Notas & Registos


Vista Parcial de Loriga

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Vista Parcial (Abril 2003)

Foto J.Garcia

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A História da Emigração

Desde os remotos tempos primitivos da humanidade, que os povos, nas suas constantes movimentações para outras paragens na procura do seu próprio desenvolvimento, davam formação ao que se chama hoje emigração.
O movimento emigratório, é pois, um fenómeno desde que a vida existe na terra, e foi-se tornando cada vez mais concretizado, nas conquistas, nas invasões, nos descobrimentos, guerras, miséria e tragédias de origens naturais da terra e ainda no surgimento de Continentes, civilizações, línguas e povos.
A emigração portuguesa teve o seu inicio com os descobrimentos e simultaneamente com a colonização.

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Loriga terra de Emigração I

A emigração é pois uma presença viva, tendo em conta e a certeza de uma necessidade real de existir nas sociedades, onde também, representa uma constante movimentação de gentes e de povos para outras paragens ou para um refugio social mais ambicioso.
As descobertas, as conquistas, as colonizações, são os meios mais significativos do começo da emigração portuguesa, no entanto, é a partir do século XIX, que vamos encontrar os registos mais esclarecedores na história da emigração a partir de Portugal. Se bem que no século anterior era já um facto consumado o movimento emigratório, só que nessa altura não eram ainda os mais pobres que abandonavam o país, quem saía, eram os pequenos agricultores e também pequenos comerciantes do norte e centro e ainda alguns intelectuais.
No século XIX a emigração passa então a ser uma realidade em grande força, passando a emigrar a população mais pobre, quase sempre analfabeta e oriunda das actividades agrícolas, desempregados e mão de obra não totalmente qualificada.
Loriga é uma das terras da região da Serra da Estrela, que mais emigração espalhou pelas quatro partes do mundo.
Parece não haver dados, que nos digam em concreto, quando teve início a emigração dos loriguenses, mas alguns dados que se foram sabendo, pensa-se que as primeiras pessoas a saírem de Loriga com destino às terras de Santa Cruz, ocorreu no século XIX.
Nas primeiras décadas desse século, em Loriga, o espaço vital como hoje se diz, era restritíssimo para a população que aumentava continuamente. A agricultura não atraia os jovens, muito por culpa do terreno irregular, apesar de existirem já algumas fábricas, a industria, ainda não estava muito desenvolvida, que só veio a verificar-se décadas mais tarde.

A independência do Brasil em 1822 e a abolição da escravatura, foi o mote da mudança do estatuto de emigrante, que veio a ser determinante na emigração portuguesa para aquele país, onde se pensa também que foi a partir de então que se iniciaram os primeiros passos da emigração loriguense.
Durante anos foi muita a população de Loriga que deixou sua terra com destino ao norte do Brasil, chegando mesmo a verificar-se um certo êxodo emigratório finais do século XIX princípios do século XX.
O Brasil, durante décadas, continuou a ser o destino de muitos loriguenses, onde se veio a formar uma grande colónia, hoje apesar de serem já poucos os naturais desta localidade que ali se encontra, é significativo os descendentes que continuam a reconhecer as origens dos seus antepassados.
Entretanto o espírito emigratório das pessoas de Loriga, continuava a verificar-se e sistematicamente continuavam a sair da sua terra, procurando outros países, nomeadamente a Argentina e também o antigo ultramar português.
Após a II Guerra Mundial e as sequelas que deixou, muitos dos países europeus tinham a inevitável necessidade de trabalhadores para o seu desenvolvimento.
Portugal confrontava-se com uma política, que não permitia a saída da sua população, no entanto, nas décadas 1950 e princípios da 60, o aproveitamento da clandestinidade foi o mote para que muitos saíssem do país nomeadamente para a França, ficando para a história o meio clandestino e aventureiro do "Salto" utilizado então com destino aquele país.
Foram alguns os loriguenses que empreenderam por este meio clandestino para irem para a França, nos primeiros anos da década de 1960. Mas pouco tempo depois e com os países europeus na onda do desenvolvimento industrial, a política portuguesa começou a ter uma outra postura. Foram efectuados alguns acordos que resultaram em fase disso, de uma maior abertura de fronteiras em Portugal, deixando mesmo de existir uma política de "porta fechada" mas que na altura, era apenas destinada a todos aqueles com o serviço militar cumprido.

Observa-se então um grande êxodo emigratório e assim grande parte da mão de obra de Loriga começa a sair para vários países europeus, tratando-se de trabalhadores qualificadas ou não.
Este novo cenário da emigração loriguense, quando ainda se tinha em pensamento para lá do oceano, agora toma a direcção da europa para além dos Pirineus, e se a França foi o destino prioritário, logo de seguida se seguiram os outros países, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Bélgica e Holanda.
A emigração portuguesa para Alemanha, teve início em 17 de Março de 1964, com a assinatura do "Acordo Relativo ao Recrutamento e Colocação de Portugueses na República Federal da Alemanha. Segundo se sabe o primeiro habitante de Loriga a sair para Alemanha foi Fernando António Mendes Alves, no dia 25 de Abril de 1965.
Apesar dos muitos regressos verificados, principalmente até pelos números dos últimos anos, em que muitos dos emigrantes atingiram a idade da reforma, não devemos esquecer que mesmo assim, ainda são muitos os naturais de Loriga espalhados pela europa, onde sobressai em grande escala a França, Alemanha, mas acima de tudo o Luxemburgo, onde a comunidade loriguenses continua a ter um número significativo em relação a muitas outras terras.
Já neste século XXI, a emigração dos loriguenses, continua ainda hoje a ser uma realidade, havendo sempre potenciais emigrantes, mas hoje em dia e praticamente resume-se com destino aos países europeus, nomeadamente para o Luxemburgo, Alemanha e também Suíça.
Falar na emigração é falar numa permanente história da vida, onde no entanto, com relativa facilidade se terá que identificar com populações menos favorecidos na sua expressão social e económica e neste aspecto Loriga e, a região onde está inserida, esteve sempre dentro destes parâmetros.

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Os primeiros emigrantes Loriguenses II

São registos antigos, que nos dão a conhecer, ter sido a partir das primeiras décadas do século XIX, que os primeiros loriguenses, na condição de emigrantes, começaram a sair do país com destino ao norte do Brasil.
Alguns escritos mais esclarecedores dão-nos conta, que a emigração loriguense começou a ter mais força, logo após o termo dos conflitos das lutas liberais. Nessa época Loriga, politicamente, estava dividida entre as fracções de D.Miguel e D.Pedro, por isso pensar-se que a saída também de alguns loriguenses da sua terra poderá estar relacionado aos meios políticos.
No entanto, tudo leva a crer que o principio da emigração loriguense, se deva na necessidade da procura de uma vida melhor ou mesmo o sustento para as suas famílias, ao mesmo tempo conseguir um meio económico, que a sua terra lhes não podia proporcionar.
Foi a partir da segunda década do século XIX, que surge então o maior êxodo da emigração loriguense, o destino era por norma a cidade de Belém no norte do Brasil, pensa-se por ser mais perto e a viagem mais barata. Aqui nesta cidade se fixou a maioria para não mais a abandonarem, enquanto outros se atreveram a subir em simples jamgadas o rio Amazonas para se fixarem na cidade de Manáus.
Nessa altura uma viagem para o norte do Brasil, poderia custar 60$000 reis fortes ou 120$000 reis fracos, mas muitas da vezes até muito menos 24$000 ou 28$000 reis, viagens estas feitas em veleiros com condições de conforto praticamente inexistentes.

Tendo em conta dos fracos recursos económicos, para custearem os custos das viagens, os emigrantes Loriguenses estavam sujeitos a condições de transporte onde a comodidade não existia e onde tudo de mau parecia existir, desde uma espécie de dormitório quase sempre super-lotado construindo com tábuas beliches desmontáveis e dispostos em fila, as precárias condições higiénicas e sanitárias que com frequência propagava doenças contagiosas e, o mal-estar (enjoo).
Com os balanços ininterruptos da embarcação e também o frio e, a escassa alimentação, originava por vezes a debilidade física e com ela alguma doença. Só mesmo uma grande motivação de esperança de terem uma nova vida, lhes era possível conseguirem ter a coragem e a força para enfrentarem toda uma viagem verdadeiramente em condições precárias e por vezes impróprias para pessoas.
Esta movimentação emigratória para o continente americano, passou a ser uma realidade e ao mesmo tempo uma preocupação para os governantes, tanto de Portugal como até dos outros países europeus, não só pelo movimento económico e por ventura um grande negócio para os proprietários dos veleiros, mas acima de tudo pelas condições precárias de transporte que estes veleiros faziam dos potenciais emigrantes, perante este estado de coisas, foram-se criando leis e em 1858 existia já em Portugal a lei §§ 1. e 2. do artigo 25, de 1 de Maio que dava conta de uma inspectoria alfândega para quando da chegada dos veleiros ao Brasil e respectiva verificação dessas condições
Depois de por vezes tormentosa viagem e em alguns casos de longos meses, era grande a ansiedade da chegada à terra prometida, no entanto, para muitos ao chegarem era também a decepção, só querendo ter dinheiro para regressarem logo de seguida à terra que os viu nascer apesar da longa viagem que tinham acabado de concluir.

Barco de Emigrantes para o Brasil

Os primeiros emigrantes sujeitaram-se a trabalhos duros, tendo o clima como grande inimigo. Muitas da vezes nus até à cintura, com uma tanga que lhes cobria o corpo até aos joelhos e a servir-lhes de sapatos uns pedaços de pau, o calor insuportável que os fazia usar um farrapo de serapilheira que lhes servia de chapéu e ao mesmo tempo de rodilha para carregarem volumes à cabeça.
Apesar de todo um cenário de vida difícil, uma força interior parecia não fazer vergar os loriguenses, pois estavam habituados a enfrentar muitos desafios que a Serra por vezes lhe oferecia, tendo também no pensamento a sua família lá longe e uma visão futura, aquela sua dedicação ao trabalho e a vontade de vencer, aos poucos foi progredindo e socialmente elevando-se na procura de uma vida melhor, tendo sempre no pensamento a ideia de poder ganhar essa difícil vida que tinham escolhido emigrando.
No principio do século XX as colónias Loriguenses em Belém e Manáus, eram sensivelmente iguais, vivendo já em qualquer uma delas cerca de 300 pessoas mas uma década mais tarde devido a grande baixa do preço da borracha do amazonas muitos começaram a abandonar a cidade de Manáus sediando-se a maioria na cidade de Belém.
Considerando ser essas paragens no norte do Brasil, as primeiras terras da emigração Loriguense, aqueles primeiros filhos de Loriga que ali chegaram estavam longe de imaginar que com a sua coragem, humildade e grande força de viver formaram uma grande colónia, que foi sempre de um grande bairrismo com muitos benefícios doados à sua terra.
Se objectivo de vencer e regressar a Loriga era a ideia predominante e conseguido por muitos, foram muitos também aqueles que não concretizaram o sonho de voltarem à sua querida terra que tanto adoravam, muitos mesmo nem sequer tinham imaginado que a terra que tinham escolhido para uma vida melhor e dos seus, viria a ser também a terra da sua sepultura.
A emigração Loriguenses tem sido uma constante de geração em geração. Hoje espalham-se pelos cinco continentes. Actualmente, apesar das notórias mudanças sociais e económicas em Portugal, os loriguenses continuam a emigrar, como que, em continuação da ideia emigratória dos primeiros emigrantes que deixaram Loriga, procurando outras terras para um a vida melhor.

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A emigração Loriguense na Europa III

Os primeiros loriguenses começaram a emigrar para os países europeus, ainda na clandestinidade, por altura do ano de 1961-62, tendo como destino mais concretamente a França, o que aliás era um fenómeno que vinha já acontecendo um pouco por toda a região.
.Nesses tempos de autênticas aventuras, o meio utilizado era o "Salto" nome popularmente dado ao meio clandestino, para assim conseguir a concretização do objectivo para chegar à França.
Anos mais tardes e quando deixou de existir uma politica de "porta fechada" passando a existir os meios legais para a saída com destino a outros países, observa-se em Loriga um dos maiores êxodo de emigração, assim grande parte da mão de obra desta localidade sai para os vários países europeus, tratando-se de trabalhadores qualificados ou não. Esta mão de obra destina-se principalmente para o sistema das grandes industrias, actividades sazonais, construção civil, agricultura ou mesmo turismo.
Este novo cenário da emigração loriguense, quando ainda se tinha em pensamento para lá do oceano, agora toma a direcção da europa para além dos Pirineus, tendo em conta que os países deste velho continente estavam em grande expansão económica, começando por ser a França o país de destino prioritário, não tardando que se seguissem outros por ordem decrescente, Luxemburgo, a República Federal Alemã, Bélgica, Holanda e Suíça.
Ao contrário dos emigrantes para lá do oceano que tinham na emigração uma perspectiva definitiva e de integração, os loriguenses que abandonavam a sua terra e o seu país para os países europeus, devido ao aspecto geográfico, nunca cortaram com as suas origens e têm mesmo na emigração uma perspectiva temporal limitada, quer concretize ou não o pensamento que tem sempre presente do regresso, por isso este factor de manutenção de relações regulares com a terra natal e um projecto permanente de regresso ficam de uma maneira geral, ligados na origem da sua não total integração no país de acolhimento.

Outro factor desta mesma não integração e talvez mais complexa e determinante, deveu-se ao facto também em parte de que não dependia só da vontade ou das decisões individuais, muitas das vezes dependia directamente da duração do contracto, da conjuntura económica do país de destino ou do facto de ter de levar a família (particularmente os filhos) ou manter a ideia de continuar a ter que deixar a sua família na sua terra e no seu país.
A partir de 1973 a emigração na europa tem uma profunda alteração, com a crise económica internacional que entretanto deflagra e que conduz à politica da "porta fechada" nos países do destino normalmente procurados pelo fluxo emigratório, a partir de então começa logo a descer consideravelmente o êxodo da saída dos loriguenses, vivendo ou não na sua terra.
A maior oferta de postos de trabalho, melhores remunerações, melhores condições de vida, melhor assistência social na doença e na velhice e melhores condições ao ensino e formação profissional dos seus filhos, era a motivação que levou os loriguenses, durante três décadas, a concentraram-se na ideia emigratória para a europa.
O emigrante loriguense na europa, onde quer que se encontre, não esquece a sua terra onde uma certa mística os atrai às suas origens, na perspectiva de um dia regressar. A aquisição de uma casa foi sempre um dos primeiros objectivos, que fez recordar o desenvolvimento habitacional de Loriga, quando da emigração brasileira.
Com a previsão da entrada do nosso país no Mercado Comum europeu nos primeiros anos da década de 1980, um fenómeno no âmbito da emigração se fez sentir, desta feita o regresso para muitos.

Emigrantes década - Ano 1970

Pelo facto do levantamento dos fundos dos descontos sociais em alguns países, antes da integração de Portugal na EU em Janeiro de 1986, como também, porque para muitas famílias emigradas na europa o ciclo se fechou e tinham entretanto realizado o seu projecto ou quer ainda também por terem sido aliciados pelos chamados "subsídios de regresso" ,concedidos em alguns países de acolhimento, muitos portugueses começaram a regressar à sua origem, os loriguenses não fugiram à regra.
Alguns regressos foram-se verificando só que desta feita não só eles, como também seus filhos entretanto nascidos nesses países de acolhimento e que por isso para estes foi uma outra integração a outro meio a outra terra.
No entanto, no regresso à sua terra um problema os esperava a todos, o momento económico em Loriga e na região, não era capaz de dar resposta a uma normal integração e por conseguinte, muitos dos regressados mais tarde se aperceberem da frustação do regresso e foi por isso notório um novo pensamento de emigrar.
Na última década do século XX, a realidade emigratória passou a ser bem diferente, com Portugal dentro do chamado comboio da europa, o estatuto de emigrante passou a não ser o mesmo, como foi nesses tempos da verdadeira emigração.
Com uma politica europeia sem existência de fronteiras e por isso de livre circulação de cidadãos dentro da Comunidade, apesar de existirem ainda restrições na procura de trabalho em cada um desses países, continuou em Loriga e na região a existir uma forte motivação para partirem, principalmente os filhos que não lhes parecia fácil a uma total integração sabendo que no estrangeiro poderiam ter melhor condições de vida.
No entanto, não deixa de ser curioso o facto de continuar a existir ainda hoje em Loriga pretendentes a emigrar, neste caso concreto apenas em números reduzidos, só que desta feita, esta onda de pensamento para emigrar, em parte, continua a existir pelo facto da crise e falta de trabalho que continua a ressentir-se nesta localidade até à pouco ainda bem industrializada.
Na história da emigração de Loriga, não restam dúvidas que tem que figurar para sempre estas duas fases emigratórias loriguense, a brasileira e europeia, num mesmo potencial económico e social, mas o mesmo não se poderá dizer na integração nos respectivos países de acolhimento, que enquanto além-mar a integração foi na generalidade, para a europeia apenas se deverá concretizar à segunda geração.


O primeiro Postal Ilustrado de Loriga

Um dos primeiros Postais Ilustrado de Loriga, que se tem conhecimento, data de 1926.

Este Postal aqui exposto, tem a data de 7 de Abril de 1926, e foi encontrado à muitos anos por um loriguense num Alfarrabista em Lisboa.

Parte da frente do Postal

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Parte do verso do Postal

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Este Postal, provavelmente escrito por um loriguense (assinatura ilegível) foi enviado para Lisboa (Dafundo).


Os Grandes Beneméritos de Loriga

São vários os Beneméritos de Loriga, que vamos encontrar na história da Vila de Loriga, que ao fazerem apreciáveis donativos ou legarem por testamento seus patrimónios, contribuíram para um melhor engrandecimento da terra que adoraram, por isso e com justiça merecerem o reconhecimento de todos os Loriguenses.

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Comunidade Loriguense em Manaus
1905 - 1907

A Colónia dos Loriguenses em Manaus, mesmo longe pela distância, não esquecia também as necessidades dos seus conterrâneos e, assim pensaram levar a bom termo a iniciativa da construção de Fontanários na sua terra, que foi de verdadeira importância, para Loriga e sua população.
Foi efectuada a angariação de fundos pela comunidade loriguenses a residir pelas terras do norte do Brasil, existindo uma longa Lista, onde estão inscritos os nomes da pessoas que contribuíram para este bem essencial para a sua terra e suas famílias.
São muitos os nomes que constam na principal Lista conhecida, no entanto, pensa-se poderem ter existido outras, por esse motivo não mencionamos aqui os nomes conhecidos, pois poderia haver o risco de ser esquecido alguém. Ficando para história o registo como beneméritos a "Comunidade Loriguense em Manaus"

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Augusto Luís Mendes
23.01.1851 - 26.11.1925

Este conhecido industrial, era possuidor de imensos terrenos, nomeadamente terras de cultivo, viria a ser um dos maiores benemérito para a Loriga. que tanto adorava.
Ofereceu à sua terra, os terrenos necessários para neles ser construído uma estrada de acesso à povoação. Via esta que liga a Estrada Nacional 231 à Vila propriamente dita e ainda hoje a principal entrada da Vila de Loriga.
Esta doação foi de importância vital para o progresso de Loriga, bem reconhecida pelos seus conterrâneos loriguenses que, como prova de gratidão desde logo perpetuaram o seu nome aquela via que passou a chamar-se Av. Augusto Luis Mendes.

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Augusto da Costa Madeira

Este Loriguense ofereceu a Imagem da Santa Maria Maior, orago da Freguesia de Loriga.

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População de Loriga em 1940

O "Cruzeiro da Independência 1940" foi um dos muitos construídos por todo o país, como monumento evocativo do "Oitavo Centenário da Fundação e Terceiro Centenário da Restauração da Pátria" . Surgiu de uma ideia do Rev. Padre Moreira das Neves para perpetuar, para as gerações vindoiras portuguesas, tão importantes acontecimentos.
Assim em Loriga foi, desde logo, acarinhada entusiasticamente essa ideia, não só pela população, como pelos organismos competentes locais, tantos religiosos como sociais, sendo logo constituída uma comissão para proceder à angariação de fundos.
A inauguração do monumento ocorreu no dia 8 de Dezembro de 1940, com grande brilho, quer nas funções litúrgicas, quer no entusiasmo da freguesia e daqueles que tinham lutado para a sua construção.
Percorreu pela população Listas para a angariação de fundos, com toda a gente a contribuir dentro das possibilidades de cada um. Existindo muitos nomes nas várias Listas existentes, no entanto, com o receio de poder haver mais Listas e por isso ficarem esquecidos muitas mais pessoas, não poder-se por esse motivo aqui registar-se todos os nomes que contribuíram para a construção do "Cruzeiro da Independência 1940" ficando para a história o registo como beneméritos a "População de Loriga em 1940"

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António Cardoso de Moura
20.01.1892 - 31.10.1967

Deixou em testamento para que fosse constituída uma Fundação à qual deixou muitos dos seus bens.
Foi fundada a Fundação Cardoso Moura, na finalidade de contribuir em prol de Loriga. Sendo o prédio em que viveu este ilustre loriguense, situado na Rua Coronel Reis (antiga Amoreira), aquele que mais tem sido utilizado em prol da comunidade desta localidade. Já ali esteve sediado, a Junta de Freguesia; a Banda de Loriga; os Bombeiros quando a sua fundação; a Biblioteca; os CTT , enquanto se procediam a obras no edifício dos correios, assim como, foi utilizado com as máquinas da Associação da 3ª.Idade, enquanto não tinham sede, também funcionou ali o Curso dos Tapetes de Arraiolos e os Cortes e actualmente funciona ali o Posto de Informação Turística.
Fazem parte desta Fundação, entre outros, vários terrenos em Loriga, assim como, vários imóveis em Lisboa

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Padre António Mendes Cabral Lages
23.08.1884 - 19.02.1969

Possuidor de muitos bens, ainda em vida resolveu doar tudo à igreja paroquial, entre eles muitos terrenos, um dos quais foi vendido por parcelas, para construção de habitações, onde veio a surgir um novo Bairro em Loriga, que passou a ter o seu nome.
Os imóveis que possuía e que legou, foram muito importante para a Acção Social e Religiosa em Loriga, sendo instalada nesta vila uma Ordem de Irmãzinhas, onde o Padre Lages, passaria a viver mais acompanhado e acarinhado o resto dos seus anos de vida e onde viria a falecer após doença, com a idade de 84 anos.

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Padre António Roque Abrantes Prata
15.10.1917 - 18.07.1993

Natural de Manteigas, adorava Loriga e sua gente, onde foi Pároco durante 22 anos (1944-1966). Transferido para a Casa de Santa Zita em Lisboa, nunca esqueceu Loriga, que ele chamava também a sua terra.
Deixou no seu testamento uma doação a Loriga, pedindo aos seus familiares para entregarem ao Centro de Assistência Paroquial de Loriga a quantia de 6.800 contos, vontade que foi cumprida.

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Maria Teresa Brito Pina
17.02.1921 - 28.03.2006

Legou em testamento a instituições Loriguenses, os valores monetários que possuía, quando da sua morte:
- 5.000,00€ - Casa de Repouso da Nossa Senhora da Guia
- 5.000,00€ - Associação Loriguense de Apoio à Terceira Idade
- 5.000,00€ - Irmandade do Santíssima Sacramento e das Almas
- 5.000,00€ - À Fábrica da Igreja

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José Nunes Moura
24.03.1923 - 03.11.2006

Foi um grande apoiante da Associação de Apoio da 3ª. Idade, da qual era associado e que não esqueceu, tendo deixado em testamento a quantia de 5.000 Euros a esta associação. Entre outras doações não esqueceu também a Banda, à qual doou um belíssimo e artístico móvel, que veio enriquecer uma das salas desta instituição musical.

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Nota:- São também vários os Beneméritos em prol da Nossa Senhora da Guia, nomeadamente terrenos, Capela, Altar, Coreto, Guiões, Bandeiras, Cruz de Prata, Caldeirinha etc., que vamos encontrando na história desta Virgem em Loriga, para os Loriguenses a Padroeira do Emigrantes e, os quais registamos neste mesmo Site na Página NSGuia.


Canção de Saudade


O Loriguense longe da Terra distante
Nunca esquece Loriga
P´ra ele a vida é uma luta constante
Mas não esquece Loriga
Partiu com fé, com sonho no porvir
Mas não esqueceu Loriga
Foi essa fé que certo dia
O fez partir
Que o fez vencer
E o levou a regressar.

Refrão

Percorre a Vila
Vai à Senhora da Guia
A Padroeira
Por quem temos devoção
Sobe o mirante
Onde tudo é magia
E levará Loriga no coração.

Vale sempre a pena, regressar à Terra querida
Que certo dia, nos viu nascer
Matar saudades,
com a bela gente amiga
Que em tempos idos
, nos viu crescer
E salutar
, admirar a ver seus montes
Beber a água
, que canta nas fontes
E na carreira
, abraçar a cada instante
Um velho Amigo
, um parente, um emigrante.

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Loriga (1995)

Vista de Loriga (1995)

Nota:- Esta letra é adaptada para ser cantada à música
da canção do Roberto Leal "QUE BELA VIDA"


Elevação oficial de Vila

Após alguns anos de longo percurso, foi aprovada na Assembleia da República em 30 de Junho de 1989, a lei da elevação de Loriga à categoria de Vila. Fez-se, assim, justiça a Loriga e aos Loriguenses que reclamavam há muito este acto, que se foi festejado com duas descargas de foguetes.

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Para os Loriguenses, Loriga foi sempre Vila

A elevação de Loriga à categoria de Vila, através da lei de 1989, foi a consagração oficial e legal deste acto. Para os Loriguenses, Loriga foi sempre considerada uma Vila, não só pelo seu elevado número de habitantes, mas pelas estruturas fabris, culturais, comerciais, sociais nelas existentes, como também por já ter sido, em tempos, Sede de Concelho, como o atesta uma da
nota com Ref. 880-Po. G733, da Câmara Municipal do Concelho de Seia, enviada à Junta de Freguesia de Loriga com data de 15 de Março de 1961 que a seguir se transcreve:

Assunto: Categoria de Vila de Loriga

Para os devidos efeitos, transcrevo a V.Exa. o texto do ofício Nr.918-Po. M-1/6, de 13 do mês em curso, que o Governo Civil deste Distrito dirigiu a esta Câmara Municipal, a cerca do assunto designado em epígrafe:

"Quanto à consulta que me foi formulada sobre a legitimidade da categoria de vila que a povoação de Loriga reivindica, informo V.Exa. de que, o meu parecer, se podem agrupar em três grupos os núcleos populacionais a que assiste o direito de usar aquele título e que posso a enumerar:
1. As sédes de concelho, conforme determina o Art.12., § 1., do Código Administrativo.
2. As localidades a que, por diploma especial posterior, tenha sido atribuída aquela categoria, tais como Ermezinde (Decreto-Lei Nr.28.142), Luso (Decreto-Lei Nr.28.142), etc.
3. Todas as outras povoações que haviam adquirido aquele título anteriormente, designadamente por decreto, carta régia ou outros diplomas legais que não podem considerar-se revogados pelo Código Administrativo em virtude de a categoria de vila não ter sido restringida, apenas, às actuais sedes de concelho".
-------------------------------
Em face do exposto e porque não existe qualquer lei que tenha tirado a categoria de Vila às povoações deste último grupo, entendo que deve ser respeitado o título de Vila de Loriga, antiga sede de um concelho extinto, reivindica com toda a legitimidade.

Pelo exposto, esta Câmara muito se congratula com a decisão que faz respeitar o título de Vila dado a Loriga.

A Bem da Nação
O Presidente de Câmara
Ass) Joaquim Fernandes F. Simões


Saudades de Loriga *

Do alto da serra se lobriga
A vila mais bela que já vi
Ah! Solo amado, é Loriga
A linda terra em que nasci;
E criança abandonei chorando
Para outros mundos onde senti,
O corpo apenas habitando,
E a minha alma toda em ti.

E pintam teus vastos horizontes
Onde planam águias e peneirinhas
A espreitar ravinas e montes,
Poiso de gados e avezinhas;
Num estardecer de tarde mansa
Coada em tela magistral,
Que só de olhá-la se alcança
O chão de paraíso terreal

Nesse presépio alcandorado
Em verdes socalcos esguido,
Por águas chilreantes beijado
E por altas montanhas cingido,
Em que o ar, a luz, em sinfonia,
Cantam o teu nobre esplendor,
Num hino que além da melodia
Tange os acordes do amor.

Amo-te Loriga, com fervor
Não por no teu seio só ter nascido
Ou em menino aí te vivido
Mas como quem ora o Senhor...
Pois tu és o único rincão,
De sedas e saudade tecido
Onde o meu pensamento vertido
Encontra a paz no coração

* Pinal


Av.Augusto Luis Mendes

Avenida Augusto Luís Mendes (1993)


Quadras dedicadas a Loriga

Oh, Loriga, Oh Loriga
Presépio monumental
Tu és a vila mais bela
Das terras de Portugal.

Pitorescas as montanhas
Com ribeiras que se unem
Onde belo e terrível
De mãos dados se confundem.

Dos píncaros da tua serra
Em constante sintonia
Deslizam águas cantando
Deslumbrando melodia.

Correndo pelas ribeiras
Entre caminhos e montes
Regam courelas e malhadas
Cruzando as tuas pontes.

Teus prados verdejantes
Com milho embandeirado
São cenário fascinante
Que merece ser pintado.

Loriga sempre foi linda
Mas com neve é um espanto
Quando vista do mirante
Toda coberta de branco.

P´la beleza que encerra
No Pisão do Barroel
Deu-lhes foral de vila
O El-Rei D. Manuel.

Da Tresposta do Fontão
Ela parece um altar
Com seu belo Santuário
Onde a gente vai rezar.

Mas esta vila serrana
Não tem somente magia
Tem também o doce encanto
De Nossa Senhora da Guia.


Referendos Nacionais - Resultados em Loriga

Votação em Loriga nos Referendos realizados a nível nacional

1. Referendo sobre o Aborto (Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez)

Junho/98

Eleitores

Votantes

Abstenção

Sim

Não

1.348

536

812 = 60%

170

347

2. Referendo sobre o Aborto (Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez)

Fevereiro/2007

Eleitores

Votantes

Abstenção

Sim

Não

1.255

562

693= 55%

259

289

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Referendo sobre a Regionalização do País

Novembro/98

Eleitores

Votantes

Abstençao

1a.Pergunta

2a.Pergunta

1339

815

524 = 39%

Sim=191 - Não=598

Sim=140 - Não=639


À Minha Terra *

Loriga minha saudosa terra
por tudo que para mim encerra
rodeada de montes e água
milho verde com folha larga
gosto de beber nas tuas fontes
estender o olhar pelos teus montes
Bons ares se respiram
por ti corações palpitam
com amor e saudade
pela tua beleza e lealdade
permaneces sempre em mim
com a tua magia sem fim
o teu perfume me inebria
mês de Agosto, N.S.da Guia
padroeira dos loriguenses,
emigrantes e ausentes
possuir-te sempre na recordação
sentir-te com afecto e emoção
em ti procuro saudade de menino
dentro de ti nasceu o meu destino
voltarei um dia para te abraçar
quando para ti eu regressar
toda a vida te admirarei
enquanto viver não te esquecerei
despeço-me com esta mensagem
com carinho dedico-te esta
homenagem.

Vista Parcial de Loriga

* Nuno Mendes Alves Pereira

Vista Parcial de Loriga


"Loriguês"

"Loriguês" termo linguístico que os Loriguenses criaram, que não sendo oficializado, define num falar e numa aplicação de palavras em número significativo, muito usuais principalmente em tempos passados, em que muitas delas são exclusivas e originais de Loriga. Mesmo assim, hoje em dia, ainda se define esta maneira muito própria de aplicar as palavras muito divulgada entre os loriguenses, uma riqueza cultural que os naturais de Loriga continuam a querer conservar e a manter bem viva esta maneira popular do Loriguês.

Vocabulário de Palavras *

-Abaléu - abalou
-Abelhudo - curioso/atrevido
-Abrólio - que fala muito
-Àcata - à procura
-Acarta - carrega
-Achadiço - esquisito

-Adezabelhar - a fugir
-Afonicar - estragar
-
Aforric
ou - estragou/chapéu de chuva
-Afunda - fisga

-Agaçar - atiçar
-Agancha - arame/conduzir um arco

-Aganchar - elevar/subir
-Agarimar - proteger
-Aiche - pequeno ferimento
-Airoso - simpático
-Alacrário - lacrau
-Aljabardado - mal feito
-Altarrão - muito alto (rapaz)
-Altarrona - muito alta (rapariga)
-Aluquete - cadeado
-Alvadiço - atiradiço

-Alveirada - deixou de chover
-Amerzundado - instalado/não fazer nada
-Amorcegado - ensonado
-Amolancadas - estragadas
-Amulagado - amolgado

-Anafiar - arranjar-se/vestir bem
-Ancho - vaidoso

-Andrilhas - carregar(pessoas)ombros
-Ao calhas - qualquer maneira
-Apilarado - bem trajado
-Apoquento - aflijo
-Aqueitar - abrigar

-Arangar - a dizer/resmungar
-Arreliado - zangado
-Arremedar - imitar
-Arremelgado - com sono

-Arrenegar - aborrecer
-Arriaga - mal vestido
-Assorriar - fazer troça

-Atão - então
-Atinor - à sorte
-Atizanar - enervar
-Atoleimado - tolo
-Atramoucado - bruto/doido
-Atroado - louco

-Aturo - aguento
-Augada - chuvada
-Augado - triste, insatisfeito
-Augua - água
-Aventar - deitar fora

-Aversas - ao contrário
-Avezada - habituada
-Badalhoco - muito sujo
-Bachicar - molhar com água

-Bácaro - porco
-Baceira - gorda
-Baieta - barbeiro
-Bailique - construção abarracada

-Balcão - escadaria de pedra
-Banquinha - mesinha de cabeceira
-Baraço - corda fina
-Barandão - malandro
-Barduça - nevoeiro cerrado

-Barrela - limpeza completa
-Basto - espesso
-Bátega - chuvada
-Bate-cú - cair de cu
-Barriga de alqueiro - barrigudo
-Barromão - vadio

-Barrunceira - barreira
-Bedelho - pequeno "um centavo"
-Beijinhas - vagens/feijão verde
-Beirito - um pouco (liquido)

-Beirolar - chuver pouco
-Berreiro - chorar muito
-Bico d´obra - coisa difícil

-Biscalhito - pedaço muito pequeno
-Biscalho - pedaço pequeno
-Bichos carpinteiros - não parar quieto

-Biscórdia - pessoa interceira
-Bocana - chorar muito alto
-Bolsa - pessoa baixa e gorda
-Bonrar - faltar à palavra
-Borda - local menos fundo num poço

-Borleca - porca
-Borna - morna
-Borrar - sujar

-Borralha - cinzas
-Borrega - ferimento com pus
-Bosta - excremento de vaca
-Bostela - crosta de ferida
-Bota - deita
-Botelha - abóbora

-Braveira - chorar muito (feroz)
-Breter - derramar
-Briol - frio
-Broca - mentira

-Broxa - prego pequeno
-Brutamontes - mal feito
-Bugia - fogão de ferro/aquecimento
-Bugiar - vai passear

-Burra - taleiga de dinheiro
-Burrega - bolha
-Busineira - vento forte
-Cacarécos - apetrechos/móveis/casa
-Cachipom - jarro flores
-Cadeias - corrente, de segurar panela da lareira
-Caganátias - excremento/coelhos/ratos
-Caganeira - diarreia
-Cagalhoeiro - não guarda segredos

-Cagueiro - cu grande
-Calcamunhas - palerma
-Caldo - couves
-Cança - asma/bronquite
-Chastar - deixa-estar
-Calhão - parte mais funda dum poço

-Calhandro - bisbilhoteiro/mal dizer
-Calhandrona - bisbilhoteira/má
-Calhau - pedra grande

-Chafardana - viatura/velha
-Calhoada - pedrada
-Calhorras/Feijocas - feijão grande
-Camangulão - vadio
/vagabundo
-Cambado - baldio
-Caminete - camioneta
-Cancha - dar um passo largo

-Canudo - bolas/termo de irritação
-Carvalhó - queda/cambalhota
-Casquilho - objectos plasticados
-Catancho - catrino
-Catrapiscar - espreitar
-Chaleira - cafeteira
-Chapinhar - bater na água

-Cheirete - mau cheiro
-Cheiriço - chouriço
-Cheiroso - namorisqueiro
-Chícharos - feijão frade
-Chicória - Bica (café)
-Chisneira - aragem
-Chiqueiro - lixo

-Chiqueirada - lixeira
-Chusma - muito/montão
-Chuviscar - beirolar
-Codito - pequeno pedaço de pão

-Coirão - ordinária
-Combaro - muro/courela
-Compinchas - más companheiras
-Corada - branquear ao sol/roupa
-Corrilório - sempre andar/atarefado
-Cramunha - fazer barulho
-Crolório - feitio
-Cruzeta - cabide móvel
-Cueiros - fraldas de pano
-Cum ou Co - com
-Curgimão - pessoa indesejável
-Cusapeiro - rabo/cu grande
-Cuspinho - saliva

-D'algum - de algum
-Debrucar - virar um objecto

-Degredo - problema/complicação
-Deido (a) - doido (a)
-Depéis - depois
-Derramado - chatiado
-Derrancado - zangado

-Desancar - palmadas no cu
-Desavergonhado - mau
-Desobrigar - confessar (Quaresma)
-Despertina - esperta (sem sono)
-Destrambulhado - sem juízo

-Desvão - sótão
-Dinqueiro - n
u
-Eitra - outra
-Eixo - jogo crianças
-Eléctrico - fezês nos regos água
-Embarricar - jogar p´ra sitios dificeis
-Emgadelha - sem chapéu
-Em nenhures - nenhum
-Encagaitado - bem vestido
-Enchixarrado - vaidoso
-Encrenca - que arranja problemas

-Enfadado - cansado
-Enlazeirado - cheio de frio

-Ensertado - aberto
-Esbaguchados - frutos rebentados
-Esbarroncar - queda dum muro

-Esbijar - esticar/tecido
-Esborralhar - desmanchar
/ruinas
-Esborrecar - sujar/roupa
-Esbreicelada - loiça partida/esmurrada
-Esbrinçar - partir loiça
-Escairado - inflamado (nariz)
-Escaleira - escadaria/balcão
-Escarafunchar - mexer
-Encaramelado - enregelado
-Escarrolada - bem lavada/roupa
-Escurrupichar - beber o resto
-Esgaziado - conduzir depressa
-Esguelha - de lado
-Esfeijoar - queda aparatosa
-Engalinhado - cheio de frio
-Esmoer - fazer a digestão

-Espertel - esperto (a)

-Esprugar - descascar/batatas
-Esqueixada - côdea da broa levantada

-Esterlicada - muito magra
-Estiado - parou de chover

-Estrotegar - torcer o pé
-Estrumeira - local/colocar estrume
-Esturricada - queimada/torrada
-Fariseu - mau
-Farregodilhas - traquino/mexido
-Farrumbam - arrogante
-Fedelho - traquino/ pequen
o
-Fedor - mau cheiro
-Fedúncio - reles

-Flexo - traque
-Fervedor - vasilha do leite
-Fervelo - impaciente
-Forcalhas - fintas
-Fuderices - bisbolhetices
-Funda - fisga
-Funfar - choramingar
-Furda - loija do porco
-Gadelha - cabelo grande/despenteado

-Galheta - rasteira
-Galho - ramo
-Garnacha - aguardente
-Girigota - dum lado para outro
-Girom - vai embora
-Gosma - interesseiro

-Grolda - falar muito
-Guieira - aragem fria

-Guimpar - gemer/sofrimento
-Hirejo - ateu
-Imonado - entufado
-Impar - gemer continuamente
-Inda - ainda
-Incóspia - ordinária

-Ingrimanço - pessoa desluzida
-Inemigo - inimigo
-Inté - até
-Jabardo - sujo, porco

-Já pinta - cor da cereja
-Jinela - janela
-Lambada - chapada
-Lambão - comilão
-Lambisgóia - pessoa espantada
-Lamuria - choramingueira
-Lapacheiro - sujidade (lama/liquídos)

-Laréu - conversar
-Laurear - vadiar
-Lavadeira - joelheira/lavar o chão
-Lanzeira - cotão/fazenda
-Lesma - escarro grande

-Lêvedar - fermentar
-Leva Mécha - vai depressa
-Ligo - falo
-Lixado - encravado
-Loijão - cave debaixo do sobrado

-Lombeirão - Preguiçoso
-Lôrpa - comilão
-Malina - mau cheiro

-Malcriado - mal educado
-Maldrácia - maldade
-Maleitas - males
-Malhão - queda
-Malões - malas grandes
-Maltez - rebelde
-Mardocarmo - Maria do Carmo
-Mariar - tingir
-Marreco - pato
-Márronia - mau feitio
-Martóla - cabeçudo
-Mê - meu
-Mecha - dinheiro
-Medrar - crescer

-Melena - cabeleira grande
-Mestrunço - mal feito

-Meixo - mocho
-Meixão - papula na pele
-Meixões - fridas
-Méxa - dinheiro
-Miga - petisco
-Migalho(a) - pequena porção
-Miscaros - cogumelos
-Missagras - dobradiças
-Miúfa - medo
-Mixordeiro - provocador

-Mocotó - mal arranjada
-Mocho - triste/calado
-Moinante - vadio

-Monco - ranho
-Mosca - jogo
-Mouca - surda

-Murça - cabelo grande
-Nalgadas - palmadas/nalgas
-Odepois - e depois
-Óculos - objectos de lata (jogar)
-Onte - ontem
-Pagem - amigo(a) companheiro(a)
-Pacóvio - sem maldade
-Paleio - conversa

-Palitos - fósforos
-Pão Miado - pão de centeio
-Papalvo - parvo
-Passéu - passou
-Pau de bico - jogo de pau
-Páz D´Alma - desenteressado
-Pedra (escola) - lousa
-Peisé - pois é
-Penca - nariz grande
-Pelanquim - varanda

-Pelar - queimar/com água
-Perdigoto - Salpicos de saliva
-Perrice - chorar muito/irritado
-Pertelinho - muito perto
-Pessinar - benzer
-Peteirar - guerrilhar/brigar
-Pia abaixo - por aí abaixo
-Pia acima - por aí acima

-Picareto - gelo/bico aguçado
-Pirísca - velocidade/rapidez
-Pirralho - pequeno

-Pirrolito - bebida (gasosa)
-Pisco - comer pouco
-Pitróleo - petróleo
-Poaceira - poeira
-Postigo - janela pequenina
-Proente - vaidoso
-Prozápia - vaidade
-Pujeca - vagina

-Pugês - miúdo/pequeno
-Rabadela - vento forte

-Quêdo(a) -
parad
o(a)
-Queicho - coxo
-Queirela - courela
-Queisa - coisa
-Queizito - pedacito, bocadito
-Queixito - bocadito, pedacito
-Quezilha - hábito/maneira/modo
-Quilhado - prejudicado
-Quinhão - porção/parte
-Quinté - que até
-Rabecada - raspanete
-Rabicho - rabo
-Raro - espaçado
-Rapa barbas - vento gelado
-Rebisco - jogo de esconder
-Relêgo - calma, cuidado

-Rendizio - arco de peneu e ferro
-Respigo - pedaço de cacho de uvas
-Rilhar - trincar carne dura
-Ripote - gato preto

-Rodilho - pano (Cozinha)
-Rodilha - argoa pano (Cabeça)
-Roçar - esfregar o chão
-Saibete - sabor ligeiro
-Salsear - sujar

-Sassericar - não estar quieto
-Sedente - herpes
-Selamurdo - calado

-Senhã - senhora
-Sertã - frigideira
-Solapada - admirada/surpreendida
-Soltura - diarreia
-Sostro - corpo dorido
-Sumisso - desaparecimento
-Taleiga - saca de pano
-Talisca - buraco na parede

-Tareca - esperta/faladora
-Tarrela - limpeza mais apurada
-Tarrisada - risada

-Teituçada - tropeçada
-Tepetada - bater no pedra (descalço)
-Testo - tampa/panela
-Tezicar - arreliar
-Tísica - magra/doente
-Tóino - António
-Torquês - alicate
-Trambolho - mal feito
-Trambêlo - juízo

-Trambuzineira - vento forte
-Tramenho - solução/geito
-Trampa - excremento

-Trapaceiro - alterar/conversa
-Trelecas - conchas, conquilhas
-Treletar - falar muito
-Trelincar - som das campainhas

-Tremplas -panela lareira(três pernas)
-Trêpelos - grelos

-Trigamilho - pão de trigo
-Trilhar - comer
-Trinque - chaves da porta
-Troca Tintas - trapalhão

-Troncamaronca - à toa
-Trôpesso - andar com dificuldade
-Umbela - chapéu (chuva/sol)
-Xé-xé - maluco
-Xi Coração - abraço forte

-Velar - adorar
-Veneta - fúria

-Ventaneira - vento forte
-Véu - vou

* 404

I - Linguajar em "Loriguês"

-Ele é um barriga de alqueiro - Ele é uma pessoa barriguda
-Olha vai bugiar - Olha vai passear
-Está com o nariz escairado - Está com o nariz inflamado
-Anda aqui aqueitar-te - Anda aqui abrigar-te
-Ouve lá uma queisa - Ouve lá uma coisa
-Noutro dia ias pia cima - No outro dia ias para cima
-Ficastes quêda ali a falar - Ficastes parada ali a falar
-Dei cá um malhão - Dei cá uma queda
-Outra queisa - Outra coisa
-Ele inté já lá entra - Ele até já lá entra
-Está uma ventania quinté mete medo - Está uma ventania que até mete medo
-Esta cheiriça é muito boa - Esta chouriça é muito boa
-Está todo apilarado - Está todo bem trajado
-O teu filho está a medrar - O teu filho está a crescer
-Ainda agora por aqui passéu - Ainda agora por aqui passou
-Vai à desobriga - Vai confessar-te (Quaresma)
-Cheira ao rêspo de gato - Cheira a excremento de gato
-Está muito ancha - Está muito vaidosa/satisfeita
-O meu homem já abaléu - O meu homem já abalou
-É uma tareca da praça - É uma faladora da praça
-Vai com uma mexa - Vai com muita pressa
-Foi uma tarrisada - Foi uma risada
-Vou pia abaixo - Vou para baixo
-A vaca esfeijoou-se do combaro - A vaca caiu do combro
-Que boga - Que interessa
-Olha vai bugiar - Olha vai passear
-Deu cá um bate-cu - Caiu de cu no chão
-Dei cá uma topetada - Bati com os dedos do pé
-Bota fora - Deita fora
-Não te ligo-Não te falo
-Ficou ao laréu - Ficou à conversa
-Andas-me sempre atizanar - Andas-me sempre a enervar
-Ele anda por aí a catrapiscar - Ele anda por aí a espreitar
-Vendes lá vós - Vejam lá vós
-É uma deida - É uma doida
-É todo airoso - É todo simpático
-Não tens tramenho nenhum - Não tens jeito nenhum
-Tens cá um crolório - Tens cá um feitio
-O que está arangar - O que está a dizer
-Ade ser um espertel - Há-de ser muita esperta
-Vai acartar as batatas - Vai carregar as batatas
-Estás uma mocotó - Estás uma mal arranjada
-É um degredo para ele comer - É um problema para ele comer
-Oh seu camangulão - Oh seu vadio
-O menino tem soltura - O menino tem diarreia
-Faço cada forcalha - Faço cada finta
-Toma lá o teu quinhão - Toma lá a tua parte
-Olha que está a pelar-me - Olha que está a queimar-me
- Já lá vem o Inemigo!!! - Expressão usada quando a névoa começava a baixar da serra em direcção ao vale

II - Outros Termos no Linguajar em "Loriguês"

-Parece o Doutor da mula ruça
-Tem bichos carpinteiros
-Tens cá uma murça
-Parece que não quebra um prato
-Para onde vais?... Vou para o Gundufo
-Anda com os calores da Tia Tabaca
-Amasse que é Pão Miado
-É mesmo uma incóspia

-Está cá com um berreiro
-Ele é derrancado
-Olha!.. Foi ao Baieta
-É uma cozinheira do azedo
-Espera, que não queres ir p´ra cavada
-Está mesmo um arriaga
-Vai todo enchixarrado
-Estão sempre assorriar
-Tem cá uma gadelha
-Ele está augado

-É um pirralho
-Já lá vem o Inemigo!!!
-Tem só conversa fiada
-É cá um fariseu
-Vai cá com uma mexa

-Ena!.. Que perrice
-Olha vem deido
-Tens a roupa bem escarrolada
-Tem mesmo maldrácia
-De lotes para pi lotes
-Anda por tinor
-Fala pelos cotovêlos
-Mê Filho... a quem pertences
-É mesmo um pisco
-É mesmo uma camangulona
-Vem a neve ao cu do lobo
-És um fraca Xichas
-És mesmo um espalha brasas
-Ali vai o arrebenta calçadas
-Ouve lá oh coisa
-Oh coirão negro

****

Expressões populares Loriguenses

"Lorigada"
Encontro de convívio e amizade entre loriguenses,
num almoço tradicional e unicamente com

gastronomia de Loriga

"Lorigaitas"
Expressão popular que se aplica, concretamente
fora de Loriga, quando num encontro ocasional,
loriguenses, recordam a sua terra
.


História em Loriguês *

Diálogo imaginário, mas que podia ser bem real, ainda, há 30 ou 40 anos, numa das ruas de Loriga.

" - Ó senhã Marizé, já lá vai pia baixo?
- Péis lá véu cum Deus, mas cheia de maleitas. Sabe, estou aqui num sostro! O mê Tóino diz que é falta de óleo nas missagras.
- Ah! Acredito, acredito. Co este tempo assim! Anda lá uma barduça na serra. Já lá vem o Inemigo!!! Atão, até parece que os ossos ficam amolancados. É uma triste vida! E depéis corre esta guieira, ficamos com o corpo encaramelado.
- É verdade Dos Anjos. Olha, inda onte fui apanhar um queixito de caldo p'ra fazer uma sopita e não queiras saber, veio uma trambuzineira qu'inté m'aforricou o chapéu. Isto é que vai uma invernia! Deixa-me lá ir que já começou a beirolar, senão inda tenho que me aqueitar debaixo d'algum pelanquim.
- Vá cum Deus! "

* Recolha de Joaquim Pinto Gonçalves, publicada no seu Blog http://www.trovanossa.blogspot.com/


Nomes de Famílias

Registo dos apelidos existentes em Loriga. Apesar de alguns destes apelidos serem muito vulgares entre os Loriguenses, isso não quer dizer que pertençam à mesma família.

-Abreu
-Alves
-Amaral
-Amaro
-Ambrósio
-Antunes
-Aparício
-Ascensão

-Bastos
-Brito
-Cabral
-Calado
-Cardoso
-Carreira
-Casegas
-Claro
-Coelho
-Conde
-Constância

-Correia
-Costa
-Crisóstomo
-Cruz
-Dias
-Cruz

-Farias
-Félix
-Fernandes

-Ferrão
-Ferreira
-Ferrito
-Figueiredo
-Florêncio
-Fonseca
-Freire

-Galvão
-Garcia
-Gonçalves

-Gouveia
-Guimarães
-Jesus

-Jorge
-Lages
-Leal

-Leitão
-Lemos

-Lopes
-Lourenço
-Lucas
-Luis

-Macedo
-Madeira
-Marques
-Marta

-Martins
-Melo
-Mendes

-Moenda
-Moita
-Monteiro

-Mota
-Moura
-Mourita
-Neves
-Nogueira
-Nunes
-Oliveira
-Ortigueira

-Paixão
-Palas
-Paulo
-Penas
-Pereira
-Pina

-Pinheiro

-Pinto
-Pires
-Plácido
-Portela
-Prata
-Ramos

-Ramalho
-Reis
-Ribeiro
-Romano
-Santos

-Saraiva
-Silva
-Silvestre
-Simão

-Simões
-Varão
-Veloso

-Vicente


Adivinhas populares muito usuais em Loriga

Aqui se registam algumas das muitas adivinhas populares, desde sempre muito usuais em Loriga.

"À meia-noite se levanta o francês.
Sabe das horas, não sabe do mês.
Tem uma serra, não é carpinteiro;
Tem um picão, não é pedreiro;
Usa esporas, não é cavaleiro;
Escava no chão e não acha dinheiro."


Resposta:- Galo.

"Qual a coisa qual ela
Que, mal cai no chão,
Fica amarela.

Resposta:- Ovo

"Verde foi o meu nascimento,
Mas de luto me vesti;
E, para dar luz ao mundo,
Mil tormentos padeci."


Resposta:- Azeitona.

"Andava um rebanho de pombas
E passou um gavião E disse:
-Deus as salve cem pombas.
E elas responderam:
-Cem pombas não somos nós.
Nós, outras tantas como nós,
E a quarta parte de nós
E contigo gavião
Cem pombas são."


Resposta:- 44 Pomba


Ditados populares ou provérbios

A sabedoria popular está representada no que chamamos ditados populares ou provérbios. Aqui se documentam alguns desses ditados e provérbios, que sendo comum em outras regiões do país, foram e são também muito usuais em Loriga.

-Casa roubada, trancas à porta.
-Amigos, amigos, negócios à parte.
-Uma maca podre apodrece um cento.
-Em casa de ferreiro, espeto de pau.
-Migalhas também são pão.
-Grão a grão enche a galinha o papo.
-Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.
-Gato escaldado de água fria tem medo.
-Vale mais um pássaro na mão que dois a voar.
-P'ra baixo todos santos ajudam.
-Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje.
-Quem dá aos pobres emprestam a Deus.
-Mocidade ociosa traz velhice vergonhosa.
-Se tem três, não o vendas nem o dês.
-Se vires trovejar, põe-te a rezar.
-Junta-te aos bons serás como eles, junta-te aos maus e serás pior que eles.
-De noite todos os gatos são pardos.
-Vão-se os anéis e fiquem-se os dedos.
-Quando a esmola é grande até o pobre se admira.
-Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
-Não há mas sem senão.
-A cavalo dado não se olham os dentes.
-Mais vale tarde que nunca.
-Há males que vêm por bem.
-Nem tudo o que luz é ouro.
-De pequenino é que torce o pepino.
-Homem prevenido vale por dois.
-Quem te avisa teu amigo é
-Quem com ferros mata, com ferros morre
-O saber não ocupa lugar.

-Quem vai guerra dá e leva.
-Quem estraga velho paga novo.
-A água tudo lava menos as más línguas.
-Diz-me com quem andas e eu dir-te-ei quem és.
-Ninguém é profeta na sua terra.
-Candeia que vai frente alumia duas vezes.
-Guarda que comer, não guardes que fazer
-Patrão fora dia santo na loja.
-Gaivotas em terra, tempestade no mar.
-A verdade é como o azeite: vem sempre "ao de cima".
-Não contar com o ovo no cu da galinha.
-Chuva de verão não chega ao chão.
-Cão que ladra não morde.
-Vozes de burro não chegam ao céu.
-Não te rias do teu vizinho que o teu mal vem a caminho.
-Não há pior cego que aquele que não quer ver.
-Em terra de cegos quem tem um olho é rei.
-Quem tem unhas é que toca guitarra.
-As conversas são como as cerejas.
-Deus escreve por linhas tortas.
-Ano de missão, ano de perdição.
-Quem cala consente.
-Orelha de gato, pé de cão e cu de gente nunca foi quente.
-Quem tem cu tem medo.
-Burro que geme carga que não teme.
-Quando as comadres se zangam descobrem-se as verdades.
-Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.
-Quem não guarda água nem lenha não guarda nada que tenha.
-Até no mais fino pano cai a nódoa.
-Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita


Respostas feitas

Na linguagem do povo existem variadas expressões populares que de certa maneira transmitem a idéia de respostas feitas de imediato, que usando-se em Loriga também tem expressão por todas outras regiões.

- Que horas são?.. - Faltam dez reis para meio tostão.
- Tenho frio. - Embrulha-te no capote do teu tio.
- Tenho medo - Compra um cão negro.
- Queres estas todas?.. - E mais que fossem.
- Acertar agulhas - Fazer um acordo
- Tempestade num copo de água - Tornar pequeno acontecimento em grande
- Não são contas do teu rosário - Isto não te diz respeito
- As duas por três. . . - De repente
- Não passa da cepa torta - Não evolui nada
- De cavalo para burro - De bom para mau
- Enquanto o Diabo esfrega um olho - Muito depressa
- Vai numa pé e vem noutro - Ir e vir depressa
- Tira-lhe o couro e cabelo - Tira-lhe tudo
- Por os pontos nos "is" - Por tudo certo
- Por tudo em pratos limpos - Por tudo esclarecido
- Na ponta da língua - Responder de imediato
- Chapa ganha, chapa gasta - Gastador, não tem regra no gastar
- Faz trinta por uma linha - Muito mexido irrequieto
- Não chega p'rá cova de um dente - É muito pouco


O apelido "PINA"

De todos os apelidos que existem em Loriga, não restam dúvidas que o apelido "Pina" é o mais comum, pesquisas levadas a efeito conseguiu-se descobrir as raízes toponímicas desse apelido que aqui registamos.

História do apelido Pina

Nome de raízes toponímicas, parece derivar da vila de Piña, em Aragão (Espanha).

Em 1288, Fernão Fernandes de Pina, veio para Portugal na comitiva de D. Isabel, noiva de D. Dinis e depois Rainha Santa Isabel. Fixou-se em Portugal, bem como seus filhos, que com ele vieram, e através dos quais se transmitiu este nome, já aportuguesado em Pina, deles descendendo vários ramos da mesma família.

Usavam Emblema de Armas

Os Pinas do Norte, radicados especialmente na Guarda usam: de vermelho, uma banda de ouro carregada de um leão de azul e acompanhada de dois pinheiros verdes, arrancados de prata e frutados de ouro. Timbre: uma cabeça de leão de ouro, saindo-lhe da boca um ramo de pinheiro do escudo.
Os Pinas do Sul, fixados particularmente em Montemor-o-Novo, usam: de vermelho, uma torre de prata, aberta, iluminada e lavrada de azul, assente sobre um monte de sua cor. Timbre: a torre do escudo.

História do apelido Pina em Loriga

Em assentos paroquiais de Loriga desde 1560, não existia ninguém ou mesmo havia alguma referência ao apelido Pina, que só passou a ser referência a partir de 1713.

*

"Pina", é na verdade dos apelidos mais vulgares em Loriga, sendo mais que certo que este apelido teve origem numa senhora chamada Margarida Pinna, natural da localidade de Vinhó concelho de Gouveia, que casou em segundas núpcias em Loriga, com um senhor chamado Manuel da Cruz.

*

Carlos Aragão de Pinna - nasceu em Vinhó concelho de Gouveia cerca do ano 1650, casou com Maria do Anjos e tiverem duas filhas
Primeira: - Catarina Pina, que foi baptizada a 5.8.1688 - (Cx 177-fol.98/v-rolo 716)
Segunda:- Margarida Pina, que nasceu cerca do ano de 1680 e casou com António Pedroso em 8.11.1699 (IANTT cX 177 - fol 11/V - rolo 716). Deste casamento, teve duas filhas Maria de Pina e Isabel de Pina.

Margarida Pina. - Enviuvou e casou em segundas núpcias em 25.5.1713, com Manuel da Cruz, de Loriga, filho de Constantino da Cruz e de Isabel Gomes, ambos também de Loriga (IANTT - cx 452. FOL 217 - rolo 868). Deste seu segundo casamento não teve filhos, falecendo em Outubro de 1745 (IANTT - Rolo 868)
Quando da vinda para Loriga, nos primeiros anos da segunda década do século XVIII, Margarida Pina trouxe com ela, as suas duas filhas, onde mais tarde vieram a casar.

A partir de então deu-se inicio a dois ramos de apelidos PINA, que se foi desenvolvendo em outros muitos mais ramos da árvore familiar, tal como chegou aos nossos dias, na certeza de que todos os apelidos "Pina" em Loriga terem em comum Margarida Pina, como a avoenga.

Árvore genética do apelido "PINA" em Loriga

Margarida Pina

Maria Pina

Isabel de Pina

- Casou em Loriga por duas vezes. A primeira vez em
08/01/1719, com Manoel Francisco, filho de João
Francisco de Corgas e de Maria Jorge, ambos de Loriga
(IANTT- FOL 233 e 234, Rolo 868.
(Não se sabe se houve filhos)
A segunda vez com António da Fonseca,
Filho de António da Fonseca e Isabel Gouveia. Deste
casamento resultou 9 filhos.

- Baptizada em 1.3.1702, sendo seus padrinhos Manuel do
Carmo e Maria Amaro Luis (IANTT - CX.452 - FOL 1, Rolo 867).
Casou em Loriga a 10.5.1725, com João Gouveia, filho de
Gouveia e Catarina Jorge, tendo falecido também em Loriga
com todos os sacramentos em 20.1.1760.
Deste casamento resultou um filho chamado Manuel de Pina.
Seguiram-se os descendentes entre outros, Manuel de Pina
- António de Brito Pina - António de Pina Pires - Maria Tersa de
Pina - Albano de Pina Melo - António de Pina Melo - António
Herculano Melo.

A partir daqui começa então a desenvolver-se as gerações que vieram até aos nossos dias e, que desta forma tem três séculos de existência o apelido "PINA" em Loriga. Desta geração actual está incluído o autor desta Homepage, que tudo leva a crer pertencer à linha de descedência de Maria Pina.


Poema dedicado a Loriga *

Telhados Velhinhos
A roupa a secar
A neve caindo
Crianças sorrindo
E a gente a cantar
Hó terra tão linda
Que há que não diga
Saloias da serra
E cristãs da terra
É assim Loriga
Disse uma graça na ponte
Corre veloz até à fonte
E chega logo à "Carreira"
Lá vai ele como louca
Andando de boca em boca
Percorrendo a terra inteira
Dizem que a aldeia é grande ve l
á
Mas se é grande não parece
Na rua é um formigueiro
Desde a ponte à "Carreira"
Toda a gente se conhece

* Eugénio Luís Pina dos Santos. -Emigrante loriguense na Alemanha, que apesar de estar longe não esquecia sua terra. Poema dedicado a Loriga, publicado no Jornal "A Neve" (Março 2003) a pedido do mesmo, pouco tempo antes do seu falecimento.


Origem dos nomes
Documenta-se aqui a origem dos nomes próprios usuais em Loriga, uns mais vulgares que outros.

- António (a) -

- Ana -

Este nome poderá ter a sua origem no latim "antonius" (inestimável) ou no grego "antheos" (flor). António reflecte uma personalidade frágil e de grande dependência afectiva para quem constituir família é a principal meta. Dono de uma grande imaginação e sensibilidade, o mundo em que vive é só seu. Os detentores do nome António procuram o equilíbrio, reagem de acordo com os seus sentimentos e têm necessidade de agradar e de estabelecer laços de paz com quem os cerca. Gostam do belo e procuram o prazer. A sua faceta extrovertida encontra eco na forma como comunica. Os planos metafísicos exercem sobre ele uma grande atracção.

Do hebraico "hanna", que significa graciosa. Consciente das responsabilidades, pode à primeira vista parecer um pouco fria. Porém, o seu coração pode ser quente, mas de uma forma selectiva. Prefere a solidão aos laços medíocres, a verdade às noções enganadoras. Ana é uma pessoa com um espírito analítico e moralizador, mas quando encontra um companheiro à sua altura defende o seu direito à felicidade com tenacidade. Trata-se de uma pessoa capaz, procura as coisas que duram e que tendem a melhorar com o tempo, a paz interior, a sabedoria e a serenidade.

- Adelino/a -

- Alberto -

Tem origem no germânico "adal" (nobre) e "lind" (doce ou nobre serpente). No feminino, podemos estar perante umas pessoas cujas características se assemelham às do nome Adelaide, com a desvantagem de ser preguiçosa. A sua principal preocupação é a de encontrar alguém a quem entregar o seu coração. Já os Adelinos são pessoas preocupadas em atingir a estabilidade, que física quer psíquica, sendo esta característica a pedra basilar da sua existência. É um excelente lutador e as adversidades da vida apenas servem para lhe aguçar a força de vontade.

Deriva de dois termos germânicos, "adal" e "berth", que significa nobre célebre e/ou conselheiro dos espíritos. Estamos perante um pensador solitário que abomina os aspectos frívolos da vida. Trata-se de uma pessoa racional com uma grande capacidade de trabalho e que acredita apenas naquilo que vê. Porém, na intimidade pode ser uma pessoa sentimental e na amizade é fiel.

- Alfredo -

- Alice -

Nome de origem germânica. Alfredo é um individualista convicto dono de um carácter sensível e introvertido. Quando se apaixona, põe de parte a sua individualidade e pode chegar a fazer muitas concessões, sem que no entanto assuma qualquer compromisso. Abomina os contratempos que o podem travar.

Nome que deriva do germânico "adal" (nobre) e "haid" (estirpe). É geralmente inteligente e dona de uma imaginação fértil, muito embora a susceptibilidade a possa desequilibrar com facilidade. Pragamática e sensata no quotidiano, jamais desdenha os prazeres que a vida lhe possa proporcionar.

- Álvaro -

- Artur -

Do germânico Adalvar que significa nobre guerreiro. Este nome caracteriza uma pessoa com os pés assentes na terra e com um grande espírito de sacrifício. Todavia exige dos outros em proporção aquilo que lhes dá. Gosta comunicar, de dar conselhos e empenha-se de facto em compreender as outras pessoas. Senhor de uma inteligência aguda é também bastante susceptível relativamente às suas aspirações. À parte disso tem um bom sentido de humor.

Do celta Art (urso) e Ur (grande). A imaginação ocupa um lugar de destaque para o Artur que muitas vezes confunde os sonhos com a realidade. Tem uma personalidade complexa e uma grande vivacidade de espírito. Vive o presente em busca do futuro, mas o passado pode muitas vezes reservar-lhe surpresas desagradáveis das quais tenta desenvencilhar-se. Encontra a realização e a paz de espírito na arte.

- Carla/os -

- Augusto/a -

Este nome tem origem no germânico "Karl"
- Carla - É uma mulher misteriosa e segura de si, que coloca a verdade acima de tudo. O mote "mais vale só que mal acompanhada" é neste caso uma realidade, dado que se trata de uma pessoa que prefere estar sozinha a ter por companhia alguém medíocre.
- Carlos - No latim significa "Homem" - Carolus, são homens viril e primam pela emotividade e tudo fazem para que gostem deles e os admirem, o que não é difícil dado o seu encanto e convicção.Trata-se de uma pessoa pragmática e optimista, dotado de uma grande dose de criatividade. Apaixonado pela justiça, é geralmente um bom juiz.

Nome que tem origem no termo latino "augustos", ou seja, aquele que é majestoso, consagrado ou digno de veneração. Augusto é rigoroso e combativo, por vezes, belicoso. É um estratega e um gestor de alto gabarito, que assume as suas responsabilidades com prazer. Contorna e ultrapassa os obstáculos que o limitam. Tem um coração generoso.
Já Augusta é idealista, generosa e dedica-se com intensidade aos projectos ou pessoas que escolhe. Poder ter algumas crises de identidade e angústias, devido a contrariedades na sua contribuição para um mundo melhor.

- Beatriz -

- Bruno -

Deriva do latim "beare", ou seja, aquela que traz felicidade. Inimiga da ociosidade, está muitas vezes insatisfeita com este mundo. Sofre e revolta-se com as injustiça e a miséria, pelo que só tem duas alternativas. A primeira consiste em encontrar o seu príncipe encantado, e espera na sua torre de marfim. A segunda alternativa é dedicar-se a uma causa que defenda dignidade humana. Seja como for, Beatriz vive em função do amor, a única coisa que traz felicidade.

Este nome pode vir do latim "brunus" ou do germânico "brun", que em ambos os casos significa moreno. Prima pela incoerência e tenta conciliar os seus ideais com a realidade que o rodeia, o que nem sempre é fácil. Todavia é um dos poucos que consegue resolver este paradoxo. Dono de um pensamento analítico e profundo, não cede às soluções fáceis, factor que o resguarda dos azares da vida. Convicto e perseverante, não se deixa abalar pelo infortúnio, podendo muitas vezes atingir o sucesso.

- Eduardo/a -

- Fernanda/o -

Deriva do latim Edwardus e do inglês Ead (rico) e weard (guardião) convergindo no nome Eadweard. Significa guarda das riquezas e indica uma pessoa com muito talento e dinamismo. É uma pessoa que se realiza em trabalhos que a estimulem a pensar e a investigar.

Provém do germânico e significa "audaz/atrevido". Indica uma pessoa batalhadora, que leva até ao fim tudo aquilo que começa. Outras características são as ideias inspiradoras e o amor à liberdade.

- Fátima -

- Gabriel /a -

Fátima - Provém do árabe e significa "a mulher perfeita". São meninas comunicativas, que têm muita facilidade em estabelecer contactos. Adora mudanças, sobretudo as que lhe permitem conhecer novas pessoas.

Nome de origem hebraica. É uma pessoa que impõe respeito às outras, sendo o significado deste nome de anjo "homem de Deus" ou "o meu protector é Deus" . É um bom conselheiro e um excelente pai de família.

- Cristina -

- Catarina -

É considerado o feminino de Cristus e deriva do latim tardio Christina. É, então, um nome de inspiração religiosa. Deriva do nome latino "Christina". A procura do verdadeiro amor, orientada pela lealdade e dignidade, rege a sua existência. Ainda que numa primeira análise possa parecer uma pessoa algo mundana, é no entanto dotada para a diplomacia e dona de uma grande curiosidade. Desta última característica resulta uma mulher que não se furta às aventuras mais ousadas. Uma mulher carinhosa que todavia vai ao encontro dos mais básicos padrões de vida actuais.

Deriva do latim medieval Catharina e do grego Katharós, uma derivação do nome da deusa Ekáte e significa "puro". Trata-se de um nome ao qual se atribui um espírito inseguro e sonhador. Vive de acordo com as emoções do momento, o que lhe confere a particularidade de tão depressa estar contente, como assustada. Joga a seu favor uma grande dose de intuição e de persistência, bem como uma excelente capacidade de persuasão e feminilidade.

- Carolina -

- Nuno -

Estamos perante mais uma derivação do nome "Carlos". As baptizadas com este nome evidenciam uma grande tendência para se integrarem bem na sociedade e de aí alcançarem o reconhecimento. Senhora de uma personalidade excêntrica e de um temperamento original, acha essa mesma sociedade onde se insere conformista e preconceituosa.

É um nome de origem latina e deriva de "nono". É normalmente um rapaz que tem uma grande necessidade de se afirmar enquanto pessoa, bem como de atender ao seu ego exigente. Pode ser possessivo com a amada.


Loriga & Sacavém

Laços de união a todos os niveis, tem unido desde sempre
estas duas localidades.
*
Nas décadas de 1950-60 era significativo o grande
número de Loriguenses a viverem em Sacavém,
considerado até por muitos:- uma Loriga em segunda
versão.
*
Em Loriga foi dado o nome de "Rua de Sacavém" a uma
das suas ruas.
Uma rua com o nome de Loriga passou também a figurar na Toponímia de Sacavém.
*
É em Sacavém que se encontra sediada uma das
Associações Loriguenses existentes fora de Loriga.
-A N A L O R-
Associação dos Naturais e Amigos de Loriga
Rua Sport Sacavanense Lote 30
(Quinta do Património)
2685 - Sacavém
Telef. 21/9417640 - Fax. 21/ 9400515

e.mail: analor@netcabo.pt

É da Propriédade, Administração e Redação da ANALOR
o Jornal "Garganta de Loriga"
editado em Sacavém e que chega aos Loriguenses
espalhados pelo mundo.

e.mail: gargantaloriga@netcabo.pt

Em 1 de Junho de 1996
procedeu-se à Geminação de Loriga e Sacavém,
sendo nesse ambito assinado pelas respectivas Juntas
os acordos de cooperação.


Rancho Fóclorico Loriguense

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Ano 1952
Primeiro Rancho Folclore Loriguense, criado em Sacavém

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Canção de Loriga

Loriga escuta teus filhos
Que te querem visitar
Com canções e estribilhos
Que te querem vir saudar

São saudades dos ausentes
Que sempre recebes bem
Que te trazem como presentes
Saudações de Sacavém

Coro
Loriga, é tão linda a nossa terra
Loriga, não há para nós outra igual
Loriga, és a estrela da serra
Mais linda de Portugal

Esta voz que nos anima
É para nós nosso querer
Em cada verso, um rima
Para cantar-te até morrer

Querida terra tão amada
És toda a nossa paixão
És por Deus abençoada
Loriga do coração

Canção cantada pelo Rancho Folclore dos Naturais de Loriga em 1952


Não existe nada igual *

I
Para rever a minha terra
Pensei sobre ela falar
Fica na encosta da serra
É Loriga. É um altar

V
Caixão da moura e os poços
Até a nossa ribeira
São de Loriga são nossos
Produtos de brincadeira

IX
Do Reboleiro lembranças
Do Vinhô só recordar
Da Barroca outras andanças
Do passado é bom falar

II
Da Portela do arão
Até Loriga avistar
Não é nenhuma ilusão
É lindo é de encantar

VI
De beleza de penedas
E mesmo a Fonte do Vale
Fonte do Mouro, Represas
São encantos sem igual

X
O que fica por lembrar
A volta, o Porto e outros
Poço Zé Lages, brincar
Recordações de garotos

III
Paisagem que faz inveja
Saudade que se sentia
Em rever aquela igreja
De Nossa Senhora da Guia

VII
Já penso no alto da serra
Penha dos Abutres, Gato
São coisas da nossa terra
Bem lindas com neve e mato

XI
Penso que está tudo dito
E para mim foi um prazer
Solto agora o meu grito
Deixem Loriga crescer.

IV
Passando a Ponte Nova
Todo o espanto que encerra
Do trovador sua trova
Doa cantos à nossa terra

VIII
A Casa dos Ingleses
E também o Surgaçal
São encantos e belezas
Que não existe nada igual

* José Ferreira


Grupo Desportivo Loriguense
- Recortes de História de 75 Anos de existência -

São 75 anos de história da mais popular colectividade de Loriga, fundada a 8 de Abril de 1934, com os festejos programados para o dia 19 de Abril para comemorar esta importante data das Bodas de Diamante, com um atraente programa que oportunamente será divulgado.
Desporto, cultura e o meio social, são sem dúvida os temas marcantes ao longo da sua existência e que vamos recordar.

I - O Grupo e a sua Sede

Situada na Rua Viriato (Terreiro do Fundo) é sem margem para dúvidas, um local acolhedor enraizado nos loriguenses, onde todos parecem ter uma história para contar. São recordações de gerações que por ali passaram, porque foi sempre um ponto de encontro, de convívio social, de passatempo, entretimento, jogos, leitura, enfim uma casa que está bem marcada no povo loriguense.
Hoje com acesso gratuito à internet, ao dispor dos associados e com um grande ecrã plasma, acompanha os tempos presentes, no entanto, está ainda na memória de muitos, quando ali não havia televisão, existia o velho rádio, onde junto a ele muitos se reuniam para ouvir os relatos da bola ou os programas dos discos pedidos ou outros. Até que surgiu a televisão, para então sim, a Sede do Grupo Desportivo encher-se completamente de pessoas, para ali assistirem a muitos dos programas em voga na altura, passando essa caixinha que modificou o mundo, a ser uma mais-valia para o Grupo Desportivo.
A velha mesa de Bilhar, ainda ali bem silenciosa e no mesmo local, muito terá que contar, eral ali que muitos desenvolviam a sua habilidade e arte de bem jogar Bilhar, que se diga de passagem, havia bons executantes, muitos mesmo verdadeiramente habilidosos, autênticos campeões.
As mesas que quase diariamente servem de entretimento para jogar às cartas, quantas gerações que por elas passaram e, quantas histórias ficaram por contar.
Um pequeno bar, espera por todos que ali vão, num ambiente de amizade e também muitos de nós, principalmente os ausentes, aproveitam para uns momentos de agradável
cavaqueira com os amigos e assim pondo a conversa em dia.
Tudo isto, conjugado com os troféus e as várias fotos pelas paredes, são lembranças de um passado que continua bem presente, que foi e continua a ser a Sede do nosso Grupo Desportivo uma casa de todos e para todos.

Sede do Grupo Desportivo Loriguenses

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II - O Grupo e os campos de futebol

O desporto foi sem dúvida o mote para a fundação do Grupo Desportivo Loriguense, que de certa forma tem marcado a história desta colectividade através dos seus setenta e cinco anos de existência.
Uma ideia de objectividade para o futebol, marcou sempre uma certa motivação e orientação ao longo da sua existência, que apesar de nunca se ter atingido patamares elevados, não deixou por isso de o Grupo Desportivo ter nos loriguenses aquele carinho de verdadeira dimensão, que todos lhe dedicam.
Um campo de futebol adequado, foi desde sempre um complemento de carência do Grupo Desportivo, que parece se ter tornado numa realidade longe de atingir, no entanto, o existente é um local de recortes de histórias que merece ser recordado, quantas gerações por ali passadas, que mesmo sem condições davam tudo para ali jogarem à bola
.

Falamos aqui hoje dos campos de futebol e suas histórias

O primeiro campo de futebol que há memória estava situado lá para os lados da Campa, depois segui-se um outro que estava situado no Surgaçal, bastante longe da vila, sendo que os treinos eram realizados no Recinto da Nossa Senhora da Guia ou na estrada. Mais tarde e sabendo-se que havia um terreno na Fonte Sagrada, por cima da Vista Alegre, foi o mesmo pedido à proprietária D. Amália Pina, que foi colaborante, sendo efectuada a terraplanagem do mesmo, que passou a ser o novo campo de futebol até finais da década de 1940 e principio da década de 1950.
Como a compra daquele terreno nunca foi concretizada, foi procurado outro terreno e, nas
"Casinhas" junto às "Resteves" estava a solução, uma vez que havia ali um terreno mais plano. No ano de 1952 foi então inaugurado o campo. Foi nesta altura também que se conheceu um certo entusiasmo que atingiu o auge nos anos seguintes, mas foi sol de pouca dura, poucos anos depois a população jovem começou a dar-se ao desinteresse, apesar de nessa época ter havido uma tentativa no sentido da inscrição nos campeonatos regionais.
Entretanto, este campo passou a ser durante muitos anos uma dor de cabeça profunda para os atletas e direcções que passaram pelo Grupo Desportivo, porque todos os invernos as chuvas levavam parte do campo, que ia sendo reparado e que absolvia grande parte das receitas. Na década de 1970, foram finalmente efectuadas as grandes obras para a solução do problema, foram construídos muros altos de suporte e ao mesmo tempo efectuada a arborização das barreiras, ficando assim pontualmente o problema resolvido.
O actual Campo de Jogos pertence ao Grupo Desportivo, que o adquiriu definitivamente em 1961 por 14.000$00, importância em parte oferecida por um Loriguense residente no Congo, António Lemos Leitão, que contribuiu com a quantia de 6.000$00.

Actaul campo situado nas "Casinhas"

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Foto tirada no Campo da Fonte Sagrada - Ano 1940 *

* Esta equipa de futebol representava também o Sindicato dos Lanifícios de Loriga, como aqui se documenta, foto esta datada da década de 1940, que chegou até a estar exposta na antiga sede do Sindicato. Identificam-se os cinco directores da esquerda para a direita que são:- Jeremias Alves Pereira, José Mendes Lages, Mário da Benedita da Avó, seu irmão Joaquim, e António Rifona. Pena é não podermos identificar de momento os respectivos jogadores.

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Uma das Equipes do GDL na década de 1940
(Legenda incompleta - Solicita-se ajuda para se poder completar)

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Equipe do GDL - Década de 1950

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III - O Grupo e recordar o futebol

O futebol foi sem dúvida a modalidade desportiva que mais enriqueceu a história do Grupo Desportivo Loriguense ao longo destes 75 anos. É certo, que nunca foi atingido um meio competitivo elevado, que com pena podemos lamentar se ter quedado apenas na prática a nível distrital, que no entanto e, apesar disso, a existência do potencial humano foi sempre de alto nível e que ficou para sempre gravado na memória de todos aqueles, que ainda disso se recordam, onde acima de tudo foi sempre bem visivel toda uma dedicação e amor desportivo em prol do seu Grupo, a mais popular colectividade loriguense.
Aqui se documenta mais equipas de futebol ao longo da sua história, que "se recordar é viver", vamos pois viver momentos de recordações.

Equipa do GDL finais da década de 1950

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Equipa do GDL principios da década de 1960

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Equipa do GDL nos principios da década de 1950

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Equipa do GDL na década de 1940/50

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IV - O Grupo e e o conceito associativo

O popular Grupo Desportivo Loriguense a completar 75 Anos da sua existência, tem uma história rica de humanidade, onde desponta como registo as muitas direcções que por ali passaram, curiosamente até gerações de famílias, todos movidos no mesmo ideal de fazerem o melhor que podiam por esta colectividade loriguense.
Recuando no tempo e a épocas passadas, lembramos o privilégio que parecia haver nas pessoas em serem directores do Grupo Desportivo, parecendo até existir em todos elas o lema de um dever como associado. Hoje a realidade é muito diferente, também tendo em conta que os tempos são outros e, que hoje em dia o associativismo é um problema generalizado por todo o lado, que torna os actuais tempos muito difíceis, por isso, inerente nas mesmas sempre dificuldades do velho problema para ocupação de cargos sociais em qualquer associação, que leva por vezes também a dizer-se que o associativismo já não é o que era.
O Grupo Desportivo Loriguense não foge à regra, chegada a hora, as sempre mesmas dificuldades para a ocupação de cargos nos órgãos sociais, com pessoas de mais carolice a empreenderem esforços no sentido de conseguirem o preenchimento de lugares para os Corpos Gerentes, estando ainda a vir-nos à memória, as últimas eleições para eleger os actuais órgãos sociais do Grupo Desportivo, só conseguido na Assembleia Geral convocada para o efeito.
Ao longo de mais de sete décadas de história, foram na verdade de registo o trabalho desenvolvido por muitas das direcções do Grupo Desportivo, quando por vezes não havia meios de sobrevivência, mas que o espírito dinamismo e a vontade expressa de não verem acabar uma colectividade, tudo era feito de forma que o Grupo Desportivo continuasse bem vivo e que todos continuassem a ter aquele carinho especial, que diga-se de passagem, foi sempre uma mística que existiu para com esta associação, por parte da generalidade dos loriguenses.
Poderíamos recordar aqui nomes que passaram pelas direcções ao longo de todos estes setenta e cinco anos de existência, e que muito se notabilizaram, seria verdadeiramente interessante e gratificante fazê-lo, só que também poderíamos eventualmente cair no erro e involuntariamente omitir-se outros mais.
São de facto mais de sete décadas de existência, que em conclusão se tem a plena certeza de que todos, mas mesmo todos, que passaram pelos órgãos sociais do Grupo Desportivo, deram o melhor de si e tudo fizeram dentro do possível para que esta popular colectividade chegasse até aos nossos dias, para aqui estarmos a comemorar tão importante data, por isso, as gerações actuais tem por dever terem para com as direcções que passaram pelo velhinho Grupo Desportivo, um reconhecimento e porque não um BEM-HAJA DE GRATIDÃO
.

Como o temos vindo a fazer, continuamos a recordar as equipas de futebol do Grupo Desportivo, por isso aqui documentamos mais algumas.

Equipa do GDL no Ano de 1966

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Equipa do GDL década de 1980

Equipa do GDL década de 1990

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Equipa do GDL de futebol de salão, ou Futsal como hoje se diz - Ano 1996

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V - O Grupo e o conceito social

Recordar o Grupo Desportivo Loriguense no seu conceito social é sem dúvida de enorme relevância, onde o convívio e amizade esteve sempre presente na sua sede, onde hoje ainda se continua a matar saudades e também viver-se recordações.
Jogar as cartas é sem dúvida um meio de entretimento que se arrasta nos tempos e que foi passando de gerações para gerações. Mas os matraquilhos e o bilhar tiveram também sempre uma presença muito praticada entre os associados do Grupo Desportivo.
O "Bingo" hoje modernamente assim falado, continua a ser jogado no Grupo Desportivo, tal como em tempos passados que era popularmente chamado por "Quino", por isso, faz também parte da história desta colectividade no seu conceito social.
Recuando no tempo, normalmente era nas noites do inverno que mais se jogava ao "Quino" que por sinal era muito concorrido. Está ainda nas memórias de muitos essas noites, que ao mesmo tempo eram de um verdadeiro convívio social, amizade e entretimento.
Nesta comemoração das Bodas de Diamante do Grupo Desportivo, cabe aqui também recordar essas noites de jogar o "Quino" e o tradicional cantar dos números que todos eles eram apelidados. Havia nessas épocas grandes "cantadores" que tinham maneira típica loriguense de anunciar os números que iam saindo da já roçada velha "taleiga" tornando um ambiente de divertimento e boa disposição, independente de quem tinha a sorte de ganhar.
Um desses "cantadores" e talvez o maior era sem dúvida o Abílio "Cardeira", recentemente falecido, a ele se devendo até muitos dos apelidados nomes atribuídos aos números que faziam parte do "Quino". Recorde-se que chegou até haver sessões em que os números de 1 a 90, todos eles tinham um nome e o "cantador" apenas dizia esse nome, porque normalmente já a maioria dos jogadores estavam familiarizados com eles.
A memória por vezes vai falhando, por isso, alguns desses nomes já se foram esquecendo através dos tempos. Há cerca de pouco mais de três meses e ainda em conversa com o Abílio "Cardeira", foi possível recordarmos alguns desses apelidados muitos números, que fui tomando apontamentos, com a ideia de aqui registar, para assim não mais se esquecerem, porque também eles fazem parte da história de Loriga. Foi de facto o último legado que o nosso amigo Abílio nos deixou antes de partir para sempre e que hoje aqui registamos em sua memória.

1-Pilinhas
2-Um Marreco
3-Cardeira
4-Uma cadeira
5-Cisco
6-Meia dúzia
7-Uma machada
8-Um biscoito
9-Nobrega
10-Uma Dezena
11- Pernas da Palmira
12-Uma Dúzia
13-Nossa Senhora de Fátima
14-Cu a todos
15-Quinzinho da mamã
-

-17-Borracho
18-Quinoi
19-Inspecção
20-Duas dezenas
21-Pum
22-Dois marrecos
23-Perdeu-se no Grupo
24-Duas dúzias
25-Um Quarteirão
--
28- Marrada no tanque
29-Padre Prata
30-Três Dezenas
31-Magala
32-Chias

33-Anos Cristo
-
35-Trinquinhas
----
40 - Quarentona
---
44-Duas cadeiras
-----
50-Meio Cento
51-Burro a mijar numa esquina
---
55-Dois cachorros
----
60-Seis dezenas
--------
69-para cima para baixo
para todos os lados
70-Sete dezenas
------
77-Duas machadas
--
80-Belga
-------
88-Dois biscoitos

ou
Joaquim dos óculos
-
90-Doutor Bandeira
ou

Nas ventas

Solicita-se a todos aqueles que se lembrem de mais alguns dos nomes apelidados em falta que queiram contribuir para completar esta lista, é entrar em contacto.

*****

VI - O Grupo no conceito cultural

A nível desportivo e social é sem dúvida o que mais tem marcado a existência do Grupo Desportivo Loriguense ao longo destes setenta e cinco anos de existência, que se deve sempre enaltecer.
No entanto, de maneira alguma pode ser esquecido o empenhamento a nível cultural, que na realidade tem tido um papel de relevo, muito associado através dos tempos nas grandes sessões teatrais e variedades musicais, que sempre foram fazendo parte do Grupo Desportivo, uma vezes mais acentuadas que outras.
Com a construção do Salão Paroquial nas meadas da década de 1940, que passou a ser mais conhecido por "Residência" passou a existir em Loriga um lugar próprio e adequado, para realização de representações, surgindo então na ideia das pessoas ligadas ao Grupo Desportivo, um meio de angariação de fundos, ao mesmo tempo sabendo-se de existirem em Loriga pessoas com uma certa iniciativa e também um certo talento em representar.
Desde então o Grupo Desportivo destacou-se na organização de sessões teatrais e variedades musicais, com maior realce nas décadas de 50, 60 e 70, que ficaram para sempre na memória de muitos loriguenses, que apesar das precárias condições, foram representadas grandes peças teatrais de drama e comédia, bem como, as grandes sessões musicais em que despontava as Melodias de Sempre ou musica de êxitos na altura, que encantava toda uma assistência que enchia sempre o Salão Paroquial.
Como se disse, nessas décadas havia em Loriga pessoas de grande talento na arte de representar e também grande e belas vozes a cantar, que ainda hoje permanecem na memória de muitos.
Mesmo assim e tendo em conta de os tempos serem outros, o mote cultural continua a manter-se bem presente no idealismo do popular Grupo Desportivo, a comemorar os setenta e cinco anos da sua fundação.

A peça teatral "Casa de Pais" - Ano 1973


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