida"
Continuou sempre pregado nas
imensas recordações da guerra. No regresso foi obrigado a viver de perto
com a fome, as epidemias, como a do tifo que dizimou Loriga, tempos difíceis
de uma vida atribulada que apesar de tudo isso o senhor Joaquim Pinto Ascensão
o "ti
Jaquim Faztudo"
como popularmente era assim conhecido não praguejava, raramente se irritava
e a todos aconselhava paciência e tolerância.
A sua curiosidade levou-o a estudar,
por iniciativa própria, História Universal. Da sua paixão pela
leitura, resultou, consequentemente, uma cultura acima da média nessa Loriga
desses tempos. Para alem do mais e, atendendo à sua religiosidade, dedicou-se,
também ao estudo da Bíblia, que passou a conhecer com profundidade.
Passou a dedicar-se de alma e
coração à Igreja da sua terra, ao ponto de, em certas ocasiões
quase substituir o padre. Foi a partir daí que o povo o passou a chamar por
"Joaquim
Faztudo".
As palestras bíblicas
ficaram célebres e ficaram na memória, falava com eloquência dos
vários episódios bíblicos do Antigo Testamento. Com a sua sabedoria
prendia as atenções de todos ao contar os episódios mais heróicos
da História de Portugal, de uma forma apaixonada. Não era fácil
resistir à sua capacidade de argumentação e astúcia quando
se discutia algum assunto mais polémico. Sem nunca perder a calma e o bom senso,
a sua força estava na capacidade de diálogo.
Ao longo dos anos granjeou o
respeito e admiração de toda a comunidade loriguense, fruto da inteligência
e capacidade de se relacionar com os outros. Nunca se impunha, mas era escutado. Foram
seguramente estas qualidades que no trabalho lhe permitiram também ter admiração
dos seus colegas e patrões e rapidamente ficou a liderar a secção
onde trabalhava.
Por volta do final dos anos 30
foi vítima de um aparatoso acidente de trabalho. As fábricas, nessa altura,
eram movidas a força hidráulica motriz que punha em funcionamento um
engenho com rodas mandantes e mandadas, umas maiores e outras mais pequenas, ligadas
por correias.
As uniões das correias
eram feitas com grampos uma espécie de agrafos com tamanhos enormes consoante
o tamanho das correias. Ora, um dia ficou preso num desses grampos e a correia levou-o
até ao tecto tendo depois caído com grande aparato. Foi levado para Coimbra,
para o Hospital da Universidade, onde permaneceu durante bastante tempo em coma. Nos
8 meses que permaneceu no hospital não recebeu visitas. É que ir a Coimbra,
nessa altura era mais difícil do que ir ao Brasil nos dias que correm. Mas...ainda
não tinha chegado a sua hora e sobreviveu a mais uma das muitas provações
que a sua vida lhe reservou.
O casal Joaquim e Amélia
tiveram 11 filhos. Dois antes da ida para a guerra que faleceram e depois da sua vinda
da guerra mais 9, seis rapazes e três raparigas, vivendo então mais dois
rudes golpes com a perda de mais dois dos filhos, o Mário de 7 anos que morre
num acidente com um camião e o José pouco tempo depois de ter nascido.
Em 1958 o destino o fustigou
mais uma vez com a fatalidade a bater-lhe à porta com a morte súbita
da sua esposa no dia 2 de Fevereiro de 1958, um dia lindo de sol e soalheiro, dia que
foi mais um rude golpe para o "ti
Jaquim Faztudo"
que passou ainda mais a encontrar na igreja as forças para o superar.
Perante uma vida de verdadeiros
atropelos do destino, no entanto, foi um homem que soube aceitar com uma resignação
de fazer inveja, transmitindo a todos um exemplo de coragem, incentivando todos, principalmente
a família a superarem-se em tudo e em cada dia que passava.
Faleceu em 21 de Setembro de
1971, Loriga viu partir um dos seus mais queridos filhos e
os seus conterrâneos viram desaparecer um homem da guerra, referência que ficou na memória
de muitos. Partiu para o céu mas em todos o seus conterrâneos e família
ficou a saudade.
No seu funeral realizado em Loriga,
incorporou-se quase toda a população que acompanharam o seu corpo ao
cemitério local, onde ficou sepultado e na última morada passou a repousar
em Paz. |
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* Extracto e arranjos dos registos de Jaquim Pinto Gonçalves |
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José
Lopes de Macedo *
1897 - 1974 |
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Nasceu em Loriga
em 13 de Dezembro de 1897. Deixando a sua terra com destino a Belém-Pará
Brasil ainda muito jovem. Estudou na Phenix Caixeral Paraense, onde concluiu o curso
de Contador, vindo a ser um dos mais competentes profissionais numa época em
que o ensino contábil no Pará ainda não era ministrado a nível
superior.
Patriota sincero, trabalhou na administração de todas as associações
portuguesas luso-brasileiras, existentes no seu tempo e, presidiu por alguns anos no
Centro Loriguense de Belém, do qual foi um dos seus fundadores, assim como foi
membro de destaque da União Comercial do Prará-Brasil.
Notabilizou-se nos desportos náuticos, onde alcançou vitórias
para a TUNA, Luso-Brasileira, quando participou de guarnições de remo,
que alcançaram o primeiro lugar nas regatas, conquistando troféus para
a Entidade que representavam e medalhas de ouro individuais.
Grande entusiasta da Obra da Associação do Pão de Santo António,
de amparo às pessoas da terceira idade, juntamente com a sua esposa D.Josefina,
prestaram aquele organismo, relevantes serviços onde durante muitos anos colaboraram
em todas as promoções para angariar fundos para a manutenção
dessa notável entidade filantrópica.
Homem notável e de boas maneiras, apesar de tudo não esquecia a sua terra,
sempre pronto a contribuir quando havia iniciativas a favor dela.
Faleceu no Hospital da Beneficiente Portuguesa em Belém - Brasil, em 23 de Março
de 1974, vendo Loriga desaparecer mais um dos seus filhos que longe se notabilizou. |
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* Eugênio Leitão de Brito |
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Emídio
Gomes Figueiredo
1897 - 1969 |
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Nasceu em Loriga,
e era filho de Manuel Gomes Figueiredo e de Maria Gomes Lages. O "Ti Emídio Correia" como popularmente era mais conhecido,
foi um dos maiores pastores da Serra da Estrela, senão mesmo o maior e foi,
na realidade, uma referência tradicional dos tempos passados dum pastor loriguense
verdadeiramente serrano.
Pai de oito filhos, era um homem bom, honrado e simples, era conhecido por todos e
com todos ele gostava de falar. A dedicação aos seus rebanhos era algo
de impressionante, procurando para eles os melhores pastos que pudessem existir por
toda a serra.
A serra era o seu mundo, onde passou toda a sua vida como pastor, sendo considerado
por muitos, o último guerreiro lusitano dos Montes Hermínios. Ao longo
da sua vida teve sempre muitas histórias para contar da serra e dos seus cães,
autenticas aventuras, que os mais novos as ouvindo as tornaram lendárias.
Praticamente desde criança trabalhou no campo, vivendo da agricultura, mas foi
à pastorícia que ele dedicou toda a sua vida, passando metade do ano
na serra sem vir à povoação, onde guardava a maioria dos rebanhos
da região, chegando mesmo a ser o pastor com o maior rebanho na Serra da Estrela.
Há relatos até que dão conta de ter à sua guarda cerca
de 10.000 cabeças de gado.
Para os seus conterrâneos, o "Ti Emídio Correia", era um símbolo, e tinham por
ele enorme admiração e respeito. A sua fama de grande pastor era bem
conhecida por todos, tendo um dia sido fotografado, assim como, seu irmão Manuel,
também ele um grande pastor, passando a partir de então a figurarem em
postais ilustrados como pastores modelos da serra, postais esses que passaram a fazer
parte das séries da Serra da Estrela.
Conhecia a serra palmo a palmo, percorria caminhos que só ele conhecia, bem
como conhecia todos os segredos e mistérios desse mundo serrano que, apesar
de ser rude ele o adorava e considerava seu, mesmo, quando uma ou outra vez se sentia
frustrado ao sentir-se impotente para lutar com a serra, quando esta era rigorosa e
descarregava a sua ira por todo o lado e o impediam de conseguir para os seus rebanhos
os melhores pastos.
Com a pele enegrecida pelo sol, e pelas aragens frias e rígidas da serra, ainda
hoje muitos dele se recordam, quando, ao escurecer, o viam chegar à povoação
ou, mesmo estando em suas casas ouviam os seus passos lentos e pesados, arrastando
as suas botas cardadas por brochas, ansioso por chegar a casa, e desfrutar um pouco
do calor do seu lar e do amor da sua família. Pela manhã, e bem cedo
ainda, lá partia novamente, voltando para o seu mundo, onde só ali se
parecia sentir bem.
Num começo de dia, que parecia igual a muitos outros, o velho pastor prepara-se
para mais uma saída com o seu rebanho, coloca ao ombro a velha sacola com a
"bucha", pega no seu inseparável cajado, prepara-se para se pôr
a caminho.
Começa a sentir-se mal, senta-se nos degraus da palheira da Tapada do Amial
e, possivelmente deitando um último olhar em seu redor, tranquilamente adormece
no sono eterno, quem sabe feliz por deixar esta vida dos vivos, longe da povoação
e num mundo que foi todo a sua vida - a serra.
Algum tempo mais tarde é encontrado por sua mulher naquele local, onde parecia
existir uma verdadeira paz eterna. Junto dele, o seu cão e fiel amigo, fixava
o seu olhar no velho pastor, e chorava parecendo um humano, cenário que não
mais foi esquecido por aqueles que ali acorreram. Esse mesmo, cão com tal desgosto,
deixou de comer e pouco tempo depois morreu também.
Faleceu com 72 anos de idade, e o seu funeral realizou-se com verdadeiro pesar pelos
muitos dos loriguenses que o acompanharam ao cemitério local, onde ficou sepultado.
A serra pareceu também ficar triste, não vendo mais chegar até
ela, um dos seus últimos guerreiros lusitanos, o velho pastor de Loriga. |
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Pedro Vaz Leal
*
1900 - 1964 |

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Natural da Póvoa
da Atalaia (Beira Baixa), onde ocorreu o seu nascimento em 8 de Março de 1900.
Completou a instrução primária na sua terra natal, que deixou
ainda novo, seguindo com destino a Loriga para se empregar na oficina do Sr. António
Ferreira situada no Cabeço. Anos mais tarde casou com D. Alzira Machado natural
desta localidade.
Jovem inteligente e com vocação para aprender, depressa adquiriu uns
certos conhecimentos da arte de ferreiro, que levaria a tornar-se em pouco tempo num
brilhante profissional. Desde logo, e como também era dotado de uma certa ambição,
e pretendia alargar os seus horizontes, pensou não ser, a oficina onde trabalhava,
um lugar de futuro. Não foi, por isso, de estranhar a sua mudança para
outro lugar, partindo para perto de Lisboa, onde se empregou desempenhando a profissão
de ferreiro, dando ainda assistência às máquinas agrícolas
nas quintas dessa região.
Em 1931 regressa a Loriga para trabalhar por conta própria e, com alguma ajuda,
alugou a velha forja do Cabeço, iniciando assim um trabalho cujo crescimento
era bem visível e, a partir daí não mais parou. Não se
contentando só em trabalhar para Loriga, depressa alargou o seu trabalho para
o exterior, não tardando mesmo a ser um dos fornecedores mais creditados das
Minas da Panasqueira, sendo ainda no Cabeço, o construtor das primeiras vagonetas
para transporte do minério.
Aumenta os quadros do pessoal, abre uma nova oficina já mais moderna no Terreiro
da Lição, junto com a sua habitação onde sempre viveu.
A expansão da sua firma continua a registar grandes progressos, por isso resolve
fazer uma fundição na Vista Alegre com serviço automóvel
e venda de combustível, acabando mais tarde por fazer novas instalações
para onde passaria todos os serviços. Anos mais tarde, e já depois da
sua morte, a sua empresa viria adquirir a antiga Fábrica das Lamas podendo,
assim, alargar-se ainda mais em Loriga.
Sempre caracterizado por trabalhador patrão, teve sempre presente a preocupação
de que os seus empregados adquirissem cada vez mais conhecimentos e melhor valorização
profissional. Por isso mesmo, a sua Oficina passou a ser uma Escola Técnica
que proporcionou, a muitos jovens que por lá passaram, a profissionalização
naquela área.
A Metalúrgica Vaz Leal, foi uma das maiores Firmas de Loriga, e chegou a ser
uma das principais do distrito da Guarda e uma das melhores do Concelho de Seia.
Era casado com Alzira Gomes de Pina Leal (28.8.1906 - 7.9.1961) virtuosa senhora de
bondade para com os pobres. Aos 64 anos, e após doença prolongada, em
14 de Junho de 1964 morre o Sr. Pedro Vaz Leal. Ficou sepultado em Loriga, à
qual ficou para sempre ligado e que, apesar de não ser natural desta localidade
ele dizia ser também sua. Na realidade, assim pareceu ser, tendo sido considerado
um dos maiores obreiros no desenvolvimento da Vila de Loriga, pelo contributo dado
ao longo da sua vida. |
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*Albrito |
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*** |
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Francisco
Mendes Campos *
1901 - 1957 |
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Nasceu em Loriga
em 18 de Fevereiro de 1901, ficando orfãm de pai e mãe, ainda com tenra
idade. Foi uma personalidade de destaque na Colónia Loriguense de Belém,
nas décadas de 1920/50, distinguindo-se como homem de letras, contribuindo também
em muitas iniciativas em prol da sua terra.
Após a morte dos seus pais, passou a ser criado aos cuidados da avó paterna
Emília, que lhe dispensou especial carinho pelo que lhe ficou muito grato, manifestando
publicamente, isso mesmo, num sentimental artigo publicado no "Jornal Lusitano"
editado em Belém e no qual foi secretário.
Foi para Belém do Pará, antes de 1920, onde possuía um tio paterno
e outros familiares, formou-se na Escola Prática de Comércio, mantida
pela Associação Comercial do Pará, e na qual foi um dos mais brilhantes
alunos.
Ainda muito cedo manifestou a sua inclinação para o ensino, sendo um
excelente mestre de português e de contabilidade, exercendo o magistério
na Escola Prática, Phenix Caixeiral Paraense, Grémio Literário
Português e Curso Ciências e Letras. No Grémio foi vice-presidente
e director de curso.
Foi sócio e pertenceu aos corpos administrativos da Beneficente Portuguesa,
Associação "Vasco da Gama", Tuna Luso Comercial, Liga Portuguesa
de Repatriação, Phenix Caixeiral e Grémio Lusitano.
Foi durante muito tempo um assíduo colaborador dos jornais "Lusitano"
e "A Colónia" com artigos patrióticos e em defesa de portugueses
que eram vítimas de ataques e perseguição de uma minoria dotada
de xenofobia.
Embora muito novo os seus artigos demonstravam fina sensibilidade. Assim os artigos
"À minha Mãe além-túmulo"; "À minha
Avó"; "À minha afilhada Vitória" outro sobre o
escritor Gomes Leal e ainda uma réplica ao Padre Dubois por causa do poeta Guerra
Junqueiro e, também pelo que escreveu contra o Marquês de Pombal, essas
réplicas demonstraram grandes conhecimentos e uma maneira própria de
o descrever.
Em 1923 transferiu-se para Recife, onde se manteve pouco tempo, regressando novamente
a Belém. Exerceu o cargo provisório de arquivista no Consulado de Portugal
onde a sua inteligência e zelo nas funções ali desempenhadas, eram
bem reconhecidas por todos.
Viria a falecer ainda novo em 3 de Dezembro de 1957, no Hospital de D.Luiz I em Belém
- Brasil, tendo sido sepultado no cemitério de Belém. Loriga foi o seu
berço, mas foi em terras distantes que viveu e se notabilizou, e onde ficou
também eternamente. |
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* Eugênio Leitão de Brito |
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*** |
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José Fernandes
Conde *
1901 - 1972 |
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Nasceu em Loriga
em 16 de Maio de 1901, filho de António Fernandes Conde e de Ana Mendes de Moura.
Foi durante muitos anos o varredor das ruas de Loriga e também coveiro com a
nobre missão na "Obra de Misericórdia" de enterrar os mortos.
Além disso tinha como todos os muitos seus conterrâneos na época,
a natural habilidade de trabalhar as pedras.
Homem robusto, de caris temperamental, no interior era um coração de
bondade. Cumpridor como poucos, era vê-lo logo pela manhãzinha orientando
as águas nos regos, cujos canos ficavam entupir com lixos domésticos,
que as mulheres ainda lusco-fusco deitavam nas águas correntes. As carências
económicas e outras originavam que as pessoas fossem menos limpas. Era assim
no tempo em Loriga com cerca de 4000 almas, tiremos daí as conclusões
sobre a lida deste homem.
Brioso, varria as rua como ninguém. Era vê-lo constantemente a fazer as
suas próprias vassouras, com ramos de azinho e quando encontrava os miúdos
nos regos a fazer traquinices, desviando-lhe as águas, corria-os com estas palavras
"ide embora senão levais com o vassouram".
Como coveiro tratou do cemitério de Loriga como poucos o fizeram. As campas
na altura eram na maioria térreas, e o "Ti Zé Conde" a todos
tratava com o mesmo carinho. Sabia quem tinha sido sepultado em cada côvado e
por ordem de datas, tinha na sua cabeça aquilo que a Junta de Freguesia devia
ter no papel, e não tinha.
Quantas vezes este homem se levantou no meio da noite para abrir covas sozinho, debaixo
de chuva e vento, para os funerais a realizar logo de manhã cedo.
Mal pago pela Junta de Freguesia ignorado ao dever que tinham para com ele, sujeitava-se
a receber alguma coisita que no dia dos finados lhe depositavam no bolso. Quem não
se lembra de o ver à porta do cemitério, recebendo os seus mortos, com
o chapéu na mão em sinal de grande veneração. Foram muitos
anos e, muitas as centenas de Loriguenses que este homem desceu à terra.
Era casado com Maria dos Anjos Brito Conde, tiveram quatro filhos, José, António,
Adélia os três já falecidos e Maria do Carmo ainda viva.
Deixou o reino dos vivos em 20 de Janeiro de 1972, sendo sepultado no seu cemitério
que tantos anos da sua vida ali passou. Os Loriguenses viram assim partir um dos seus
conterrâneos que se a sepultura aos mortos é sem dúvida uma obra
de misericórdia, este homem pelas que praticou na sua terra, está de
certeza junto do Misericordioso Deus, gozando a eterna Paz.
*Albrito |
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Constança
de Brito Pina
1901 - 1981 |
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Grande
parte da sua vida dedicou
A quem vem ao mundo é para viver
De mãos suaves e até milagrosas
Muitos Loriguenses ajudou a nascer |
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Nasceu em Loriga no dia 9 de Junho
de 1901, filha de Plácido de Moura Pina e de Maria Tereza Luis de Brito. Foi
durante mais de 40 anos a "parteira" da sua terra natal.
Eram épocas há muito passadas, quando os nascimentos
das crianças tirando uma ou outra excepção ocorriam nos domicílios.
Por isso, de maneira alguma se poderá ignorar uma pessoa notável que
através dos anos, décadas e gerações, prestou assistência
a esses muitos nascimentos e que ficou para sempre registada como uma referência
e uma legenda de Loriga.
Com dignidade e amor à sua terra e aos seus conterrâneos,
assistiu e ajudou a nascer gerações de loriguenses, ocorrendo ao chamamento
a qualquer hora do dia ou noite, nunca se preocupando se a assistência que ia
prestar era para rico ou pobre, nunca exigindo qualquer renumeração e,
alguma gratificação que lhe ofereciam, era consoante as posses de cada
um.
Por tradição era a Sra. Constança que no
dia do baptizado, levava ao colo os bebés que tinha ajudado a nascer. Por isso,
perdeu o conto de quantos levou à igreja Matriz para receberem o baptismo, dado
que foram décadas de anos em que a população se habituou a vê-la
com os seus cabelos da cor da neve, a caminho da casa de Deus, sendo até uma
das pessoas mais conhecidas de Loriga.
Entretanto os tempos mudaram, e os nascimentos deixaram de ser
nas próprias casas e aos poucos foi deixando de ser solicitada. Decorria então
o ano de 1975 quando, definitivamente, deixou de prestar assistência de "parteira".
Era casada com José Pinto Romano.
Faleceu em 22 de Abril de 1981, ficando Loriga mais pobre ao
ver partir, de certeza para o Céu, a mulher que durante uma vida inteira, foi
a primeira a ver um Loriguense a nascer. |
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Nota:- No dia 15 de Agosto de 2002, numa homenagem singela,
esta figura passou a fazer parte na Toponímia de Loriga, ao ser atribuído
o seu nome a uma das ruas desta localidade. |
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José Mendes
Garcia *
1901 - 1985 |

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Nasceu em Loriga,
no ano de 1901, filho de José Mendes Garcia e Maria Teresa Garcia.
Homem simples, dotado de um coração generoso e uma alma grande. Trabalhador
da industria de lanifícios no sector da ultimação, quedou de velho
quando as portas do seu "Regato" não mais se abriram para voltar a
sentir o martelar dos seus pisões.
Ao falar-se no "Ti Garcia" como popularmente assim era chamado, com naturalidade
é recordado ligado à "Amenta das Almas". A ele se ficou a dever,
pelo seu desempenho, preservação e continuação desta mais
antiga tradição que Loriga se orgulha de ter.
De uma voz grave, taciturna, monocórdica, cantou vezes sem conto, pedindo orações
pelos mortos, durante cerca de 60 anos, em todas as semanas quaresmais de cada ano.
Com ele cantaram várias gerações que seria difícil aqui
descrever. Nunca faltava, até porque o ajuntamento se fazia na sua modesta casa,
onde nunca faltava os figuitos e a aguardente que carinhosamente a esposa, Tia Cândida,
deixava já em cima da mesa toalha de branco.
Para o "Ti Garcia" cantar a "Amenta da Almas" era como que sagrado.
Essas noites da quaresma, para ele, era de grande respeito, exigindo mesmo a todos
que o acompanhavam, um silencio sepulcral, dizia ele, que só assim os corações
podiam ouvir e rezar. Distribuía os pontos, para cantar, sempre com a aprovação
de todos, porque ninguém teria a coragem de contrariar o homem cujo exemplo
era o próprio a dar.
Muito crente e devoto, era homem de bem. Se a Fé a todos acompanha, não
deverá haver dúvidas, que este homem não pode estar noutro lugar
senão junto a Deus.
Após a passagem do centenário do seu nascimento, foi finalmente prestada
uma justíssima e singela homenagem, pena foi, ter pecado por tardia. Em 8 de
Março de 2003, a Junta de Freguesia de Loriga, mandou colocar uma placa evocativa,
na casa onde viveu durante grande parte da sua vida, perpetuando assim para as gerações
vindoiras o nome desta figura loriguense.
Foi casado com Maria Cândida Martins de Ascenção, e desse casamento
tiveram os filhos:- António, Emidio, Eduardo, Mário, Laurinda e Irene.
Faleceu em 17 de Agosto de 1995 na Guarda, o funeral realizou-se em Loriga para o cemitério
local onde ficou sepultado, sendo muitos os loriguenses que o acompanharam à
sua última morada. Loriga ficou mais pobre ao ver partir um dos seus filhos,
que muito lutou para que a tradição mais antiga desta localidade não
morresse e para que continua-se a manter-se bem viva de geração em geração. |
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* Albrito |
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Alfredo Nunes Luís
1903 - 1983 |
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Nasceu em Loriga
a 22 de Outubro de 1903, filho de Joaquim Nunes Luís e de Maria Antunes de Moura
Desde sempre notabilizou-se na área de lanifícios, distinto empresário
de trato fácil e de uma maneira própria de estar na vida, onde despontava
nele uma personalidade bem vincada e com um educação extrema que o distinguiam
além do empenho e dedicação em tudo que fazia
Em 1924 e apenas com 21 anos faz uma sociedade com o seu irmão António
Nunes Luís e o cunhado António João de Brito Amaro e mais tarde
em 1929, criam a Fábrica do Pomar "Nunes Brito" que depois em 1948
dá origem à fundação (17 de Fevereiro de 1948) da Firma
"Nunes, Brito & Companhia Limitada" de capital social de 252.000$00,
com ele a ter uma das quotas principais (48.000$00) e onde continuou na gerência
juntamente com os familiares que faziam parte da sociedade.
Adorava a sua terra estando sempre disponível para poder contribuir no seu desenvolvimento
e estava sempre pronto para participar em organismo, eventos, ou no que quer que fosse,
em prol da comunidade, nomeadamente, para com a igreja à qual dedicou muito
da sua vida.
Muito religioso e cristão convicto durante muitos anos fez parte da Comissão
da Fábrica da Igreja. Foi Zelador do Apostolado da Oração dos
Homens, Fez parte da liga Eucarística dos Homens, não faltava a nada
relacionado com a igreja, onde o seu contributo era mais que relevante.
Ficou na memória o trabalho de reorganização que fez na Irmandade
das Almas e do Santíssimo Sacramento das Almas de Loriga, pertencendo a diversas
direcções e durante anos a fio era mesmo uma presença de referência
neste organismo loriguense.
Fez ainda parte de outros organismos de Loriga e foi um dos grandes impulsionadores,
pertencendo mesmo a várias comissões das Festas da Vila de Loriga realizadas
na década 50/60, as maiores festas que se realizavam na região e mesmo
a nível do distrito, que ainda hoje predomina e se mantêm bem viva nas
recordações de muitos loriguenses, que as continuam a considerar de terem
sido as maiores festas realizadas em Loriga desde sempre.
Muito devoto à família e à Igreja o Alfredo (Lisboa) com popularmente
era assim conhecido, tinha uma característica própria de ser muito íntegro
e correto, por isso, ser muito respeitado e admirado pelos seus conterrâneos.
Casado com Floripes Gouveia Neves Nunes (falecida em 20 de Agosto de 2002) uma distinta
senhora também ela muito dedicada à Igreja da sua terra e, durante a
sua vida fez também parte de várias associações religiosas.
Tiveram sete filhos.
Faleceu em 1 de Outubro de 1983, com 80 anos, vendo Loriga desaparecer um dos seus
filhos, que muito contribuiu no desenvolvimento e ao qual Loriga muito ficou a dever.
O funeral realizou-se em Loriga para o cemitério local onde ficou sepultado. |
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Abílio Luís
Ramalho *
1903 - 1974 |

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Nasceu em Loriga
a 8 de Março de 1903, filho de António Luís Ramalho e de Amélia
Pina Calado.
Notabilizou-se pela sua luta sindicalista em prol dos benefícios a que os trabalhadores
tinham direito, nomeadamente, na reivindicação do horário das
8 horas de trabalho.
Muito cedo foi trabalhar na indústria de lanifícios da sua terra, mas
sempre envolto num espírito de revolta com tudo o que achava errado no relacionamento
de trabalho. Loriga tinha, na altura, mão-de-obra em demasia, e quando a oferta
é superior à procura, dá-se um desequilíbrio desfavorável
na uma das partes. Quem perdia era, sem dúvida, a classe trabalhadora.
Na altura horário de trabalho não existia: trabalhava, recebia; não
trabalhava, não havia nada para ninguém. Caixa de Previdência,
Fundo de Desemprego, Férias, Feriados, nada, absolutamente nada. Note-se que
todas as fábricas no tempo eram movida pela força da água e, no
Verões secos a ribeira de S. Bento quase secava, aí os patrões
recusavam-se a pagar os tempos de paragem por falta de água. E quantos problemas
à volta da falta de água. Os agricultores construíam poças
por aquela ribeira acima, os patrões mandavam destruir por operários
"bem mandados".
O jovem Abílio Ramalho rejeitou sempre fazer tal trabalho, e apontou sempre
o dedo a quem
o fazia, informando os agricultores dos que tinham sujados as mãos. Mas outros
problemas o preocupavam mais. A falta de um horário de trabalho, e a prática
do trabalho de sol a sol, que começava cerca das 6 horas da manhã, e
se estendia até às 20 horas num total de 12 horas aproximadamente, revoltavam
o Abílio da "Amélia" também assim conhecido.
O Padre Lages na altura tinha então dado cobertura à criação
da Associação Católica de Operários e Artistas, com fins
duvidosos, da qual nada resultou de benefício para a classe trabalhadora de
então, mais por causa de algumas pessoas colocadas à sua frente. Esta
Associação funcionou na casa ainda hoje conhecida por "Casa do Jesué",
e é ali que o jovem Abílio Ramalho, mais os seu companheiro Manuel Russo
aprenderam as primeiras letras.
Começa, então na Covilhã a luta reivindicativa de 8 horas de trabalho
diário, iniciada em princípio por uma organização anarco-sindicalista,
e seguida pelo Movimento Nacional Sindicalista, fundada recentemente pelo jovem doutor
regressado de Lovaina, Francisco Barcelos Rolão Preto, cuja célula em
Loriga era constituída por Abílio Ramalho, Manuel Russo e Abílio
Melo.
Estes três jovens deslocavam-se a pé por essa serra fora até à
Covilhã, para reuniões várias, estendendo por esta via a luta
travada em Loriga. Contava que numa dessas idas à Covilhã teve de fugir,
pois todos os seus camaradas de luta tinham sido presos nessa noite, e levados para
nunca mais voltarem. Ainda hoje se desconhece o que Salazar lhes destinou.
Abílio Ramalho, reivindicador convicto, anarco-sindicalista por tendência,
não tinha medo de envergar a camisa azul com a cruz vermelha, símbolo
da organização a que se orgulhava de pertencer, desafiando assim o patronato
da sua terra.
Alguns operários ingratos chamavam-lhe o "Testa de Ferro", quando,
afinal, este homem não lutava só por si. O Abílio esteva convicto
e sabia que os camaradas operários o iriam trair. Uns, acasulavam-se no medo
e na ignorância, outros, protegidos pelo capote do patrão, bocejavam aldrabices
para continuarem protegidos com a benzedura do caciquismo.
Entretanto, o horário foi conquistado. Mas... daí até a sua aceitação
foi ainda um grande passo. Criada uma multa para os não aderentes, Abílio
Ramalho acusa os seus próprios patrões por falta de cumprimento, e a
firma Lages é multada em 500$00. Conhecendo o facto reúnem-se os patrões
e decidem impor ao patrão José Lages o despedimento do seu operário,
e ficou ali acordado ninguém lhe dar trabalho, obrigando-o assim a sair de Loriga.
Nenhum dos seus camaradas de trabalho se levantou contra essa injustiça. Cobardemente,
deixaram que o Abílio partisse, carregando a sua pesada cruz, e não apareceu
Cireneu algum que o ajudasse.
Parte para Sacavém, com dois filhos nos braços, e a esposa carregava
um outro na barriga. Homem duro, não quebrava facilmente. Arranja trabalho na
fábrica dos adubos, carregando vagões de sacos de 100 Kg às costas.
Passa por lá muitas dificuldades para sustentar a família.
Habita um a barraca, em Sacavém, feita de madeira apodrecida, que o vendaval
numa noite lhe destrói, passando o resto da noite com a esposa e os três
filhos debaixo de cartões, gemendo as crianças toda a gélida noite.
Por lá aguenta alguns anos, até que chega a segunda guerra mundial, e
por volta do ano de 1942 regressa a Loriga, a convite do seu irmão José
da "Amélia", para explorarem volfrâmio na serra. Manteve-se
na serra até final da guerra, quando o volfrâmio deixou de interessar.
Decorridos estes anos, o "ódio" ao Abílio da "Amélia"
tinha ficado diluído, o muito trabalho nas fábricas era evidente. É
então que o Sr. Cardoso de Moura e o Sr. Carlos Cabral (pai) decidem empregá-lo
na Fábrica Nova, onde se manteve até à reforma.
Pesaram-lhe os anos, mas ficou-lhe sempre o mesmo ideal. Nunca vergou a ninguém.
Impunha-se pelo seu trabalho e verticalidade. Nunca aceitou bem os sindicalistas corporativistas
que algumas vezes segredou de "Casa dos Fantoches".
Foi um apaixonado da Corporativa Popular de Loriga, ali se dedicou na arte de cozinhar
confeccionando bons petiscos, como dobrada, febras fritas ou ainda iscas de cebolada,
com os quais muitos se consolavam e que hoje ainda alguns se recordam.
Abílio Luís Ramalho faleceu em 16 de Julho de 1974, com 71 anos de idade,
Loriga viu partir um dos seus filhos, homem vertical, que nunca torceu e a quem o operariado
da sua terra muito ficou a dever. O funeral realizou-se para o cemitério local
onde foi sepultado e ficou a descansar em Paz, ao fim de uma vida de luta pela justiça
no trabalho e pelas justas e dignas reivindicações em prol de todos os
trabalhadores da sua terra. |
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* Albrito |
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João Mendes
Oliveira
1906 - 1961 |

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Nasceu em Loriga
em 9 de Novembro de 1906, filho de João Oliveira e de Maria do Carmo Jorge de
Moura.
Notabilizou-se na profissão
de pedreiro, dando continuidade à profissão que já seu pai desempenhava.
Foi um verdadeiro mestre na arte de trabalhar a pedra, deixando mesmo obras que ainda
hoje se podem observar destacando-se algumas obras em que participou - Campo de Futebol,
Fábrica Nova, várias Palheiras, Bairro da Vista Alegre e em várias
casas um pouco pela povoação.
Foi um homem humilde e trabalhador,
numa terra marcada por socalcos, onde os degraus construídos nos montes para
se plantar, João "Ruas" (como popularmente era mais conhecido) empregava
a sua mestria que se fazia notar nas tarefas que executava, onde podemos realçar
os trabalhos executados nos "combaros" ou muros das "courelas",
alguns com cinco metros de altura, que se transformam em obras de rara beleza e se
confundem com a própria natureza quando contemplamos a paisagem.
Podemos até considerar
uma "imagem de marca" na sua terra. Esta sua vocação para os
trabalhos com a pedra era já uma herança dos seus antepassados. O nome
de seu pai ficou sempre ligado à construção das belas fontes que
ainda hoje vemos nesta vila que foram oferecidas pela comunidade loriguense de Manaus
- Brasil.
Homem de bom coração,
que os seus dez filhos lembram com muito carinho e saudade, sendo relembrado pelos
mais antigos como um dos maiores pedreiros existentes em Loriga.
Um trabalho verdadeiro duro,
onde o pó da pedra que ele tanto trabalhava, seria por certo, também
muito prejudicial para a saúde, por isso o facto de uma vida menos saudável,
falecendo ainda novo com apenas 55 anos.
Faleceu a 24 de Agosto de 1961,
vendo Loriga desaparecer uma figura que deixou na pedra, uma marca que figurara para
sempre perpetuado, na história da sua terra.
O funeral realizou-se em Loriga
para o cemitério local onde ficou sepultado. |
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José Nunes
de Pina
1907 - 1993 |
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Nasceu em Loriga
no dia 20 de Outubro de 1907, filho de Joaquim Brito Pina e de Carolina de Brito Amaro.
Sapateiro de profissão durante praticamente toda a sua vida, foi um verdadeiro
mestre na arte de trabalhar com os sapatos, atingindo mesmo certa fama, primeiro em
Campolide - Lisboa, onde durante alguns anos trabalhou como sapateiro por conta própria
e, mais tarde na Amadora onde durante muitos anos e também por conta própria,
viveu e trabalhou.
Órfão de pai com apenas 4 anos de idade, teve nos ensinamentos da sua
mãe e nos ensinamentos da vida os valores fundamentais para superar as dificuldades
da época, tendo como ponto essencial andar na escola para aprender a ler, escrever
e a contar.
Aos 17 anos fugiu a pé de Loriga para Lisboa, juntamente com mais dois amigos,
na procura de uma vida melhor e de futuro, viagem que demorou cerca de 15 dias, deixando
sua mãe banhada em lágrimas. Passado algum tempo regressou, as saudades
de sua mãe e da sua terra falaram bem alto ao seu coração, sendo
com grande alegria e com as lágrimas a correr na face da sua mãe, que
esta o recebeu de braços abertos.
Foi então que se começou a dedicar com mais determinação
à arte de sapateiro, tendo para isso contribuído o senhor António
"Folhadosa" um dos maiores sapateiros de todos
os tempos em Loriga, conhecido como pessoa de uma bondade impressionante, amigo de
seu amigo, um verdadeiro e grande mestre de trabalhar na arte de sapateiro, que foi
para o jovem José Nunes de Pina o seu grande mestre.
Na década de 1930/40, o José Nunes de Pina o "Zé Palha" como era assim conhecido, alcunha
que doou do seu pai, porque era o vendedor de palha em Loriga, começou a ter
a paixão de fazer balões artesanais com iluminação, para
lançar nos dias das festas, um meio de divertimento e que segundo relatos da
época era mesmo um perito nessa matéria. Os seus balões bem concebidos
e devidamente iluminados subiam bem para o céu, um espectáculo lindo
que dessa forma abrilhantavam as festas em Loriga e nos arredores.
Casado com Aurora Lopes Martins e com 5 filhos, em 1948 deixa Loriga com destino a
Lisboa, parte só procurando uma vida melhor para conseguir melhor sustento para
a família, que em Loriga se estava a tornar mais difícil de conseguir.
Começou por trabalhar por conta de outros, mas pouco tempo depois começou
a trabalhar por conta própria, tornando-se mesmo muito conhecido.
Logo nesse ano quando chegou a Lisboa foi o primeiro aderir e foi o verdadeiro entusiasta
para a realização do 1º. Convívio Loriguenses realizado em
Lisboa, que num almoço efectuado no Restaurante Castanheira em Alvalade, juntou
muitos loriguenses, famílias e amigos que residiam em Lisboa e Sacavém.
Uniu-se à comunidade loriguense em Lisboa de alma e coração, desde
logo e após à sua chegada à capital, passando a conhecer toda
a gente onde também passou a ser muito estimado e admirado pelos seus conterrâneos.
Passou até a ser bem conhecido pela sua assídua presença, quando
morria algum loriguense, nunca faltando ao velório ou funeral, era só
ter conhecimento de alguém morrer, lá ia ele onde quer que fosse em Lisboa
e mesmo nos arredores.
Nos últimos anos da sua vida uma enorme vontade de voltar para Loriga sobrepunha-o
a tudo na vida, onde ficou bem na memória de muitos aquela sua frase "nem se morre nem nada" com que brindava em brincadeira os
amigos e a quase para toda agente.
Faleceu no hospital de Seia em 11 de Julho de 1993, após algum tempo já
doente, tinha 86 anos. Era um domingo risonho de sol, como ele tanto gostava. Loriga
viu assim
partir
um dos seus filhos que tanto da sua terra falava e os loriguenses viram partir um seu conterrâneo que tanto
estimavam.
O funeral realizou-se em Loriga no dia seguinte, ficando sepultado no cemitério
local onde passou a repousar em Paz. |
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António
Moura Pina *
1907 - 1988 |

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Nasceu em Loriga
em 15 de Setembro de 1907. Ainda novo foi aprendiz de tecelão, mas foi a profissão
de sapateiro que ele viria desempenhar durante toda a sua vida, que o tornou um grande
oficial nesta arte e com certa fama nos arredores.
Homem popular e de boas maneiras, notabilizou-se por uma juventude de boémio,
trovador, comediante, cantando serenatas que deleitavam os ouvidos das moças
dos anos da década 1920 em Loriga. Nos bailes, vestia-se de mulher, fazendo
critica de tudo que lhe parecia errado na sua terra sendo, por isso intitulado de "desavergonhado".
Sempre de grande dedicação à música, passa pela Banda de
Musical, ensina ainda viola e bandolim a muitos estudantes que se reuniam na sua sapataria
que, mais parecia um local de verdadeiros concertos musicais, sobrando-lhe ainda tempo
para fazer parte do Grupo Coral da igreja matriz, tocando o órgão.
Verdadeiramente religioso, foi sempre um fiel servidor da igreja, ensaiado diversos
grupos litúrgicos, sendo até um dos fundadores da Liga Eucarística
dos Homens. Durante muitos anos exerceu ainda as funções de zelador da
Irmandade, cargo que desempenhou com muita vocação e muita eficiência
na organização das procissões, na distribuição das
velas, na montagem trabalhosa da Essa ("Ercia" como era assim chamada pelo
povo), para os funerais e o respectivo anúncio, logo pela manhã, dando
volta à rua com a campainha na mão.
Grande entusiasta pelo teatro amador que se realizava em Loriga, tinha verdadeira jeito
na arte de representar, fazendo rir a plateia. Simultaneamente ensaiava e tocava ele
próprio as músicas tanto à viola como ao bandolim sem nunca se
cansar.
Era Casado com Idalina Mendes Luis (21.4.1911 - 20.8. 1966). O Senhor António
"Calçada" como popularmente assim era chamado, foi pai de 9 filhos,
vindo a sofrer imenso com a morte do seu filho António, muito perto de ser Padre.
Loriga já se congratulava com a ordenação de mais um sacerdote,
mas por imposição dos meios eclesiásticos, esta ordenação,
não se veio a concretizar. Tudo isto dois anos antes de ter ocorrido a morte
deste seu filho.
Apesar de a doença o ir vitimando aos poucos, trabalhou até ao fim da
sua vida, com o mesmo entusiasmo de sempre, passa os últimos tempos a caminho
da Senhora da Guia e do cemitério rezando o terço. Veio a falecer no
dia 27 de Novembro de 1988 e Loriga viu desaparecer um homem do povo que tocou música,
cantou, representou, fez rir e provavelmente também fez chorar. |
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* Albrito |
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Mário Lopes
Prata
1910 - 2000 |
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Nasceu em Loriga
a 3 de Agosto de 1910, sendo filho de Francisco Fernandes Prata e de Eduarda Pinto
da Neves.
Foi o sacristão da sua terra durante 48 anos, funções que desempenhava
com toda a sua dedicação e onde a sua virtude de homem bom, granjeando
ao longo da sua vida a amizade e a estima dos seus conterrâneos, onde em cada
um tinha um verdadeiro amigo.
Nascido no meio de uma família muito religiosa, foi baptizado dois dias depois
do seu nascimento, ao crescer foi cultivando as qualidades que Deus lhe deu, tornando-se
um homem sério, honrado, humilde e respeitador, por isso a admiração
que toda a gente tinha por ele.
A sua vida foi toda dedicada à agricultura e à igreja, tendo sido por
mero acaso que começou a desempenhar as funções de sacristão.
Na década de 1940, o pároco de então, Sr. Padre Prata, pediu-lhe
para desempenhar essas funções enquanto o sacristão em actividade
se encontrava doente. Assim com a promessa de apenas uns dias, passou a meses, e consequentemente
passar depois as desempenhar as funções definitivamente.
Uma maneira serena de estar na vida, a sua calma, a sua postura e o respeito quando
estava na igreja, chegava a ser mesmo impressionante, um exemplo a seguir por toda
a gente e principalmente por uma juventude que tinha por ele uma certa admiração
e respeito.
Foi o Sacristão numa Loriga de outras eras, onde os tempos eram difíceis
e em que a população era muito mais, por conseguinte, eram também
muitos mais os praticantes. Durante muitos desses anos, foram muitos os padres que
ele conheceu, nomeadamente coadjutores que passaram por Loriga, para muitos deles o
Sr.Mário Prata, foi mais que um sacristão, era acima de tudo um amigo
um conselheiro, que na hora da despedida, não queriam partir sem lhe dar aquele
abraço como prova de gratidão
Era casado com a Sra. Maria dos Anjos, tiveram nove filhos, aos quais procurou incutir
as mesmas virtudes por ele vividas.
Na companhia de sua esposa e após deixar a sua actividade de sacristão,
fixou-se em Coimbra, junto à família e ali viveu durante alguns anos.
Viria a falecer no dia 8 de Dezembro de 2000, após doença. O seu funeral
realizou-se para a sua terra que ele tanto amava, onde ficou sepultado no cemitério
local.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre uma das suas figuras, o sacristão de muitos anos, ou melhor o Homem, que não
queria dar nas vistas, mas as suas qualidade e as suas virtudes ficaram para sempre
marcadas numa certa geração de loriguenses. |
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Maria dos Anjos
Pinto Neves
1912 - 2002 |

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Nasceu em Loriga, em 6 de Março de 1912, filha
de Beatriz Pinto Neves, sendo, por isso, mais conhecida por "Dos Anjos da Beatriz".
Foi cozinheira de casamentos, baptizados, aniversários,
festas religiosas e outros eventos, sendo vastos os seus conhecimentos na arte da culinária
e, por isso mesmo, a magnifica comida que confeccionava era apreciada por todos.
Durante dezenas de anos cozinhou para as mais variadas
festas, tendo sido mesmo, a cozinheira que mais tempo esteve em actividade ao serviço
da comunidade loriguense.
Sempre muito solicitada, não só em
Loriga, como também para outras terras vizinhas, nunca dizia que não
quando à porta lhe batiam a pedir-lhe para ser a cozinheira de qualquer boda
que fosse, nunca fazendo preço ao seu trabalho, apenas aceitando o que lhe queriam
dar.
Nesses tempos, as pessoas pagavam normalmente com
alguns artigos de mercearia e algum dinheiro, no entanto, quando via que as pessoas
eram pobres, apenas aceitava a mercearia, recusando-se a receber o dinheiro.
Esposa dedicada e mãe extremosa de nove
filhos, que criou e educou com o maior desvelo e carinho, era também uma pessoa
muito activa e despachada, parecendo ter sempre qualquer coisa para fazer.
Religiosa convicta, era reconhecida pelas suas
qualidades humanas, sendo a sua bondade e a sua sensibilidade para com os mais desfavorecidos,
por demais evidente e, por todas essas razões, era muito respeitada pelos seus
conterrâneos, que por ela tinham grande admiração.
Faleceu em Loriga no dia 27 de Setembro, com a
idade de 90 anos e o seu funeral realizou-se para o cemitério local, onde ficou
sepultada. Foram muitos os loriguenses que a acompanharam à sua última
morada, ficando Loriga, mais pobre ao ver partir com saudade uma mulher que tão
soube exercitar a sua arte de cozinheira do povo. |
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Cónego António
Antunes Abranches
1913 - 2003 |
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Nasceu em Loriga,
em 9 de Dezembro de 1913, filho de José Antunes do Carmo e de D. Leonor Dias
de Figueiredo.
Depois de frequentar a escola
primária na sua terra, foi para Lisboa com a idade de 12 anos. Dois anos depois
ingressou no Seminário de Santarém, para mais tarde frequentar os Seminários
pertencentes ao Patriarcado em Lisboa.
Foi ordenado sacerdote no Seminário
dos Olivais em 29 de Junho de 1938, seguindo-se tempos de muito trabalho, nomeadamente
em outras paróquias, ajudando outros colegas. Poucos meses depois, teve a oportunidade
de deslocar-se a Loriga, para finalmente celebrar a primeira missa na terra que o viu
nascer.
Estava há ainda à
poucos dias na sua terra, quando foi chamado ao Cardeal Cerejeira, sendo então
nomeado para ficar ao serviço do Patriarcado de Lisboa, trabalhando em diversas
tarefas, nomeadamente na Acção Católica.
Seria colocado na Paróquia
de Vila Franca de Xira e Castanheira do Ribatejo, por motivo de o Pároco local
se encontrar doente, onde se manteve durante cerca de 22 meses, executando ali um trabalho
de grande valor.
Foi professor na Escola Central
de Graduados da Mocidade Portuguesa e depois na Casa Pia de Lisboa, onde chegou a ser
o Capelão-Chefe cargo que desempenhou durante 4 anos.
A partir de Outubro de 1945,
foi colocado como Pároco na recém-criada Paróquia de Nossa Senhora
de Fátima em Lisboa, uma das novas paróquias das chamadas "avenidas
novas" e onde se manteve até 1995, chegando, também, a acumular
a paróquia de S.João de Deus.
Foram 50 anos como Pároco
da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, ao longo dessas cinco décadas
foi de relevo todo o seu trabalho em prol da igreja, e dedicada à sua vida sacerdotal.
Sempre de espirito aberto e atento à evolução dos tempos, entregou-se
totalmente a promover actividades que pudessem contribuir para uma presença
da Igreja no mundo actual, nomeadamente nos meios de comunicação social,
como o cinema e a televisão.
Com um acentuado sentido de organização,
por onde ia passando, deixava a sua marca em estruturas sólidas que permitiam
às pessoas saberem onde situar-se e como tirar o melhor partido para as suas
vidas e actividades.
Amava a sua terra e a ela se
referia com muito carinho e estima e, sempre que podia, aproveitava para ali passar
uns dias de merecidas férias. Tinha imenso gosto em apresentar Loriga aos outros,
por isso com regularidade a visitava com pessoas amigas e das suas relações.
Em 1988, chegou mesmo a levar a Loriga, em visita particular, o Sr. Cardeal D. António
Ribeiro.
Gostava de ir a Loriga para assistir
à Festa da Nossa Senhora da Guia, onde muitas das vezes foi o pregador. A sua
voz forte e dinâmica, prendia todos aqueles que o escutavam, e que parecia chegar
para além do recinto e da catraia.
Durante 50 anos como Pároco
da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, uma grave doença
impossibilitou-o, nos últimos anos da sua vida, de poder continuar a desempenhar
essas funções paroquias, bem como, de visitar a sua terra como tanto
gostava. No entanto permaneceu com o título de Pároco Emérito
desta Paróquia, até ao fim da sua vida.
Faleceu em Lisboa no dia 21 de
Abril de 2003, tendo sido realizada na igreja de Nossa Senhora de Fátima, a
missa do seu falecimento, que foi presidida pelo Cardeal de Lisboa D. José Policarpo.
No dia seguinte o seu corpo seguiu para Loriga onde foi realizado o funeral, sendo
sepultado no cemitério local na campa da Mãe, como era seu desejo. Ficando
esta localidade mais pobre ao ver partir um dos seus filhos que, notabilizando-se longe
dela, nunca a esqueceu. |
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Manuel Gomes Leitão
Júnior *
1914 - 1990 |

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Natural de
Loriga, onde nasceu em 30 de Maio de 1914, era filho de Manuel Gomes Leitão
e de Maria do Carmo Nunes Cabral, também naturais de Loriga.
Verdadeiro bairrista e grande amigo da sua terra, a par da sua actividade como industrial
de renome, na área dos lanifícios, desenvolveu outras actividades para
as quais estava naturalmente vocacionado, e que estavam relacionadas com a sua paixão
pelas letras.
Assim, foi correspondente do Diário de Coimbra, onde escreveu algumas rubricas,
bem como em outros jornais prontificando-se, sempre que se justificasse, a escrever
sobre a sua terra.
Estudou na Covilhã, onde concluiu o curso de Debuxo na Escola Campos de Melo.
No entanto o âmbito da sua actividade profissional como industrial de lanifícios
era mais alto, alargando-se a outras áreas. A ele se ficou a dever a organização
da primeira fábrica de malhas em Loriga, que viria a ser de grande importância
num novo desenvolvimento industrial desta localidade.
Muito dinâmico desejando o melhor para a sua terra, estava sempre pronto a contribuir
em tudo o que estivesse ao seu alcance. Foi director da Banda Musical, foi Juiz da
Irmandade das Almas, sendo ainda um dos grandes impulsionadores na construção
do bairro social Eng. Saraiva e Sousa, hoje Vista Alegre, assim como teve grande influência
na instalação de um Posto da GNR em Loriga.
Fundador do Grupo Desportivo Loriguense onde, por diversas vezes, fez parte dos corpos
sociais, era um grande apaixonado pelo futebol, tendo mesmo criado, nesta colectividade,
as melhores equipas de sempre. Para além disso, sonhava também com a
existência de uma juventude culturalmente desenvolvida na sua adorada terra.
Com 35 anos de idade foi Presidente da Junta de Freguesia de Loriga, onde executou
um trabalho brilhante apesar das dificuldades da época, nomeadamente no que
diz respeito a algum saneamento básico da povoação. Foi também
o grande obreiro do "deita abaixo" dos balcões (incluindo o seu),
que existiam um pouco por toda a Vila e que, em grande parte, dificultavam o acesso
a muitas das ruas e becos. Tinha ainda como um dos seus maiores anseios conseguir dar
à Vila de Loriga, o asseio, a beleza e a cultura da sua gente.
O Sr. "Manuelzinho" como assim era chamado pelo povo, passou os últimos
anos da sua vida em Lisboa. No entanto, nunca esqueceu a sua terra, onde quis descansar
para sempre, junto dos seus pais, vendo Loriga partir em 27.03.1989, um dos seus filhos
que muito fez para o seu desenvolvimento e progresso. |
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* Albrito |
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Herculano Brito
Leitão
1914 - 1997 |
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Nasceu em Loriga;
em 12 de Agosto de 1914, e era filho de José de Brito Crisóstomo e de
Maria do Anjos Leitão Brito.
Um verdadeiro bairrista que, apesar de estar afastado da sua terra, tinha-a junto ao
coração e queria para ela o que de melhor pudesse haver. Sempre que tinha
conhecimento das várias carências existentes em Loriga, tudo fazia para
conseguir que essa carência fosse ultrapassada estivesse onde estivesse.
Notabilizou-se por ser o grande impulsionador e fundador dos Bombeiros Voluntários
de Loriga, uma das carência existentes na sua terra, concretizando, assim, não
só o seu sonho, como todos os loriguenses.
Homem amigo do seu amigo, era de ideias firmes e claras, colocando nos seus objectivos
as ideias em que acreditava. Os Bombeiros para Loriga eram uma prioridade mas, para
a pôr em prática,
teve que percorrer um longo caminho, dirigindo-se aos organismos competentes, vencer
a burocracia, socorrer-se de gente influente, e debater-se também com algumas
frustações. Contudo, no final, viu o seu trabalho recompensado com a
fundação da Associação do Bombeiros Voluntários
de Loriga, em 16 de Abril de 1982, o maior organismo criado em Loriga nas últimas
décadas.
Tinha apenas 12 anos quando foi para o Brasil, na companhia da sua família,
passando a viver na cidade de Belém-Pará. Por lá se manteve durante
25 anos, não esquecendo nunca a sua terra, notabilizando-se também em
iniciativas em prol de Loriga.
Regressou a Loriga na década de 1940, tendo fundado na sua terra a Sociedade
Industrial de Malhas e a Sociedade Comercial Irmãos Leitão Lda. Mais
tarde partiu para Lisboa onde se fixou, para tempos depois se radicar em Santarém
onde permaneceu largos anos.
Do casamento com D.Inadina Ferreira Leitão, tiveram dois filhos António
José Ferreira Leitão e Maria de Fátima Ferreira Leitão.
Viria a ter um segundo casamento com Maria Eugénia Madeira Pereira Leitão.
Depois de ter concretizado o sonho dos Bombeiros de Loriga, num novo desafio se envolveu.
Desta vez, era no projecto de um Jornal para Loriga, uma ideia pela qual também
muito viria a lutar, sem no entanto poder ver a sua concretização.
Apesar de ter a convicção de que o projecto do Jornal não seria
fácil, não era, no entanto, pessoa de desistir logo que surgissem os
primeiros obstáculos. Mas também foi certo, que estaria longe de imaginar
as complicadas barreiras que lhe apareceram pelos caminho e que foram difíceis
de ultrapassar e, que contribuíram para atrasar todo esse processo, nunca chegando
a concluir o sonho então idealizado que era o projectado Jornal "Noticias
de Loriga".
Faleceu no dia 13 de Abril de 1997, em Santarém, onde foi sepultado no cemitério
local. Aí se deslocou uma delegação dos Bombeiros Voluntários
de Loriga, para o acompanhar à sua última morada, homenageando, assim,
com um sentimento de gratidão, esta figura loriguense a quem os Bombeiros e
Loriga muito ficaram a dever e que não poderá ser esquecido.
Herculano de Brito Leitão foi, pois, uma Figura que ficou ligada aos Bombeiros
de Loriga, que passou a ser uma referência desta instituição como
fundador Nr.1. Por isso é bem ilustrativo e de justiça a sua fotografia
figurar nas paredes da sede desta corporação. |
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Joaquim Gonçalves
de Brito
1915 - 2001 |
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Nasceu em Loriga,
em 15.08.1915, filho de António Brito Pinheiro e de Maria dos Anjos Gonçalves
de Brito.
Bairrista convicto, que tanto amava a sua terra e, que por ela sempre lutou e fez tudo
o que estava ao seu alcance para o seu desenvolvimento.
Ainda muito novo, começou a trabalhar como empregado de escritório, em
Loriga, e depois em Coimbra, no armazém de Lanifícios do industrial Sr.
Carlos Cabral Leitão.
Ainda rapazinho, foi contínuo na Sociedade de Defesa e Propaganda de Loriga,
uma Associação destinada apenas à classe alta desta Vila, tais
como, médicos, industriais, professores, padres etc. Esta sociedade seria mais
tarde extinta dando lugar à Sociedade Loriguense de Recreio e Turismo, onde
o Sr.Joaquim "Alho", como popularmente era conhecido, viria a fazer parte
das diversas direcções.
Fez parte de quase todas as direcções dos organismos de Loriga, sendo
mesmo um dos fundadores do Grupo Desportivo Loriguense, pertencendo aos diversos Corpos
Gerentes que por lá passaram. Na época, a fundação deste
Clube, foi de grande importância para esta localidade a qual teve, como finalidade,
atrair para o desporto, a grande massa de jovens existente nesta Vila preenchendo,
assim, de forma saudável, os tempos de ócio.
Pertenceu à direcção da Banda de Loriga, quando em 1956, esta
associação atingiu um dos pontos mais altos da sua história, ao
abrilhantar as Festas da Rainha Santa em Coimbra.
De 1972 a 1976, pertenceu à direcção da Junta de Freguesia de
Loriga, constituída por:-António Pinto Ascensão-Presidente, José
de Pina Gonçalves-Secretário, e por ele próprio como Tesoureiro.
Embora sendo uma época problemática, em que os meios financeiros eram
escassos, funcionando sem subsídios, conseguiram levar a efeito obras de grande
vulto, projectando Loriga como uma Vila mais moderna. Foi também Vereador da Câmara Municipal
de Seia, durante quatro anos, sendo responsável pelo pelouro das obras.
Dedicou-se à indústria, pertencendo à Sociedade Industrial de
Malhas de Loriga tendo, mais tarde, constituído a firma Gonçalves &
Nunes, Lda., uma fábrica de confecção de malhas. Posteriormente,
fundou a firma de construção civil, "Joaquim Gonçalves Moura"
que teve, no seu irmão José Gonçalves Brito, o seu braço
direito e seu sócio. Com a colaboração dos seus sobrinhos, alargou
o âmbito de actividade da empresa para outros ramos da construção
civil, passando a ser muito reconhecida na região.
Homem de uma calma impressionante, tinha uma maneira própria de estar na vida.
Nunca casando, dedicou a sua vida e os seus afectos à família mais próxima,
designadamente os sobrinhos. A morte de seu irmão José, após doença
prolongada, foi um rude golpe para ele. No entanto, resignado, continuou a orientar
e a colaborar com os seus sobrinhos na empresa que se orgulhava de ter fundado.
Sendo uma pessoa muito considerada na Vila e na região, era sempre atencioso
com quem se lhe dirigia solicitando ajuda ou orientação para a resolução
de qualquer problema.
Faleceu em 31 de Julho de 2001, no Hospital de Viseu, aos 85 anos, e foi sepultado
no cemitério de Loriga, sendo recordado pelos Loriguenses, como um bairrista
que tanto amou a sua terra. |
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António
Nunes Ribeiro *
1916 - 2005 |
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Nasceu em Loriga
no dia 3 de Julho de 1916, filho de José Nunes Luiz e de Palmira Brito Moura.
Depois de concluir a escola primária rumou para a Covilhã, onde estudou
e tirou o curso de Debuxo Têxtil na conceituada Escola Industrial Campos Melo.
Findo o curso voltou para a sua terra ingressando a trabalhar na Firma Pina, Nunes
e Comp. no lugar do Regato.
Mais tarde juntou-se aos tios António e Alfredo, na firma Nunes, Brito &
Comp., Lda, onde entretanto, já possuía uma quota de herança do
pai.
Oriundo de família de industriais de lanifícios, veio a notabilizar-se
pela sua dinâmica e ideias no melhor que sabia, para que o seu trabalho nas firmas
fosse o melhor para todos. No campo social, António Ribeiro, cumpriu o seu papel
como homem interessado pela sua terra.
De muito novo, foi um dos fundadores e dirigente do Grupo Desportivo Loriguense, em
1934, onde imprimiu um rigoroso aprumo para a cultura da juventude da sua terra, principalmente
a operária.
Foi também director da Banda de Música de Loriga, nas décadas
de 1940, 50 e 60, onde deixou a sua marca, nos fardamentos, no aprumo, no brio, na
disciplina, elevando assim a Banda Filarmónica a um patamar invejável.
Fez parte como vereador na Câmara Municipal de Seia, nos vários mandatos
do Comendador Joaquim Fernandes Ferreira Simões, de quem era muito amigo.
Passou também pela Junta de Freguesia de Loriga como presidente, tendo-se revelado
um grande conhecedor dos problemas da sua terra e, interessado em resolvê-los.
Casado com D. Aurora Brito Pina Ribeiro, era um cristão convicto, ficando mais
apegado às coisas da fé depois do curso de cristandade, que frequentou
no Seminário da Guarda no anos de 1965. Cumpriu diversos mandatos na Comissão
Fabriqueira da Igreja, sempre com muito amor e carinho, pelas coisas da Igreja, e pelas
valências da Acção Social.
Os seus últimos dias de vida passou-os na Casa de Repouso da Nossa Senhora da
Guia, onde faleceu em 18 de Dezembro de 2005, com a idade de 89 anos, após doença
prolongada, vendo Loriga partir mais um dos seus filhos que muito fez por Loriga e
pela comunidade.
O funeral realizou-se em Loriga, onde ficou sepultado no cemitério local. |
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*A.L.Brito (GL) |
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Padre António
Roque Abrantes Prata *
1917 - 1993 |

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Natural de
Santa Maria de Manteigas, onde nasceu em 15 de Outubro de 1917, foi ordenado Presbítero
em 8 de Setembro de 1940. Após ter estado algum tempo em Pero (Viseu) foi colocado
como pároco de Loriga em 1944, onde se manteve durante 22 anos, localidade que
viria a deixar em 18 de Dezembro de 1966 por motivo de ter sido chamado para trabalhar
a tempo inteiro nas actividades pastorais da obra de Santa Zita em Lisboa.
Na sua passagem de mais de duas décadas na Paróquia de Loriga, ficaria
para sempre ligado a uma certa geração que não mais o esqueceu
e o considerou uma das maiores figuras que a história de Loriga jamais conheceu.
Grande entusiasta da juventude e entrega total à igreja, desenvolveu em Loriga
uma larga e eficiente Açcão Social, nomeadamente na dinamização
e impulso que imprimiu na fundação, orientação, apoio e
ainda com grande contributo no desenvolvimento da freguesia.
De grande zelo e convicções religiosas fez da doutrina aprendida a sua
verdadeira vida durante os 53 anos de sacerdócio, sendo sempre de uma entrega
total ao serviço do Senhor e da sua Igreja, onde a sua personalidade e respeito
são virtudes dignas de registar.
Enérgico nos seus pensamentos e nas suas ideias, para levar até ao fim
tudo em que se envolvia, era um verdadeiro defensor dos mais desfavorecidos nomeadamente
dos operários, ousado, ao dar força para que fosse devolvida aos trabalhadores
a autonomia sindical notabilizando-se até, por acompanhar um grupo de Jocistas
numa entrevista pedida ao então Primeiro-Ministro Dr. Oliveira Salazar.
Enfrentou também em Loriga uma sociedade poderosa, por isso nem sempre foi totalmente
pacifica a sua passagem por esta vila, tendo até existido um certo movimento
de protestos enviados ao Bispo da Guarda, com ecos escritos e furiosos os quais o Sr.Padre
Prata soube enfrentar como pároco de todos e de tudo.
Durante a sua permanência em Loriga serão para sempre recordadas as suas
obras que fundou e fez movimentar ou renascer outras já existentes e ainda na
criação de muitas mais acções importantes para a população.
Ficam aqui registadas algumas que ficam para sempre perpetuadas para as gerações
vindoiras, e a frase que na sua simplicidade, costumava dizer "só Deus é que vê
e julga as obras e as intenções"
J.O.C.F.; L.O.C.; L.O.C.F.; Centro da Assistência Paroquial; Casa de Santa Teresa;
Socorro Paroquial Loriguense; Apostolado da Oração; Museu Paroquial;
Biblioteca Paroquial; Património dos Pobres; Agasalho aos Pobres, o reaparecimento
como Boletim Paroquial "A Neve" ; Lâmpadas Vivas, Curso Unificado da
Telescola; Bolsa de Estudos de N.S. da Guia: Sopa; Cantina; Rosário Perpetuo;
Lausperene Semanal; Missões Paroquias; Retiros-Recolecções; Acção
Missionária; Irmandade do Sacramento das Almas; Cursos de Cristandade; Conferência
Vicentina e a construção da Residência Paroquial e Salão.
A 8 de Dezembro de 1990, foi homenageado em Loriga no dia que fez as Bodas de Ouro
sacerdotais numa verdadeira festa de fraternidade e de amizade do povo desta localidade,
a que se associou também o Sr. Bispo da Guarda. Grande multidão aguardou
na "Carreira" a chegada do Sr. Padre Prata e do Sr. Bispo que num cortejo
informal pelas ruas, acompanhados pela Banda Musical, seguiu para a igreja onde foi
efectuada uma concelebração, seguindo-se um almoço realizado no
Salão Paroquial a que assistiram 230 pessoas.
Faleceu por motivo de doença que o vinha vitimando, na manhã do dia 18
de Julho de 1993, na Casa se Santa Zita. O funeral realizou-se no dia seguinte para
o cemitério dos Prazeres de Lisboa onde ficou sepultado.
Deixou no seu testamento uma doação a Loriga, pedindo aos seus familiares
para entregarem ao Centro de Assistência Paroquial de Loriga a quantia de 6.800
contos.
Em Agosto de 2001 e véspera da Festa de Nossa Senhora da Guia, foi inaugurada
uma rua em Loriga à qual foi dado o seu nome, uma homenagem de gratidão
que os Loriguenses lhe deviam. |
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No dia 15 de
Dezembro de 2003, os restos mortais do Senhor Padre Prata, foram transladados do cemitério
de Manteigas para o cemitério de Loriga, concluindo-se assim, a vontade sempre
manifestada em vida de tão proeminente figura, em repousar eternamente junto
dos paroquianos que tanto amou durante os anos que paroquiou Loriga. |
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* Albrito |
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Carlos Fernandes
Urtigueira
1917 - 1996 |
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Nasceu em Loriga
a 26 de Fevereiro de 1917, filho de Alberto Fernandes Urtigueira e de Maria Emília
Pinto Ascenção,
Alfaiate de profissão, cortava o pano e alinhava os fatos tal como os seus dedos
tocavam as cordas da sua guitarra. Era um grande profissional, talvez mesmo um dos
melhores alfaiates de Loriga. Era na realidade um verdadeiro artista, tendo sempre
a preocupação de actualização e modernidade.
Começou a trabalhar numa alfaiataria situado no Santo Cristo, mais tarde mudou-se
para o Largo Dr. Amorim da Fonseca, passando ainda pela "Carreira" para finalmente
fixar a sua alfaiataria "Académica" na Rua principal da Vila, por
cima do estabelecimento do Sr. José Luis Santos.
Foi durante a sua vivência em Loriga a alma do Fado de Coimbra cantado na sua
terra. Pela sua alfaiataria "Académica" passaram as diversas gerações
de estudantes, e nela havia sempre uma guitarra e uma viola para acompanhar os que
se dispusessem a entoar a velha canção coimbrã.
Tinha ainda tempo e sempre disposição, para se juntar a outros loriguenses,
que por vezes se reuniam nos balcões das ruas em verdadeiras serenatas, onde
as cordas da sua guitarra faziam espalhar aquela melancólica música que
deleitavam os ouvidos das pessoas que passavam.
O falecimento da sua esposa Ermelinda, em 1959, foi um duro golpe e uma grande perda
para os seus filhos, Fernando, José Alberto, Natércia e Maria Amélia.
Procurando uma vida melhor, que a sua terra parecia não lhe poder dar, deixou
Loriga na década de 1960, radicando-se na Póvoa de Santa Iria, mais tarde
no Prior Velho e depois em Sacavém, onde instalou a sua alfaiataria.
O fado de Coimbra parecia fazer parte de si, por isso mesmo, tinha sempre presente
a sua velha guitarra, que mesmo longe de Loriga, o faziam continuar a dar alma ao velho
fado dos estudantes que ele tanto amava.
O Carlos "Governo" como popularmente era assim conhecido, deixou raízes
nos seus filhos, Fernando e Zé Alberto, dignos continuadores dessa herança
de tocadores de guitarras e violas, que ainda hoje deliciam todos aqueles que os escutam.
Faleceu em Sacavém, após doença prolongada em 31 de Dezembro de
1996, e o funeral realizou-se para o cemitério local onde ficou sepultado.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre um dos seus filhos, recordando as
suas qualidades de bem tocar o fado de Coimbra que ficaram para sempre marcadas numa
certa geração de loriguenses. |
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Prof. António
Domingos Marques *
1917 - 2004 |

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Nasceu no Fontão
(Loriga) a 7 de Janeiro de 1917 filho de Maria José Gertrudes e de Manuel Domingos
Marques.
Depois de concluir a escola primária na sua terra, frequentou um colégio
na Figueira da Foz, onde estudou e concluiu o curso de Professor Primário.
Radicou-se em Loriga no desempenho das suas funções de professor. Os
seus antigos alunos lembram com saudade, o homem, o professor, que tiveram nesta personalidade
a base da sua formação para os desafios que o mundo contemporâneo
exige.
O Professor "Fontão" como popularmente era assim também conhecido,
foi sem dúvida uma figura de grande relevo em Loriga, onde leccionou durante
várias décadas, distinguindo-se como um professor brilhante e um homem
de grande humanidade e a quem muito se ficou a dever em prol da educação
e da cultura em Loriga.
Casou em Loriga com D. Amália Brito Pina, proprietária da Farmácia
Popular, de quem veio a ter dois filhos. A sua vida profissional ficou então
marcada por duas vertentes: o exercício de professor primário e a gestão
conjuntamente com a sua esposa da Farmácia.
Dedicou também parte da sua vida à causa pública e à comunidade.
Foi Presidente da extinta Casa do Povo de Loriga, fez parte do Conselho da Fábrica
da Igreja, Direcção do Centro Assistência Paroquial e Presidente
da Sociedade Recreativa e Musical Loriguense, onde realizou um trabalho meritório
e notável. Como político liderou listas do P.S.D e uma lista do C.D.S
como independente. Fez parte em vários mandatos, como Deputado da Assembleia
de Freguesia de Loriga.
Bairrista muito empenhado, conselheiro, nunca regateou os seus préstimos, para
o bem comum, sempre disponível para toda e qualquer iniciativa que visasse o
desenvolvimento de Loriga. Como prova de gratidão, as forças vivas de
Loriga, prestaram-lhe uma Grande Homenagem, tendo-se associado um grande número
de Loriguenses. Foi também agraciado com a Medalha de Mérito do Concelho
de Seia em 1992.
A emoção vivida por esta personalidade foi tão grande, que o projectou
para a doença que o acompanharia até ao último dos seus dias.
Faleceu a 23 de Julho de 2004 em Loriga, ficando sepultado no cemitério local,
ficando Loriga mais pobre ao ver desaparecer um Loriguense que deixou marcas indeléveis
no exercício do magistério, na vida Associativa e Cultural.
* Blog-Loriganoseumelhor |
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Eugénio
Leitão de Brito
1917 - 2009 |
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Nasceu em Loriga,
no dia 6 de Dezembro de 1917, filho de José de Brito Crisóstomo e de
Maria dos Anjos Leitão Brito.
Escritor ilustre, historiador, jornalista e muito dedicado à leitura, notabilizau-se
no norte do Brasil onde práticamente viveu toda a sua vida. Homem de cultura
e de génio,distinguiu-se sempre, colocando o seu saber ao serviço da
comunidade portuguesa no Brasil, sendo bem reconhecidos os prestimosos serviços
prestados às instituições portuguesas cuja história aprofundada
e bem documentada consta de um conjunto de livros seus, editados em Belém Brasil.
A sua actividade comercial e a participação associativa senpre foram
uma constante na vida desta figura em terras do norte do Brasil, do qual os loriguneses
muito se orgulham. Sempre com Loriga no seu coração, nela vinha passar
temporadas com bastante frequência.
Fez a escola primária em Loriga, com a idade de 13 anos partiu para Belém-Pará
Brasil em 1931, onde chegou no dia 30 de Março. Foi residir na "Cidade
Velha", onde passou a viver durante 14 anos.
Frequentou o Curso de Contabilista, no Grémio Literário Comercial Português
que concluiu em 1936, obtendo o prémio "Pequito Rebelo", instituido pelo Banco Moreira Gomes,
de Belém-Pará, que era entregue ao aluno que obtivesse as melhores notas
na instituição. Como
jornalista, colaborou na "Folha do Norte" quer com o nome próprio,
quer sob o pseudônimo de Fernando Portugal, bem como ocasionalmente no Jornal
"O Liberal".
Homem honesto e muito dedicado à família, foi também um bairrista
convicto, tendo contribuido em muitas iniciativas a favor da sua terra, que ele tanto
amava, tornando-se uma referência junto dos seus conterrâneos.
A sua dedicação ao associativismo português na cidade de Belém,
foi na realidade de grande relevo, realizando ao longo dos anos, um trabalho dignificante,
bem reconhecido por todos e do qual os seus conterrâneos muito se orgulharam.
Pertenceu também como direcctor do Centro Loriguense em Belém, onde foi
Secretário (1997).
Recebeu em 1984, a medalha " Acylino de Leão", do Concelho Estadual
de Cultura do Pará em 1984. Foi Presidente do Conselho Deliberativo da Benemérita
Sociedade Portuguesa Beneficiente em cujo quadro social ingressou aos 14 anos (1931).
Foi direcctor e posteriormente Presidente da Directoria do Grêmio Literário
e Recreativo Português, do qual foi Sócio Benemérito.
Na qualidade de membro do Directório
do Conselho da Comunidade Portuguesa do Pará, secretariou a Comissão
Excutiva para o monumento a Pedro Teixeira por ocasião dos 350 anos da fundação
da cidade de Belém.
Autor dos livros -"Fran
Paxeco no Brasil";
-"História
do Grémio Literário e Recreativo Português, editado em 1994"; -"Minhas Memórias da Cidade
Velha" editado
em 1997; -"3º.
Centenário de Nascimento do Marquês de Pombal, 1699-1999" edição 1999; e
a sua grande obra "Os
Portugueses no Grão Pará" editado em 2002.
Este último livro, foi de facto a sua maior obra, sendo acima de tudo uma fonte
de pesquisas históricas e foi um presente que o autor colocou à disposição
da sociedade brasileira e internacional por ocasião das comemorações
do 5º. Centenário dos Descobrimentos do Brasil. A obra "Os Portugueses no Grão
Pará"
é na realidade um registo da presença lusitana em solo paraense, desde
a Independência e teve como principal objectivo resgatar a história da
Comunidade Luso Brasileira do Pará, especialmente a sua contribuição
no desenvolvimento do Estado.
Em 10 de Junho de 2000, dia de Portugal e das Comunidades foi agraciado com a Comenda
de Mérito pelo senhor Presidente da República de Portugal Mário
Soares, em reconhecimento pelos brilhantes serviços prestados á comunidade
portuguesa e ao seu país, que o deixou muito orgulhoso assim como a todos os
seus conterrâneos.
Foi casado com D. Maria Helena Duarte Brito, do casamento teve duas filhas Maria Fernanda
e Maria Eugénia, a primeira nascida em Loriga e a segunda em Belém, foi
sempre de muita dedicação à família, sofrendo imenso quando
do falecimento das suas duas filhas.
Apesar de estar longe de Loriga, nunca esqueceu as suas raízes, foi na realidade
um verdadeiro embaixador da terra que tanto adorava e da qual foi arrancado pelas vicissitudes
da vida, sempre que podia vinha visitá-la matando dessa forma as saudades.
Faleceu no dia 19 de Março de 2009, com a idade de 92 anos e após doença
prolongada, sendo sepultado em Belém a terra que o acolheu e que a considerava
a sua segunda terra.
A comunidade Loriguenses no Brasil vê assim partir para sempre este seu consagrado conterrâneo do qual
sempre se orgulhara. Da mesma forma que Loriga vê desaparecer mais um dos seus
filhos ilustes, que um dia partiu para longe, mas transparente como a água pura,
amou sempre a sua terra e a qual tinha sempre junto ao coração. |
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Padre Doutor António
Ambrósio de Pina *
1918 - 1995 |
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Nascido em
Manaus-Brasil, filho de António Ambrósio de Pina e Maria dos Anjos de
Brito Moura, foi apenas com três meses de idade que os pais o trouxeram para
Loriga onde cresceu e fez a escola primária.
Logo após completar a escola em Loriga foi para o Seminário da Costa
em Guimarães, onde fez todos os seus estudos menores. No ano de 1936 entra para
a Companhia de Jesus e, no ano de 1940, concluiu o Curso Superior de Letras e Humanidades
para, de seguida, entrar na Faculdade.de Filosofia de Braga onde conclui a sua licenciatura
em 1944.
Em 1947 transferiu-se para Barcelona-Espanha a fim de frequentar a Faculdade de Teologia
de Sarriá onde é formado em 1950, passando depois para a Faculdade de
Teologia da Universidade Pontifica de Salamanca onde termina a tese do seu doutoramento.
Durante alguns anos dedica-se ao apostolado nesta cidade espanhola a favor dos mais
carenciados. Regressa a Portugal e organiza as comemorações do XVI Centenário
de Santo Agostinho na cidade de Braga, participando ainda no I Congresso Nacional de
Filosofia, também realizado nesta cidade.
Professor na Faculdade de Filosofia de Braga, veio a notabilizar-se através
dos anos como escritor, historiador, poeta, artista plástico, pensador, teólogo,
sendo ainda um dos maiores colaboradores nos vários órgãos da
imprensa religiosa nacional e espanhola, com numerosos trabalhos científicos
no campo da Filosofia e Teologia, traduzidos em várias línguas.
Apesar de estar sempre afastado de Loriga, pensava muito na terra que dizia também
ser sua, sendo para ele alegria imensa ao encontrar-se com seus conterrâneos.
Enquanto sua irmã Ruth Ermelinda foi viva, assim como outros seus familiares
próximos, visitava regularmente a sua terra, por vezes passando até curtas
férias. Depois deixou de ir à terra que ele tanto adorava, no entanto
foi mantendo sempre alguma correspondência com um seu primo e amigo, ao qual
enviou um dia uma declaração escrita, no sentido de quando ocorresse
o seu falecimento, o seu corpo (ou restos mortais) fossem levados para a sua querida
Loriga e que fossem sepultados no túmulo da mãe.
Talvez por conhecimento tardio em Loriga da noticia da sua morte, o seu corpo viria
a ser sepultado no cemitério do Monte de Arcos em Braga no talhão dedicado
aos Padres Jesuítas, não sendo aceite pela Companhia de Jesus a declaração
apresentada posteriormente, mas ficando em promessa, de essa declaração
ser considerada para anos mais tarde. |
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* Albrito |
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Laurinda Gonçalves
de Brito *
1918 - 1999 |

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Nasceu em Loriga,
em 5 de Março de 1918, filha de António Brito Pinheiro e de Maria dos
Anjos Gonçalves de Brito.
Desde muito nova teve sempre uma maneira própria de viver, dedicando parte da
sua vida em prol da comunidade, nomeadamente cozinhando nas bodas ou outras festas,
onde os seus conhecimentos eram de uma tendência nata e inegável.
Lendo leitura da especialidade, foi aperfeiçoando o seu saber, em dotes de cozinheira,
adoçando muita gente não só com bolos, mas também com carinhos,
assim como, muitos ainda recordam a arte como enfeitava as travessas para serem servidas.
Muito religiosa, entregou-se de alma e coração a favor das obras da Paróquia,
onde particularmente a sua opinião parecia nunca poder faltar. Tendo sido importante
o seu contributo para a fundação do Centro Paroquial de Loriga. Auxiliou
muito o Senhor Padre Lages, enquanto o Centro não foi fundado.
Foi catequista, benfeitora e angariadora de fundos para obras religiosas. Trabalhos
que executava com uma enorme força de vontade e dedicação.
Arranjou durante muitos anos o altar das Almas. Foi Vicentina da Conferência
de S.Vicente de Paulo, pedindo para os pobres e durante cerca de 60 anos foi a distribuidora
do jornal "Bem Fazer" e das pagelas do Rosário.
Foi sempre muito solicitada para madrinha do Crisma. Num determinado ano e numa dessas
cerimónias que decorreu em Loriga, levou até junto do Senhor Bispo 12
crianças para crismar, este muito admirado chegou a comentar "esta traz um comboio".
Nunca casando, dedicou toda a sua vida e os seus afectos à família mais
próxima, designadamente aos sobrinhos, em que era uma segunda mãe, madrinha,
enfermeira e amiga, por isso, estes com carinho a chamavam por Nininha.
Vivendo no Bairro de S.Ginês, junto à Capela de Nossa Senhora do Carmo,
durante alguns anos foi uma das mordomas, realizando um trabalhou incansável
na angariação de fundos para obras de restauração da capela.
E tal como ela dizia "queria
que a Nossa Senhora do Carmo tivesse uma Capela linda".
Faleceu em Loriga, no dia 2 de Maio de 1999, com 81 anos de idade, ficando esta localidade
mais pobre ao ver partir quem tanto fez pela Acção Paroquial. O funeral
foi realizado para o cemitério local onde ficou sepultada, sendo muitos os Loriguenses
que a acompanharam à sua última morada. |
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* Joaquim Gonçalves de Brito |
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António
Luis Amaro Tuna
1918 - 2003 |
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Nasceu em Loriga,
em 23 de Agosto de 1918, filho de José Luis Amaro Tuna e de Emília de
Brito Miguel.
Era ainda muito novo quando ficou órfão de seu pai, conhecido por José
Farias (Barbeiro), que faleceu vitima da epidemia do "Tifo Exantemático"
que ocorreu em Loriga no ano de 1927. Por esse facto, e dada a necessidade de ter que
trabalhar para o sustento da casa, empregou-se numa das fábricas de lanifícios,
onde viria a ser operário têxtil durante anos, profissão que deixou
na altura em que encerrou definitivamente a Fábrica da "Redondinha".
Nas horas livres, dedicava-se ao corte de cabelos e barba, seguindo os passos do pai,
e depois do encerramento da fábrica onde trabalhava, dedicou-se de alma e coração
à sua Barbearia, na arte que ele tanto adorava e que era a sua grande paixão.
Nunca voltava para casa enquanto tivesse fregueses para atender, muitas das vezes só
o fazendo a altas horas da noite. Não tinha horas nem para as refeições,
privando, muitas vezes, a família da sua companhia nessas horas.
Na altura da "Febre do Volfrâmio" deu também uma saltada à
serra, à procura desse valioso minério, tendo sempre histórias
curiosas para contar.
Tinha uma maneira própria de ser, desenvolvendo um bom relacionamento com todos,
fazendo dele um homem de bem, não se lhe conhecendo, por isso, qualquer inimigo.
A sua Barbearia era como que um ponto de cavaqueira onde os fregueses liam o jornal,
conversavam e falavam das novidades da terra, e onde o "Ti António Farias",
mais popularmente assim chamado, tinha sempre histórias antigas para contar
de Loriga, e das suas gentes.
Muito crente em Deus, era raro o dia que não fosse rezar à porta do cemitério
e à Nossa Senhora da Guia, ou mesmo até na Igreja, onde por vezes se
"refugiava" nas suas orações.
Fazia longas as caminhadas pelos vários recantos da serrania, que parecia conhecer
como as suas próprias mãos. Não sabendo ler nem escrever, pediu
a alguém para lhe escrever algumas palavras, tempos depois, numa das fragas
junto à "Fonte dos Carreiros" feitas com ajuda de um pico e um pincel,
onde foram aparecendo, como que misteriosamente, as legendas "Pensai e Meditai
em Deus -Loriga 1990- Nossa Senhora Livrai-nos de todo o mal",
Cantava o Fado de Coimbra, do qual era um grande entusiasta. Ao cantar, a sua voz emocionada
deliciava as gentes de Loriga, e foram muitas as serenatas que ao longo da sua vida
fez, na companhia de outros loriguenses.
Um dia foi homenageado por um grupo de loriguenses, como prova de gratidão pela
maneira simples e singela como se dedicava a cantar fado de Coimbra, com os amigos,
homenagem que muito o sensibilizou e da qual falava vezes sem conto.
Foi submetido a várias cirurgias, mas a sua grande força e fé,
tornavam-no forte para poder suportar tudo com designação. Nos próprios
hospitais, apesar da gravidade da sua enfermidade, era ele que prontamente dava estimulo
aos outros doentes.
Era casado com Maria do Anjos Alves Pereira, também de Loriga e pai de Maria
de Fátima Alves Amaro Gonçalves.
Faleceu em 18 de Fevereiro de 2003, ficando Loriga mais pobre ao ver partir um dos
seus filhos mais queridos. Foram muitos o loriguenses que o acompanharam à sua
última morada, sendo o funeral realizado para o cemitério local onde
ficou sepultado. |
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António
Pinto Ascensão
1920 - 2005 |

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Nasceu em Loriga
em 8 Setembro de 1920, filho de Joaquim Pinto Ascensão e de Amélia de
Jesus Florêncio.
"Mestre Ascensão", como muitos assim o chamavam, foi um dos maiores
e mais conceituados maestros de música de Loriga e até mesmo da região.
Muito novo ainda, e depois de concluir o ensino primário, onde foi "aprovado
com distinção", começou a trabalhar numa das fábricas
da indústria de lanifícios local. Mas foi também desde muito novo
que nasceu nele a paixão pela música e, por isso, em 1935 iniciou a aprendizagem
de música na Banda de Loriga onde foi executante de grande valor até
1948, ano em que assume pela primeira vez a regência da banda.
Casou em 15 de Junho de 1946 com Maria dos Anjos de Brito Saraiva, casamento que durou
59 anos, só interrompido com a sua morte. Tiveram nove filhos, oito ainda vivos.
Apesar das dificuldades de então proporcionou a todos uma educação
de nível médio ou superior.
Homem de convicção e de ideias firmes, caracterizava-o o seu espírito
de iniciativa e acção, lutando sempre por aquilo em que acreditava, principalmente,
pela sua terra que tanto adorava. Verdadeiro bairrista e querendo o melhor para a sua
terra, nunca deixou de apresentar soluções e ideias, tanto de viva voz
como através da sua pena nos jornais, nomeadamente, da região sendo,
por vezes, mal compreendido.
Nos anos 50, António Pinto Ascensão, foi pioneiro da exibição
de filmes em Loriga o que, de certa forma, contribuiu para dar novos horizontes aos
jovens, numa altura em que a juventude em Loriga atingia números significativos.
Foi de facto, na época, uma lufada de cultura pois a maioria da população,
principalmente os jovens, não sabiam o que era a 7ª.arte.
Na década de 60, fecha a fábrica Leitão & Irmãos ,
onde trabalhava como encarregado de Ultimação. Desempregado e com quase
50 anos de idade, e todos os filhos a estudar, iniciou uma nova vida, abrindo uma loja
em Loriga, no ramo dos electrodomésticos, situada na "Carreira", tornando-se
um conceituado comerciante muito conhecido na região.
Por várias vezes foi regente da Banda da sua terra (1949/53; 1962/65; 1982/87).
Era um inovador por natureza quando assumia a regência de qualquer Banda, tendo
sempre presente a preocupação de arranjar repertório novo, que
tornaria qualquer Banda de música bastante mais rica.
Quando da sua última passagem pela Banda Recreativa Musical de Loriga, 1982/87,
foi o grande impulsionador da criação da publicação "A
Voz da Banda" que teve, na altura, uma certa expressão, a qual, depois
da sua saída, deixou de ser publicada.
Ainda nessa altura, e por sua iniciativa, a Banda teve uma Escola de música,
reconhecidamente muito importante, à qual aderiu muita juventude. Bem como,
foi criado em Loriga o grupo "Amanhã", ao qual o mestre Ascensão
deu preciosa ajuda contribuindo no aperfeiçoamento deste grupo de jovens de
cantares tradicionais.
Foi da sua autoria, a introdução do Hino "Ó Padroeira Amorosa"
na Festa da Nossa Senhora da Guia em Loriga, que remonta ao ano de 1950, um arranjo
do original cântico "Ó Padroeira Amorosa" que se cantava e ainda
hoje se canta à Senhora da Nazaré na cidade de Belém-Pará-Brasil.
Sem nunca deixar a sua dedicação à musica foi, durante cerca de
14 anos, regente da Banda de São Romão, onde desempenhou um trabalho
de grande relevo ainda hoje ali recordado. Regeu também, durante algum tempo,
as Bandas de Torrozelo e Paços da Serra.
Frequentou um curso de Aperfeiçoamento e Didáctica Musical na Fundação
Calouste Gulbenkian onde enriqueceu os seus conhecimentos musicais, que o habilitaram
para dar aulas de Educação musical, primeiro no Externato Nossa Senhora
da Conceição em São Romão e depois na Escola do Ciclo Preparatório
em Loriga.
Foi presidente da Junta de Freguesia de 1972 a 1976, anos problemáticos, em
que os meios financeiros eram escassos, conseguindo levar a efeito obras de grande
vulto, projectando Loriga como Vila mais moderna e, onde a preocupação
ambiental foi sempre presente, tendo nessa altura sido levada a efeito uma grande campanha
de incentivo junto à população, para uma Loriga mais limpa.
É de registar o facto de que, após a revolução do 25 de
Abril de 1974, a Junta de Freguesia recebeu o voto favorável dos loriguenses
numa reunião realizada no Salão Paroquial, completamente cheio.
Foi o grande impulsionador e um dos fundadores da Associação de Apoio
à Terceira Idade, um carência em Loriga, que apesar de o percurso não
ter sido pacifico, contou sempre com a força e o dinamismo do senhor António
Pinto Ascensão, para prosseguir, e que veio a concretizar-se, com a sua fundação
em 12 de Julho de 1990, sendo uma mais valia para os idosos da sua terra. Foi o primeiro
presidente desta Associação.
O "Mestre Ascensão" era um verdadeiro compositor de peças de
cariz popular, tendo ao longo da sua vida feito recolhas, e passou para o papel inúmeras
cantigas populares que, de outra forma, se teriam perdido.
Em 1988, foi ao maestro António Ascensão que o Etnomusicólogo
Michel Giacometi se dirigiu com o intuito de recolher os cânticos da Ementa das
Almas de Loriga. As gravações foram feitas em 5 de Outubro na Escola
Primária de Loriga.
A sua paixão pela música parecia ocupar todo o seu tempo. Entretanto,
e com mais de setenta anos, "descobriu" o computador para registar dezenas
de obras que graciosamente colocou à disposição das bandas de
música da região, ganhando mesmo vários prémios.
Em 1994, foi autor da letra e da música da marcha de São João,
classificada em primeiro lugar na cidade de Viseu. Em 1997 voltou a brilhar nesta cidade
ao conquistar novamente o primeiro lugar no concurso das marchas populares de Santo
António. A marcha que apresentou ganhou ainda os prémios para o melhor
arranjo musical e para a melhor letra.
Integrado na Associação Humanitária de Paranhos da Beira, o "Mestre
Ascensão" obteve nos anos 2003 e 2004, o primeiro prémio destinado
a temas de canções e poesia entre idosos, que anualmente se realiza nos
Concelho de Seia e Gouveia
No dia 3 de Julho 2003, a convite do Presidente da Câmara Municipal de Seia,
o maestro Ascensão, dirigiu, em simultâneo, sete bandas do concelho -
Loriga, Seia, São Romão, Torrozelo, Tourais, Carragozela e Santa Marinha,
na interpretação de uma marcha da sua autoria, especialmente composta
para esse dia, com o tema "3 de Julho dia de Festa" , dedicado à inauguração
da remodelação do edifício dos Paços do Concelho, e ao
mesmo tempo assinalando as comemorações do XVIII aniversário da
elevação de Seia a cidade.
Em 2005, apresentou em Loriga uma Marcha para as festas de São João.
É também da sua autoria a marcha do Centenário da Banda de Loriga,
a comemorar em Julho de 2006, que a actual Direcção em boa hora lhe pediu
para compor, o que fez com muito prazer e orgulho e que intitulou "Cavalgando
no Futuro".
A última manifestação pública, aconteceu no dia 11 de Outubro
2005, altura do seu 85º. Aniversário, quando a Banda Filarmónica
de Tourais se deslocou, propositadamente, a Loriga, para lhe fazer uma singela homenagem,
num reconhecimento público, ao trabalho e dedicação do "Mestre
Ascensão" por aquela Banda.
Poucos dias depois de ter completado 85 anos de idade, faleceu em Viseu no dia 29 de
Outubro de 2005, onde se tinha deslocado para um controle de saúde. O funeral
realizou-se em Loriga no dia seguinte, sendo sepultado no cemitério local.
Terminou assim, a partitura da sua vida recheada de acordes harmoniosos, pautada pelo
rigor e pela disciplina. Uma vida que começou no tear e acabou no computador,
sempre com a harmonia que a música exige.
Loriga viu também partir um dos seus maiores bairristas, ao qual muito ficou
a dever. |
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Dr. Carlos Leitão
Bastos
1920 - 2006 |
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Nasceu em Loriga
no dia 1 de Fevereiro de 1920, filho de Carlos de Jesus Bastos e de Maria do Patrocínio
Reis Leitão.
Ainda muito novo foi para Lisboa, onde começou a estudar, vindo a formar-se
mais tarde em medicina. Iniciou a sua actividade profissional no Instituto Português
de Oncologia como assistente de Anatomia Patológica, passando ainda pelo Hospital
de Santa Maria, onde esteve durante algum tempo. Habilitado pelo Instituto de Medicina
Tropical exerceu, também, por algum tempo, clínica em Luanda.
Desenvolveu trabalhos de investigação, um dos quais sobre ESFREGAÇOS
EM PARAFINA, em que os resultados foram publicados em separata da revista Clinica Contemporânea
tomo III Nr. 30 - Dezembro de 1949.
Radicado em Campolide (Lisboa) desde 1944, ali veio a instalar o seu consultório
e nele exercer a sua nobre profissão. Médico ilustre de elevado profissionalismo
e competência técnica, ao longo de mais de cinquenta décadas teve
o seu consultório instalado no pitoresco bairro de Campolide em Lisboa, onde
era credor do maior afecto e simpatia por toda a gente.
Devotou-se à medicina com paixão e total respeito por valor éticos.
A sua solidariedade com os economicamente débeis, granjeou ao longo da sua vida
enorme popularidade, nomeadamente no "seu" bairro de Campolide, cujas instituições
ainda hoje realçam este traço marcante da sua personalidade.
Sempre com o estetoscópio, que colocava aos ombros, assim que chegava ao seu
consultório, caracterizava-o a sua maneira simples, sincera e franca, ao mesmo
tempo de grande humanismo e nobreza de carácter e espírito de solidariedade.
Era conhecido por "médico
do povo"
onde, a sua determinação e firmeza, aliadas a uma certa humanidade, o
levou muitas vezes a consultas gratuitas a domicílios no Casal Ventoso, bairro
problemático de Lisboa e bem perto de Campolide.
Nos tempos negros da ditadura do salazarismo ficou também conhecido como o "pai dos pobres", devido às suas atitudes solidárias,
que segundo a PIDE, o procuravam associar ao ideário comunista.
Loriga era uma das suas paixões, adorava a sua terra e nutria um verdadeiro
carinho e afecto pela suas gentes. Desde muito novo participou activamente em iniciativas,
que com outros jovens loriguenses, também estudantes em Lisboa, os levaram à
fundação do Centro de Assistência, numa altura em que a mortalidade
infantil atingia a elevada taxa de 47%.
Colaborou numa exposição "Loriga vista pelas crianças",
com a realização de palestras sobre saúde pública, veterinária,
cultura geral e agronomia, que tiveram lugar no Salão da Residência Paroquial
e que foi de muita utilidade na época.
Apoiou com entusiasmo, inúmeras diligências junto das entidades competentes,
para elevar o nível de escolaridade em Loriga e que culminaria na construção
da Escola.
Foi o primeiro Director do Jornal "A Neve", fundado por ele e por um grupo
de amigos e bairristas Loriguenses, no ano de 1949, em Lisboa. Jornal que teve o seu
primeiro número em Março desse ano onde se podia ler no prefácio
da sua primeira página -Por
tudo e por todos - A bem de Loriga e da região.
Como se disse, foi o primeiro e único director do Jornal "A Neve"
enquanto na primeira fase da publicação de 1949 até 1951, ano
em que foi interrompida a sua publicação para, anos mais tarde, voltar
a surgir mas, desta vez, como Boletim Paroquial, que ainda hoje existe.
Verdadeiro bairrista e amigo de Loriga, que apesar de estar fora estava sempre atento
a tudo que se relacionasse à sua terra, nunca deixando, sempre que se tornasse
oportuno, de apresentar as suas ideias ou pontos de vista. Deu, igualmente, todo o
apoio à constituição da ANALOR e, sempre que podia, colaborava
no jornal "Garganta de Loriga".
Foi ao Dr. Bastos, que se ouviu pela primeira vez falar em turismo rural quando, em
determinada época, ele chegou a dizer existir potencial para, nesta área,
poder haver um meio de desenvolvimento para Loriga. Idealizou projectos de desenvolvimento
para um futuro turismo rural na sua terra, tendo mesmo dado os primeiros passos, não
se chegando a concretizar, infelizmente, por falta de apoios.
Grande entusiasta pelo Campismo e pelo Atletismo, era um fervoroso adepto e associado
do Sport Lisboa e Benfica, tendo sempre o hábito de dizer, para que todos soubessem,
"ser um benfiquista ferrenho". Chegou a ser galardoado com a "Águia
de Ouro" pelo Sport Lisboa e Benfica.
Pessoa de ideias firmes, costumava dizer que nada neste mundo o fazia abandonar a medicina,
porque "parar
depois da reforma é morrer" e, por isso, aos 83 anos ainda exercia a sua nobre profissão,
com toda aquela sua energia com que sempre se conheceu.
Faleceu em Lisboa no dia 12 de Fevereiro de 2006, o funeral realizou-se para a sua
terra natal, onde foi sepultado no cemitério local, como sempre foi o seu desejo.
Loriga viu partir um grande bairristas e amigo da sua
terra, ao qual muito ficou a dever, vendo-se também partir aquele, que na sua nobre missão,
aliviou muitas vezes o sofrimento de todos aqueles que o procuravam. |
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Armando
Fernandes dos Santos *
1921 - 1952 |
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Armando "Folhadosa"
assim conhecido, era natural de Loriga onde nasceu no ano de 1921, ficando órfão
ainda muito novo, depois de fazer a quarta classe foi trabalhar e viver com o padrinho
Sr. António Folhadosa, um oficial sapateiro com nome nas redondezas, que tinha
uma sapataria junto ao Poleirinho, por onde também passariam outros que mais
tarde se viriam a tornar grandes sapateiros.
Anos depois da morte do padrinho, o Armando viria a tomar conta da gerência da
sapataria, onde se viria a tornar num sapateiro de sucesso. No entanto, viria a morrer
ainda muito novo, vitima de uma doença existente nesses tempos, que o minava
e para a qual na época ainda não era possível a cura eficaz.
Foi um grande dinamizador do futebol em Loriga, onde jogava a guarda-redes, e foi no
apogeu da sua mocidade que foi fundado o Grupo Desportivo Loriguense, tendo os fundadores
encontrado no Armando "Folhadosa" um dos principais apoiantes. Nessa altura
não havia campo de futebol e era no Terreiro da Lição, Fonte do
Mouro, Sargaçal e mais tarde o Campo da Vista Alegre onde era jogado esse desporto,
o único em Loriga na época.
Acérrimo defensor e grande adepto do Sporting que nessa altura dominava por
inteiro o panorama futebolístico nacional, foi ele que lançou a semente
do seu sempre querido clube cujos adeptos estavam em maioria em Loriga. A sua sapataria
era um repositório dos grande ídolos daqueles tempos, Soeiro; Peyroteo;
Pireza; João Cruz; Azevedo; Cardoso; Mourão; os famosos violinos etc.,
onde ali podiam ser vistos em todos os tamanhos.
Com naturalidade, a sua sapataria era lugar de tertúlia, onde todos se informavam
e discutiam os assuntos desportivos, principalmente o futebol, e onde os jornais e
revistas da época:- Sports, Stadium e o recém aparecido "A Bola"
faziam parte da mobília.
Faleceu em 10 de Maio de 1952 com apenas 31 anos, sendo sepultado no cemitério
local, vendo Loriga partir um grande desportista que muito tinha a dar à sua
terra, mas que infelizmente, ainda muito novo partiu para sempre. |
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* António José Leitão |
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Dr. Carlos Pinto
Ascensão
1922 - 1997 |

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Nasceu em Loriga
no dia 25 de Dezembro de 1922, onde também frequentou a escola primária,
filho de Joaquim Pinto Ascensão e de Amélia de Jesus Florêncio.
Com 13 anos de idade seguiu para o Seminário tendo passado por Santarém,
Almada e Olivais. Anos mais tarde abandonou a vida eclesiástica e, no ano de
1944, ingressou como funcionário na Casa Pia de Lisboa.
Entregando-se ao trabalho de educação dos adolescentes especialmente
aos deficientes visuais e auditivos, foi ocupando nesta instituição sempre
cargos de relevância, onde foi também granjeado a simpatia geral, vindo
mesmo a ocupar funções directivas, nomeadamente no Instituto Jacob Rodrigues
Pereira, tendo sido também Presidente da Associação Portuguesa
de Professores e Técnicos de Reabilitação de Surdos.
Personalidade de reconhecido prestígio no plano internacional, viajou por todo
o mundo em representação da Casa Pia, sempre com grande sentido do cumprimento
do dever. Foi representante de Portugal no BIAP - Bureau Internacional de Audiophonologie,
sendo por sua iniciativa criada uma Comissão Internacional a que presidiu desde
a sua criação.
Ao longo da sua carreira escreveu muito, principalmente dos temas que ele tão
bem conhecia relacionados com o deficiente, colaborando em vários jornais e
revistas destacando-se entre outros:- Diário popular; A Capital; o Diário
de Noticias e a Flama.
Dedicando toda a sua vida àquela Instituição, apesar de aposentado
em 1992 a ela continuou ligado como Director da Revista da Casa Pia de Lisboa e também
como Presidente da Associação Portuguesa de Professores e Técnicos
de Reabilitação de Surdos.
Era por vezes acusado de ter esquecido Loriga, ao que ele respondia "Que se lembrava da sua terra todos os dias, e se há
quem pense que ser bairrista é estar sempre presente em cima da terra, ser bairrista
é fazer pela terra tudo quanto se pode sem se esquecer dela".
Foi um dos fundadores do Jornal "A Neve" em 1949, tendo colaborado com os
seus escritos nos programas das Festas da Vila realizadas na década 50 e 60,
escrevendo ainda alguns artigos no Jornal "Garganta de Loriga" nestes tempos
mais recentes.
Em 17 de Março de 1993, no Palácio da Ajuda, o Dr. Carlos Ascensão
recebeu das mãos do então Presidente da República, Dr. Mário
Soares, as insígnias de Comendador da Ordem de Mérito, numa consagração
oficial e pública de uma vida dedicada à solidariedade.
Faleceu no dia 23 de Agosto de 1997, vendo Loriga partir um dos seus filhos que se
notabilizou fora dela, mas que a deixou mais enriquecida na sua história. |
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Manuel Dinis Pereira
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1923 - 1996 |
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Nasceu em Loriga
a 1 de Junho de 1923, vindo a notabilizar-se ao longo de muitos anos pelo seu desempenho
profissional no serviço de saúde, não só na sua terra como
ainda nas freguesias periféricas. Era o Enfermeiro, mas em certas situações
pareceu ser o médico.
A sua humildade tornavam-no num homem simples, sendo um grande bairrista que adorava
todas as coisas da sua terra. Além de tudo era um loriguense convicto e que
acreditava na palavra, por isso a popularidade e a amizade que sempre granjeou dos
seus conterrâneos.
Após concluir a escola primária o médico de Loriga Dr. Andrade,
chama-o para o seu consultório, passando a ser o seu "moço de recados"
o que durante anos não parecia passar disso mesmo. No entanto o "Ti Manel
Barriosa" como era assim chamado, foi deitando o olhar por tudo o que o rodeava.
Tornou-se um ajudante imprescindível do médico, com quem teve sempre
um bom relacionamento, muito embora este só o tenha inscrito na Previdência
Social um pouco tarde, colaborou, após a morte do Dr. Andrade, com o filho deste,
Dr. Jorge Andrade e, mais tarde, durante muitos anos, com o Dr.Bandeira.
Foi adquirindo experiência, e apesar de não ter curso de enfermagem, adquire
mesmo o estatuto de enfermeiro de Loriga. Deu injecções sem conto e,
neste serviço de enfermagem aventura-se mesmo a fazer muito mais, chegando ao
ponto de tirar dentes e a dar sem querer nada em troca medicamentos que ele por vezes
conseguia de amostras de propaganda médica.
Esta figura de Loriga marcou na sua terra uma época em que nunca poderá
ser esquecido, destacando-se entre outras actividades, o ter sido um potencial impulsionador
do teatro amador nesta localidade. Muitos ainda recordam quando pela sua mão
houve a possibilidade de ser colocada em cena a "Casa do Pai" talvez um dos
maiores êxitos que o teatro amador desta Vila conheceu. Homem simples e bom,
foi sem dúvida muito importante e de grande utilidade para Loriga, pois estava
sempre pronto para ajudar em tudo que fosse realizações de carácter
cultural na sua terra. Havia até quem o chamasse de "festeiro", atendendo
às ideias e iniciativas que pôs em prática, mesmo sendo ele a pagar
do seu próprio bolso, para que tudo fosse possível fazer.
Fez parte da Direcção da Banda de Música durante muitos anos,
onde ainda hoje é recordado com saudade e foi, durante sete anos mordomo da
Festa da N.S. da Guia, sendo ele também o promotor, em 1963 das primeiras marchas
populares realizadas em Loriga.
Os tempos mudaram foram surgindo os enfermeiros habilitados, o "Ti Manel Barriosa"
o "Enfermeiro" de Loriga deixou de ser menos solicitado, mas nem por isso
foi esquecido por muitos a quem ele, dedicadíssimo, prestou preciosa assistência.
Faleceu a 21 de Outubro de 1996, vendo a população partir aquele que,
na sua nobre missão, aliviou muitas vezes o sofrimento de todos aqueles que
o procuravam. |
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* Albrito |
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José Nunes
Moura
1923 - 2006 |

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Nasceu em Loriga,
no dia 24 de Março de 1923, filho de José Nunes Luiz e de Palmira Brito
Moura.
Depois de concluir a escolaridade obrigatória, prosseguiu outros estudos, tendo-se
especializado em Técnico Debuxador.
Regressou à sua terra e ingressou na Fábrica da Fândega e, mais
tarde, na Sociedade Moura Cabral.
Homem de trato fácil e de uma amabilidade extrema era, acima de tudo, um homem
de corpo inteiro, sempre presente nas iniciativas em prol de Loriga demonstrando, assim,
um louvável bairrismo e um profundo respeito e adesão aos valores do
associativismo.
Fez parte dos órgãos sociais de várias colectividades da sua terra,
nomeadamente, da Banda Filarmónica, do Grupo Desportivo, do Sindicato, bem como
fez parte da autarquia como Secretário da Junta de Freguesia, mandato dos últimos
anos da década de 1950.
Em 1961 constituiu uma sociedade comercial com os senhores Carlos Nunes Cabral e seu
filho Carlos Nunes Cabral Júnior, designada "Carlos Cabral, Limitada",
com sede em Lisboa, na Rua da Prata, nº 199, 1º. Esquerdo, com vista à
comercialização de fazendas e lanifícios.
Radicou-se então em Lisboa, onde passou a desempenhar a sua actividade. Após
a extinção da referida sociedade, passou ele próprio a dedicar-se
à comercialização de fazendas e também de malhas, tendo
instalado o seu escritório na Praça da Figueira, onde esteve sediado
durante muitos anos.
Adorava a sua terra, que visitava com regularidade, estando sempre muito atento a tudo
que se relacionava com Loriga sendo, por isso, bem reconhecido o seu bairrismo e dedicação
às causas em prol da sua terra. Qualquer iniciativa levada a efeito, a presença
do senhor José Moura era uma referência, mostrando sempre disponibilidade
para dar o seu apoio. Até mesmo nos funerais dos seus conterrâneos falecidos
em Lisboa, era sempre uma presença pois, de maneira alguma faltava para os acompanhar
à ultima morada.
Casado com Maria Teresa Nunes Cabral, da qual teve três filhos e, com netos e
bisnetos era-lhe reconhecido a grande dedicação à sua família.
Em 14 de Março de 1997, sofre um rude golpe com a falecimento da sua esposa.
Desde então, passou a ver-se o senhor "Zé Moura" como popularmente
era assim chamado, caracterizado com o preto do luto.
Foi um grande apoiante da Associação de Apoio da 3ª. Idade, da qual
era associado e que não esqueceu, tendo deixado em testamento a quantia de 5.000
Euros a esta associação. Entre outras doações não
esqueceu também a Banda, à qual doou um belíssimo e artístico
móvel, que veio enriquecer uma das salas desta instituição musical.
Construir uma casa na sua terra, era uma sonho que sempre alimentou, o qual veio a
concretizar e onde, com mais regularidade, pode passar um pouco mais do seu tempo.
Foi convidado de honra nas comemorações do Centenário da Banda
realizadas em Julho de 2006, o último acto público em que esteve presente,
antes da doença que o vitimou.
Faleceu em Lisboa, no dia 3 de Novembro de 2006, com a idade de 83 anos. O funeral
realizou-se em Loriga, onde foi sepultado no cemitério local, vendo os loriguenses
desaparecer um seu conterrâneo, com uma personalidade bem marcante, caracterizada
pela simpatia e simplicidade na sua relação com os outros, pelo seu sorriso
amável, e também pela estima e o respeito como tratava toda a gente. |
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Laura Moura Pina *
1923 - 2007 |
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Nasceu em Loriga
em 19 de Fevereiro de 1923, filha de Plácido Aparício Pereira e de Maria
do Carmo Moura Pina.
De muito nova se apegou às coisas da Igreja na sua terra. Logo na catequese,
entrou para o organismo das filhas de Maria, e da Cruzada, no tempo do saudoso Padre
Lages e não mais se viria a despegar dos diversos organismos católicos
da sua terra.
Catequista zelosa durante largos anos. Zeladora do Apostolado da Oração
e desagravo ao Sagrado Coração de Jesus. Era vê-la em muitas procissões,
levando bem erguido o guião, sem que algum complexo lhe assaltasse a sua mente.
Locista, interveniente nas famílias com problemas sociais e outros.
Cantora de sempre nos grupos corais da Igreja, tinha muito gosto de cantar era mesma
uma apaixonada, cantava como ninguém todo o Te Deum de Perosi sem falhar nada,
tinha um hábito de entoar bem alto a sua voz "que era para Nosso Senhor
a ouvir" como costumava dizer.
Casou com José Duarte Gouveia conhecido por "Zé da Volta" que
era para ela o melhor marido do mundo. Tiveram 10 filhos, mas chegaram a criar 11,
ao ter tomado conta do filho da sua irmã falecida em Coimbra logo após
o parto. Criou o seu sobrinho Joaquim ao mesmo tempo da sua filha Filomena, costumando
dizer "que era uma mama para cada um".
A tia Laura da "Santa Eufêmea" como popularmente era assim conhecida
foi no campo das habilidades, uma pessoa fora de série, nomeadamente nas sua
qualidades inigualável na área de laborar rendas, manejando as agulhas
como ninguém era capaz de o fazer.
Tudo imaginava e tornava mais belo desde lavores simples aos mais complicados, ao ponto
de ornamentar as garrafas, com vestidinhos todos diferentes, cada qual com o seu chapeuzinho.
A sua última paixão e da qual se orgulhava era fazer terços de
renda que oferecia às pessoas com o propósito que fossem rezados, mesmo
já doente no Hospital no Luxemburgo, chegou a fazê-los para depois os
oferecer às enfermeiras.
Na realidade os seus trabalhos mereciam figurar em museu tal é a grande obra
de arte que executou ao longo dos anos.
Quis Deus que a Tia Laura fosse morrer ao Luxemburgo, onde se encontrava de visita
à família, cumprindo assim a mesma sina que seu filho Tó que ali
morreu precisamente no mesmo Hospital. Regressou já sem vida à sua terra
onde foi sepultada no cemitério local, vendo os loriguenses desaparecer uma
das sua conterrâneas reconhecidamente admirada e estimada por todos. |
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* Extractos retirado do artigo
de A.Brito
(Jornal "Garganta de Loriga/2007) |
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Padre António
Bernardino do Nascimento Barreiros
1923 - 2006 |

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Nasceu em Castelejo
(Fundão) a 25 de Fevereiro de 1923, filho de Francisco Bernardino do Nascimento
e de Angelina Fernandes Barreiros.
Frequentou os Seminários Diocesanos de 1936 a 1946. Foi ordenado sacerdote por
D. João Oliveira Matos a 4 de Agosto de 1946.
Exerceu ministério pastoral em Aldeia Nova - Trancoso (1946 -1950), Vale de
Prazeres (1950), Loriga (1966) e Loriga e Cabeça (1972), sendo mudado para o
Fundão em 1979 onde serviu a paróquia de São Martinho durante
27 anos.
Foi ainda Arcipreste do Fundão (1983 -1988); Administrador Paroquial de Aldeia
de Joanes e Aldeia Nova do Cabo (1985 - 1987); Professor de Religião e Moral;
Director e Capelão do Abrigo de S. José e foi membro do Conselho Presbiteral
(1997).
Durante os 13 anos que esteve em Loriga, (1966-1979) ficou na recordação
de muitos o grande trabalho apostólico desenvolvido nesta vila, que ele passou
a gostar, tendo deixado Loriga com muitas saudades.
Tendo na altura substituído o senhor Padre Prata, esperava-o um legado paroquial
de certa forma rico de simbolismo, que o senhor Padre Barreiros tudo fez para dar continuação
à obra deixada pelo seu antecessor, levando a empreender simultaneamente iniciativas
que foram importantes para a paróquia.
Ao partir está ainda na memória as palavras de carinho que transmitiu
ao povo loriguense: - "Vou
deixar-vos. Parto pobre, e parto rico. Parto pobre, porque nada levo do que é
vosso e deixo-vos a doação de quase 13 anos de vida gasta por cada um
de vós, e essas centenas de contos economizados para a remodelação
da Igreja Paroquial e de que não tive tempo de alindar como desejava.
Parto rico, porque rico de amizades de carinho, rico de atenções que
sempre me foram dispensadas. Se incompreensões houve para comigo ou para com
a minha actuação apostólica, sinto que tudo sempre desaparecia,
lembrando as ondas do mar a desfazerem-se em branca espuma.
Vai fazer 13 anos que tomei posse de Loriga acompanhado do carinho das minhas irmãs,
das lágrimas dos amigos que deixava e das flores e alegrias que me dispensastes
ao chegar. E convosco quero viver a saudade das pessoas e das coisas, a saudade desta
serra, onde a neve branca das suas cristas nos convida a renovar a nossa vida. Saudades
das diversas ermidas que restaurei e onde ensinei a rezarem e orei com a alma fervorosa
deste povo, sobretudo nas grandes solenidades de N.S. da Guia.
Saudade das crianças, que amei sempre com um pai. Saudade dos adultos, a quem
amei com irmão. Saudade da juventude que tantas alegrias me deu nas noites de
trabalho apostólico. Saudade dos pobres, que me deram a honra de viver comigo
na pobreza. Saudades dos abastados, que acolheram sempre a minha humildade. Saudades
dos patrões e operários, que convivíamos como uma família.
Saudade de vós católicos que me edificastes com a Fé. Saudades
dos doentes que me ensinaram a compreenderem o mistério da dor. Saudade de todos
vós, quando colaborastes comigo de mais perto nos diversos campos do apostolado,
tantas vezes cercados de incompreensões e sofrimento, mas fortes no amor.
A todos levo no coração,
porque a saudade é a ausência feita de presença e a presença
de ausência".
Os últimos tempos da sua vida residia no Lar da Santa Casa da Misericórdia
do Fundão por motivo de doença que o impossibilitou de continuar a exercer
o trabalho pastoral na paróquia do Fundão
No dia 5 de Agosto poucos dias antes da sua morte, o Padre Barreiros cumpriu 60 anos
desde a sua ordenação, tendo decorrido uma missa em sua homenagem na
Igreja Matriz do Fundão, presidida por D. Manuel Felício, bispo da Guarda.
Na altura, o bispo da Guarda elogiou a "dedicação e vontade"
do padre António Barreiros à comunidade religiosa
Faleceu no dia 22 de Agosto de 2006 com a idade de 83 anos, após doença
prolongada, nesse dia ainda foi assistido nas urgências do Centro Hospitalar
da Cova da Beira - para onde se dirigia com vista a receber tratamentos - mas acabou
por não resistir. |
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Padre Francisco
Borges de Assunção
1923 - 2006 |
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Natural de Travancinha
(Seia) onde nasceu em 25 de Janeiro de 1923. Filho de Henrique Borges Assunção e Maria Olivia de Almeida Serra.
Entrou para o Seminário do Fundão, donde, depois de quatro anos de preparatórios,
passou para o Seminário da Guarda. Aqui estudou a Filosofia e a Teologia, para
no fim, em 4 de Agosto de 1946, receber a Ordenação Sacerdotal das mãos
do Senhor Bispo da Guarda.
A Missa Nova ocorreu em 18 de Agosto de 1946 e após um ano de apostolado como
Coadjutor, foi Pastor dedicado às ovelhas que lhe foram confiadas durante cinquenta
e quatro anos em várias Comunidades Paroquiais, só deixando esta sua
actividade aos setenta e oito anos, por motivo de doença incapacitante.
Foi Pároco em Loriga durante 22 anos (1979-2001) onde exerceu um trabalho Pastoral,
Apostólico e espiritual de grande relevo, que destaca também a sua grande
sensibilidade pelos problemas sociais.
Chegou a Loriga no dia 28 de Outubro de 1979, sendo recebido com uma afectuosa e calorosa
recepção, como é timbre do povo da hospitaleira vila de Loriga,
que o surpreendeu e sensibilizou, como mais tarde o veio a dizer. Veio da freguesia
de Arcozelo da Serra para substituir o Padre António Bernardino do Nascimento
Barreiros, que entretanto tinha sido colocado no Fundão
Na Portela do Arão foi-lhe apresentado os primeiros cumprimentos pelas autoridades
e as mais importantes individualidades de Loriga, organizando-se de seguida o cortejo
de algumas dezenas de automóveis até Avenida Augusto Luís Mendes,
que se encontrava apinhada de gente, destacando-se também todos os organismos
católicos da Paróquia e públicos, que dessa forma apresentaram
boas-vindas, formando-se um luzido e enorme cortejo a caminho da Igreja Paroquial,
no qual e durante percurso foram-se sucedendo muitas provas de muita demonstração
de carinho e Fé, com vivas, cânticos e aplausos.
Homem bondoso, afável, atento e com muita sensibilidade e preocupação
social. Confrontado com incompreensões e até alguns desafios, respondeu
sempre com sofrimento e silêncio sem desfalecimentos, não se desviando
da rota por si almejada, que houvera traçado.
Foi uma pessoa dotada de grande capacidade de trabalho, empreendedor, pragmático,
determinado, directo e frontal, soube desde a primeira hora, estar atento às
necessidades mais prementes de Loriga, não se poupando a sacrifícios
dos mais díspares, afectando a sua própria saúde.
Assim que se familiarizou com Loriga, mostrou grandes preocupações de
ordem social, extrema sensibilidade e um especial carinho pelos mais velhinhos e necessitados
de ajuda. Durante a sua permanência nesta vila, deixou obras de largo alcance
social, onde se destaca entre outras a Casa de Repouso de Nossa Senhora da Guia, hoje
de vital importância para os idosos de Loriga e da região, que a todos
recebe de braços abertos e que de certa maneira é o "ex. líbris da Vila de
Loriga",
considerada como Obra da Coragem. O seu mentor considerá-la-á sempre
"como
a pupila dos seus olhos",
pois são vivências que marcam e nunca esquecem, "finis coronat opus".
É na realidade de realce a obra que fez em Loriga, que de certa forma ficará
para sempre como um figura marcante, e que se deve recordar e que aqui registamos.
- Para os que começavam a jornada da vida, incentivou a acção
das Creches, Jardim-de-infância e A.T.L.s, e para os que já se encontravam
no ocaso da sua existência, criando Centros de Dia e Lares para Terceira Idade.
A Formação de leigos conscientes das suas responsabilidades apostólicas,
foi uma constante da sua vida Pastoral. Saliente-se, que paroquiou simultaneamente
Loriga, Cabeça e durante nove anos, Alvoco da Serra.
Construção de raiz de um Pavilhão para Creche, Jardim Infantil
e A.T.L. Restauro e requalificação total da Casa de Nossa Senhora da
Conceição, destinada à prática da Catequese, reuniões
e actividades de outros organismos apostólicos.
Requalificação de um espaço físico para funcionamento do
Centro de Dia para Idoso Grande restauro e requalificação da Igreja Paroquial
no seu interior e exterior. Do seu interior consta um novo tecto, uma nova pavimentação
com colocação de granito na coxia central, colocação de
lambrim de azulejos nas paredes do templo sagrado, dotando-o ainda com novas bancadas.
No exterior, colocação de vitrais e devolução à
origem do seu esplendor granítico.
Obras na Casa Paroquial, dotando-a de melhores condições de habitabilidade,
não descurando o restauro do Salão Paroquial, para desenvolvimento de
actividades pastorais e lúdicas.
Melhorou a Sede social do Centro de Assistência Paroquial de Loriga. Ajudou a
criar a Casa Mortuária, valência que Loriga apreciou e continua a evidenciar.
Lançou meios estruturais para o exercício dos Movimentos Apostólicos.
Estimulou Loriguenses responsáveis que operaram na transformação
da Capela e recinto de Nossa Senhora da Guia, Capela e Largo de S. Sebastião
e Capela de Nossa senhora do Carmo.
E por fim a construção da Casa de Repouso de Nossa Senhora da Guia (Lar
de Idosos) a mais importante obra concluída em Loriga nestes últimos
anos.
Em 4 de Agosto de 1996 fez a suas Bodas de Ouro Sacerdotais, sendo realizada a Festa
Jubilar em Loriga no dia 08 de Agosto de 1996, numa bem demonstrativa e afectuosa celebração
à qual se associou toda a população local.
Já minado pela doença, por vezes deixava transparecer a sua falta de
saúde, mas remando sempre contra as ondas de um mar encapelado que ele próprio
fazia acalmar, não obstante o seu corpo franzino, surpreendendo todos os que
o conheciam pela sua heroicidade.
Deixou a Paróquia de Loriga no ano de 2001, por motivo de saúde. Em 2006
festeja os seus sessenta anos de Sacerdócio. Em 2007 escreve e publica o livro
das suas memórias "Subindo
Sempre"
obra editada pela editora Psicosoma, que retrata bem a simplicidade e humildade memorial
do seu autor. E, como poeta, a Evangelização veio ao de cima, através
dos poemas que iam sendo publicados no seu jornal paroquial "Ecos Paroquiais".
Faleceu no dia 24 de Maio com 86 anos, no Hospital Sousa Martins na Guarda, pela manhã,
com a Cerimónia Fúnebre, presidida pelo D. Manuel da Rocha Felício,
Digníssimo Bispo da Guarda, a realizar-se dois dias depois (26 de Maio) em Travancinha
sua terra natal, onde se deslocaram muitos loriguenses para estarem presentes e acompanharem
o seu corpo à última morada no cemitério local, onde ficou sepultado.
Assim os loriguenses vêem desaparecer uma figura, que não sendo da sua
terra, muito fez por ela e ao qual Loriga muito ficou a dever e tal como foi dito nessa
hora em nome dos Loriguenses, tudo que fez por Loriga "jamais se apagará". |
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José do
Nascimento Claro
1924 - 2009 |
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Nasceu no lugar
da Sobreda, freguesia do Seixo da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, no dia 9
de Outubro de 1924. Filho de Manuel António Claro e Maria da Conceição
Henriques.
Em 1936 e após a instrução
primária, com a idade de 12 anos, foi trabalhar para Loriga, com o seu conterrâneo
senhor Manuel da Sobreda, que possuía uma taberna, situada na cave da antiga
Farmácia Popular, na então chamada Rua Escura. Poucos meses depois, foi
trabalhar para a padaria do Sr. José Maria Pinto, onde se manteve até
aos 17 anos, não imaginando que começava assim dessa forma uma longa
vida na área da Panificação.
Nessa fase da sua adolescência
regressou para a sua terra Natal e, a convite de um seu tio foi trabalhar para Vila
Nova de Tazém, na mesma actividade de panificação. No entanto,
parecendo ficar nele uma certa adoração por Loriga, resultante dos cinco
anos que lá esteve, um ano depois de ter dali partido, não resistindo
à saudade, regressa para Loriga e novamente foi trabalhar para a Padaria do
senhor José Maria Pinto, onde permaneceu até a idade de 26 anos.
Em 1950 e com a idade dos 26
anos, foi-lhe apresentada uma proposta para adquirir a padaria do Sr. José Lages,
conhecida como Padaria do Vinhô, onde aí se estabeleceu por conta própria,
tornando-se num dos maiores padeiros que existiram em Loriga, reconhecido como um profissional
sério, trabalhador e dedicado à sua arte, bem definida no seu espírito
empreendedor que o levou a desenvolver a qualidade do pão, nomeadamente do "paposseco",
trigo-milho, da "poia", o centeio e da famosa broa de milho, reconhecida
não só em Loriga, mas também na região e até muito
afamada na área da grande Lisboa.
Empresário de sucesso
na área de Panificação, que o levava a trabalhar sete dias por
semana, apesar disso, conseguia algum tempo para se dedicar às causas comunitárias
da sua terra de opção, tornando-se mesmo numa verdadeira força
viva de Loriga. De uma educação extrema, era amigo do seu amigo um dos
atributos bem reconhecidos por todos que com ele mais de perto vivia e por quem a população
por ele nutriu sempre uma verdadeira admiração e respeito.
"Zé Claro" como popularmente era assim chamado,
passou por vários órgãos sociais dos vários organismos
de Loriga, com um contributo importante que muitos ainda hoje recordam, pela sua determinação
e visão de olhar as coisas pelo positivo, foi mesmo associado de todas as colectividades
loriguenses. Na verdade foi sempre um verdadeiro entusiasta, comunicativo, atento e
participativo, que o aliou ao enraizado saber académico 4ª Classe, com
o dinamismo do saber-fazer e saber-ser, construído ao longo da sua carreira
profissional. A sua maneira de pessoa de bem, foi marcante, que ficou para sempre na
memória daqueles que se cruzaram consigo
Conhecido como um acérrimo
adepto do Sport Lisboa e Benfica, muitas vezes era vê-lo a conversar sobre o
seu clube de paixão, sofrendo mesmo quando as coisas não corriam tão
bem ao seu clube.
Pertenceu à comissão
constituída por vontade de 25 loriguenses de todas as condições
sociais, que outorgaram a respectiva escritura pública em 12.07.90, para a fundação
da Associação Loriguense de Apoio à Terceira Idade e já
por fim foi também um dos outorgantes da escritura da Confraria da Broa e do
Bolo Negro de Loriga, em 6 de Dezembro de 2008, último serviço público
em prol da terra que ele tanto adorava e que era também dele, apesar de nela
não ter nascido.
Homem de família, realizado,
que juntamente com a sua mulher Ilda Mendes Moura, construiu não só o
seu sucesso empresarial, mas também familiar ao longo de quase 61 anos, tendo
três filhos, cinco netas e um bisneto, de quem muito se orgulhava.
Faleceu em 17 de Agosto de 2009
com 84 anos de idade após doença, resultante de uma alteração
de saúde que se manifestou meses antes, vendo os loriguenes partir uma figura que muito fez pela terra
que passou um dia a ser sua por opção. O funeral realizou-se em Loriga
para o cemitério local onde ficou sepultado. |
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Dr. Joaquim Jorge
Reis Leitão *
1926 - 1994 |

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Nasceu em Loriga
em 5 de Novembro de 1926, filho de Emílio Reis Leitão e de D. Adélia
Jorge Leitão. Fez na sua terra a escola primária, indo de seguida para
o Liceu e depois para o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.
Estudante brioso e muito cumpridor, salientou-se no meio estudantil em que esteve envolvido
onde acima de tudo eram bem evidentes a suas qualidades de inteligência e personalidade.
Pouco tempo depois da sua licenciatura, foi Professor provisório da Escola Preparatória
Nuno Gonçalves de Lisboa de 1953 a 1954, e nessa mesma Escola foi, a partir
de 1957 a 1959 Professor secretário e de 1959 até 1967 Subdirector.
Colocado no Ministério da Educação fez uma brilhante carreira
ao longo de 37 anos, sempre desempenhando elevados cargos, tendo ainda participado
em grupos de trabalhos e outras missões, como por exemplo na Presidência
dos diversos júris de concursos de habilitação para pessoal administrativo,
nomeadamente chefes de secretaria de estabelecimento de ensino.
Teve ainda algumas participações em grupos de trabalho e outras missões,
destacando-se entre outras as de Membro da Comissão Organizadora do Congresso
Nacional do Ensino Técnico realizado em 1968, Revisão das estruturas
administrativas dos estabelecimentos de ensino preparatório e secundário
e frequência de um estágio em Paris para estudo da gestão dos estabelecimentos
do ensino secundário franceses patrocinado pela OCDE.
Grande amigo da sua terra e muito bairrista onde, por norma, se deslocava semanalmente,
foi um grande obreiro para a criação da Escola Secundária nos
finais da década de 1960 e cuja inauguração foi efectuada pelo
então Ministro da Educação Dr. José Hermano Saraiva que
foi recebido pela Banda de Loriga executando o Hino da Maria da Fonte.
Foi um dos fundadores do Jornal "A Neve" em Lisboa no ano de 1949, publicação
que viria a ser interrompida poucos anos depois, passando mais tarde a ser publicado
como Boletim Paroquial.
Veio a ter grande influência na construção da Escola EB em Loriga
à qual desde logo foi posto o seu nome:- Escola EB 2.3 Reis Leitão-Loriga,
numa prova de gratidão da localidade, a tão grande bairrista loriguense.
Faleceu em Lisboa a 29 de Agosto de 1994, sendo sepultado no cemitério de Benfica,
longe da sua terra que tanto adorava, tendo a Vila de Loriga perdido uma das suas maiores
figuras que em muito contribuiu para o desenvolvimento da sua terra. |
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* Albrito |
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Álvaro dos
Santos Aparício
1926 - 2007 |
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Nasceu em Loriga
em 22 de Outubro de 1926, filho de Luciano dos Santos Aparício e de Maria Emília
Mendes dos Santos.
Não chegou a conhecer o seu pai, pois quando nasceu já ele tinha embarcado
para o Brasil, destino comum de muitos loriguenses na época. Já crescido,
o pai ainda o tentou levar para junto dele onde já se encontravam a irmã
e irmão, só que a sua mãe não o permitiu.
Grande bairrista, amava a sua terra como ninguém. Foi um cidadão exemplar,
que dignificou a sua vida na comunidade, tornando-se uma das suas principais referências
sociais e morais pela sua integridade e verticalidade, que eram mais que evidente na
sua maneira própria de viver em bem.
Sempre muito devoto, bem como a sua esposa, estava sempre disponível para colaborar
nas actividades promovidas pela Igreja, em que se destacam os Cursos de Cristandade
e a Liga Eucarística dos Homens. Pertenceu, e é bem lembrado, o seu envolvimento
na JOC (Juventude Operária Católica) e na LOC (Liga Operária Católica),
que tiveram no senhor Álvaro Aparício um dos seus mais importantes membros.
Foi um dos sócios fundadores da Cooperativa Popular de Loriga e do Socorro Paroquial
Loriguense, fez parte de diversas direcções da Irmandade das Almas e
do Santíssimo Sacramento de Loriga, bem como de vários outros organismos.
Solidariedade, amor ao próximo, dignidade profissional, desportista e activista
cultural, transmitiu valores que perduram como guia de conduta social com gestos cativantes
de humanidade e valores.
A sua actividade profissional foi quase toda ela dedicada à firma Metalúrgica
Vaz Leal, onde trabalhou cerca de quatro décadas. Logo após ter terminado
a escola primária, começou a trabalhar na oficina Pedro Vaz Leal, nessa
altura ainda na chamada "Forja" situada no Cabeço, que mais tarde
passou para o Terreiro da Lição. Depois de meia dúzia de anos
na oficina do Joaquim Correia (Casegas) voltou novamente para o Pedro Leal mas, desta
feita, para a oficina já situada na Vista Alegre, onde esteve até se
reformar aos 62 anos.
Possuidor de uma energia que venceu desafios, independente dos poderes estabelecidos,
colocou-se sempre ao lado dos mais humildes e pelas mais nobres causas, estando sempre
atento a tudo que se relacionasse com a sua terra.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga num mandato de três anos, de 1977
a 1979, nas primeiras eleições realizadas democraticamente, encabeçando
a lista do Partido Socialista, da qual também faziam parte a D. Helena Leitão
e o Sr. Horácio Ortigueira.
Foram anos problemáticos à frente da autarquia, numa altura em que corriam
os primeiros anos da democracia e que a situação do país era ainda
um pouco confusa. Por outro lado, a escassez dos meios financeiros tornavam ainda mais
difícil a tarefa de dirigir a Junta de Freguesia tendo, apesar de tudo, efectuado
um trabalho digno de relevo ainda hoje muito recordado.
De vários melhoramentos levados a efeito no seu mandato, destaca-se a construção
do Ringue de Patinagem, num complicado processo da ocupação dos terrenos,
pertencentes à Fundação Cardoso de Moura. Foram também
concluídas as obras do abastecimento de água e saneamento em toda a vila.
Como também foram efectuadas as obras para o alteamento e reforço de
muros dos Poços de Loriga (Serrano e Covão das Quelhas), que se vieram
a tornar de importância vital para a terra.
Foi determinante, e também de grande realce, o seu envolvimento como presidente
da Junta de Freguesia, na reorganização da Banda de Música de
Loriga em 1978, após mais uma crise, (na altura encontrava-se encerrada), tendo
sido igualmente fundamental o grande apoio e a contribuição dada por
António de Brito Pereira o "Mestre Barriosa" como assim era chamado.
Depois de finalmente organizada, a Banda retomou a sua actividade, o que aconteceu
no dia do Corpo de Deus, estando ainda na lembrança de muitos loriguenses, quando
nesse dia foi recebida na "Praça" com grande ovação.
Foi, também, nessa altura, que a Banda foi inscrita na Federação
Portuguesa das Actividades de Cultura e Recreio.
No ano seguinte, em 24 de Junho de 1979, a Banda realizou uma digressão a Sacavém
para obter apoios da comunidade loriguense. Para esse efeito, foi organizado um convívio
na Quinta do Seminário dos Olivais e também um concerto na Cooperativa
de Sacavém, bem difundido pela imprensa escrita, onde também esteve presente
o senhor Álvaro Aparício na sua qualidade de presidente da Junta, que
deu uma importante entrevista onde realçava as carências de Loriga.
Casado com a D. Irene Gomes Dinis Prata, eram-lhe reconhecidos os atributos de dedicação
à esposa e filhos. Também a sua humanidade e amizade para com os outros
o fez sempre granjear a estima e admiração dos seus conterrâneos.
Em 12 de Outubro de 1997, sofreu um rude golpe com o falecimento da sua esposa.
Os últimos anos da sua vida foram vividos na Casa de Repouso da Nossa Senhora
da Guia em Loriga, onde faleceu no dia 24 de Julho de 2007, com 81 anos, tendo sido
sepultado no cemitério local, vendo Loriga desaparecer mais um dos seus filhos
a quem tanto ficou a dever, e os Loriguenses viram partir mais um seu conterrâneo, uma notável figura
por quem tiveram sempre uma grande admiração e estima. |
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José Moura
Mourita
1927 - 1998 |
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Natural de
Loriga onde nasceu em 12 de Julho de 1927, filho de Joaquim Moura Mourita e de Maria
do Carmo Lopes Vide, também naturais desta localidade.
Figura querida de Loriga foi o "último" Carteiro desta Vila, em épocas
quando a nomenclatura das ruas ou mesmo os números das portas das habitações
faziam parte do nosso imaginário, tendo ao longo de muitos anos desempenhando
aquelas funções com muita dignidade.
Foram quilómetros sem conto percorridos ao longo dos anos de serviço
na sua profissão de Carteiro, devendo ser o único loriguense a conseguir
pisar todas as ruas, becos, pátios, quelhas ou mesmo qualquer recanto da povoação,
levando consigo boas e más noticias. Conhecia toda a gente pelos seus nomes
e apelidos, apesar de serem tempos em que a população atingia números
elevados que nada tem a haver com o movimento populacional de hoje, que se vem notando
cada vez mais reduzido.
Homem de uma calma impressionante e de pontualidade eficaz, ao sol, chuva, vento, frio
ou neve, a partir das 11 horas da manhã era uma presença obrigatória
pelas ruas da Vila, fazendo chegar aos seus destinatários a tempo e horas a
correspondência que consigo levava, mesmo tendo por vezes o hábito de
se entreter em "dois dedos de conversa" com os amigos ou aproveitando essas
paragens por breves momentos para refrescar um pouco a garganta.
Hoje nada sendo com antes, desempenhar o serviço de carteiro parece necessário
ser bastante letrado e em vez do andar a pé, existem os transportes para se
movimentarem, parecendo nada poder ser feito se não houver a ajuda da electrónica.
No entanto o "Ti Zé Mourita" o carteiro de Loriga não precisou
nada disso, pois registava mentalmente todos os nomes das pessoas da sua terra. Hoje
em dia, se a memória nos falha, podemos socorrer-nos da nossa "memória
electrónica", como é o caso do computador.
Sendo bastante religioso era um cristão convicto e um fervoroso defensor da
igreja, adorando igualmente a sua terra. Era casado com a Sra. Adélia Alves
Jesus.
Um dia, em caminhos que percorreu e tão bem conhecia, aconteceu o que nunca
previa que viesse acontecer. Caiu e feriu um pé e uma a perna e, a partir daí
não mais foi o mesmo, Foi adoecendo e essa mesma doença o viria a vitimar,
falecendo no dia 20 de Abril de 1998. A população de Loriga viu partir
o "último" Carteiro da Vila daquela época em que a correspondência,
para chegar até nós, apenas bastava ter o nome. |
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Mário Gonçalves
da Cruz
1928 - 1999 |

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Natural de
Loriga onde nasceu em 16 de Janeiro de 1928, ficou na memória como um dos maiores
bairristas loriguenses, onde o amor a Loriga estava sempre presente onde quer que fosse
e estivesse em tudo o que se envolvesse relacionado com a sua querida terra.
Esta figura loriguenses viveu quase toda a sua vida em Sacavém. Para muitos
era como que um cônsul de Loriga nesta localidade, a quem muitos recorriam para
saberem novidades e noticias e como não podia deixar de ser foi também
um dos fundadores da ANALOR (Associação dos Naturais e Amigos de Loriga)
à qual dedicou muito do seu tempo.
Um dom poético o caracterizava para projectar a sua adorada terra através
da poesia, escrevendo muitos poemas, quase sempre dedicados a Loriga e às suas
gentes, não esquecendo os Bombeiros e Músicos pelos quais teve sempre
uma grande admiração.
Homem de alma grande, ficou na recordação de muitos quando organizava
excursões a Loriga, nomeadamente no verão e mais precisamente para os
festejos da Festa da N.S. da Guia, estando na lembrança a chegada à "Carreira"
onde era enorme a emoção e quando da partida, a tristeza reinante era
bem visível nos rostos de todos aqueles ao deixarem mais uma vez a sua terra.
Pessoa simples e afável tinha uma maneira própria de falar das artes,
dos livros, da poesia, nos acontecimentos diários, tendo também sempre
histórias e peripécias para contar desses passeios excursionistas e ainda
de uma vida que levou dedicada ao melhor que houvesse para Loriga.
Faleceu em 28 de Dezembro de 1999, após doença, sendo sepultado no cemitério
de Sacavém, ficando assim dividido por duas localidades que foram a sua vida,
uma que foi seu berço e a outra em que ficou sepultado, ficando Loriga mais
triste por não mais ver chegar aquele que um dia lhe cantou: |
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"Eu canto
Loriga canto. A tua Primavera em flor. Como eu te quero tanto. Minha terra, meu poema,
meu amor". |
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Carlos Nunes Cabral
Junior
1928 - 2004 |
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Nasceu em Loriga,
em 16 de Maio de 1928, filho de Carlos Nunes Cabral e de Urbana Nunes Moura.
Depois de frequentar a escola primária na sua terra, foi estudar para Coimbra,
por onde se manteve durante alguns anos.
Desde muito novo se notava a sua qualidade de empresário e cedo começou
a pisar os passos de seu pai, também ele um grande industrial em Loriga.
Homem de grande inteligência e de luta, empresário de enorme qualidade
e sucesso. Após a morte de seu pai, tomou a liderança da Firma Moura
Cabral & Comp., que administrou durante três décadas, chegando mesmo
a ser uma firma de sucesso, em desenvolvimento, progresso e qualidade, merecidíssimas
reconhecida no concelho e não só.
Fez parte dos Corpos Sociais de vários organismos da sua terra natal, nomeadamente
de carácter desportivo, cultural e humanitário, funções
que sempre desempenhou com todo o empenho e dedicação.
Foi presidente da Junta de Freguesia de Loriga de 1990 a 1993, onde se destaca a obra
realizada e de grande valor, no desenvolvimento da sua terra.
Depois do 25 de Abril de 1974 e até 1976, fez parte da Comissão Administrativa
da Câmara Municipal de Seia
Tanto como dirigente ou empresário, apoiou sempre todas as iniciativas, que
fossem de beneficio para a sua terra.
Em medas da década de 1980, foi determinante o seu contributo ao espírito
impulsionador, em termos de panorama do futebol, elevando o Grupo Desportivo Loriguense,
ao seu mais alto nível desde a sua existência, ao disputar pela primeira
vez o Campeonato Distrital da 2ª. Divisão da Associação do
Futebol da Guarda. Foi também nessa altura, o Presidente eleito desta popular
colectividade loriguense.
Poucos anos antes da sua morte, resolveu afastar-se do meio empresarial, deixando mesmo
a sua empresa. Esta firma continua em laboração, sendo a única
empresa de lanifícios, que actualmente e apesar de tudo, ainda sobrevive em
Loriga.
Faleceu inesperadamente em Coimbra, no dia 4 de Abril de 2004. O funeral realizou-se
para a sua terra natal, onde ficou sepultado no cemitério local.
Loriga ficou mais pobre ao ver desaparecer mais um dos seus industriais, que muito
fez pela sua terra e que tanto adorava. |
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Adélia Alves
Martins
1929 - 1974 |

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Nasceu em Loriga,
no dia 2 de Maio de 1929, era filha de António Alves Martins e de Maria Emília
Duarte Jorge.
Desde muito nova se começou a destacar como cozinheira, numa maneira própria
de muito bem confeccionar a comida regional.
Os seus dotes culinários eram muitos reconhecidos não só em Loriga,
mas também pelas outras terras da região, para onde era solicitada com
regularidade.
Cozinhava para bodas ou outros eventos, sendo a mais nova das cozinheiras a trabalhar
para a comunidade em Loriga. Tal como era usual nesses tempos, nunca também
fazia preço pelo trabalho que executava, aceitando o que as pessoas lhe queriam
dar, sendo que, muitas vezes, o pagamento consistia apenas em mercearias.
Muito devota e religiosa, teve sempre presente o cumprimento dos deveres da Igreja,
tendo pertencido à JOCF e à LOCF, logo após a fundação
destes organismos em Loriga, pelo Sr. Padre António Roque Abrantes Prata, Pároco
nesta vila (1944-1966).
Foi a primeira cozinheira do Restaurante Império em Loriga, quando este foi
inaugurado em 1972 onde, durante o tempo que ali trabalhou, a comida que confeccionava,
era bastante apreciada pelas pessoas que vinham de fora.
Teve sempre a preocupação de transmitir aos outros os seus conhecimentos
de culinária e, por isso mesmo, os seus ensinamentos vieram a tornar-se muito
úteis, para as pessoas que com ela muito aprenderam.
Mãe de doze filhos, muito carinhosa e esposa resignada pelo infortúnio
da doença do marido, viria a morrer relativamente nova, após doença
prolongada, deixando seus filhos ainda muito novos e, quando ainda tinha muito para
dar à família e também à gastronomia loriguense.
Faleceu em 20 de Outubro de 1974, sendo sepultada no cemitério local, onde muitos
loriguenses se deslocaram acompanhando-a até à sua última morada,
num funeral de verdadeiro pesar, vendo Loriga, desaparecer para sempre, uma das suas
cozinheiras, que deixou em todos, recordações e saudades. |
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Eng. Emílio
Leitão Paulo
1932 - 2001 |

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Nasceu em Loriga
em 17 de Julho de 1932, foi uma figura de prestigio desta localidade, distinguindo-se
como personalidade bem vincada em todos os cargos que desempenhou.
Fez o ensino primário na sua terra, licenciou depois em Coimbra, tendo sido
diplomado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa.
Trabalhou na Companhia dos Diamantes de Angola, durante alguns anos, regressou à
Metrópole, tendo ingressado nos Nitratos de Portugal como Director Técnico.
Transitou depois para a Metalúrgica Vaz Leal, em Loriga, onde foi sócio-gerente
durante alguns anos, onde também teve sempre a preocupação de
gerir esta firma industrial da sua terra, com o maior dinamismo e entusiasmo.
Dedicou parte da sua vida à politica, militante pelo partido do CDS, teve um
papel de relevo na organização deste Partido no distrito da Guarda, onde
chegou a ser o mais votado, chegando mesmo também a ser Vice-Presidente do Conselho
Nacional.
Após o 25 de Abril de 1974, foi Deputado pelo CDS na Assembleia Constituinte
pelo círculo da Guarda. A partir de 1978 foi nomeado para Governador Civil da
Guarda, funções que desempenhou durante algum tempo. Foi também
Vice-Presidente da Câmara de Seia.
Pessoa de fino trato, e de elegante relacionamento, era bem reconhecido por todos o
trabalho desempenhado nas suas funções politicas, onde procurava acima
de tudo ser aberto a todos, sem distinção de ideologias, tentando servir
o melhor possível os interesses do seu Distrito.
Foi um dos sócios fundadores da Editora Porta da Estrela Lda., proprietária
do Jornal da Porta da Estrela publicado em Seia.
Casado em primeiras núpcias com D. Maria Lela de quem ficou viúvo, tendo
casado em segundas núpcias com D. Maria de Lurdes D.Brito.
Faleceu no Hospital Particular de Lisboa, no dia 12 de Outubro de 2001, vítima
de doença. O seu funeral saiu da Igreja do Campo Grande-Lisboa para Loriga,
onde ficou sepultado no cemitério local. |
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Eng. Joaquim Leitão
da Rocha Cabral
1934 - 2003 |
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Nasceu em Loriga,
em 25 de Maio de 1934, filho de António da Rocha Cabral e de Guilhermina Reis
Leitão Cabral.
Vivendo praticamente sempre fora da sua terra, notabilizou-se pelo seu invejável
e meritório curriculum, devido aos altos cargos que desempenhou ao longo da
sua vida, e que o tornaram num loriguense de destaque.
Chefiou e administrou muitas instituições públicas, e fez parte
também de diversos governos, vivendo uma vida de actividade, que o impossibilitava
de muitas mais vezes visitar Loriga, como decerto desejaria.
Licenciou-se em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico
em 1951-58 e, posteriormente, viria a formar-se em Genie Atomique INSTN Saciay 1959;
Calder Hall Operatine School 1960 e Auditor do Curso de Defesa Nacional 1993-94.
De 1959 até 1976, foi Engenheiro da Companhia Portuguesa de Industrias Nucleares,
bem como da Empresa Termo-Eléctrica Portuguesa e da Companhia Portuguesa de
Electricidade. De 1976 até aos últimos tempos da sua vida, chefiou a
Equipa de Projecto da Central Nuclear, passando à reforma em 1999, na função
de assessor do Concelho da Gerência.
Em 1977, foi nomeado Administrador da Electricidade de Portugal. De 1971 a 1983, foi
representante português na Comissão de Estudos Nucleares da UNIPEDE, e
em 1987 na Comissão Consultiva da EUROTOM. De 1983 a 1984, foi Vice-presidente
da UFIPTE.
Dedicou-se à politica, tendo feito parte do I Governo Constitucional como Secretário
de Estado da Energia e Minas: (28-07-1976 a 07-01-1977) e de (07-01-1977 a 25-03-1977),
do II Governo Constitucional, como Secretário de Estado da Energia e Indústrias
de Base: (06-02-1978 a 28-07-1978), mantendo-se em gestão até à
posse do 3º Governo Constitucional, em 29-08-1978, e do IX Governo Constitucional
como Secretário de Estado da Energia: (18-06-1983 a 12-07-1985), mantendo-se
em gestão até à posse do 10º Governo Constitucional, em 06-11-1985.
Foi nomeado Secretário-Adjunto do Governo de Macau, de Julho de 1987 a Dezembro
de 1989. Em 1992, candidatou-se à Junta de Freguesia do Campo Grande (Lisboa)
onde saiu vencedor, tendo-se recandidato e vencido também em 1996. Pelos serviços
prestados ao longo da sua vida, foi reconhecido pelo seu trabalho, ao ser-lhe atribuída
a condecoração do Grão-Cruz da Ordem de Mérito Civil de
Espanha. Foi casado com Maria Isabel Nunes Cabral, também natural de Loriga
e pai de Ana Isabel Cabral Grade. Faleceu no dia 17 de Janeiro de 2003, e o seu funeral
foi realizado para o cemitério do Alto São João - Lisboa, tendo
Loriga ficado mais pobre ao ver desaparecer um dos seus mais nobre e ilustre filho. |
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Em 2010 a Câmara
Municipal de Lisboa, atribui o seu nome a uma rua lisboeta - Rua Eng. Joaquim Leitão
da Rocha Cabral - situada na freguesia de Campo Grande, distinguindo e perpetuando
dessa forma a memória deste distinto loriguense. |
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Fernando Gonçalves
*
1934 - 1997 |

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Nasceu em Loriga
no dia 23 de Setembro de 1934, filho de Abílio Luís Amaro e Maria Gonçalves.
Era o mais novo no seio de uma família de agricultores, mas viria a ser operário,
como, aliás, a grande maioria dos loriguenses da sua geração.
No entanto a terra sempre exerceu um grande fascínio sobre a sua vida, pois
conciliou, ao longo da sua existência, a indústria e a agricultura.
Seguindo as pisadas do seu irmão Carlos, rumou a Lisboa, onde permaneceu alguns
anos, mas como mais tarde se veria, não conseguia estar muito tempo longe da
sua querida Loriga. Era o chamamento da terra... Assim, regressa a Loriga e divide
a sua actividade entre a fábrica e a agricultura, que nunca deixou definitivamente.
Entretanto, seguindo a tradição de família, já que os seus
irmãos também eram filarmónicos, ingressa na banda, onde tocava
saxofone soprano.
Viria a casar com Maria Emília Florêncio Pinto, também, a mais
jovem dos filhos de Joaquim Pinto Assunção (conhecido como Joaquim "Faztudo")
e Amélia de Jesus Florêncio. Desse casamento nasceram quatro filhos: a
Mª Aurora, o Quim, o Ismael, e a Mª Raquel. Ficando viúvo contraiu
segundo casamento com Maria do Carmo Duarte Marcos.
Foi sempre um inconformado e, por consequência, empreendedor, viria a passar
pelas várias fábricas de Loriga, com a excepção da Metalúrgica,
mas também trabalhou na Fisel, em Seia e na Vodratex, em Vodra, em Passos da
Serra e, tentou até a dura experiência da emigração.
Em 1969, foi "a
Salto",
assim se dizia da emigração ilegal, para o Luxemburgo, juntamente com
um grupo de loriguenses e outros portugueses de proveniências diversas. As peripécias
que contava dessa atribulada viagem até ao Luxemburgo, são dignas dos
filmes mais rocambolescos. Desde atravessarem rios a nado, até passarem fome
durante vários dias ou andarem sem rumo, sem conhecer ninguém, nem falar
as línguas das gentes dessas paragens, houve um pouco de tudo. Mas chegaram
ao destino são e salvos e rapidamente começaram a trabalhar. No entanto,
esta aventura duraria pouco mais que três meses, já que, segundo ele...
"se
para ganhar algum dinheiro era preciso tanto sacrifício, preferia sacrificar-se
na sua terra, junto da família".
Um dos companheiros de aventura dizia muitas vezes... "O Fernando não tem espírito
de emigrante porque, a cada refeição, vê a mulher e os filhos no
fundo do prato".
Era de facto assim, para ele a família era o porto seguro. Era rude com os filhos,
muito exigente, como, aliás, era consigo próprio. Afinal, era esse o
modelo que herdara de seus pais.
Fazia amizades muito facilmente, daí que, onde quer que fosse deixava logo um
rasto de amigos, pois era muito animado e divertido, fazendo parte daquele grupo restrito
que, na banda, animava as noites nas casas e adegas dos mordomos nas terras onde a
banda actuava.
Sem ser beato, tinha uma religiosidade exigente que transmitiu aos filhos, tendo feito
parte dos movimentos operários católicos como a JOC e a LOC. Mais tarde
fez o Curso de Cristandade.
Tinha uma forte crença na vida eterna, que o leva, no período conturbado
do pós 25 de Abril de 74, juntamente com um grupo restrito de carolas, a preservar
a tradição da "Ementa das Almas", que outros, incluindo alguns
frequentadores assíduos da igreja pretendiam que acabasse.
Era ele que, juntamente com o José Fernandes (mais conhecido por "Aleixo"),
quer chovesse, quer nevasse, se levantavam mais cedo para andar, de porta em porta,
a reunir os participantes deste ritual secular de Loriga, que contava, na altura com
o veterano Ti Zé Garcia.
Quando Michel Giacometi contactou o Mestre Ascensão, seu cunhado para recolher
registos da Ementa das Almas, este chamou o Fernando e o Zé, não só
para cantarem para que fosse gravado pelo Etnomusicólogo, mas, sobretudo, para
explicarem, de viva voz, o que fazia um grupo de homens, levantarem-se de madrugada,
para cantar, segundo eles, para ..."Aliviar as Almas". Hoje serão outros a cantar
para aliviar a sua alma que, espero, repouse em paz...
Faleceu em 22 de Janeiro de 1997, com 62 anos de idade, sendo sepultado no cemitério
local, vendo Loriga partir
um dos
seus filhos que se não podia ver a viver longe dela.
* Joaquim
Pinto Gonçalves (blog) |
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António
Abreu de Pina *
1937 - 1962 |

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Nasceu em Loriga
no dia 7 de Setembro de 1937, filho de António de Moura Pina e de Idalina Mendes
Luis Abreu.
Depois de frequentar a escola primária, ingressou no seminário da Guarda,
que apesar de ser um jovem de uma maneira diferente de viver, era bem visível
todas as condições para trepar facilmente as escadas do altar.
Seminarista, escuteiro, jogador de futebol, tocador de viola, actor de teatro, era
acima de tudo um jovem desinibido. Filho de uma família extremamente religiosa,
possuidor de uma vasta inteligência, uma capacidade musical como poucos, uma
desenvoltura linguística invulgar, que mais Deus tinha a dar a este futuro seguidor.
Quando vinha à sua terra de férias, além das coisas da igreja
estava em tudo. Fazia teatro, jogava futebol no Grupo Desportivo Loriguense, que ainda
hoje é recordado como um dos melhores futebolistas de Loriga. Estava nas tertúlias
que se sucediam nas sapataria do seu pai, tocava viola e cantava com os outros.
Organizava acampamentos na serra, com a juventude, passeava nas ruas com tamanha elegância
e à vontade que serviam de escola no seio da timidez que assolava a juventude
de Loriga na época.
O António Calçada, como popularmente era assim chamado, queria ser Padre.
Mas um padre actual, virado para as questões sociais, para os problemas da juventude
de uma era moderna e não um rezador de novenas. Só que na época
os apoios eram parciais nos Seminários e as opiniões divididas. O António
chega às ordens menores mas há hesitações dos superiores,
procuram-se esperas, o bispo recebe dúvidas a arrasta o processo.
Depois de tanta hesitação, o pároco de Loriga terá dado,
segundo opinião de alguns, uma informação negativa e o seminário
desaconselha, assim, a ordenação do futuro Padre Abreu. Caía a
noticia em Loriga como uma bomba, e um trovão sobre a cabeça dos seus
pais.
O jovem António Abreu, parte então para Lisboa, empregando-se na Misericórdia
dada a sua capacidade e paixão musical, frequenta o conservatório da
música, e ali conheceu o Professor Santos Pinto, vindo a tornar-se grandes amigos.
Avizinha-se o serviço militar, António sentia qualquer coisa de anormal
no seu coração. Os médicos aconselham um exame difícil
para a época: cateterismo.
Foi fatal. Faleceu nas mãos dos médicos no dia 16 de Julho de 1962, com
a idade de 24 anos. O Funeral realizou-se para o cemitério dos Olivais em Lisboa
onde ficou sepultado.
Loriga viu assim desaparecer um jovem que tanto queria ser Padre, e muito poderia fazer
por Loriga, mas que as mentalidades conventuais, na época, não viam com
aprovação a libertação deste jovem de outras ideias mais
moderna. |
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* Albrito (GL 1998) |
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Abílio Alves
de Brito
1942 - 2009 |
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Nasceu em Loriga
em 22 de Novembro de 1942, filho de Carlos Brito Amaro e Maria do Carmo Alves Fernandes.
Um castiço loriguense, que muitos se habituaram a ver de barbas e longos cabelos,
que quis manter esse seu visual, desde dos tempos que assim era uso e caracterizou
uma juventude dos chamados anos de ouro, que desse modo foi sempre para ele uma maneira
própria de estar na vida.
Homem do povo que nunca quis ter outra maneira de vida, era um companheiro das noitadas
numa Loriga de outras eras, em que obrigatoriamente as "Migas" faziam parte
de um modo social duma juventude e geração loriguense, sendo mesmo o
maior nessas noitadas, nomeadamente, era quase sempre ele que 'fechava' a noite em
Loriga, quando os primeiros trabalhadores das fábricas pegavam o turno da manhã.
Facilmente, se tornou assim numa figura castiça que muitos o estimavam e que
ele também estimava muitos.
Com algum jeito a mexer com a electricidade, quando solicitado, estava sempre pronto
para efectuar os arranjos, reparando velhas instalações, velhos rádios
ou outros objectos eléctricos, assim como, ele próprio arranjava, adaptava
e construía as suas aparelhagens para animar os bailes do fim-de-semana, parecia
mesmo que só ele conseguia trabalhar com toda aquela "gerigonça"
de aparelhos.
Quando se pensava realizar bailes em Loriga a música ficava desde logo a cargo
do Abílio, que de pronto se apresentava com todos aqueles improvisados aparelhos
e a sua colecção de discos sempre actualizadas com os últimos
êxitos. Foi de facto um verdadeiro DJ (Disc Jocky) daquela época em Loriga,
talvez nada ficasse a dever aos modernismos de hoje desta era digital.
Ficou também conhecido como um dos melhores cantadores do jogo do Quino, hoje
modernamente chamado "Bingo" muito jogado no Grupo Desportivo Loriguense,
apelidando todos os números desse jogo caracterizando-os à moda de Loriga,
que ficaram para sempre registados nas nossas memórias.
Recorde-se que chegou a ser atribuídos aos números de 1 a 90 desse jogo
do "Quino", nomes típicos à moda de Loriga, e o Abílio
sabia-os todos, a maioria deles foi ele o próprio autor, e era assim que ele
os "cantava", pois o Abílio foi de facto um dos mais insigne "cantadores"
do "Quino" em Loriga.
Faleceu subitamente em Loriga no dia 14 de Março de 2009 com a idade de 67 anos,
quando pela tarde, a família estranhando não se levantar, o procurou
no seu quarto, estando já morto, pensa-se que a sua morte poderia ter ocorrido
muitas horas antes, mesmo durante a noite.
Loriga viu assim desaparecer um dos seus filhos dos mais castiços
dos últimos anos, o seu funeral realizou-se para o cemitério local onde
ficou sepultado. |
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António
Gonçalves Ferreira
1944 - 2006 |
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Nasceu em Loriga
no dia 29 de Fevereiro de 1944, filho de José Gomes Ferreira e de Maria do Carmo
Gonçalves.
Um dos mais dinâmicos e
trabalhador em prol da comunidade nestes últimos anos da chamada era moderna.
Sempre activo, foi sem dúvida uma referência de bairrismo muito reconhecido
pelos seus conterrâneos.
Caracterizava-o a sua personalidade
firme de homem forte e dotado de grande alma, bem patente na dedicação
em tudo em que participava, os seus dotes de cantor e actor, estão ainda bem
na memória de todos. Homem gracioso e bairrista cheio de boa disposição,
era acarinhado por muitos dos seus colegas e amigos, grande amigo da família
e estimado pela mesma.
Uma forma humilde e própria
de estar na vida, na participação criativa, voluntária e desinteressada
nas colectividades da sua terra e também em muitas iniciativas de solidariedade
em que participava, fizeram-no num dos melhores filhos de Loriga.
Foi vocalista no grupo musical
os "Karts" criado na década de 1960, uma nova evolução
na juventude Loriguense da época e que elevava o nome de Loriga onde quer que
actuava. Participou em vários teatros, nomeadamente, cantando na sessão
musical designada as "Melodias de Sempre"
Com a profissão de técnico
de malhas, trabalhou durante muitos anos na antiga Fábrica de malhas "Loriseira"
em Loriga, foi Vogal suplente na Assembleia de Freguesia, grande entusiasta do associativismo,
nos Bombeiros, Grupo Desportivo e outras colectividades Loriguenses, era também
um colaborador incansável em tudo que fosse de bom para a sua terra. Estão
ainda nas memórias as refeições que ele próprio confeccionava
para todos os que gostavam de conviver e confraternizar, quer no Grupo Desportivo,
Bombeiros ou nas festas anuais dos Sportinguista que ele tanto gostava.
Pertencente ao corpo directivo
da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de
Loriga, nos finais dos anos 90, revelou-se um verdadeiro Bombeiro Voluntário
sem farda. A sua dedicação, a camaradagem para com todos os elementos
do corpo activo e o espírito de ajuda em termos de logística, foram factores
que não passaram despercebidos por tantos quantos o admiravam e o estimaram.
Sempre pronto no outro lado da
missão a dar o seu préstimo de voluntário. Eram as refeições
que mais o preocupavam dizendo bastas vezes, "aquela gente de trabalho duro tem
que ser bem alimentada". Os bombeiros, muitas vezes "longe de casa",
eram nutridos por aquelas saborosas refeições onde as fazia muitas das
vezes já tardiamente e pelo correr do perímetro do incêndio de
vários quilómetros, estava preocupado em preparar a próxima quer
fosse para o próprio dia quer fosse a refeição para o dia seguinte.
Casado com Maria Isabel Brito
Aparício Ferreira e com dois filhos Pedro e Rita, o António foi sem dúvida
de uma grande dedicação à família e também aos amigos,
em que sua humanidade e amizade fez granjear de todos uma verdadeira admiração
e estima.
Traído muito cedo pela
doença que o deixou abatido sem nunca perder o seu bom humor. Veio a pausar
algumas actividades que lhe exigiam maior dedicação e em 8 Outubro de
2006, deixou a missão da terra para continuar uma outra que Deus lhe destinou
no céu.
Faleceu em Loriga com a idade
de 62 anos, após a doença prolongada, o funeral realizou-se para o cemitério
local onde ficou sepultado. Nesse dia chovia copiosamente, parecendo que o céu
também chorava, unindo-se dessa feita aos seus conterrâneos que o acompanharam
à sua última morada. Loriga viu assim partir um dos seus filhos queridos
ao qual muito ficou a dever. |
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Carlos Augusto
Nunes de Pina
1945 - 2003 |

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Nasceu em Loriga
em 1945, filho de Carlos Nunes de Pina e de Maria dos Anjos Gomes de Pina.
Fez a escola primária em Loriga e desde muito cedo se notava nele uma certa
aptidão para a escrita.
Depois de concluir os seus estudos enveredou pela carreira jornalística, onde
se notabilizou com grande sucesso ao longo de mais de 30 anos, angariando sempre a
estima e a admiração dos seus superiores e colegas.
Iniciou o seu percurso jornalístico no Jornal "Diário de Noticias"
passando pela categoria de revisor gráfico e de redactor. Foi subdirector e
mais tarde director do Jornal "O Dia", foi ainda director da "48 Horas"
e editor da revista "Tempo Livre" da Inatel.
Ocupou no mundo da comunicação social outros cargos importantes que para
além de ter sido co-fundador do "Jornal Novo", destaca-se de ter sido
o jornalista responsável pela introdução da comunicação
institucional, tendo para o efeito, fundado a INFOPLAN e a INFOPLUS.
Nos últimos tempos da sua vida, exercia, as funções de director-adjunto
da Revista "Homem Magazine".
Foi um grande colaborador e bateu-se pelo aperfeiçoamento e melhor qualidade
do Jornal "Garganta de Loriga", a ele se deve a nova linha gráfica
deste jornal loriguense, propriedade da ANALOR.
Adorava a sua terra e dela escrevia por onde quer que passasse, mantinha sempre bem
vivas as recordações dos seus tempos de criança na sua terra natal,
e onde quer que andasse não esquecia Loriga.
Faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no dia 11 de Setembro de 2003, com a
idade de 58 anos, e após doença prolongada. O funeral realizou-se para
o Estoril, sua terra de residência. Foram muitos os amigos e conterrâneos
que estiveram presentes para lhe prestar a última homenagem, e o acompanharem
à sua última morada para o cemitério local onde ficou sepultado.
Loriga ficou mais pobre, ao ver partir para sempre mais um seu ilustre filho, e os
seus conterrâneos viram desaparecer alguém, que pelo seu elevado nível
de pessoa de enormes qualidades e capacidades, constituiu para todos motivo de orgulho. |
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António
Mendes da Costa
1947 - 2008 |
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Natural de
Loriga onde nasceu em 19 de Abril de 1947, filho de António Alves da Costa e
de Urbana Mendes Brito.
Ainda novo começou a trabalhar
como tecelão na fábrica de Lanifícios Moura Cabral de Loriga,
mas foi por poucos anos, a doença que enfrentava impossibilitou-o de trabalhar
na profissão que ele tanto gostava. Em 1968 teve que se apresentar no serviço
militar em Viseu, mas foi imediatamente dispensado.
Conhecido como um loriguense
exemplar, que cultivava a amizade e simpatia de toda a gente, uma virtude que o acompanhou
durante toda a sua vida. Com uma personalidade bem vincada na sua elegância de
bondade e relacionamento com os outros, tinha também em todos um amigo, em que
despontava aquela sua maneira própria de contagiante alegria e sã convivência,
além daquele espírito de verdadeiro conversador nato.
Adorava música, principalmente
romântica, muitas vezes dizia que ouvir música era um bálsamo para
o seu espírito. A sua inteligência era exemplo de querer estar dentro
de tudo o que se passava pelo mundo e com o olhar no futuro.
Já nos seus tempos de
criança principalmente de escola, parecia ser diferente de todas as outras crianças,
cultivava com relativa facilidade a amizade, admiração e estima de todos
os outros seus colegas e amigos. Os seus amigos de infância recordam-no até
nos tempos das rivalidades de "Cimo" e "Fundo" onde a sua maneira
de ser, vivendo como sempre no "Fundo" o seu relacionamento com os seus amigos
do "Cimo" foi sempre igual na passividade e amizade para com todos.
Desde sempre foi obrigado a viver
com a doença que o acompanhou durante quase toda a sua vida, vivendo sempre
sobre uma dependência de acompanhamento, mas apesar disso continuava a ser um
verdadeiro lutador, não se resignando ao infortúnio, principalmente,
nos últimos anos e quando passou a ser mais visível a sua dificuldade
de se movimentar e também por último se "prendia" mais em casa.
Na década de 1980 foi
admitido na Junta de Freguesia de Loriga, em reconhecimento das suas aptidões
para a escrita e suas qualidades humanas. Assim, ali passou a exercer a actividade
de funcionário administrativo durante largos anos, em que granjeou a amizade,
simpatia e respeito de todos os seus conterrâneos e habitantes das terras vizinhas.
A sua postura alicerçada numa educação e respeito para com todos,
estava sempre disponível no seu posto para ajudar e a resolver os problemas
de quantos ali se deslocavam, para assuntos autárquicos ou outros, para todos
o "Tó Pisoeiro" como popularmente era assim conhecido, tinha sempre
a disponibilidade e sempre pronto para ajuda na resolução dos assuntos
que lhe apresentavam.
António Mendes da Costa,
faleceu subitamente no dia 14 de Julho 2008, com 61 anos de idade, pouco depois de
ter estado no Café o "Degrau" onde habitualmente ia para uns momentos
de cavaqueira e de convívio com os amigos.
Loriga, viu desaparecer um dos
seus filhos queridos, bem eloquentemente demonstrada no dia do seu funeral, com um
mar de flores que parecia não ter fim, em que centenas de pessoas o acompanharam
na última viagem, com destino à sua última morada no cemitério
local onde ficou sepultado. |
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Carlos José
Gonçalves Ferreira *
1954 - 2009 |

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Nasceu em Loriga
em 20 de Setembro de 1954, filho de José Gomes Ferreira e de Maria do Carmo
Gonçalves.
Um loriguense de gema como se costuma dizer, verdadeiro bairrista que amava a sua terra
que tanto adorava. Ainda novo partiu tomando o destino da grande Lisboa, sediando-se
na Bobadela, trabalhador incansável que foi atingindo os seus fins, vindo com
o tempo a tornar-se empresário, só que neste aspecto nem tudo correu
como totalmente desejava, no entanto, foi sempre um lutador nato pelo trabalho, verdadeiro
profissional, que granjeava a amizade e a estima de todos os seus colegas e com todas
as pessoas que com ele lidavam.
Ficou para a memória de todos a sua dedicação à vida associativa
e comunitária, bem como, o seu talento na arte de representar, onde de maneira
alguma se pode esquecer o seu contributo na fundação do grupo Teatro
Amador da Bobadela (TAMBO) que foi formado no Clube Recreativo Bobadelense, tendo sido
galardoado pela Câmara Municipal de Loures, com o diploma de melhor actor de
teatro amador do concelho de Loures, pela sua excelente representação
no papel de inquisidor-mor, na peça de Dias Gomes "O Santo Inquérito" decorria então os primeiros
anos da década de 1980.
Eram um entusiasta das associações de Loriga, das quais era associado
e sempre pronto a apoiá-las, apesar de estar ausente. Em Sacavém foi
um dos primeiros colaboradores, da ANALOR (Associação dos Naturais e
Amigos de Loriga), logo após a sua fundação, dando parte da sua
disponibilidade nas iniciativas levadas a efeito como exemplo:- Janeiras, Semana Serrana,
grupos musicais entre eles o "Malhapão".
Vocacionando-se a cantar o fado, nomeadamente o fado de Coimbra, que cantava com grande
sentimento e nostalgia, a sua voz integrada no grupo "Trova Nova" e "Trovadores
da Saudade" ficou na recordação e saudade daqueles que tiveram o
privilégio de o ouvir.
Era um entusiasta pelo seu Sporting, nunca faltando à festa "Sportinguista" que todos os anos se realiza em Loriga,
estando bem patente na recordação de muitos a sua genica, dinamismo e
organização, nos anos em que fez parte da comissão da festa ou
colaborando com outras comissões ao longo dos anos.
Casado com Fernanda Conde e com o filho Ricardo, eram na verdade uma família
verdadeiramente cheia de felicidade, onde a alegria e a boa disposição
eram contagiantes, virtude que estava sempre presente nesta família feliz.
Faleceu no dia 24 de Dezembro de 2009, com apenas 55 anos e quando ainda tinha tanto
para viver, partindo desta terra dos vivos, quando fazia
a viagem de Lisboa para Loriga para passar o Natal com a família, quadra de
que tanto gostava e adorava passar na sua terra. A luz negra da morte o surpreende
nessa viagem a decorrer tranquila, disso dá conta a sua esposa ao perceber-se
que alguma coisa não estava bem e de imediato lançou mão ao travão
da viatura que ele conduzia, imobilizando-a. Apesar dos esforços levado a cabo
não dá sinal de vida, já não chegando à sua terra
que tanto gostava e quando os ares de Loriga pareciam já chegar até ele.
O funeral realizou-se em Loriga, onde muitos loriguenses não deixaram de estar
presentes. O fado as "Lágrimas" era o fado de sua eleição
que muitas vezes cantou embora nunca lhe tivessem vindo aos olhos, quando ele, na perfeição
o cantava, quis o destino que viessem a ser derramadas sentidamente por aqueles que
o ouviam e o acompanharam à sua última morada, situada no cemitério
local onde ficou a descansar em Paz.
* Recortes extraídos das crónicas de
José Mendes e Fernando Ortigueira (GL) |
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António
Luís Cardoso Amaro
1955 - 2010 |
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Nasceu em Loriga
em 26 de Junho de 1955, filho de Carlos Luís Amaro e de Laurinda Cardoso Santos.
Desde novo que se lhe conheciam certas aptidões, com as suas ideias bem fixas
e com horizontes bem definidos. Depois de completar a escola seguiu os estudos, primeiro
em Seia e depois em Coimbra, vindo atingir patamares elevados.
Licenciando-se em História
pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, após terminar a sua licenciatura
tornou-se Assessor Principal da carreira técnica superior do Mapa de Pessoal
da Segurança Social do Centro Distrital de Coimbra.
Teve uma actividade profissional no serviço público de grande relevo
ao longo da sua curta vida, que se deve e merece enaltecer esse seu currículo,
começado em 1974 quando passou a exercer as funções de técnico-pedagógicos,
em estabelecimentos oficiais de Educação Especial.
De 1982 a 1984, foi nomeado Técnico Superior no Centro Regional de Segurança
Social do Porto, no Núcleo de Gestão de Pessoal. No mesmo período
foi professor do ensino preparatório e secundário em regime de acumulação.
De 1984 a 1989 passou a integrar o quadro técnico da Administração
Regional de Saúde de Coimbra, onde coordenou o Núcleo de Gestão
de Pessoal na Administração Regional de Saúde do Centro. Em 1989
foi afecto ao quadro técnico dos Serviços Tutelares de Menores, com afectação
ao Ex-Centro de Observação e Acção Social de Coimbra sendo
nomeado por inerência Adjunto da Direcção. Diagnosticado
Em 1990 transitou para o quadro técnico do Núcleo da DGAP (Ex-Direcção
Geral da Administração Pública) sediada em Coimbra, estrutura
responsável pela promoção difusão e execução
da formação profissional na Região Centro. No ano de 1992 passa
a integrar o quadro técnico superior da Direcção Regional do Ambiente
do Centro.
Em 1996 transita para o quadro técnico superior do Centro Regional da Segurança
Social do Centro, afecto à área de formação profissional
sendo nomeado coordenador daquele serviço técnico de formação
(SFAP). A partir de 2001 passa a exercer funções dirigentes como director
do Núcleo de Recursos Humanos do Centro Distrital de Coimbra.
Ao longo da sua carreira profissional, esteve ligado à actividade sindical,
destacando-se as funções de dirigente no Sindicato dos Trabalhadores
da Função Pública do Centro, no mandato de 1981 a 1983, bem como,
idênticas funções de dirigente sindical no Sindicato dos Quadros
Técnicos de Estado (STE) nos mandatos de 1999-2002 e de 2002 a 2005.
Nos últimos meses da sua
vida foi nomeado tomando posse no dia 12 de Julho de 2010 como Director-Adjunto do
Centro Distrital de Coimbra da Segurança Social, uma nomeação
mais que justa e reconhecida pelo trabalho de grande valor e relevo desenvolvido no
Quadro da Segurança Social a que pertence e que desde 2001 era como se disse
director do Núcleo de Recursos Humanos do Centro Distrital.
Sempre atento aos problemas da sua terra, foi de relevo o trabalho empreendido em 1982,
para que fosse posta a funcionar a ETAR (Estação de Tratamento de Águas
Residuais de Loriga) obra já concluída e devidamente apetrechada desde
1978 continuava parada no tempo, que só depois dessas diligências efectuadas,
sendo o assunto levado mesmo à Assembleia da República, foi finalmente
posta em actividade em 1982.
Foi ele também o mentor e promotor do colóquio intitulado "Do Açor à Estrela
com o passado empreender o futuro" debate realizado no Salão Paroquial e inserido no
programa da Festa da Nossa Senhora da Guia, que tinha como objectivo o despertar para
as necessidades de impulsionar e fomentar a iniciativa singular ou colectiva, de forma
a ser possível aproveitar e proteger actividades e produtos locais e desenvolver
emprego nesta região deprimida.
Radicado na região de Coimbra, onde aliás, desempenhou quase sempre a
sua actividade profissional, casado e pai de duas filhas, teve sempre uma vida familiar
de afecto e de felicidade.
Foi por altura de finais do mês de Julho de 2008, que teve uma alteração
de saúde, que depois duns controles aprofundados lhe foi diagnosticado um problema
grave, começando a partir daí com uma luta constante contra a grave doença
ao longo de mais de dois anos.
Ao longo da sua curta vida o Dr. António Luís Cardoso Amaro, foi sempre
um homem de "grande dignidade" e "grande dedicação"
um homem sempre a revelar "um
sentido de serviço público" acima da média. Sendo "uma referência de amizade,
solidariedade, cumplicidade, um homem de carácter", que acabou por falecer
com a "mesma atitude" com que encarava a vida, "com grande optimismo
e dignidade".
Esteve ainda no mês de Junho 2010 em Loriga, na festa convívio da celebração
dos 55 anos dos bebes Loriguenses nascidos no ano de 1955, num encontro que afinal
se traduziu de despedida dos seus amigos da sua criação.
Em meadas de Agosto de 2010 já numa fase mais declinante volta ao HUC de Coimbra,
mas voltando ainda para casa e para o trabalho. Até que em meadas de Setembro
seguinte na Quarta-Feira do dia 15, sentindo-se mal foi internado no IPO do hospital
de Coimbra, onde veio a falecer no Sábado seguinte dia 18 de Setembro.
O seu corpo ficou em câmara ardente na capela de Nossa Senhora de Lourdes Montes
Claros - Coimbra) e o funeral a realizar-se na de manhã Segunda-Feira dia 20
pelas 10h00, para a Figueira da Foz onde foi cremado.
Foi uma grande perda para Loriga, que assim viu partir um dos seus filhos, que notabilizando-se fora dela, muito
fez pela sua terra, deixando todos os seus conterrâneos muito consternados |
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Maria de Lurdes
Martins Aparício Alves
1956 - 1995 |
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Nasceu em Loriga
a 29 de Julho de 1956, filha de António Gomes Aparício e de Maria José
Gouveia Martins.
Maria de Lurdes, operária fabril, foi a primeira bombeira de Loriga, ingressando
na Associação dos Bombeiros Voluntários nos primeiros anos após
a sua fundação, quando o antigo Quartel era no "Barracão"
situado no Bairro das Penedas, em que a sua presença assídua era bem
demonstrativa na sua grande dedicação às missões que lhe
conferiam, nos relevantes préstimos ao serviço da Associação.
A sua vontade de ser bombeira foi na realidade de muita coragem, tudo fazendo para
a sua integração, na então nova Associação dos Bombeiros
Voluntários de Loriga, numa época quando muitos ainda pensavam que o
voluntarismo nos Bombeiros era apenas destinados aos homens.
É nesse enquadramento que se regista com relevo a determinação
da Maria de Lurdes, lutando na altura contra alguns preconceitos que foram muito determinantes
e como que motes para simultaneamente outras raparigas lhe seguirem o trilho, que no
entanto, ficou para a história de ter sido ela, oficialmente, a primeira Bombeira
de Loriga.
Casada com Carlos Moura Alves, foi mãe de dois gémeos Roberto Alexandre
Martins Alves e Marco Paulo Martins Alves (falecido). Era esposa, mãe e dona
de casa, mas mesmo assim repartia o seu tempo livre a efectuar os seus esmerados serviços
em prol dos Bombeiros, instituição da qual ela muito gostava de pertencer.
Em Abril de 1990, por altura do 8°. Aniversário dos Bombeiros de Loriga,
foi escolhida para madrinha de baptismo da viatura atribuída aos Bombeiros,
o Renault VFCI 01 onde mostrou uma vez mais o seu brio de verdadeira Bombeira e servir
a Associação dos Bombeiros da sua terra.
Nos primeiros anos da década de 1990, veio afastar-se dos Bombeiros por motivos
profissionais, dando um novo rumo à sua vida, emigrando para Alemanha para trabalhar,
mas algum tempo depois e ainda muito nova foi atraiçoada pela doença
que a deixou desalenta da sua vida activa.
A sua luta então passou a ser contra essa enfermidade, tudo fazendo para ter
forças para lutar contra ela, a doença passou a ser mais declarada e
algum tempo depois veio a falecer em 19 de Janeiro de 1995, na Alemanha onde residia,
com apenas 39 anos.
Loriga perdeu dessa forma uma sua
filha,
uma mulher determinada e de bom coração, especialmente dedicada á
família e aos bombeiros, num voluntariado sem precedentes a favor dessa instituição
dos Bombeiros da sua terra que ela tinha por hábito de dizer que adorava.
O seu corpo veio para Loriga, onde foi realizado o funeral no dia 27 de Janeiro de
1995, sendo sepultada no cemitério local, perdendo Loriga e os Bombeiros a sua primeira Bombeira, à qual muito
ficaram a dever. |
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Fernando Luís
Ferreira Ferrão *
1958 - 2006 |

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Natural de
Loriga onde nasceu em 13 de Setembro de 1958, Filho de Herculano Luis Ferrão
e de Maria Emília Ferreira.
Sempre solidário, muitas vezes divertido e nunca ambicioso, dedicou grande parte
da sua vida às causas sociais, sendo sem margem para dúvidas, um exemplo
a seguir, pois quem o conhecia sempre o encontrava, incansável e solícito,
em actividade nas colectividades e instituições de Loriga.
Pertenceu a vários organismos das sua terra. Foi bombeiro, escuteiro, marchante,
actor, músico, enfim, um sem números de causas em que estava sempre pronto
para colaborar em tudo de bom para a Loriga.
Era um bom bombeiro, sempre a postos para combater os fogos ou a cumprir outros serviços
humanitários. Como escuteiro, estava ele sempre disponível a organizar
caminhadas com os mais novos. Foi marchante e um entusiasta das Marchas Populares onde
deixou a sua marca com garra e alegria.
Foi também actor, longe de querer os holofotes voltados para ele, o "Ferrãozito",
como era tratado, era um bom actor, participando activamente no grupo cénico
do Grupo Desportivo Loriguense.
Como músico começou na Banda de Loriga, animando depois os grupos de
música tradicional, "Amanhã" e "Novo Horizonto" onde
tocou viola e bandolim.
Faleceu inesperadamente na sua casa onde vivia, no dia 6 de Julho de 2006, com a idade
de apenas 47 anos, Loriga vê assim desaparecer um dos sue mais conceituados filhos,
que muito contribuiu em prol da comunidade e do associativismo e que muito ainda tinha
para dar à sua terra.
O seu funeral realizou-se em Loriga, tendo tido Honras de Bombeiro, com o corpo levada
em carro da corporação do Bombeiros Voluntário de Loriga para
a sua última morada no cemitério local. |
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* Casimira
Mendes (GL) |
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Loriguenses Centenários
Registo de pessoas nascidas em Loriga que viveram 100 anos e mais. |
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Urbana
Pereira
(Loriga *)
1885 - 1987 |
AlbanoFernandes
Conde
(Brasil *)
1888 - 1988 |
Maria
dos Anjos
Leitão Brito Crisóstomo
(Loriga *)
1894 - 1995 |
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Maria
dos Anjos Jorge Moura de Joao Luíz
(Argentina *)
1904 - (**) |
António Nunes Moita
(Loriga *)
1898 - 1999 |
Urbana
Duarte Pina
(Lisboa *)
1911 - |
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(*) Local onde
viveram a maior parte do tempo da sua vida. |
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(**) Sabe-se
ter completado os 100 anos em 2004, mas a partir de então não tenho registo
de qualquer outra noticia respeitante a esta centenária loriguense. |
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R E C O R D A R -
- Recordar
- É o tema relacionado as pessoas que não estando inseridas nesta página,
com os seus dados biográficos, aqui as recordo também por com elas ter
convivido, algumas delas foram mesmo recordadas nesta minha Homepage na rubrica ACTUALIDADES
(na data do falecimento). Aqui se recordam num síntese de registo efectuado
por mim ou eventualmente por outras pessoas. Fazendo-se desta forma uma homenagem a
Pessoas
Loriguense que
já nos deixaram partindo para uma outra vida mais Além, mas que continuam vivas e bem
presentes nas nossas recordações.
APina - (ap) |
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Joaquim
Augusto Correia
16.02.1900 - 23.08.1965 |
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Recordar
Joaquim Augusto Correia popularmente conhecido por Joaquim "Caségas"
é
poder-se falar de uma referência em Loriga na época, por se ter
tornado um dos melhores e maiores serralheiros numa terra, que não sendo
a sua, passou a ser a sua terra por opção.
Joaquim Augusto Correia nasceu em 16 de Fevereiro de 1900 no Paúl concelho
do Fundão, distrito da Covilhã na Beira-Baixa, era filho de Joaquim
Antunes Correia e de Maria Nunes. Tinha apenas 17 anos quando veio para Loriga
aprender a arte de serralheiro na pequena oficina do senhor José Caségas,
na altura ainda pouco expandida.
Desde logo foi notório no jovem Joaquim Correia certa aptidão
na arte de serralheiro, não sendo por isso estranho que se viesse a
tornar num verdadeiro mestre, que com o tempo foi transmitindo os seus ensinamentos
a outros jovens que se formaram e que se vieram a tornar também grandes
serralheiros em Loriga.
De uma inteligência rara, com um futuro prometedor pela frente, enamorou-se
da filha do seu patrão, com quem veio a casar, passando a ter então
outras responsabilidades, que com uma visão mais progressiva fundou
com o seu sogro uma oficina mais virada para o futuro e que veio a tornar-se
durante muitos anos numa grande referência em Loriga. A firma fundada
no Outeiro ficou com o nome de José Soares & Filho, com o falecimento
do seu sogro anos depois, passou para o Joaquim Augusto Correia, que a dirigiu
durante muitos anos.
Era eu uma criança, quando me habituei a ver na oficina do Joaquim "Caségas"
no
Outeiro, como assim foi sempre chamada, aquela figura de uma personalidade
bem vincada como foi sempre o senhor Joaquim Augusto Correia, que para além
de patrão era uma pessoa boa e de muita humanidade, por isso, ter angariado
a estima e a consideração dos habitantes de uma terra, de onde
não era natural.
Faleceu aos 65 anos de idade, quando provavelmente tinha ainda muito para dar,
vendo Loriga desaparecer uma figura marcante na época,
com a nossa terra a ficar muito mais pobre, uma figura que veio de outra terra,
mas como que de Loriga fosse. Ficando para sempre o seu nome perpectuado na
memória de muitos loriguenses. ( * ap + excertos de escritos/família |

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Padre António
Mendes Cabral *
16.02.1921 - .02.1976 |
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Nasceu
em Loriga em 16 de Fevereiro de 1921, filho de Alfredo de Mendes Cabral e de
Maria Emília Moura Cabral.
Desde muito novo era visivil um certa ideia objectiva, nomeadamente, uma inclinação
num futuro apostolado. Ingressando no seminário logo após complectar
a escola primária na sua terra.
Foi ordenado sacerdote em 26 de Novembro de 1944 na cidade da Guarda, tendo
celebrado a sua primeira missa na semana seguinte (1 de Dezembro) em Loriga.
Foi colocado como coadjutor na Guarda-Gare, sendo assim o começo da
sua vida sacerdotál.
Foi pároco em Girabolhos, Torroselo, Folhadosa e Vila Cova, Fatela e
por fim na Cabeça, em todas as localidades deu um pedaço da sua
vida espalhando a graça de Deus com a verdade do Evangelho e onde efectuou
um trabalho de relevo e por isso ainda hoje é recordado.
Em 1969 celebrou na Cabeça as Bodas de Prata da Ordenação,
no entanto, Loriga não quiz deixar também de homenagar, este
seu filho e amigo neste seu aniversário festivo, tendo-se realizado
no dia 8 de Dezembro em Loriga, por ser festa da Imaculada Conceição,
uma singela homenagem, à qual se associou muito povo, recebendo também
muitas ofertas em nome da Comunidade Loriguense.
Faleceu subitamente em Loriga, em Janeiro de 1976 com a idade de 56 anos.As
cerimónias fúnebres foram presididas pelo senhor Bispo da Guarda,
D. Policarpo da Costa Vaz, concelebrando com muitos sacerdotes que se deslocaram
a Loriga. O funeral realizou-se para o cemitério local, onde se incorporaram
muitas pessoas que o acompanharam à última morada, onde ficou
sepultado. (* ap) |
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Professor
Alberto Pires Gomes *
28.06.1910 - 06.10.1979 |
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Nasceu
em 28 de Junho de 1910. Colocado em Loriga, como professor primário,
ali se radicou, onde veio a casar com D. Irene Almeida Abreu, também
professora.
Eram sobejamente conhecidas as suas qualidades como pedagogo, não só
pelos seus colegas como também pelos seus alunos. Foi o meu primeiro
professor e tenho ainda comigo muitos dos seus ensinamentos.
Leccionando em Loriga durante longos anos, foram bem reconhecidos os grande
benefícios que espalhou por esta localidade, ensinando gerações
e gerações de loriguenses.
No dia 22 de Dezembro de 1974, foi homenageado, bem como a sua digníssima
esposa, professora D. Irene Almeida Abreu, numa significativa homenagem que
os seus antigos alunos de várias idades lhe prestaram, como reconhecimento
pelas suas virtudes de grande educador e à qual se associaram vários
organismos de Loriga, Junta de Freguesia e Banda da Música, que acompanhou
os cânticos na missa que foi realizada inserida nessa homenagem.
Foram na realidade muitas as pessoas que quiseram estar presente nesse dia,
vindo mesmo de fora antigos alunos, para todos juntos lhe demonstrar toda admiração,
afecto e estima que tinham por tão nobre professor, que fez de Loriga
a sua terra
A Junta de Freguesia de Loriga, também como prova de gratidão,
decidiu com justiça, que o nome deste ilustre professor fizesses parte
da Toponímia de Loriga, sendo atribuído o seu nome a uma das
ruas do Bairro das Penedas, logo após este ter sido construído.
Faleceu em 6 de Outubro de 1979, em Loriga, com a idade de 69 anos, ficando
sepultado no cemitério local, esta terra que ele considerava também
sua. (* ap) |

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Adelino
Pereira das Neves *
15.07.1901 - 07.01.1979 |
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Recordar
Adelino Pereira das Neves é recordar uma pessoa que não sendo
de Loriga, muito fez no desenvolvimento de uma terra onde um dia resolveu se
radicar. Natural de Santa Ovaia, onde nasceu em 15 de Julho de 1901, filho
de António Francisco e de Maria dos Prazeres Pereira.
Fixou-se em Loriga em
1925, logo após a construção da estrada que passou a ligar
São Romão à Vila de Loriga.
Criou uma carreira de transporte de passageiros, com um pequeno autocarro,
de que era proprietário. Em 1931 fundou uma empresa de transportes públicos,
"Auto Viação Serra da Estrela" já então
com outras camionetas de passageiros, que ia de Loriga à estação
ferroviária de Nelas. Em 1948, esta empresa foi vendida à Companhia
de Transportes Hermínios, que passou a operar na região de Seia.
Já na condição de aposentado, teve um carro de praça
de que era proprietário e, durante algum tempo, exerceu essa actividade.
Faleceu em 7 de Janeiro de 1979 em Coimbra, sendo sepultado no cemitério
de Loriga. Vendo-se assim partir uma pessoa que de certa maneira ficou na memória
e na recordação de uma geração loriguense. (* ap) |
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Professora
Irene Almeida Abreu *
03.08.1904 - 02.04.1982 |
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Nasceu
em Loriga em 3 de Agosto de 1904, filha de Pedro de Almeida e de Maria Adelaide
Abreu Amaral.
Professora de reconhecido mérito, sempre muito dedicada aos seus alunos,
tendo herdado os atributos de seu pai, Professor Pedro de Almeida, na missão
de ensinar as primeiras letras às crianças.
Exerceu o magistério em Loriga, durante quarenta e um anos. Ensinou
gerações de alunos, cujos testemunhos evidenciam o rigor, o empenho
e o elevado nível de exigência que colocava nos seus ensinamentos,
e que se traduziam nos bons resultados por eles obtidos.
Casou com Alberto Pires Gomes, também professor primários, que
tinha sido colocado em Loriga, onde se radicou.
No dia 22 de Dezembro de 1974, foi homenageada, bem como, o seu marido professor
Alberto Pires Gomes, numa significativa homenagem que os antigos alunos de
várias idades quiseram prestar, como reconhecimento pelas suas virtudes
de grande educadora e à qual se associaram vários organismos
de Loriga, Junta de Freguesia e Banda da Música, que acompanhou os cânticos
na missa que foi realizada inserida nessa homenagem.
Além de muitas pessoas que associaram à esta homenagem, esteve
também presente muitos familiares desta distinta senhora, entre eles
o seu sobrinho Dr. Almeida Santos na altura ministro da Coordenação
do Território.
A Junta de Freguesia de Loriga, também como prova de gratidão,
decidiu com justiça, que o nome desta ilustre professora passasse a
fazer parte da Toponímia de Loriga, sendo atribuído o seu nome
a uma das ruas do Bairro das Penedas, logo após este ter sido construído.
Faleceu em Loriga, com 78 anos de idade, no 2 de Abril de 1982, perdendo Loriga
uma senhora de grandes virtudes, sendo sepultada no cemitério local.
(* ap) |

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Professor
Adelino Moura Galvão *
09.10.1929 - 08.02.1990 |
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Nasceu
em Loriga em 9 de Outubro de 1929, filho de Mateus de Moura Galvão e
de Maria dos Anjos Pina Galvão.
Professor primário
de enormes qualidades, esforçando-se para que os seus ensinamentos fossem
linhas orientadoras que permitissem aos seu alunos enfrentar sem temor o dia
de amanhã.
Era mesmo considerado
como um verdadeiro mestre na arte de ensinar, tendo sempre como preocupação
transmitir aos seus alunos todo o seu ensinamento que o distinguia. Tive o
previlégio de ter sido seu aluno e tenho comigo ainda hoje, muitos dos
seus ensinamentos.
Muito culto, disciplinado
e de muito profissionalismo, deu o melhor que sabia ao ensino, tinha ainda
uma particularidade muito própria, que mesmo para além do normal
horário escolar levar os seus alunos para uma sua casa situada na "Vista
Alegre" para estudarem, um acto que para tirar da rua os seus alunos para
que aprendessem ainda mais, isto antes da entrada em actividade a nova Escola
Primária de Loriga.
Foi presidente da Junta
de Freguesia na década de 1960, tendo projectado muitas ideias, que
contribuíram para muito do desenvolvimento que na década seguinte
se veio a concretizar na vila de Loriga.
Era casado com D. Helena
Leitão, que com os dois filhos formavam uma família que ele tanto
adorava.
Faleceu em Loriga, no
dia 8 de Fevereiro de 1990, sendo sepultado no cemitério local. Vendo
Loriga desaparecer mais um dos seus professores, deixando uma saudade em todos
aqueles que muito o admiravam. (* ap) |
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José
Luis dos Santos *
05.10.1911 - 25.10.1993 |
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Nasceu
em Loriga em 5 de Outubro de 1911, filho de José Pinto Luis e de Maria
do Carmo Santos.
Um dos mais conceituados comerciantes de Loriga, reconhecido pelo seu dinâmico
espírito para o meio negocial. As sequelas físicas, por motivo de um grave
acidente originado por uma bomba de foguete, ocorrido quando era ainda criança,
nunca foram impeditivas para o desempenho de qualquer actividade, nomeadamente,
no ramo comercial.
Sempre disponível para actividades da comunidade, durante muitos anos
desempenhou funções na Irmandade das Almas, tendo sido igualmente
importante, o seu contributo na década de 1940, como Escrivão
de Loriga.
Fixou em Loriga um Depósito central de tabaco e, durante décadas,
abasteceu toda a região sendo, por isso, muito conhecido por todo o
lado.
Faleceu em Loriga 25 de Outubro de 1993, sendo sepultado no cemitério
local. Os loriguenses viram partir o "Ti Zé Luzia" como popularmente assim era
chamado, uma pessoa que foi uma referência no meio comercial de Loriga
e que ficou na memória e na recordação dos seus conterrâneos.
(* ap) |

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Padre Herculano
de Brito Martins *
28.10.1918 - . .1994 |
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Recordar
o Padre Herculano é recordar alguém a quem me ligou laços
familiares em grau de parentesco. Nasceu em Loriga em 28 de Outubro de 1918,
filho de Carlos Brito Martins e de Maria do Carmo Alves Macedo. Foi ordenado
sacerdote em 29 de Junho de 1943. A sua vida sacerdotal foi toda ela passada
fora da sua terra, passando pelo seminário de Santarém, onde
foi professor desempenhando também o cargo de vice-reitor. De 1957 a
1963 foi Pregador das Missões do Patriarcado, depois foi Pároco
na Amadora durante vários anos, sendo em 1974, nomeado Pároco
da Graça em Lisboa. Mais tarde e depois de deixar a Paróquia
da Graça, desempenhou funções sacerdotais noutras paróquias
de Lisboa.
Visitava Loriga quando podia, na companhia da sua mãe que o acompanhou
sempre na sua vida sacerdotal. Em determinada fase da sua vida e, após
o falecimento da sua mãe, passou a visitar com mais regularidade a sua
terra, principalmente para gozar as sua férias anualmente, teve mesmo
uma casa alugada durante vários anos, e quando da sua estadia em Loriga
estava sempre disponível para ajudar o Pároco local.
Tenho na recordação o senhor Padre Herculano, pois foi ele que
fez o meu casamento. Nos últimos anos da sua vida, já pouco desempenhava
as funções canónicas, por se encontrar doente e muito
debilitado. Faleceu em Lisboa, perdendo Loriga um seu filho que se notabilizou
fora dela. (* ap) |
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Nuno Álvaro
Abreu Mendes *
19.11.1942 - 20.04.1995 |
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Recordar o Nuno
Álvaro Abreu Mendes é falar de um homem afável, doce, pacifico
e de uma suavidade impressionante, que tinha na família o seu maior valor e
o melhor que uma pessoa pode ter.
Conheci o Nuno nos meus tempos de menino em Loriga e depois nos meus primeiros tempos
de Lisboa quando o voltei a ver, ao visitar a casa de seus pais, nessa altura a viverem
para os lados da Praça do Chile. O destino ligou-o à minha família
ao casar com uma minha irmã, desde então passamos a ter um relacionamento
não só familiar como de forte amizade, estando ainda na minha memória
os conselhos úteis quando da minha mobilização para Angola em
1969, ele já com a experiência da sua comissão vivida por terras
da Guiné, cerca de três atrás. |
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Passou
a ser na nossa família uma referência, falar com ele era como
que um estímulo de afeição e de lealdade, a família
era tudo para ele e no trabalho onde colocava acima de tudo o seu profissionalismo
era um verdadeiro amigo para os seus colegas e ao mesmo tempo um professor
de virtudes.
O Nuno marcou qualquer um de nós pela sua simplicidade, bondade e pela
sua maneira de ser. Adorou sempre Loriga e comigo falava dela com certa nostalgia,
a visitava quando podia e quando a vida o permitia.
Com o aparecimento da doença com a qual passou a lutar, mesmo assim
manteve sempre uma postura de lealdade e de zelo, não se resignando
foi enfrentado a vida sempre na esperança, porque também o amor
familiar em seu redor sobreponha-se a todo o mal.
Ficou em mim marcado todos os ensinamentos e os conselhos de vida que ele me
transmitiu, o recordo com saudade, o vimos partir ainda novo quando tinha ainda muito para fazer. Mas
partiu
só
apenas fisicamente, porque continuou sempre a estar presente nos nossos corações
e nas nossas recordações.
Um dia nos voltaremos a encontrar Nuno, e pode crer com todo o tempo para então
pormos as nossas conversas em dia. (* ap) |

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Armando
Gomes Aparício *
. .1924 - 01.12.1996 |
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Recordar
Armando Gomes Aparício é falar-se de alguém que merece
e deve ser recordado ao ter ficado ligado à história de Loriga,
com a instalação da rede telefónica, contribuindo por
isso no desenvolvimento da comunicação por meio de telefone,
um dos maiores inventos que veio a tornar o meio comunicativo um dos bens da
maior necessidade para a sociedade.
O senhor Armando "Planeta" como popularmente era assim
conhecido pelo povo de Loriga, era um homem de um temperamento impressionante,
nunca parecia parar tal era a genica que parecia tomar conta do seu corpo,
ao mesmo tempo que o fazia sempre numa presença sempre activa no trabalho
ao qual dedicou quase toda a sua vida, talvez por isso o alcunha como era assim
conhecido.
Funcionário dos CTTs a ele se deve a instalação telefónica
em toda a vila de Loriga, muitos ainda se recordam da sua agilidade como subia
as escadas e colocava os cabos telefónicos nas paredes das casas, que
por estranho que pareça, com um olhar mais atento ainda hoje se podem
ver alguns que são do seu tempo.
Armando Gomes Aparício faleceu em 1996, com a idade de 72 anos, foi
na verdade uma referência de Loriga, que com o seu trabalho contribuiu
no desenvolvimento de uma terra e da sua gente. (* ap) |
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Professora
Ilídia Nunes Pina Prata *
05.02.1921 - 03.05.2000 |
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Nasceu
em Loriga, a 5 de Fevereiro de 1921, notabilizou-se no ensino que durante décadas
desempenhou com uma grande dedicação e alegria de ensinar.
Frequentou em Loriga o ensino primário. Rumou depois para Viseu, onde
conclui o ensino secundário no grande Colégio Português.
Em 1944 ingressou na Escola do Magistério Primário de Coimbra,
tendo concluído o curso em 1946.
Nesse mesmo ano, regressou à sua terra natal para iniciar a sua actividade
como professora do 1.ciclo do ensino básico. Em 1949, obteve a nomeação
como efectiva para a Escola Primária de Vasco Esteves, onde se manteve
até 1953, data a partir da qual foi colocada na Escola Primária
do Pereiro.
Em 1961, passou a fazer parte do quadro da Escola Nr.1 de Seia, onde permaneceu
durante 30 anos precisamente até 1991.
Aposentou-se com 45 anos de serviço e 70 anos de idade, tendo ao longo
de todos esses anos granjeando a amizade e a estima dos habitantes de Seia
e dos seus conterrâneos.
Foi-lhe atribuída, pela Câmara Municipal de Seia, a Medalha de
Mérito da Cidade. Faleceu em Coimbra no dia 3 de Maio de 2000, vendo
os Loriguenses desaparecer uma sua conterrânea que, notabilizando-se
fora de Loriga, deixou mais enriquecida a história desta localidade.
(* ap) |
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José
Maria Pinto *
. .1913 - 16.06.2001 |
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Falar-se de
José Maria Pinto o "Ti
Zé Maria"
como popularmente assim era chamado é voltar a um passado de recordações
e lembrar um homem como referência de uma vida dedicada ao trabalho, trabalho
e mais trabalho.
Homem de uma energia invejável, determinado e apenas como objectivo o trabalho,
como que parecendo não ter tempo para mais nada. Nos meus tempos de criança
parece que nunca me habituei a ver o "Ti Zé Maria" sem estar na sua Padaria ou no seu
Café "Neve", e se alguma vez o via vestido um
pouco mais a rigor a caminho da camioneta da carreira para ir a Seia tratar de algum
assunto, o meu olhar desbocava de surpresa, muitas vezes até dar comigo a dizer
"está para cair algum Santo do altar". |
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Essas
recordações leva-me a ver o "Ti Zé Maria" com um enorme respeito e nos
meus tempos de menino como que mesmo com certo receio, principalmente, quando
estava no seu café "Neve", numa altura em que os frequentadores
assíduos eram selectivos, o que levava a desencorajar a frequência
daquele café de uma clientela mais popular. Mas os tempos foram mudando
e já nos meus tempos de adolescente e frequentador diário do
seu café, comecei a ter com o "Ti Zé Maria" um relacionamento de longos
períodos de conversa, mais acentuado depois do meu regresso de Angola,
quando mais tempo estive em Loriga.
Nesses tempos, foram muitos os momentos de conversa com o "Ti Zé Maria"
ali
no seu café
"Neve"
um ex-libris de Loriga, local privilegiado de encontros, tertúlias e
de leitura matinal do jornal. Sendo ele um conversador nato dava gosto com
ele falar, apesar de uma determinada maneira do contra com o quotidiano da
vida de então ou mesmo não aceitando ver os tempos diferentes
que decorriam, contava-me episódios de uma vida de trabalho, de uma
Loriga antiga, enfim, tínhamos sempre alguma coisa com que falar. Muitas
vezes tentava levar as minhas conversas aos tempos passados no seu café,
que ele não gostava muito de falar, nessa altura notava também
nele uma certa frustração e talvez quem sabe um certo arrependimento.
Numa das minhas visitas a Loriga e já nos seus últimos anos de
vida, deparo com o "Ti
Zé Maria"
na companhia de sua esposa, sentados no banco junto à cabine telefónica,
aproximei-me e cumprimentei-o, já pouco se lembrou de mim, pela minha
frente tinha um homem doente e debilitado, não queria acreditar que
estava de frente com aquele homem de uma energia impressionante, de uma vida
de trabalho, de uma dinâmica invejável, um conversador imperante
nas suas ideias, enfim, um homem de "uma Loriga de outras eras" que de certa maneira marcou
uma geração de loriguense, mas que na verdade, e é justo
dizer, um dos grandes impulsionadores no desenvolvimento económico e
social de Loriga.
Marcou-me esse encontro ali na "Carreira" por momentos pensei como é
a vida, como o tempo sem se dar por isso vai andando, para chegarmos à
conclusão, que a nossa passagem nesta vida mesmo levando tempo chega
ao fim. Algum tempo depois tive a noticia de a vida ter acabado para o "Ti Zé Maria"
Até um dia "Ti
Zé Maria" quando nos voltarmos a encontrar. (* ap) |

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Drª.
Amália Brito Pina *
. .1917 - 25.12.2003 |
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Nasceu
em Loriga em 1917, filha de António Luis Duarte Pina e de Maria do Céu
Brito Pina.
Foi durante mais de quatro décadas, proprietária e Directora
Técnica da Farmácia de Loriga. Tendo adquirido este estabelecimento
à firma Leitão & Irmãos por compra, que passou a designar-se
por Farmácia Popular de Loriga.
Numa época em que a continuação de uma Farmácia
em Loriga parecia estar complicada, foi determinante o empenho desta distinta
senhora para que Loriga continuasse a ter este estabelecimento, indiscutivelmente
muito importante para esta localidade e terras vizinhas.
Pessoa de trato fácil e de leal colaboração profissional
para com toda a gente, estava sempre disponível para dar a melhor informação
medicinal aos doentes.
Era casada com o professor António Domingos Marques. Foi a primeira
monitora da Telescola, quando começou a funcionar em Outubro de 1966.
Faleceu em 25 de Dezembro de 2003 em Braga, com a idade de 86 anos, estando
sepultada em Loriga. Vendo-se assim partir uma distinta senhora a quem muito Loriga ficou a
dever. (* ap) |
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Manuel
Fernandes Aparício *
30.11.1936 -
15.02.2003 |
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Um homem sempre
pronto para tudo aquilo que lhe pedissem, uma vida de trabalho e de muita dedicação
à família, principalmente à esposa e filhos que eram tudo para
ele, teve sempre uma vida verdadeiramente activa e determinada nunca parecendo ter
tempo para descansar.
Trabalhador fabril, durante quase
toda a sua vida, tinha ainda tempo no amanho das terras, onde com muito trabalho retirava
parte do seu sustento e ainda fornecia para a família, qualquer bocadito de
terra chegava para cultivar, que o fazia com uma alegria e uma determinação
fora do comum. |
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Conhecia
Loriga como ninguém, mesmo muitas vezes era procurado para indicar as
estremas das propriedade, sabendo muito bem onde estavam os marcos que indicava
com precisão a divisão das terras, era também um dos grandes
conhecedores dos nomes de todos os locais de Loriga.
Foi durante longos anos
músico da Banda da sua terra, para onde entrou ainda muito novo e à
qual deu parte da sua vida com grande adoração e entrega que
ainda se recorda, fazendo parte também durante largos anos da Irmandade
do Santíssimo Sacramento e das Almas de Loriga como irmão e,
também como elemento de direcções desta instituição
loriguense.
Ficou para a memória
ter sido um dos maiores e melhores condutores da "Carreta", quando
este veículo não motorizado, passou a ser o meio de transporte
dos defuntos para o cemitério, tendo ele sempre uma certa perícia,
que era necessária, para conduzir pelas ruas empedradas da vila, esse
veículo puxado à mão.
Ligando-me ao Manuel
laços familiares, era meu cunhado, tive sempre para com ele uma grande
amizade e estima, tendo também ciente, que muito também lhe fiquei
a dever. Viver na sua terra era tudo para ele e, quando por alguma razão
dela se tinha que ausentar, estava sempre ansioso da hora de regressar.
Faleceu subitamente em
2003, traído pelo seu coração que já algum tempo
o atormentava. Loriga viu partir um homem sempre pronto para
tudo que lhe pedissem e que estivesse ao seu alcance.
Até um dia Manuel.
Descanse em Paz. (*
ap) |

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Carlos
Mendes Duarte *
12.07.1936 - 28.11.2003 |
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Com
uma personalidade própria era um bom homem, amigo do seu amigo, que
um dia namoriscou pelo Bairro de S. Ginês e por ali se quedou para toda
a sua vida. De uma calma impressionante era bom com ele falar, sempre atendo
a tudo o que o rodeava e tinha uma paixão sportinguista de que se orgulhava.
O "Carlos Hildebrande"
como popularmente assim era conhecido, dava gosto com ele conversar e o ter
como amigo, o seu sorriso de simpatia contagiava qualquer um, por isso, ser
muito estimado e admirado e, de quem eu próprio ter gratas recordações
e ter para com ele sempre grande estima.
Tenho ainda presente
em mim, da fotografia que lhe tirei no Setembro de 2003, precisamente dois
meses antes da sua morte, talvez a última fotografia que me deixou de
recordação.
Faleceu em 28 de Novembro
de 2003. Loriga vê desaparecer uma figura que me marcou e marcou o meu
Bairro de S. Ginês que ficou mais pobre.
Até um dia amigo
Carlos. (* ap) |
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António
Fernandes Gomes *
20.01.1915 - 03.07.2004 |
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Nasceu
em Loriga, em 20 de Janeiro de 1915, Filho de José Fernandes Gomes e
de Aurora Mendes Dias Santos.
Conhecido por "Repórter Max", escreveu muito sobre a sua terra
e a região serrana onde, nos seus artigos, exprimia a sua grande preocupação
pela dignificação de Loriga e da região da sua Serra da
Estrela, como também pela promoção das actividades tradicionais,
e pela preservação das características paisagísticas
e arquitectónicas desta região serrana.
Fez parte dos quadros da Armada Portuguesa, tendo percorrido os quatro cantos
do mundo, chegando a exercer o cargo de delegado marítimo em Benguela
(Angola).
Adorava a sua terra e foi, seguramente, quem mais escreveu sobre ela, quer
em jornais nacionais, como o "Século" e o "Diário
de Noticias", quer em jornais regionais, como a "Voz da Serra",
"Porta da Estrela" e "A Neve". Escreveu, também, em
muitos outros jornais do antigo ultramar português, nomeadamente, a "Voz
de Macau" e o "Jornal de Benguela". Foi um dos mais activos defensores
da imprensa regional, em cujos congressos nacionais se destacava sempre.
A sua obra conhecida está reunida em três volumes que intitulou
"Crónicas do Repórter Max", com edição
do autor, onde estão compilados textos abarcando várias temáticas
que escreveu em vários jornais.
Faleceu no dia 3 de Julho de 2004 em Lisboa, onde foi sepultado. |

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* Jornal "Garganta
de Loriga" |
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Eduardo
Mendes Pinto *
.. .. 1944 - .. .. 2004 |
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Recordo-me do
Eduardo nos meus tempos de criança, já ele era mais maduro. Era conhecido
como muito activo e de certa forma impulsivo que o diferençava dos outros da
mesma idade. A
vida leva todos a tomar o seu rumo e o voltei a ver apenas uma ou outra vez já
depois de crescidos. |
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Só
que as vidas cruzam-se muitas vezes, como aconteceu quando por simples acaso
o voltei a ver na cidade de Hamburgo, decorria então os finais da década
de 1970.
Também ele tinha enveredado pela vida de emigrante, radicando-se na
cidade de Hamburgo norte da Alemanha, onde tinha a família constituída
pela mulher e filhos, um deles a sofrer de uma patologia grave, ao qual era
preciso dedicar muita atenção.
De quando em vez me encontrei com o Eduardo na cidade de Hamburgo, que ele
conhecia muito bem, sempre com a mesma maneira activa, como sempre nos habituamos
a vê-lo nos nossos tempos de criança.
Um dia o telefone toca na minha casa, do outro lado da linha uma voz me dizia,
morreu o Eduardo, na altura pensava que ainda estava em Hamburgo, mas não,
tinha falecido em Portugal com uma doença que apenas teve a duração
de cerca de seis meses.
Até um dia Eduardo. Descansa em Paz. (* ap) |

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António
Ferreira da Silva *
10.05.1930 - 22.01.2005 |
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Passou
grande parte da sua vida no Brasil, radicado na cidade de Belém do Pará.
Com regularidade visitava Loriga, nomeadamente, nas últimas décadas
ainda de residente no Brasil, altura que o passei a conhecer e a encontrar-me
frequentemente com ele e passamos então a ter um certo relacionamento.
Com o falecimento da esposa e já na reforma, regressou definitivamente
a Portugal e a Loriga, então sim, todos os anos, com ele me encontrava,
companheiro do jogo das cartas e mesmo de passeios de laser pela estrada, notabilizando-se
nele uma educação extrema e uma maneira própria de pessoa
de bem, com quem valia a pena conversar e compartilhar amizade. (* ap) |
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Emílio
Lopes de Brito *
03.11.1925 - 02.07.2005 |
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Ligou-me
a Emílio Lopes de Brito laços familiares, um homem de uma bondade
e ternura, que é difícil de se encontrar. O "Primo Emílio"
como assim sempre o chamei, era na verdade um homem de bem, sem maldade e nunca
mas mesmo nunca ter para com algum dos seus semelhantes qualquer género
de iniquidade.
Radicado na grande Lisboa desde muito novo, ali casou e constituiu família,
uma vida de longos anos de certa preocupação, por motivo, dos
problemas de saúde com que se debateu a sua filha e única, praticamente
desde que nasceu, quase sempre numa vivência hospitalar.
Ficou viúvo ainda novo, voltou novamente a casar desta vez em Loriga,
com Aurora Pinto Ascensão, passando então a ter a sua vida repartida
entre Loriga e Cacém, onde sempre viveu.
Gostava de me encontrar com ele e quase sempre selava-mos o nosso encontro
com um "chiripiti" como ele gostava de dizer (referência a
uma bebida). Nunca me posse esquecer dos meus tempo de criança, do bem
que me fez à minha família, pois era um coração
aberto e sempre muito amigo de toda a família, que deixou em todos nós
ao partir para a outra vida no Além,
uma saudade enorme ao mesmo tempo que o lembramos com muito carinho e afecto.
Até um dia "Primo Emílio". Descanse em Paz nessa vida
que já conhece. (* ap) |

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Luciano
Brito Pina *
26.11.1936 - 03.06.2006 |
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Homem
bom que um dia resolveu radicar-se em Coimbra, sem nunca esquecer a sua terra
que tanto adorava e que recorrendo ás tecnologias da época, tudo
fazia para divulgá-la, em fotos ou em filmagens.
Homem frontal tinha na alma certa revolta e certo inconformismo, pelas injustiças
que se fizeram numa "Loriga
de outras eras"
e que de certa maneira atingiram o seu pai, mas mesmo assim tinha a sua terra
sempre no coração, dando tudo por ela.
Foi dos primeiros loriguenses a filmar em vídeos as paisagens e eventos
da sua terra, passando mesmo a comercializar cassetes de vídeo com a
cobertura total da Procissão da Nossa Senhora da Guia e Ementa das Almas
entre outros, que eu próprio adquiri e que ainda hoje tenho em meu poder.
Foi o Luciano Brito Pina, que a convite do senhor Padre Abranches, fez as filmagens
vídeo, da primeira visita a Loriga feita pelo Cardeal de Lisboa Rev.
D. António Ribeiro, visita particular que ocorreu em Agosto de 1988,
a convite também dessa figura loriguense que foi o senhor Padre Abranches,
feita à figura máxima da Igreja Católica em Portugal.
Luciano Brito Pina, popularmente mais conhecido pelo "Luciano Ruço"
faleceu em Coimbra após doença prolongada tinha então
68 anos.(* ap) |
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Mário
Nunes Amaro Pinto *
24.06.1942 -19.04.2006 |
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Lembro-me
do Mário era eu pequeno, mas depois saí de Loriga e deixei de
ter lembrança dele, até que num belo dia do ano de 1965, casualmente
entrou na Pastelaria Castanheira, onde eu trabalhava, em plena Baixa de Lisboa,
e o voltei a ver. A partir de então nos encontrávamos com regularidade
apesar da diferença de idade que tínhamos, ficamos amigos, pois
ao fim e ao cabo não trabalhávamos muito longe um do outro.
Era um homem bom, com o qual se podia conviver, notando-se nele uma certa alegria
quando encontrava um seu conterrâneo. Muitas vezes me dizia "aparece no Cinema Tivoli
para veres o filme tal…" Pois o Mário trabalhava no cinema Tivoli,
uma casa de espectáculo das mais importantes de Lisboa na época.
Parece que ainda o estou a ver, no seu belo "traje" que despontava
pela qualidade e de uma presença bem notada, tal como estávamos
habituados a ver nos filmes de Hollywood e Nova Iorque.
Algumas das vezes lá eu apareci, o sorriso do Mário logo à
entrada, era o sinal de o acompanhar, sem bilhete pagar, lá me levando
até a um lugar num dos Balcões do Cinema, onde eu me consolava
a ver o filme, parecendo-me eu um senhor por tão bem estar instalado.
Foi por terras distantes que tive conhecimento da noticia da morte do Mário
Amaro, ficou em mim uma profunda tristeza, recordei quando nos encontrávamos
em Lisboa, deixou-nos cedo de mais, ficando em nós a lembrança
de um homem de bem, que estou certo de ter sido recompensado no céu.
Até um dia amigo Mário, quando nos voltarmos a encontrar na parte
de lá desta vida dos vivos, para recordarmos a nossa passagem pela nossa Baixa de Lisboa. (* ap) |

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José
Lopes de Brito
*
25.01.1916 - .06.2006 |
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Falar em José
Lopes de Brito é recordar um homem que me marcou na minha vida. Ligando-me laços
familiares o "primo Zé" como assim o chamava, considerei sempre mais
como um simples primo, tive sempre para com ele uma certa consideração,
admiração e respeito. A ele fiquei a dever belos ensinamentos de vida
e alguns dos empregos nos meus tempos de adolescente. |
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Partiu
muito novo para Lisboa, pouco depois de ter ficado órfão, ali
se radicou para sempre, tendo vivido a maior parte da sua vida em Queluz, sua
segunda terra de opção. Homem de bem e de uma bondade que sempre
foi bem demonstrativa na amizade que nutria para com toda a família,
ao pé dele nunca ninguém passava dificuldades e sempre pronto
para ajudar aqueles que ele via necessitar de ajuda.
O facto de eu ter saído de Lisboa e enveredar por outras paragens, quando
voltava à capital nem sempre tive a oportunidade de me encontrar mais
vezes com ele o que só acontecia a espaços, mas o contacto telefone
ia acontecendo, por vezes e talvez mais amiúdo quando e infelizmente
aconteciam falecimentos na família.
Como disse, este meu primo Zé, deixou-me uma marca de vida que nunca
esqueci, viver, lutar e tentar vencer, foram virtudes que me transmitiu e que
conservei em mim. Fiquei sempre para com ele, com uma certa dívida de
gratidão de alguma vezes me ter dado a mão, deixando-me muitas
saudades e recordações.
Se a recompensa está no Céu, estou plenamente certo que o "primo
Zé" está lá onde esperará por nós.
Descanse em Paz "primo Zé" e até um dia quando nos
voltarmos a encontrar, mas dessa vez já nesse lado de lá.
(* ap) |
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Álvaro
Pinto Ascensão *
03.08.1929 - 24.10.2006 |
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Ligou-me
a Álvaro Pinto Ascensão laços familiares. Bairrista dos
sete costados, como se diz na gira, foi o grande impulsionador na transformação
e desenvolvimento do traçado onde termina a Av Augusto Luis Mendes popularmente
chamado a "Carreira" quando no início da década de
1970, mandou construir o prédio "Império" como era
chamado na época ou então "Hotel" como também
foi conhecido, porque era esse objectivo inicial desse grande empreendimento.
Nesse seu grande prédio, abriu com a minha colaboração
o café restaurante "Império" no dia 1 de Agosto de
1972, que ainda hoje perdura que na altura foi na realidade a grande evolução
no meio de restauração em Loriga.
Até um dia primo Álvaro. Descanse em Paz. (* ap) |

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Adolfo
José Duarte Gouveia *
17.05.1934 - 30.01.2007 |
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Em criança
me habituei a ver e admirar o Adolfo. Era o guarda-redes do Grupo Desportivo
Loriguense um ídolo da juventude dos anos 50 do século passado,
considerado mesmo o melhor guarda-redes de Loriga, de todos os tempos. Ainda
treinou no Académico de Viseu, só que o nosso loriguense Adolfo,
pareceu nunca levar a peito essa sua insígnia aptidão que todos
lhe reconheciam, pensando apenas levar em frente a sua vida normal de trabalho
e viver a sua normal vida famíliar.
Era eu adolescente quando voltei a ver o Adolfo, vivia então ele no
Estoril, decorria a longínqua década de 60, olhei ainda para
ele como meu ídolo de criança, mas pela minha frente tinha ali
um homem de bem, realizado e feliz, foi a vida que escolheu e por momentos
me lembrei, que na realidade este meu ídolo de criança, passou
ao lado de uma grande carreira futebolista, a nível de Portugal e quem
sabe mesmo internacional.
(* ap)
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José
Manuel Oliveira Ferreira *
23.10.1967 -13.02.2007 |
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Empregado
no Café/Restaurante "Império" em Loriga, era um rapaz
muito conhecido e muito popular na sua terra. Relevante e muito falador, tinha
uma maneira própria de com todos conversar, numa contagiante sua disposição
de consideração e estima.
Uma certa forma doentia que tinha para com o seu Benfica, do qual era um fervoroso
adepto, levava por vezes a termos conversas divertidas, quando acontecia o
seu clube do coração estar menos bem.
Faleceu ainda novo, quando o seu coração o atraiçoou,
notou-se ficar um vazio em Loriga, deixamos de ter o Zé Manel, da sua
proeminente figura e o seu tom de voz, enquanto saboreávamos a cerveja
que nos servia, que agora a mesma parece já não ter o mesmo sabor.
Até um dia Zé Manel. Descansa em Paz. (* ap) |

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Filomena
Alves dos Santos *
27.11.1918 - 11.03.2008 |
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Tive
sempre para com a senhora Filomena, um carinho muito especial. Era uma pessoa
boa de enorme coração muito amiga da família e das pessoas
que não lhe sendo da família, era como que se fossem.
Conheceu-me ainda em
bebé, pois quando eu nasci vivia na mesma casa (cave) onde a minha família
morava no Beco de S.Ginês, onde por sinal duas semanas antes tinha sido
também mãe, quando do nascimento do seu filho Fernando, meu amigo.
Foi viver em Seia, onde
se radicou com o seu marido o "Ti Zé" e seus filhos que continuo
a ter para com eles um verdadeiro carinho e amizade. Recordo com saudade o
carinho com que a senhora Filomena me recebia, quando eu estava na tropa (ano
1969) e chegava a Seia à noite, cheio de frio e, não tendo já
transporte para Loriga, em sua casa me recebia já com o leite quente
e uns bolinhos acabados de fazer e lá dormia.
De vez em quando a visitava
em sua casa em Seia, sempre dinâmica e sempre caridosa, desfazendo-se
sem saber o que me havia de fazer, na sua maneira própria de boa pessoa
que era e que eu recordo, porque as pessoas continuam a viver quando as recordamos.
Faleceu depois de ter
dado um queda no Lar da Nossa Senhora da Conceição em Seia, onde
já alguns anos ali vivia com o seu marido José Cardoso de Pina.
Ao receber a noticia da sua morte fiquei triste, ao ver desaparecer alguém
que me marcou e por quem tive uma enorme e estima e admiração,
costumo dizer "as
pessoas boas não haviam de morrer" e a senhora Filomena era uma
delas. (*
ap) |
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José
Diogo Brito Pina *
03.08.1944 - 21.05.2008 |
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Recordar o Zé
Diogo, como assim o chamávamos, é voltar aos meus tempos de criança,
também ele pertencendo aquela geração de ouro de "quando em Loriga éramos
mais".
Pertencia ao chamado "Fundo" (zona da parte baixa da vila), que
sendo um pouco mais velho que eu, por isso já de um patamar mais à frente,
recordo-o como um rapaz humildo muito activo, um verdadeiro rival do "Cimo" (zona da parte alta da vila), nos
jogos da bola e não só. |
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Recordo-me
de ele essencialmente por ser pacato e também de ser um verdadeiro insigne
nadador, penso mesmo ser dos maiores, conhecia as ribeiras de Loriga como ninguém,
estou mesmo a crer que devia ter nadado em todos os poços existentes
ao longo delas. Recordo-me naquelas disputas a subir, nomeadamente a ribeira
das "Naves" (do Poço Forte ao Zé
Lages) ser sempre o primeiro a chegar, tal era a sua agilidade a subir as pedras
e ultrapassar os poços a nadar.
Na hora de cada um seguir o seu rumo, o Zé Diogo foi até à
grande Lisboa, onde se fixou, durante muito tempo nunca mais o vi, nos últimos
anos e de quando em vez o voltei a ver por Loriga, parecia-me o mesmo dos tempos
da nossa meninice.
Faleceu aos 64 anos após doença prolongada. Durante a sua doença
com que passou a lutar fez um curioso pedido à sua família. "Quando morresse que fosse
cremado e as suas cinzas fossem espalhadas na ribeira de Loriga" ribeira que também
conhecia e que ficou para sempre guardada num cantinho do seu coração.
Segundo sei, esse seu desejo foi cumprido pela sua família, com as águas
cristalinas da ribeira a levarem as suas cinzas numa última passagem
por aqueles percurso que ele tanta vez o percorreu e que amava.
Assim vimos partir mais
um da nossa geração de "uma Loriga de outras eras" e "quando em Loriga éramos
mais".
A Paz esteja contigo Zé Diogo. Até um dia (* ap) |

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João Martinho Pereira *
05.10.1943 -04.05.2008 |
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Esposa, Filhos
e restante Família, na impossibilidade de o poder fazer pessoalmente vêm
pelo presente meio expressar o seu agradecimento a todos os que se dignaram a assistir
à missa de corpo presente, o acompanharam até Á sua última
morada, ou de qualquer outro modo se associaram a este momento de grande consternação
e dor. O Sr. João Serra permanecerá sempre vivo na lembrança de
todos aqueles que de algum modo conviveram e fizeram parte da sua vida.
Agradecemos também a todas as entidades, colectividades e organismos que de
uma forma ou de outra prestaram a sua última homenagem, em especial a SOCIEDADE
RECREATIVA E MUSICAL LORIGUENSE pela cerimónia fúnebre. |
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Elogio
Fúnebre
Viemos
acompanhar um amigo á sua última morada.
O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO.
O Senhor João caminhou connosco durante 40 anos, com sol, chuva,
vento…
Conviveu com 10 Maestros, aperfeiçoando sempre os seus conhecimentos
musicais.
Nada o impedia de levar o seu saxofone barítono a todos os lugares,
alegrando o coração de todos os que gostavam de ouvir
a Banda Filarmónica.
Até que o seu coração o traiu, morrendo no passado
domingo no final de mais uma jornada musical.
A cultura de Loriga ficou mais pobre.
Que a sua vida seja um exemplo para os mais novos na competência
e dedicação com que sempre se entregou á causa
da música.
Paz á sua alma
Até sempre João Serra
Descansa em paz
* A Familia |
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António
Santos Pereira
.. .. - 07.07.2008 |
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Recordar
o António Santos Pereira popularmente mais conhecido pelos amigos como
"Tónio Zé da Vide" é falar numa figura simples
de um bairrismo puro pela sua terra que tanto adorava.
Foi para Lisboa ainda de novo, ali se radicou toda a sua vida, trabalhando
na profissão de barbeiro, com ele passei a conviver praticamente desde
que cheguei a Lisboa, era eu ainda praticamente uma criança, antes já
ele era amigo da minha família, era mesmo um assíduo visitante
da nossa casa, ao ponto de o considerar como familiar.
Tive uma fase da minha adolescência em que todos os dias me encontrava
com ele, tanto eu como ele trabalhávamos perto um do outro em Campolide
- Lisboa. Recordo-me que era um verdadeiro falador nato em que a sua boa disposição
era contagiante, fazendo amigos com relativa facilidade em que era bem relevante
a amizade e estima como tratava toda a gente.
Amava Loriga como ninguém, direi mesmo que foi o maior bairrista que
conheci na divulgação da sua terra a toda a hora e a todos os
momentos enquanto trabalhava, como eu próprio testemunhei, penso mesmo
que nunca cortou um cabelo ou fez uma barba aos seus clientes, que não
falasse da sua querida Loriga. |
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Nunca
faltava às festas da vila que se faziam em Loriga na década
de 1950/60, foi até dos primeiros loriguenses apresentar-se
com máquina fotográfica, por isso, nessa altura conseguiu
coleccionar imensas fotografias, como nunca ninguém tinha conseguido
ter até então.
Decorria o ano de 1966, era eu ainda um adolescente, fiz com ele uma
farra no Bairro Alto em Lisboa, entramos em vários bares e por
fim e já altas horas da noite damos connosco numa das mesas
dum bar bem conhecido na altura, ele a fazer quadras sobre Loriga e
eu a tomar apontamentos delas, foram muitas, ele era um perito arrimar
quadras, pena foi que perdi todos esses apontamentos, que hoje teriam
para mim um valor incalculável.
Era um trabalhador incansável, de segunda a sábado a
trabalhar cortando e fazendo barbas e aos domingos à tarde e
(dias de futebol) lá estava no estádio de Alvalade (estádio
antigo) a alugar almofadas ou a vender amendoins ou gelados.
Deixei de o ver durante largos anos, por motivo da minha ida para o
estrangeiro, mesmo por incrível que pareça as nossas
idas a Loriga eram desencontradas, quis o destino que dois anos antes
da sua morte e ao chegar a Loriga ele também ali estava de visita.
Passo na "Carreira" estava ele sentado num dos bancos, com
a sua esposa, aproximei-me olhei e lhe disse:- "amigo António
ainda se lembra de mim"…. Olha para mim e logo de imediato
como que movido por uma mola se levanta e me abraça num abraço
de largos minutos, que ia repetindo de quando em vez que me olhava.
Nesse dia e no outro e no outro foi possível colocarmos a conversa
em dia, recordamos as nossas vidas os nossos tempos por Lisboa, foi
de facto gratificante que me marcou para sempre esse nosso e último
encontro. No ano seguinte já não o encontrei em Loriga,
que por motivo de andar doente já não foi à sua
terra adorada.
Um dia o telefone toca em minha casa para me dizerem que tinha falecido
o "Tónio Zé da Vide" fiquei apreensivo e sentidamente
triste, por momentos pensei, ao fim de tantos anos tinha-mos tido o
nosso encontro, tínhamos colocado a conversa em dia, tínhamos
acima de tudo dado aquele abraço de amizade que estava em falta
à longos anos, mal sabendo que aquele nosso encontro na "Carreira"
foi ao mesmo tempo o da despedida.
Até um dia amigo António, quando nos voltarmos a encontrar
para novamente voltarmos a dar aquele abraço da amizade que
sempre esteve presente em nós. Descanse em Paz. (* ap) |

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Paula
Cristina Pina Fernandes Santos *
03.06.1969 - 17.09.2008 |
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A
Paula nasceu em Loriga em 3 de Junho de 1969, filha de Manuel Fernandes
Aparício e Maria Helena Martins Pina. A vida é uma passagem
na terra, o destino por vezes é injusto e cruel ao tornar essa
passagem curta. Ainda jovem ainda muito nova mesmo e quando tinha tanto
para dar, a Paula Cristina deixou-nos com muita saudades.
Recordar a Paula
é falar numa jovem cheia de uma força impressionante,
alegre e sempre pronta no ajudar ou outros e que tinha na família
a sua adoração. Unindo-me laços familiares, era
minha sobrinha, pude estar no acompanhamento da sua luta contra a doença
que a vitimou. Apesar de a adversidade da vida lamentavelmente ter
acontecido, deu-nos uma lição de luta, coragem, força,
determinação e resignação, perante uma
doença que parece hoje estar cada vez mais presente na sociedade
actual.
Algumas vezes
a visitei, que tal como eu vivia no país que nos acolheu, longe
do nosso e da nossa terra, a sua Loriga que ela tanto adorava. A sua
vontade de viver era contagiante e nada parecia demonstrar o mal que
sabíamos que continuava a estar presente no seu corpo.
Foi em Setembro
de 2008, que partiu
desta
terra dos vivos voltei à terra onde ela viveu para assistir
às cerimónias exéquias, que a família,
os muitos amigos e a comunidade portuguesa em geral quiseram realizar
em sua memória, numa bem demonstrativa manifestação
de carinho, amor e amizade, antes da partida do seu corpo para a última viagem
nesta
vida com destino a Loriga sua terra natal.
A sua morte deixou
para sempre em todos nós uma saudade imensa, partiu desta vida apenas
fisicamente, porque continua presente em nós. Residindo longe
do seu país e da sua terra, regressou numa última
viagem
à terra que tanto amava, para então sim ali descansar
em Paz. Até
um dia Paula.
(* ap) |

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José
Nunes Pinto *
04.09.1932 - 30.11.2008 |
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Faleceu
no dia 30 de Novembro, após algum tempo doente o bem conhecido
loriguense José Nunes Pinto,
popularmente conhecido por "Zé Moita". Sportinguista
convicto, está ainda na memória de muitos de nós,
em ter sido um dos primeiros a ter uma telefonia no Bairro de S.Ginês
e Almas, que cada vez que dava o relato do Sporting, levantava bem
o som da telefonia para que todos pudessem ouvir, bem como, quando
na rádio passava um fado da Amália Rodrigues de imediato
voltava a levantar bem alto o som, para que todos na rua ouvissem essa
diva do Fado português. (* ap) |
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José
Lages Carreira *
16.01.1943 - 17.05.2009 |
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Falecido
recentemente com a idade de 66 anos, José Lages Carreira popularmente
conhecido por "Zeca Carreira" era um verdadeiro amigo de
Loriga.
Impressionando-nos de certa forma a sua calma aparente, a sua figura
elegante era bem conhecida de todos, gostava de falar com os amigos
que por ele tinha imenso respeito e admiração que o tornavam
muito popular e que todos com ele gostavam de falar.
Alguns tempos a esta parte sempre doente por motivo dos várias
problemas de saúde, no dia 10 de Maio entrou num semi-coma,
que veio a culminar com a sua morte a ocorrer no dia 17 de Maio.
Era um fervoroso adepto e associado do Sport Lisboa e Benfica e desde
sempre manifestou à sua família o desejo de ser sepultado
em Loriga, e que ao morrer levasse na lapela a Águia de Prata
do seu Clube do coração que tinha recebido das mãos
de Vale de Azevedo, então presidente do SLBenfica, bem como,
levar consigo um terço que tinha comprado já algum tempo
em Carcóvia, terra do Papa João Paulo II
Infelizmente a família não conseguiu encontrar a "Águia
de Prata" nos pertences do "Zeca Carreira" que levou
que fossem dados passos até ao Estádio da Luz, para comprar
uma cópia. Registe-se que apresentado o caso à direcção
do SLBenfica, esta de imediato se prontificou a oferecer uma nova "Águia
de Prata" que foi assim colocada na lapela, satisfazendo assim
o seu desejo.
Quando o seu corpo chegou a Loriga o dia estava lindo, passando a Portela
do Arão a maia amarela cobria a Serra e ladeava a estrada, como
que, a enfeitarem para a sua última passagem por ali. Muitos
amigos e colegas de escola e do colégio de Gouveia estavam presentes
vindo da Guarda, de Trás-os-Montes, do Alentejo, de Gouveia,
Seia, Vilacova do Alva, para o acompanharem à última
morada (* Joao Carreira) |

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José
Mendes Fernandes *
12.05.1936 - 31.05.2009 |
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A vida
por vezes prega-nos cada partida, que nos faz meditar. José Mendes como
era mais conhecido na Alemanha, transbordava de felicidade ao chegar a esta
cidade verdejante de Wahlstedt, que lhe deu as boas vindas com o sol sorridente
e radiante de claridade.
Feliz por ver sua filha, genro, netos e restante família, reviver amigos
e antigos colegas, passear nas ruas desta cidade que tão bem conhecia,
onde viveu cerca de trinta anos da sua vida e de felicidade.
Aproveitando a sua presença nessa cidade, foi convidado de honra do
Clube Português de Wahlstedt na festa do Pai realizada, no dia 21 de
Maio, nas instalações de um clube português que ele próprio
também ajudou a criar e que ainda hoje continua a ser uma presença
portuguesa bem viva, nesta região nórdica da Alemanha |
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Planeava
com uma euforia a festa que já vinha idealizando para o dia
22 Agosto celebrando as Bodas de Ouro de casamento. Estava eu próprio
também já com ele envolvido na programação
dessa festa que ele parecia viver com ansiedade.
De momento, uma súbita alteração de saúde
o fez visitar o médico, que nos primeiros momentos pareceu tudo
estar normal, com o senão de uma certa constipação
que o atormentava. Pouco depois a necessidade de uma emergência
que foi necessário chamar e, imediatamente disponibilizada com
os meios mais sofisticados, primeiro ainda em casa e depois já
numa Clínica das mais especializadas na região. Nos primeiros
exames parecia estar tudo estabilizado, mas depois de mais exames e
estes mais aprofundados, com a chamada da família à unidade
hospitalar pouco depois, temeu-se logo o pior, que veio a ser confirmado
com a comunicação à família da notícia
que menos se esperava e que culminou quarenta horas depois com o seu
falecimento.
Eram precisamente 23h30 na Alemanha do dia 31 de Maio, meia hora antes
de acabar o mês de Maio, Mês de Maria, o mês do seu
aniversário que tinha celebrado em Loriga, três dias antes
da sua viagem para a Alemanha, faleceu rodeado de familiares e amigos,
terminando assim a sua passagem de vida na terra. O seu corpo regressa
a Loriga, sua terra natal, porque em memória a sua vida não
chegou dali a sair.
Descanse em PAZ, até um dia Zé, quando nos voltarmos
a encontrar, mas dessa vez já nessa parte de lá que já
conheces. (* ap) |
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Carlos
Alves da Costa *
05.11.1925 - 12.05.2009 |
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Homem
de enorme virtude que muitos recordam pela sua bondade e de bem. Muito
disponível em prol da comunidade passou pelas direcções
das várias colectividades da sua terra:- Cooperativa, Socorro,
Banda, Grupo Desportivo, serviços de Acção Católica
e de grupo Corais, sendo na verdade um exemplo a seguir.
Está ainda na memória de todos os muitos anos que se
disponibilizou a cantar a Ementa da Almas, sempre com muito respeito
e devoção que quando notava algum modo menos correcto
muitas das vezes dizia chamando atenção "Olha lá!...
Tem de haver respeitinho pelas nossas Almas".
Sem dúvida alguma o Carlos Costa morreu na santidade. Ai, se
homens todos assim fosse. Por certo que não tinham sido inventadas
as espingardas…. Um dia , quando todos nos juntarmos, não
te esqueças do meu pedido, faz lá esse favorzinho, porque
tu já vives entre os eleitos. Até breve!
(* a.brito) |

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Maria
Helena Pereira Figueiredo *
01.09 .1926 - 12.08.2009. |
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Foi
um referência em Loriga, Maria Helena Pereira Figueiredo, popularmente
conhecida por "Menina
Lena",
ficou marcada de certa forma numa geração loriguense
a quem deu pela primeira vez a conhecer os primeiros passos da catequese
e, também os primeiros ensinamentos de escola.
Residindo no Lar da Nossa Senhora da Guia em Loriga há já
algum tempo, e também já algum tempo muito debilitada,
chegou ao fim a sua passagem na terra dos vivos, provavelmente, para
ser recompensada no céu, pelos bons ensinamentos da doutrina
de Deus, que durante parte da sua vida fez chegar às criancas
das sua terra.
(* ap) |
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Mário
Pires da Costa *
20.01.1926 - 16.10.2009 |
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Encontrei-me
com o senhor Mário acerca de dois anos, para um encontro previamente
combinado, para falarmos e tirar alguns apontamentos sobre o seu mais de meio
século de músico da Banda de Loriga.
No dia, hora e local definido, lá estava o senhor Mário à
minha espera numa das mesas do Café "Império". À
minha frente estava um homem com um brilho no rosto e com um sentimento saudoso
dos seus 54 anos (na altura) como elemento da Banda de Loriga e orgulhoso também
de como elemento da Banda ter comemorado o Cinquentenário e Centenário
desta Instituição loriguense que nos habituamos a ver como embaixatriz
de Loriga. |
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Contou-me
numerosas histórias, recordamos as pessoas, direcções,
maestros, companheiros, enfim, uma vida de dedicação
à Banda da sua terra, com ele sempre mais vocacionado para os
instrumentos de percussão, que com muito empenho e dedicação
quase todos os tocou, principalmente, o bombo que de tanto o bater
junto ao peito o seu coração passou a dar-lhe sinal que
chegava, por isso, aconselhado a deixar esse instrumento passando novamente
a tocar a "caixa" e a partir de 2003 passou a ser o "Porta
Bandeira" até 2008, quando finalmente deixou a Banda, completando
56 anos, ficando para a história da Banda, como o músico
que mais tempo esteve ao serviço da Banda de Loriga, que foi
a sua segunda família durante mais de meio século
Foi reconhecido esse mérito, recebendo a Medalha de Ouro da
Sociedade Recreativa e Musical Loriguense, a única distinção
entregue a um músico desde sempre na história da Centenária
Banda Filarmónica de Loriga.
Quando o telefone tocou com o som que vinha de Loriga, alguém
me disse faleceu o Ti Mário "Coroado" como popularmente
era mais conhecido, veio-me logo à recordação
esse nosso encontro, tendo ainda presente aquele brilho no seu rosto
ao estarmos ali a falar da "sua" Banda à qual dedicou
quase toda a sua vida.
O seu funeral realiza-se hoje em Loriga, fará a sua uma última
passagem por aquele percurso que tantas vezes o fez com a música
a tocar, só que desta vez a "sua" música não
irá a tocar, mas de certo a vai continuar a ouvir lá
céu.
Até um dia senhor Mário. Descanse em Paz. (* ap) |

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Carlos
Alberto Brito Mendes *
06.11.1958 - 27.11.2009 |
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Encontrei-me
com o Carlinhos, (como assim era tratado no seio da família) fez no passado
verão um ano, quando em Loriga nos juntamos, já com a grave doença
a afectá-lo com mais intensidade e que eu conhecia em profundidade a situação.
Admirava-o na sua determinação e optimismo, falávamos de várias
coisas e sempre vinha à tona Lisboa, dos tempos que eu também por lá
andava, onde ele um dia se radicou e vivia uma vida feliz com sua esposa e filho. |
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Ligado
eu também à família, por parte da minha esposa, tinha
para com o Carlos uma certa estima, apesar de o não ver muito amiúde,
no entanto, nutria por ele uma amizade e até certo carinho e, com quem
gostava de conversar, porque na realidade era um homem de bem e de uma certa
simpatia que valia a pena compartilhar.
Sabendo eu do diagnóstico da sua doença, que se previu de gravidade,
passei admirar ainda muito mais o Carlos, admirando a sua determinação
e a sua luta que foi travando com a grave enfermidade de que padecia e, que
nos transmitia a ideia de que apesar de tudo o não fazia desanimar.
Mas na verdade a vida marca destinos por vezes dolorosos o quais parece não
se poder fugir, por mais voltas que se possa dar.
A sua luta nesta vida terminou, faleceu no Hospital de Santa Marta em Lisboa,
onde tinha sido internado algum tempo atrás, morreu com apenas 51 anos
de idade, quando ainda tinha tanto para fazer nesta passagem pela terra dos
vivos.
Até um dia Carlos. Descansa em Paz. (* ap) |
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Flaviano
Gonçalves
dos Santos*
15.09.1928 - 14.12.2009 |
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Recordar
Flaviano Gonçalves dos Santos, filho de Eduardo Gonçalves dos
Santos e Amália Lopes de Brito, tenho que recuar aos meus tempos de
criança. Um certo parentesco ligava a minha família à
sua mãe Amália Lopes de Brito, por isso uma aproximação
de família que levava que todas as Páscoas ali íamos ao
Cabeço, (onde viviam) na visita Pascal, recordo de muitas vezes o Flaviano
me ter dado broinhas e biscoitos.
Era um homem bom, o recordo também quando entrava nos teatros que se
faziam em Loriga nessa altura, atrás dessa pessoa boa, como que tímida,
estava um grande e verdadeiro actor de teatro, tinha um certo talento para
as peças dramáticas e de comédia, que ainda nos estão
na memória.
Radicou-se na Guarda, onde viveu parte da sua vida, sem nunca esquecer a sua
terra.
Faleceu na Covilhã, o seu funeral foi realizado para Loriga, onde ficou
a descansar em Paz, no cemitério local. (* ap) |

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Viriato
Luis Brito Pina*
. .1935 - 08.01.2010 |
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Natural de Loriga,
a sua vida foi toda ela passada fora da sua terra, mas que nem por isso deixou de ter
pela terra, que foi seu berço, um carinho especial e que muito adorava. Estava
radicado em S. Tomé de Negrelos - Santo Tirso. |
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Professor
de certo dinamismo, veio a licenciar-se em engenharia, no entanto, a sua personalidade
empreendedora o levou a ter um método e capacidade de trabalho na prática
em redor das profissões, nomeadamente na Formação Prática
do Formador, bem elucidativo nos trabalhos publicados "Saber Instruir"
e "Saber Comandar".
Tinha um contacto assíduo por correspondência com o senhor Eng.
Viriato Pina, falava-mos de Loriga que regularmente ele visitava e onde tinha
residência, trocávamos opiniões dos encantos e dos problemas
que se debruçavam sobre a nossa terra. Logo assim que publicava os seus
trabalhos, de imediato os fazia chegar até mim, inclusive, o seu último
livro também colocado em DVD que também me endereçou e
que passarei a guardá-lo como recordação visual.
Faleceu após algum tempo doente, com o funeral a ser realizado na terra
que adoptou para a sua vida, deixando de Loriga de contar com um dos seus filhos,
que mesmo vivendo fora dela nunca a esqueceu.
Até um dia senhor Viriato Pina. Descanse em Paz.
(* ap) |
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José
Félix*
. . - 20.03.2010 |
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Recordar
José Félix é recordar uma pessoa que não sendo
de Loriga é como se de ela fosse. Natural da Maceira perto de Vila Verde
concelho de Seia, radicou-se em Loriga na década dos anos 1960, era
na altura cobrador das camionetas da carreira. O seu trabalho levava a fazer
o serviço para Loriga, sendo um comunicador nato, passando a ser muito
conhecido no meio da comunidade loriguense, que tendo em conta de o serviço
o obrigar a ter que pernoitar em Loriga, começou mesmo a ter uma certa
afeição por esta terra, onde se veio a radicar definitivamente,
e a qual passou a ser a sua terra de adopção.
Era uma referência em Loriga e por quem os loriguenses tiveram sempre
uma admiração e respeito. Uma grave doença na garganta
com intervenção cirúrgica o fez perder a fala, situação
com a qual teve que viver durante muitos anos, mas nem por isso deixou de ser
bem compreendido por todos.
Os últimos tempos
da sua vida foram passados na Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia, onde
veio depois a falecer já doente e muito debilitado. (* ap) |

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Fernando
Brito Lages*
22.02.1945 - 09.03.2010 |
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Recordar o Fernando
Brito Lages é levar-me com alguma nostalgia a viajar no tempo de regresso aos
meus tempos de meninos, pois o Fernando (Fidão) como popularmente era assim
mais conhecido, fazia parte daquela geração que tinha como seus domínios
o "império" chamado "Cimo" (zona alta de Loriga dividida por
uma linha imaginária nos CTT que dividia o fundo da vila), que ele tal como
eu do "Cimo" fazia-mos parte. |
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Nessa
altura era já um pouco mais maduro que eu, sendo ele mais velho, recordo
o Fernando como um exemplo de liderança, era um rapaz humilde e de bem,
não se notando nele aquelas rebeldias que diferenciava muitos de nós.
Recordo-o ainda como um verdadeiro devoto no místico da arte de jogar
futebol, que com o passar dos anos ter-se ficado com a ideia que poderia ter
dado um grande jogador.
O tempo não parou e cada qual foi seguindo outros destinos, de quando
em vez e muito de fugida lá o ia vendo na nossa Loriga, continuando
sempre na sua maneira própria de pessoa de bem, daquelas pessoas com
as quais se pode conviver. Infelizmente, uma grave doença o passou a
atormentar e com a qual passou a viver durante alguns anos e que eu fui tendo
conhecimento.
Nos últimos tempos tive mesmo conhecimento que a maldita doença
o passou a atormentar ainda mais, quando o telefone toca na minha casa e do
outro lado da linha alguém me diz "Olha!.. Mais um dos nossos do "império"
do Cimo que nos deixou, morreu o Fernando (Fidão)" um sentimento de tristeza
me percorreu e dei comigo a olhar o horizonte que pareceu vermos nos ainda
ainda crianças saltando e pulando, como que com o medo de crescer, mas
que agora e aos poucos vemo-nos a desaparecer.
Até um dia Fernando, quando nos voltarmos a encontrar nessa parte de lá. Descansa em
Paz. (
* ap) |

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António
Mendes Gonçalves*
. .1948 - 15.06.2010 |
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António
Mendes Gonçalves
de 62 anos de idade, era popularmente conhecido pelo "Tónio
Bilito".
Recordo o "Tónio" do meu ano e da minha geração,
e tenho ainda presente o dia em que fomos à inspecção
a Seia, o dia da sua primeira saída de Loriga, acompanhou-me todo o
dia não me largando um só momento.
Nestes últimos anos a viver na Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia,
assim que me via ali chegar vinha até mim, para me dizer "Adelino estou muito doente" na verdade assim era, estava bastante doente
e debilitado.
Figura alegórica de Loriga, que parte de uma vida, que de certa forma
lhe foi madrasta. Descansa em Paz Tónio. ( * ap) |
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Emídio
Mendes Garcia*
27. 05.1923 - 23 .06.2010 |
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Emídio Mendes Garcia de 87 anos, foi uma legenda de Loriga que ficou
na história como o primeiro loriguense aparecer na televisão.
Além de meu compadre, foi meu vizinho porta com porta no pitoresco bairro
de São Ginês, que com a sua partida ficou mais pobre e mais vazio
o Beco do Bairro São Ginês.
Como disse recordo o bem conhecido Emídio Garcia, como o primeiro loriguense
a aparecer na televisão, estava-mos então no princípio
da década de 1960, quando foi um dos concorrentes ao concurso "Quem
sabe sabe" transmitido em directo pela RTP e apresentado por Artur Agostinho.
Nesse dia ou mais concretamente
à noite Loriga parou, as poucos televisões existentes na altura,
apenas nalgumas casas e numa ou noutra associação, bem como,
no café do "Ti Zé Maria" foram insuficientes para tanta
gente, que queria ver o Emídio Garcia lá longe nos estúdios
em Lisboa e, chegar até todos por "aquela caixinha mágica"
que tinham ali em frente. ( * ap)
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Eduardo
Gomes Melo*
10.09.1925 - 26.06.2010 |
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Eduardo
Gomes Melo de 85 anos, foi uma referência de Loriga tido como um verdadeiro
e fervoroso adepto Sportinguista e foi um dos maiores guarda-redes do Grupo
Desportivo Loriguense nas décadas 1940/1950, sendo um verdadeiro ídolo
da juventude de Loriga na altura na qual eu me incluo.
Foi durante anos trabalhador na Metalúrgica Vaz Leal, sendo mesmo dos
primeiros trabalhadores dessa firma. Até que se radicou em Moçambique
durante vários anos.
A sua grande paixão em Loriga foi sempre o Grupo Desportivo Loriguense,
onde desempenhou funções directivas e orientador de equipas de
futebol, pois o futebol para ele era o principal e única modalidade
que deveria existir no seu Grupo Desportivo da sua terra.
Faleceu no dia 26 de Junho de 2010 nos HUC-Hospitais da Universidade de Coimbra
onde se encontrava internado, depois de uma alteração de saúde,
tinha 85 anos. ( * ap) |
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Aurora
Lopes Macedo*
14.05.1913 - 30.08.2010 |
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Recordar Aurora
Lopes Macedo é recordar a senhora minha mãe. Faleceu no dia 30 de Agosto
2010 tinha 97 anos e, à data da sua morte era a loriguense mais idosa a residir
em Loriga (Casa de Repousa da Nossa Senhora da Guia) e era a segunda loriguense com
mais idade e ainda vivas.
Uma longevidade de vida na doração à família.- 6 filhos,
13 netos, 10 bisnetos e 1 Trineto. O Senhor a chamou para o seu Reino, mas continua
presente no seio da sua família.
Nascer, viver e morrer, faz parte da existência do nosso ser, também fazendo
parte da lei natural da vida, numa conjugação de mais ou menos longevidade
que se possa passar nesta nossa vida. |
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A senhora
minha mãe, natural de Loriga onde nasceu em 14 de Maio de 1913, filha
de Manuel Martins da Mota e de Maria José Lopes Macedo, Sempre com uma
lucidez bem clara, nada lhe parecia escapar, com todos os detalhes contava-me
coisas da vida passada, fossem elas mais recentes ou mesmo de há setenta
e oitenta anos atrás, tendo uma memória fantástica que
nos deixava a todos nós admirados. Nos últimos seis meses a vida
pareceu aos poucos fugir-lhe, a lucidez da sua memória foi aos poucos
per
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