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Dados históricos
e variados temas para conhecimento |
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Aqui se registam vários temas,
diversos dados, documentação, acontecimentos e mesmo também registos
históricos. Tudo isso assuntos de certa forma de grande interesse e importantes
que merecem ser do conhecimento geral, que não sendo na linha de um enquadramento
em referência a Loriga, é acima de tudo um complemento inserido nesta
Homepage www.loriga.de. |
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História
da Festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré (1) |
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No final da Idade Média, os
portugueses devotos já levavam as imagens de seus santos padroeiros de uma aldeia
a outra. O cortejo, que nem sempre era breve, às vezes atravessava a noite.
Para iluminar o caminho e louvar ao homenageado, os fiéis levavam grandes velas.
Como muitas tradições lusitanas, essa também atravessou o mar
e chegou à colónia do Brasil, o hábito de fazer procissões
e clarear os passos caiu no gosto do povo. Mas apenas nas terras do Grão-Pará
a palavra Círio, que vem do latim cereus e, etimologicamente, significa "grande
vela de cera", tornou-se sinónimo de procissão e de uma procissão
específica: a de Nossa Senhora de Nazaré. Com o tempo, outras romarias
ganharam essa denominação, mas o grande, o maior entre todos os Círios,
é o de Nazaré.
O primeiro Círio de Nazaré foi às ruas numa tarde de quarta-feira.
A história perde-se no tempo e o que se sabe é que a manifestação
aconteceu para que o presidente da Província do Pará, o capitão-mor
D. Francisco de Souza Coutinho, pudesse cumprir uma promessa feita à santinha,
cuja imagem havia aparecido na antiga Estrada do "Maranhão", ou do
"Utinga," nome como também era conhecido o caminho de terra que, hoje,
estaria localizado no bairro de Nazaré.
D. Francisco planejava realizar, na capital, uma grande feira agropecuária e
de artigos produzidos no interior. Do Marajó viriam bois e animais domésticos;
de Mocajuba e Cametá chegariam patos, tartarugas e perus da região; do
extremo Norte, das terras que hoje pertencem ao estado do Amapá, seriam trazidos
cacau e castanha; o Acará mandaria cuias, guaraná, vassouras e tipitis;
o Baixo Amazonas participaria com cerâmica e frutas. Seria um grande evento,
ao qual Sua Excelência não poderia faltar. Três meses antes, D.
Francisco adoeceu e sua ida à Feira estava praticamente cancelada.
Quase um século antes, uma imagem de madeira havia sido encontrada às
margens do igarapé do "Murutucu". Esse igarapé, conhecido como
"da Santa", depois chamado de "das Pedras", era afluente do igarapé
das "Pedreiras", cortava a propriedade de Plácido José de Souza.
Ninguém deve procurá-lo, hoje, na geografia de Belém, porque,
como outros tantos, foi aterrado. |
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Plácido era um homem
simples e devoto. Não se sabe exactamente que profissão exercia:
fala-se que seria lenhador. Mas poderia ter sido caçador ou agricultor.
Isso não é importante. O que conta é que, ao retornar
para casa, encontrou a imagem de uma santa, esquecida (ou deixada) sobre pedras,
às margens do igarapé. Como o registro pertence mais ao domínio
da lenda do que propriamente ao da História, conta-se que a imagem também
poderia ter sido achada entre os galhos de uma árvore. O certo é
que Plácido José de Souza levou para casa a santinha, envolvida
com um manto de seda brilhante. No dia seguinte, quando foi procurá-la,
encontrou o pequeno altar onde a guardou completamente vazio.
Sem poder imaginar quem a havia tirado dali, (era improvável, no último
ano do século XVII, em plena floresta amazónica, que os ladrões
de peças sacras estivessem no activo) voltou ao local onde a encontrou
e eis que estava lá, como se houvesse retornado ao lar. Plácido
recuperou a santinha e levou-a, novamente, para casa.
No dia seguinte, ela não amanhecera onde fora deixada e já era
possível saber seu paradeiro. Não há memória de
quantas vezes o teimoso Plácido a reconduziu e ela voltava para o seu
lugarzinho de origem. Certo de que sua santinha gostaria de ficar exactamente
na beira do igarapé, ele construiu um pequeno oratório, que baptizou
de "O Coração do Humilde".
O Governador da época, curioso, talvez descrente, mandou buscar a imagem
e trancou-a, sob protecção policial, em um dos cómodos
do Palácio. No dia seguinte, ela reapareceu em seu nicho original. Brotava,
assim, na alma do paraense, a devoção à Virgem Maria de
Nazaré.
De 1700, ano em que a imagem foi encontrada, até 1793, data da realização
da Feira idealizada por D. Francisco de Souza Coutinho, a confiança
em Nossa Senhora de Nazaré só fazia aumentar. As pessoas vinham
de longe para pedir a ajuda da Mãe de Jesus.
O Presidente da Província sabia disso e valeu-se do auxílio de
Nossa Senhora, prometendo que, se ficasse curado e pudesse participar da Feira,
cujos preparativos começaram em 1791, levaria a imagem até o
Palácio do Governo e, de lá, sairia em procissão até
a capelinha, edificada no lugar onde Plácido, àquela época
já falecido, construiu o primeiro oratório. Milagrosamente, D.
Francisco ficou curado e, na noite de 7 de setembro de 1793, a senhora foi
levada ao Palácio. Nascia, ali o Círio de Nazaré.
Na primeira procissão, como a diocese estivesse sem um Bispo titular,
o Capelão do Palácio conduziu a imagem no colo. O cortejo seguiu
pela margem do igarapé do Piri até chegar ao arraial. Consta
que 1.932 soldados vinham à frente dos vereadores e do palanquim que
trazia a imagem da santa, ao lado do qual seguiam o Presidente e o Vigário.
Ao centro, seguiam cavaleiros fidalgos, usando casacos pretos e chapéus
de três bicos e formavam alas. O esquadrão de cavalaria e seus
clarins embelezavam o evento. Um agradecido D. Francisco de Souza Coutinho,
já totalmente recuperado, prestigiou a Feira, durante todas as noites.
A procissão em honra de Nossa Senhora de Nazaré saia da Cidade
Velha, tal como acontece hoje, e, para chegar ao local onde a santa foi achada,
era preciso atravessar a cidade, através da mata. Quando escurecia,
os fiéis acendiam os seus círios. Em 1800, o presidente da Província,
Souza Coutinho, mandou fazer em Portugal uma grande vela, que abria a procissão.
Era mais um hábito da "terrinha" que chegava ao Pará. |
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Nossa Senhora da Nazaré
- Belém Pará |
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A romaria crescia de ano para ano
e, em 1803, surgia a alegoria de D. Fuas Roupinho. Vinte e três anos mais tarde,
era introduzido um carro com formato de castelo, onde estavam hasteadas bandeiras das
nações cristãs. Esse mesmo carro levava homens que, ao longo do
percurso, soltavam foguetes.
Em 1855, apareceram, de um só vez, mais três carros: a Barca dos Milagres,
o Anjo Custódio e a Berlinda. A Barca dos Milagres era representada pelo brigue
"São João Batista", para lembrar o ajuda de Nossa Senhora a
doze marinheiros que conseguiram escapar de um naufrágio. Eles invocaram o seu
nome e se salvaram, os outros não tiveram a mesma sorte, ou melhor, o mesmo
amparo. O navio autêntico foi substituído por uma réplica em tamanho
menor. O carro do Anjo Custódio foi construído para que a filha do primeiro
vice-presidente da Província, Ângelo Custódio, pagasse uma promessa.
A Berlinda, um dos mais bonitos símbolos do Círio, tinha o formato de
um pequeno coche português.
Numa data não especificada, (talvez fosse 1868; talvez fosse 1885) uma tempestade
quase inviabilizou a realização do Círio. Para evitar surpresas
causadas pelo tempo, a procissão teve seu horário alterado e passou a
sair de manhã, quando, no segundo semestre, raramente chove em, Belém.
A partir de então, nunca mais se ouviu falar em Círio começando
à tarde. Surgiam, ao mesmo tempo, sem que ninguém prestasse atenção,
três tradições: a do Círio matinal (hoje, é verdade,
devido à quantidade de pessoas, a procissão avança pela tarde.
Em 2000, chegou à Praça Santuário às 16 horas!), o almoço
em família e a corda, que foi usada para desatolar a berlinda do lamaçal
que se formou, às proximidades do Ver-o-Peso, num dia em que o rio Pará,
muito cheio, transbordou.
Até 1881, o Círio saía do Palácio do Governo. A partir
de 1882, um acordo entre o bispo D. Macedo Costa e o presidente da Província,
Justiniano Ferreira Carneiro, fez com que o cortejo partisse da igreja da Sé.
Era mais uma tradição que se inaugurava. A data de realização
do Círio, contudo, ainda não estava definida. Há registros de
Círios em Setembro, Outubro ou Novembro. Em 4 de janeiro de 1886, a Sagrada
Congregação dos Ritos marcou o último domingo de Outubro para
a realização da festa de Nazaré. Posteriormente, fixou-se o dia
do Círio no segundo domingo de outubro.
Bem diferente de hoje, quando o Círio é motivo de confraternização
e não de brigas, no século XIX, mais exactamente em 1878, a procissão
gerava discórdia. Questões envolvendo o bispo D. Macedo Costa e o governador
José da Gama Malcher, por causa da construção da nova igreja de
Nazaré, levaram a Diocese a proibir a realização do Círio.
Um cortejo, de carácter puramente civil, foi às ruas, sem a presença
de um religioso sequer. O mesmo aconteceu em 1979. Somente em 1880 o Estado e Igreja
se entenderam e o Círio voltou a ser comandado pela Diocese, que passaria a
ter o domínio do templo. |
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Mais Apontamentos * |
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O Círio de Nazaré, em
devoção a Nossa Senhora de Nazaré, é um dos maiores e mais
tradicionais festivos religiosos do Brasil, sendo celebrada desde 1793, na cidade de
Belém do Pará. É celebrada anualmente no 2°domingo de Outubro.
O Termo "Círio" tem origem na palavra latina "Cereus", que
significa vela grande.
No Brasil, no início era uma romaria vespertina, e até mesmo nocturna,
daí o uso de velas. No ano de 1854, para evitar a repetição da
chuva torrencial como a que havia caído no ano anterior, a procissão
passou a ser realizada de manhã.
O Círio foi instituído em 1793 em Belém do Pará, e até
1882, saía do Palácio do Governo. Em 1882, o bispo Dom Macedo Costa,
em acordo com o Presidente da Província, Dr. Justino Carneiro, instituiu que
a partida do Círio seria da Catedral da Sé, em Belém.
A introdução da devoção à Senhora da Nazaré,
no Pará, foi feita pelos padres jesuítas, no século XVII. Embora
o culto tenha se iniciado na povoação da Vigia, a tradição
mais conhecida relata que, em 1700, Plácido, um caboclo descendente de portugueses,
andava pelas imediações do igarapé Murutucu (área correspondente,
hoje, aos fundos da Basílica) quando encontrou uma pequena estátua de
Nossa Senhora de Nazaré. Essa imagem, réplica de outra que se encontra
em Portugal, entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, encontrava-se
entre pedras lodosas e bastante deteriorada pelo tempo e pelos elementos.
Plácido levou a imagem consigo para casa, onde tendo-a limpado, improvisou um
altar. De acordo com a tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente
ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato
como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer às próprias custas uma
pequena ermida no local, como sinal de devoção. A divulgação
do milagre da imagem santa atraiu a atenção dos habitantes da região,
que passaram a acorrer à capela, para render-lhe homenagem. A atenção
do então governador da Capitania, Francisco da Silva Coutinho, também
foi atraída à época, tendo este determinado a remoção
da imagem para a Capela do Palácio da Cidade, em Belém. Não obstante
ser mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, para ressurgir
em seu nicho na capela. Desse modo, a devoção adquiriu carácter
oficial, erguendo-se actualmente, no lugar da primitiva ermida, uma capela, hoje a
sumptuosa Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.
Em 1773 o bispo do Pará, Dom João Evangelista, colocou a cidade de Belém
sob a protecção de Nossa Senhora de Nazaré. No início do
ano seguinte (1774), a imagem foi enviada a Portugal, onde foi submetida a uma completa
restauração. O seu retorno ocorreu em Outubro desse mesmo ano, tendo
a imagem sido transportada, do porto até ao santuário, pelos fiéis
em romaria, acompanhada pelo Governador, pelo Bispo e pelas demais autoridades, civis
e eclesiásticas, escoltadas pela tropa. Este foi considerado o primeiro Círio,
que etimologicamente designa uma vela grande de cera. Desde então, o Círio
de Nazaré é realizado anualmente, no segundo domingo do mês de
Outubro.
Entre os milagres mais expressivos atribuídos à imagem de Belém,
encontra-se o que envolveu os passageiros do brigue português São João
Batista. Partindo de Belém rumo a Lisboa, no dia 11 de Julho de 1846, a embarcação
de dois mastros à vela veio a naufragar decorridos poucos dias da partida, sendo
os passageiros salvos por um bote que os conduziu de volta a Belém.
Este brigue seria a mesma embarcação que, anos antes ( 1774 ), havia
transportado a imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Lisboa, para ser restaurada;
o bote que salvou os náufragos também seria o mesmo que tinha levado
a imagem até ao brigue ancorado no porto de Belém. O bote passou a acompanhar
a procissão a partir do ano de 1885. |
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As etapas do Círio |
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Romaria Rodo-Fluvial
Assim chamada, porque marca o percurso da imagem de Nossa Senhora de Nazaré,
da Basílica de Nazaré, pelas ruas da cidade, até a igreja
matriz, no município de Ananindeua, em Belém. Percurso este,
feito em carro aberto, onde Nossa Senhora recebe inúmeras homenagens.
A imagem da Santa, passa a noite neste município, onde o povo fica durante
toda à noite em vigília. Essa Romaria acontece de sexta para
sábado, que antecede o domingo do círio.
Romaria Rodoviária
Depois de uma noite em Ananindeua, e uma missa pela manhã, a imagem
parte de madrugada em mais uma procissão, agora em uma nova direcção,
a Vila de Icoaraci, distrito de Belém. Mesmo sendo de madrugada, os
fiéis aguardam a passagem da Santa, rendendo-lhe inúmeras homenagens.
A procissão é acompanhada pelos carros da directoria do círio,
carros de polícia, bombeiros, ambulâncias, carros oficiais e civis.
Daí a origem do nome da romaria.
Romaria Fluvial
Nesta romaria, a imagem da Santa é levada de barco, completamente enfeitado,
pela Baia do Guajará, baia esta que cerca a cidade de Belém,
e é seguida por inúmeros outros, enfeitados de acordo com as
condições do próprio dono. Aqui se vêem barcos,
iates e simples canoas de ribeirinhos que seguem a procissão. O percurso
Icoaraci-Belém pode levar até 5 hora. Ao chegar no cais do porto
da cidade, é recebida por uma multidão e outras homenagens se
seguem. A romaria foi introduzida em 1985, como uma forma de homenagear a todos
os que vivem e dependem dos rios da região.
Moto-Romaria
Por volta das 11 horas da manhã de sábado, a imagem da Santa
chega ao cais de Belém, dali a imagem segue em carro aberto, agora seguida
por motoqueiros que buzinam incessantemente, anunciando a passagem da Santa,
o povo para nas ruas seus afazeres, saem de suas casas, e saúdam a Virgem,
com as mãos levantadas, como a pedir a bênção. A
Romaria se estende pelas ruas da cidade até o Colégio Gentil
Bittencourt, onde uma outra multidão de fiéis espera a Imagem.
E à noite, logo após a missa, dará início a Trasladação.
Trasladação
A trasladação da imagem ocorre uma noite antes do Círio,
em uma procissão à luz de velas. Simbolicamente visa recordar
a lenda do descobrimento da imagem e o retorno ao local de seu primeiro achado.
Nesta cerimónia somente a Berlinda (carro onde é levada a imagem
de Nossa Senhora) é utilizada, num trajecto em sentido inverso ao do
Círio
Procissão do Círio
Que actualmente reúne centenas de milhares de fiéis, em um cortejo
de cerca de quatro horas de duração, percorrendo uma distância
de cerca de cinco quilómetros entre a Catedral Metropolitana e a Basílica
de Nazaré. Esta celebração é dividida em três
momentos: o Círio propriamente dito evento é iniciado às
seis horas da manhã com a celebração de uma missa, após
a qual os fiéis se postam nas ruas ao longo do trajecto. Às sete
horas, o Arcebispo conduz a imagem de Nossa Senhora até a Berlinda,
para dar início ao Círio. Em torno das onze horas, a imagem chega
à Basílica de Nazaré, sendo retirada da Berlinda para
a celebração litúrgica.
Recírio
Duas semanas após o Círio, acontece o Recírio, uma procissão
de despedida. |
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Os símbolos |
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O Círio tem vários
objectos simbólicos que podem ser apreciados durante o seu trajecto,
os principais são:
A berlinda:- Que leva a imagem da Santa.
A corda:- A corda que sustenta a fé na padroeira dos
paraenses, possui a média de 400 metros de comprimento e pesa aproximadamente
700 quilos, de puro sisal torcido, que requer maior sacrifício físico
e emocional. Incorporada à celebração em 1868, originalmente
substituía a junta de bois que até então puxava a berlinda
da imagem; posteriormente passou a ser utilizada para separar a berlinda e
o carro dos milagres da multidão que a acompanha. No ano de 2005 a direcção
do Círio, modificou o formato da corda, que ao invés de contornar
a berlinda como normalmente era feito, a corda ainda do mesmo tamanho, veio
na forma de um rosário, na tentativa de que não ocorressem atrasos
no traslado, como já havia ocorrido anos antes.
O manto:- É mais um dos símbolos da Festa de
Nazaré. A cada procissão, há sempre um novo manto envolvendo
a figura de Nossa Senhora. O manto tem sempre uma conotação mística,
relatando partes do evangelho. Confeccionado com material caro e importado.
O trabalho da confecção do manto iniciou-se pelas filhas de Maria.
Anos depois, assumindo a confecção do mesmo, a irmã Alexandra,
da Congregação das Filhas de Sant'Ana. Com a sua morte, a confecção
do manto ficou por conta de uma ex-aluna do Colégio Gentil Bittencourt,
que por 19 anos o teceu, e de suas mãos saíram os mais belos
mantos. A confecção do manto é toda envolvida em clima
de mistério, feitas com a ajuda de doações, quase sempre
anónimas.
As velas, ou círios:- Feitos de cera, em vários formatos, retratando
partes do corpo humano, ou ainda, uma vara de cera da mesma altura do pagador
da promessa. As velas, são um símbolo da fé dos promissórios,
que através delas, 'pagam' a uma graça alcançada.
Os carros de promessas ou dos milagres, que recolhem os ex-votos ilustrativos
das graças alcançadas pelos fiéis;
As crianças, tradicionalmente vestidas de anjos;
As homenagens de fogos de artifício, queimados durante a passagem da
imagem pelas ruas do centro histórico de Belém. |

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Outros símbolos também
integram a tradição:
As novenas:- Ciclos de orações realizadas durante as semanas
que antecedem a festividade, por devotos que realizam pequenas romarias pelas casas
de vizinhos.
O almoço com a família:- Realizado no domingo da procissão, como um acto
de comunhão. Tradicionalmente é composto de:- Pato no tucupi:-
Tradicional prato da culinária paraense, acompanhado de arroz branco.
Maniçoba:- Também tradicional item da culinária da região.
Outros eventos
O arraial:- No largo de Nazaré, em frente à Basílica
e os brinquedos de miriti.
Algumas Datas e quantidade de pessoas
A procissão do Círio
acontece a cada segundo domingo de Outubro, sua data portanto é móvel.
A seguir a numeração ordinal dos Círios de Nazaré, as suas
datas, e a quantidade aproximada de pessoas que participaram.
215º. Edicção -
2007, dia 14 de Outubro: 2 milhões e 700 mil pessoas, durou cerca de 7 horas
214º. Edicção - 2006, dia 8 de Outubro: 2 milhões e 250 mil
pessoas, durou cerca de 5 horas e meia
213º. Edicção - 2005, dia 9 de Outubro: 2 milhões de pessoas,
durou cerca de 5 horas.
212º. Edicção - 2004, dia 10 de Outubro: 1 milhão e 700 mil
pessoas, (durou mais de 9 horas).
...
...
1º Edicção - 1793, 8 de Setembro (quarta-feira) |
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* Fonte:- Luís Paulo - Belém (Brasil) |
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Celebrando
o Advento na Alemanha (2) |
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(Coroa e calendário de Advento,
dois símbolos que surgiram na Alemanha) |
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O clima natalino já paira no ar. É
tempo de decorar as casas e contar os dias que faltam para as festas de fim de ano.
O Advento, que começa quatro domingos antes do Natal, também é
importante e festejado pelos alemães. A palavra Advento é de origem latina
e significa chegada, vinda. É o tempo de preparação para o Natal,
a chegada de Jesus. E marca também o início do Ano da Igreja. |
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Coroa do Adevento com
velas |
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Para muitos, essa é uma época de renovar os sentimentos, deixar
para trás as tristezas, colocar as coisas em ordem, arrumar e limpar
a casa, um período de expectativa e de alegria pela comemoração
do nascimento de Jesus Cristo que se aproxima.
Há relatos de que o Advento começou a ser celebrado em várias
partes do mundo, entre os séculos 4º e 7º. Mas a primeira
referência ao tempo de Advento vem da Espanha, quando no ano de 380 o
Sínodo de Saragossa determinou uma preparação de três
semanas para a Epifania, data que lembra a visita dos Reis Magos ao Menino
Jesus.
Coroa de Advento
Quem contribui para o encanto desta fase de preparação para o
Natal são as coroas de Advento, ou guirlandas. Geralmente feitas com
ramos de pinheiro e decoradas com fitas vermelhas, elas possuem quatro velas,
que vão sendo acesas, uma a uma, a cada domingo do Advento.
A origem dessas coroas vem de uma tradição pagã européia.
Conta-se que, na escuridão do inverno, ao redor de folhas eram acesas
velas que simbolizavam o "fogo do deus sol" com a esperança
de que sua luz e seu calor voltassem. E para evangelizar as pessoas, os primeiros
missionários aproveitaram a tradição, dando novo significado
a esse costume
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Sua forma circular simboliza união,
além do amor de Deus, que é eterno, sem início e nem fim, e representa
o nosso amor a Deus e ao próximo, que deve ser assim também. Os ramos
verdes representam a esperança da vinda de Cristo. E as quatro velas lembram
as quatro semanas do Advento. A medida em que elas são acesas, representam a
chegada de Jesus, luz do mundo. |
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Calendário de Advento |
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Os alemães são conhecidos
por planejarem seus compromissos com antecipação. Por isso, é
comum encontrar diversos tipos de calendários nas lojas da Alemanha. Mas há
um calendário feito especialmente para contar de maneira divertida os dias que
antecedem o Natal. É o Adventskalender, que possui janelinhas numeradas de 1
a 24 e em cada uma há uma surpresa.
Eles podem ser de madeira, tecido ou papelão, ter diversos formatos e tamanhos,
podem ser confeccionados em casa ou comprados, pois são vendidos em muitos lugares.
Os preços também variam - de 59 centavos a 30 euros, ou até mais.
O Adventskalender serve principalmente para que as crianças vivam aos poucos
a expectativa do Natal e aprendam que tudo tem seu tempo certo, controlando a ansiedade
de querer abrir todas as janelinhas ou caixinhas de uma só vez. E também
ajuda a amenizar a vontade de receber o presente antes do Natal.
Sua origem não é definida, mas os primeiros exemplos de calendários
de Advento surgiram nas famílias luteranas da Alemanha do século 19.
O costume era fazer 24 riscos com giz na parede e ir apagando um a cada dia. Também
eram feitos quadros com 24 mensagens bíblicas, para ler e refletir a cada dia
sobre uma delas. No início do século 20 começaram a ser produzidos
os Adventskalender impressos.
Em 1920, o alemão Gerhard Lang produziu o primeiro calendário com portinhas.
A inspiração deve ter vindo de sua infância, pois a mãe
dele sempre fazia um Adventskalender com 24 biscoitinhos sobre um papelão. Na
década de 1950, surgiram os calendários com gavetas e chocolates. E depois,
além dos doces, os calendários passaram a ter pequenos presentes.
Esta forma divertida de esperar o Natal também serve para os adultos. Há
calendários feitos especialmente para os grandinhos, com chocolates recheados
de licor. E até alguns prédios se transformam em gigantes calendários
nessa época. Também existem cartões com pequenas janelinhas numeradas.
E calendários online, que só mostram a surpresa virtual se o usuário
clicar a janela no dia correto. |
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Outras tradições desta
época |
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Este também é o período
das feirinhas de Natal, Weihnachtsmarkt. E muitas nem esperam chegar o Advento para
invadirem as praças alemãs e contagiarem a todos com suas luzes, tendinhas
decoradas e guloseimas deliciosas.
O mês de dezembro na Alemanha também traz um aroma especial de biscoitos
caseiros feitos em família, com ajuda indispensável das crianças.
Este doce costume faz parte do Advento. Há diversos tipos de Weihnachtsplätzchen,
por exemplo os Springerle, biscoitos de anis que são uma das receitas alemãs
mais antigas; os Butterplätzchen, biscoitos de manteiga; os Zimtsterne, em forma
de estrela com sabor de canela e um toque de amêndoas e nozes.
Um dia importante também é 6 de dezembro, dia de São Nicolau,
Nikolaustag, considerado o verdadeiro Papai Noel. No dia anterior, as crianças
deixam os sapatinhos fora de casa para que ele coloque presentes ou guloseimas. E em
homenagem ao bom velhinho, nesse mesmo dia, são assados os biscoitos Spekulatius,
que têm esse nome por causa do apelido de São Nicolau, "especulador".
Os formatos podem ser de moinho, elefante, cisnes, e outros elementos que fazem parte
da história de São Nicolau.
E como o inverno europeu começa nesse período, para espantar o frio,
as pessoas tentam deixar seus lares mais aconchegantes, enfeitando-os com luzes, velas
e colocando adesivos com motivos natalinos nas janelas que podem ser vistos por quem
passa na rua.
Os pinheiros enfeitados aparecem no comércio e nos escritórios, mas em
casa a decoração do pinheirinho é uma tarefa para a véspera
de Natal. Esses são alguns costumes mantidos por diversas gerações.
Tudo para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, celebrando também a paz, o
amor e a união. |
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História
do Pai Natal (3) |
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Segundo os relatos históricos,
São Nicolau, também conhecido por Santa Claus, nome que deriva de Santus
Nicolaus, terá sido Bispo de Mira, em Dembre, na actual Turquia. Nasceu em Lycia,
no sudoeste da Ásia Menor, entre o século III e IV. Os relatos apontam
os anos 270 (século III) ou 350 (século IV). A disparidade de datas é
frequente quando falamos de relatos muito antigos referentes a pessoas célebres
na sua época. Nicolau fez viagens para o Egipto e Palestina onde se formou bispo.
A data da sua morte também não é certa. Há relatos que
apontam a sua morte para o ano 342 o que torna impossível o seu nascimento em
350. Nessa altura era um homem muito respeitado em todo o mundo cristão. Foi
sepultado durante o século VI num santuário e no local surgiu uma nascente
de água. Já no século XI, em 1087, os restos mortais e relíquias
de Nicolau foram transladados para Bari na Itália e então passou a ser
conhecido como São Nicolau de Bari. Rapidamente o local se transformou num centro
de peregrinação e a ele se associaram muitos milagres relacionados com
a oferta de presentes. A sua popularidade aumentou e o santo viu-se transformado em
símbolo, estando directamente relacionado com o nascimento de Jesus Cristo,
já que os princípios de dar sem pedir em troca são também
máximas de cristo. |
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Ficou também como um dos santos mais
populares da história da cristandade, sendo o protector não só
dos mais pequenos. Também marinheiros, escravos, pobres e presos se
dizem protegidos pelo santo, isto porque São Nicolau esteve preso no
reinado de Diocleciano, durante a perseguição aos cristãos,
ficando encarcerado por muito tempo. Mas mais tarde Constantino, O Grande ordenou
a libertação de vários presos religiosos entre os quais
se encontrava Nicolau.
A sua fama vem-lhe da sua generosidade com os mais desfavorecidos, em particular
crianças que protegia com toda a dedicação. As lendas
e histórias que se associam à vida deste homem são muitas,
mas todas se prendem com a sua bondade e protecção dos mais desprotegidos.
Assim, há uma lenda que diz que Nicolau ressuscitou três crianças,
convertendo-as em fiéis dedicados e seguidores. Outra ainda refere que
o pai de Nicolau era senhor de grande fortuna, que lhe deixou em herança,
na altura da sua morte. Assim o santo pode continuar a ajudar as pessoas. Conta
a lenda que Nicolau ajudou uma família sua vizinha que vivia tempos
de necessidade. Quando uma das filhas resolveu casar, o seu pai sem dinheiro
chorava o dia inteiro pois não tinha meios para dar um casamento digno
à sua filha. Assim São Nicolau encheu uma bolsa de moedas de
ouro e, de noite, sem ser visto, depositou-a na janela do vizinho. A jovem
casou com um belo dote e ficaram todos felizes. Um pouco mais tarde a história
repetiu-se a com a segunda filha do vizinho. Mas, desconfiado, o vizinho de
Nicolau, quando se preparava para casar a terceira filha, escondeu-se durante
a noite, próximo da dita janela e descobriu o seu protector. Espalhou-se
a notícia aos pobres e crianças.
Mas esta lenda apresenta outra versão que diz que São Nicolau
salvou três jovens da prostituição, filhas de um homem
pobre. Encheu uma bolsa de ouro e atirou-a pela janela da casa vizinha, acabando
com os problemas económicos da família e dando a cada jovem a
possibilidade de casar dignamente, com um dote apropriado. |
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Pai Natal simbolo do
Natal |
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Assim, com o passar dos anos e com
as ajudas que dava a todos os que o rodeavam, principalmente crianças sem protecção
e abandonadas, São Nicolau ficou para a história como um homem bom e
generoso. Nuns locais dizia-se que se deslocava num trenó puxado por oito renas,
noutros a figura do velhinho de longas barbas brancas aparecia num burrinho, trazendo
um saco cheio de presentes. Mais tarde a lenda e as palavras do povo acreditavam que
este santo homem descia pelas chaminés das casas, de noite, para deixar os seus
presentes, nas meias e sapatinhos das crianças (principalmente na Suécia
e Nortuega). A sua figura viveu até aos nossos dias, por diversas razões,
como o Pai Natal, símbolo de dádiva, amor e fraternidade, que também
caracteriza o Natal Cristão. |
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ZIF - PROJECTO
DE REGULAMENTO INTERNO (4) |
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De acordo com o Artigo N." 17,
Capítulo III, do DL N." 1271 2005 de 5 de Agosto |
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Artigo 1"
(Designação) |
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A Zona de Intervenção
Florestal (ZIF) Serapitel, com um total de 1346,59ha, abrange 5 freguesias
(Cabeça, Loriga, Sazes da Beira, Alvôco da Serra, Vide) pertencentes a
1 concelho (Seia). |
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Artigo 2."
(Objectivos) |
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1. Promover a gestão conjunta
dos espaços florestais, de uma forma sustentável, no respeito pelo património
natural e arqueológico na área da ZIF.
2. Como objectivo especifico, para os primeiros ' 5 anos de funcionamento da ZE Serapitel,
considera-se a promoção de novos espaços florestados, prioritariamente
a rearborização das áreas ardidas, numa óptica de potenciação
dos recursos hídricos e do espaço rural através da multi-funcionalidade
do mesmo. |
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Artigo 3."
(Sede) |
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1. A ZIF Serapitel possui sede na
freguesia de Seia, R. Leonardo Pessoa Homem, Edifício das Nogueiras, Lote 12
- RIC, 6270-408 Seia.
2. A ZIF Serapitel pode mudar a sua sede para qualquer outra freguesia pertencente
a sua área de abrangência, por deliberação da Assembleia
Geral. |
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Artigo 4."
(Aderentes da ZIF Serapitel) |
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1. Podem ser aderentes da ZIF Serapitel
pessoas singulares ou colectivas, publicas ou privadas, que sejam proprietários,
rendeiros ou comparsas de exploração florestal ou agrícola na
área da ZIF.
2. Para aderir a ZIF o proprietário ou produtor florestal terá que apresentar
a prova de titularidade da propriedade (Certidão de Teor ou Registo da Conservatória).
3. Para rendeiros, cujo objectivo seja a florestação, além dos
documentos referidos no número anterior, terão que apresentar o contrato
de arrendamento, por um mínimo de 20 anos. Os rendeiros deverão possuir
contratos de arrendamento compatíveis com a gestão florestal.
4. A cada aderente será atribuído um cartão identificativo da
sua situação de aderente a ZIF Serapitel.
5. A admissão é da competência da Entidade Gestora, perante proposta
escrita do aderente, através do preenchimento de uma ficha de adesão,
cabendo recurso da decisão de não admissão para a primeira Assembleia
Geral que a seguir se realize.
6. Quando um aderente da ZIF Serapitel pretender deixar de o ser, terá que manifestar
por escrito a sua vontade, em carta registada dirigida a Entidade Gestora. Esta, por
sua vez, agendará este propósito para a próxima Assembleia Geral.
Depois de analisada, em Assembleia Geral, esta proposta, se outras indemnizações
não houver a considerar, o aderente desistente terá que mandar elaborar
um plano de gestão para a sua propriedade que submeterá a aprovação
da DGRF. |
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Artigo 5."
(Direitos dos aderentes) |
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1. Eleger e ser eleito para os Órgãos
Sociais.
2. Exercer o direito de voto.
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3. Obter uma compensação pela privação do uso das suas
propriedades quando tal decorrer da instalação de infra-estruturas colectivas
de interesse comum.
4. Requerer a convocação de Assembleias Gerais, nos temos deste regulamento.
5. Participar nas reuniões da Assembleia Geral.
6. Fazer-se representar na Assembleia Geral, mediante procuração.
7. Recorrer para a Assembleia Geral de decisões da Entidade Gestora.
8. Nesta primeira Assembleia, e até ser estabelecido um novo sistema, cada participante
terá direito a um voto.
9. Os aderentes que forem pessoas colectivas indicarão à Entidade Gestora
quem são os seus representantes individuais. |
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Artigo 6."
(Deveres dos aderentes) |
|
1. Aceitar e desempenhar com zelo
e assiduidade os cargos para que forem eleitos.
2. Prestar aos Órgãos Sociais toda a colaboração necessária
para a prossecução das suas actividades.
3. Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares, bem
como as deliberações dos Órgãos da ZIF Serapitel proferidas
no uso das suas competências.
4. Regularizar/actualizar os registos das suas propriedades.
5. Participar no inventário cadastral das propriedades.
6. Disponibilizar as suas propriedades para a instalação de infra-estruturas
colectivas de interesse comum.
7. Cumprir os planos aprovados para a ZIF Serapitel.
8. Contribuir para o fundo comum. |
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Artigo 7."
(Orgãos da ZIFJ |
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A ZIF Serapitel dispõe dos seguintes
órgãos:
a) Assembleia Geral de Aderentes;
b) Conselho Executivo;
c) Conselho Fiscal. |
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Artigo 8"
(Eleição e exercício dos cargos) |
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1. Os membros da mesa da Assembleia
Geral, do Conselho Executivo e do conselho Fiscal são eleitos por escrutínio
secreto, no sistema de lista completa, por maioria simples de votos e pelo período
de 2 anos, sendo. permitida a - reeleição de qualquer aderente em qualquer
lugar, em períodos sucessivos.
2. A eleição para os Órgãos Sociais far-se-á em
sessão ordinária da Assembleia Geral, a realizar durante o mês
de Dezembro sendo a sua posse conferida até ao dia trinta do mês seguinte,
pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral.
3. Chegado o termo dos mandatos, os Órgãos Sociais manter-se-ão
em funções até à tomada de posse dos novos membros.
4. A destituição de qualquer membro dos Órgãos Sociais
carece de deliberação da Assembleia Geral que, no caso de atingir mais
de um terço dos membros de qualquer órgão, deverá desencadear
o processo de nova eleição. |
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Artigo 9"
(Constituição e Competências da Assembleia Geral) |
|
1. A Assembleia Geral é o órgão
supremo da ZIF Serapitel e as suas deliberações, tomadas nos termos legais
e regulamentares, são obrigatórias para os restantes Órgãos
Sociais da ZIF Serapitel e para todos os aderentes.
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2. A Assembleia Geral é constituída por todos os aderentes que se encontrem
no pleno gozo dos seus direitos de aderente e que não se encontrem a cumprir
qualquer penalidade imposta nos termos deste regulamento, sendo a sua constituição
divulgada, pela Entidade Gestora, por afixação no local da reunião,
uma hora antes de cada Assembleia Geral, bem com na página da Internet da Entidade
Gestora.
2. A Assembleia Geral reúne por convocação do seu Presidente da
Mesa, por carta, para cada um dos aderentes, com a antecedência mínima
de 10 dias.
4. Da convocatória deve constar a indicação do dia, hora e local
da reunião bem como a respectiva ordem de trabalhos.
5. A Assembleia Geral terá obrigatoriamente duas sessões ordinárias
em cada ano, uma em Dezembro, para aprovação do plano de actividades
e orçamento, e outra em Março para aprovação do relatório
de actividades, do relatório de contas e do parecer do Conselho Fiscal, relativos
ao ano anterior.
6. A Assembleia Geral reunirá extraordinariamente sempre que seja convocada
pelo seu Presidente, seja por iniciativa própria, seja a pedido da Entidade
Gestora, do Conselho Executivo ou do Conselho Fiscal, seja ainda, quando tal lhe for
requerido por vinte por cento dos aderentes.
7. A Assembleia Geral, ordinária ou extraordinária, só poderá
funcionar, validamente, a hora marcada se nela estiver presente, pelo menos, metade
dos aderentes. Porém, trinta minutos mais tarde poderá funcionar com
qualquer número de aderentes.
8. A Assembleia Geral extraordinária requerida por um grupo de aderentes, só
poderá funcionar desde que nela sejam presentes pelo menos setenta e cinco por
cento dos requerentes.
9. A mesa da Assembleia Geral é constituída por três membros efectivos
- Presidente, Vice-presidente e Secretário - e por um suplente.
10. Nas reuniões da Assembleia Geral não poderão ser tomadas deliberações
sobre matérias estranhas a ordem de trabalhos excepto se estiverem presentes
todos os aderentes e todos concordarem com o aditamento.
1 1. Compete especificamente à Assembleia Gerai:
a) Eleger a Mesa da Assembleia Geral;
b) Eleger os titulares dos Ór3ãos Sociais;
c) Destituir o Conselho Executivo e ou o Conselho Fiscal;
d) Aprovar, por pelo menos 50% do universo dos proprietários e produtores florestais
aderentes que detenham, em conjunto, mais de metade da superfície da área
da ZLF, o plano anual de actividades e o relatório de contas;
e) Aprovar o relatório de actividades, o orçamento e o parecer do Conselho
Fiscal;
f) Aprovar a Entidade Gestora da ZIF;
g) Decidir pela substituição - da Entidade Gestora- da ZIF quando isso
corresponder a vontade de mais de 50% do universo dos proprietários e produtores
florestais aderentes e deter, em conjunto, mais de metade da superfície da área
da ZIF ou quando o plano anual de actividades e o relatório de contas não
for aprovado por pelo menos 50% do universo dos proprietários e produtores florestais
aderentes que detenham, em conjunto, mais de metade da superfície da área
da ZIF;
h) Decidir sobre os recursos materiais e financeiros que lhe sejam submetidos;
i) Aplicar a medida de exclusão de aderentes pelo não cumprimento do
regulamento interno da ZIF;
j) Alterar e aprovar regulamento interno, quando expressamente convocada para o efeito
para o que se exige o voto favorável de três quartos dos aderentes presentes
e desde que estes representem, pelo menos, 25% do universo de aderentes da ZIF detentores
de pelo menos 50% da área da ZIF;
k) Extinguir a ZIF Serapitel, quando expressamente convocada para o efeito - para que
se
exige o voto favorável 50% do universo dos proprietários e produtores
florestais aderentes e deter, em conjunto, pelo menos metade da área da ZIF;
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l)Em Assembleia Geral que se vote a dissolução da ZIF Serapitel, os votos
serão obrigatoriamente nominativos e não serão permitidas abstenções,
por ficar expressamente convencionado, nesta constituição do regulamento,
que no caso de dissolução todos os aderentes serão solidariamente
responsáveis por todos os compromissos e obrigações assumidos
com vista a constituição e a realização dos seus objectivos;
m) Fixar, mediante proposta da Entidade Gestora, as importâncias das contribuições
dos proprietários e produtores florestais aderentes para o Fundo Comum;
n) Autorizar o Conselho Executivo a demandar os membros dos Corpos Sociais para actos
praticados no exercício dos seus cargos;
o) Alterar a área territorial da ZIF sobre proposta devidamente fundamentada
da Entidade
Gestora com uma periodicidade não inferior a cinco anos;
p) Promover uma reunião, para todos os proprietários e produtores florestais
abrangidos pela área territorial da ZIF, de aprovação do Plano
de Defesa da Floresta contra Incêndios, do Plano de Gestão Florestal,
que deverão estar disponíveis para consulta pública durante 30
dias, para apreciação nos termos do no 1, do artigo 23" do Decreto-Lei
no 12712005 de 5 de Agosto;
q) Remeter os planos referidos no número anterior, após aprovação
em Assembleia Geral, as respectivas entidades, Comissão Municipal de Defesa
da Floresta Contra Incêndios (CMDFCI) e a Direcção Geral dos Recursos
Florestais bem como a outras entidades que a
Direcção Geral dos Recursos Florestais venha a considerar relevantes
nos termos do definido no artigo 23" do Decreto-Lei no 12712005 de 5 de Agosto;
r) Definir o valor e forma de remuneração da Entidade Gestora,
s) Deliberar sobre a intervenção em prédios de que se desconheça
o proprietário ou o seu
paradeiro.
12. A excepção dos casos expressamente determinados nas alíneas
d), g), j) e k) do numero anterior, as deliberações da Assembleia Geral
são válidas quando tomadas por maioria absoluta dos votos presentes.
13. Às reuniões da Assembleia Geral poderão assistir todos os
proprietários da área da ZIF mas, apenas os aderentes poderão
participar.
14. De cada reunião da Assembleia Geral será lavrada a acta, indicando
o número de aderentes presentes e o resultado das votações e deliberações
havidas, sendo assinada pelos membros da Mesa. |
|
Artigo 10"
(Competências do Presidente da Assembleia Geral) |
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São da competência própria
do Presidente da Mesa da Assembleia Geral:
a) Convocar reuniões da Assembleia Geral;
b) Dar posse aos titulares dos Órgãos Sociais;
c) Dirigir os trabalhos da Assembleia Geral e assegurar a ordem e disciplina dos mesmos;
d) Velar pelo cumprimento do regulamento interno. |
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Artigo 11"
(Constituição e do Conselho Executivo) |
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1. O Conselho Executivo é o
órgão de Acompanhamento da Entidade Gestora da ZIF Serapitel.
2. O Conselho Executivo é constituído por três membros efectivos:
Presidente, Tesoureiro, Secretário - e por um suplente.
3. O Conselho Executivo reúne quando convocada pelo seu Presidente ou a pedido
da maioria dos seus membros.
4. Compete ao Conselho Executivo, assegurar o período de transição
em caso de demissão da Entidade Gestora.
5. Compete, em especial, Presidente:
a) Convocar a . reuniões do Conselho Executivo;
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b) Convocar, sempre que o entender, reuniões com a Entidade Gestora, de forma
a acompanhar o processo de gestão
da ZIF;
c) Decidir, em caso de empate, exercendo o voto de qualidade;
d) Assinar, ou fazer assinar, no seu impedimento, por um seu substituto expresso, os
documentos que obriguem a ZIF, conjuntamente com outro membro do Conselho Executivo. |
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Artigo 12"
(Competências da Entidade Gestora) |
|
A Entidade Gestora possui as competências
definidas no Decreto-Lei N.' 127J2005, de 5 de Agosto de 2005. Assim, tem competência
para decidir sobre todas as matérias relacionadas com os objectivos da ZIF que
não estejam expressamente reservadas por este regulamento ou pela lei a Assembleia
Geral, ao Conselho Executivo ou ao Conselho Fiscal. Compete, nomeadamente, a Entidade
Gestora:
a) Definir, orientar, executar e fazer executar as directrizes traçadas pelo
regulamento, pela Assembleia Geral ou por si mesma;
b) Exercer o poder disciplinar necessário para dar cumprimento ao presente regulamento
interno;
c) Propor a Assembleia Geral a aquisição ou alienação de
bens imóveis da ZIF;
d) Requerer ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral a convocação extraordinária
da mesma;
e) Criar um centro de custos específico da ZTF ;
f) Elaborar e apresentar a Assembleia Geral o Plano de Actividades e Orçamento
Anual;
g) Elaborar e apresentar a Assembleia Geral o Relatório de Actividades e Contas
Anuais, juntamente com o parecer do Conselho
Fiscal;
h) Divulgar na Assembleia Geral Ordinária de Dezembro, a lista geral de proprietários
aderentes a ZIF.
i) Apresentar candidaturas aos apoios disponíveis para a área da ZIF.
Executar os planos comuns da ZIF Serapitel. |
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Artigo 13"
(Conselho Fiscal) |
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O Conselho Fiscal é o órgão
de fiscalização e controle económico-financeiro da ZIF.
O Conselho Fiscal é constituído por três membros efectivos - Presidente,
Vice-presidente e
Secretário - e por um suplente.
O Conselho Fiscal reunirá anualmente e sempre que for convocado pelo seu Presidente.
O Conselho Fiscal só pode deliberar com a presença da maioria dos seus
membros, sendo as deliberações
tomadas por maioria de votos dos presentes, tendo o Presidente voto de qualidade.
Compete ao Conselho Fiscal, designadamente:
a) Fiscalizar os actos da Entidade Gestora;
b) Examinar a escrita da ZJF;
c) Conferir os saldos da caixa e quaisquer outros valores;
d) Requerer a convocação duma Assembleia Geral extraordinária
quando assim o entenda;
e) Dar parecer escrito sobre o relatório, balanço e contas anuais, bem
como sobre qualquer
outro assunto que lhe seja suscitado pelo Conselho Executivo ou pelo Presidente da
Mesa da Assembleia Geral. |
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Artigo 14."
(Fundo Comum) |
|
A constituição do fundo
comum é obrigatório e destina-se a financiar acções geradoras
de
benefícios comuns e de apoio aos proprietários aderentes.
A constituição e gestão do Fundo Comum é efectuada pela
Entidade Gestora.
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Constituem receitas do fundo comum:
a) As contribuições dos proprietários e produtores florestais
aderentes;
b) Receitas provenientes de candidaturas aos apoios disponíveis;
c) Prémios e incentivos que venham a ser definidas na Lei;
d) Quaisquer outras permitidas por Lei.
Constituem despesas do fundo comum:
a) O financiamento de acções geradoras de benefícios comuns e
de apoio aos
proprietários e produtores florestais aderentes
b) Todas as decorrentes do exercício das suas actividades de gestão florestal
e iniciativas, consoante as decisões da Entidade Gestora de acordo com o presente
Regulamento e as deliberações da Assembleia Geral;
c) As correspondentes a remuneração da Entidade Gestora.
d) As despesas que lhe forem impostas pela lei vigente. |
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Artigo 15."
(Alteração da ZIF) |
|
A área territorial da ZIF Serapitel, definida
no Artigo 1" do presente projecto de regulamento interno,
poderá ser alterada por períodos não inferires a 5 anos, desde
que tal sejam satisfeitas cumulativamente as seguintes condições:
a) A alteração seja objecto de agenda em Assembleia Geral de aderentes;
b) Exista o voto favorável de três quartos dos aderentes presentes e desde
que estes representem, pelo menos, 50%
do universo de aderentes da ZIF; |
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Artigo 16."
(Extinção da ZIF) |
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A extinção da ZIF Serapitel,
em Assembleia Geral, quando expressamente convocada para o efeito - para que se exige
o voto favorável 50% do universo dos proprietários e produtores florestais
aderentes e deter, em conjunto, pelo menos metade da área da ZIF - conforme
definido na alínea k) do no 1 I do artigo 9".
Em conformidade com o disposto na alínea 1) do no 11 do artigo gO, na Assembleia
Geral que se vote a dissolução da ZIF Serapitel, os votos serão
obrigatoriamente nominativos e não serão permitidas abstenções,
por ficar expressamente convencionado, nesta constituição do regulamento,
que no caso de dissolução todos os aderentes serão solidariamente
responsáveis por todos os compromissos e obrigações
assumidos com vista a constituição e
a realização dos seus objectivos;
Quando estas duas cláusulas S. verificarem poderá ser extinta a SIF Serapitel.
Contudo, se na data desta extinção, existirem bens comuns, os mesmos
deverão ser leiloados de forma a fazer face as despesas e indemnizações
inerentes ao processo. |
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Artigo 17."
(Norma Transitória) |
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Até a tomada de posse dos Órgãos
Sociais, a administração da ZIF Serapitel será assegurada pelos
representantes do Núcleo Fundador e pela Entidade Gestora da ZIF, aprovada na
reunião de Audiência Final.
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Portugueses
no estrangeiro (5)
(Consulado Virtual - Online) |
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Com a criação do Consulado
Virtual, foi dado um passo de gigante que vem facilitar em muito a vida dos muitos
portugueses residentes no estrangeiro, onde estão incluídos uma vasta
comunidade loriguense espalhada pelas quatro partes do mundo e, que com este nova enovação
online permite a partir de agora, ter uma vida muito mais facilitada.
O Consulado Virtual pretende facilitar o acesso aos
serviços da Administração Pública disponíveis nos
consulados portugueses de uma forma rápida e simples.
Através de www.consuladovirtual.pt,
o emigrante português, poderá aceder directamente ao consulado virtual,
através da introdução do seu código de utilizador e respectiva
palavra passe, que o cidadão poderá solicitar no Consulado da sua área
de residência para a partir de então ter acesso.
No www.consuladovirtual.pt,
pode iniciar o seu processo de registo caso se encontre já inscrito num Consulado
ou secção consular, sendo-lhe enviado para a morada indicada o código
de utilizador e a palavra passe. Caso o cidadão não se encontre ainda
inscrito no posto ou secção consular da sua área de residência,
poderá através do mesmo site iniciar o seu processo de inscrição
provisória. |
|
O que é o Consulado Virtual? |
|
O Consulado Virtual consiste num
sistema que, via Internet, permite disponibilizar um conjunto de serviços e
informações até agora apenas acessíveis directamente nos
postos e secções consulares portugueses. |
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Quem pode usufruir do Consulado
Virtual? |
|
Todos os utentes dos serviços
prestados pelos postos e secções consulares portugueses, em especial
os nacionais residentes no estrangeiro e inscritos no posto ou secção
consular da sua área de residência. |
|
Quais as vantagens na utilização
do Consulado Virtual? |
|
Desde logo, no consulado virtual é
possível realizar integralmente um conjunto de serviços/actos que anteriormente
apenas podiam ser realizados fisicamente num posto consular ou secção
consular. Adicionalmente, no caso de
serviços/actos que exigem a presença física do cidadão,
é possível no Consulado Virtual proceder à marcação
do serviço/acto, enviando em simultâneo um conjunto de informações
que possibilitarão uma tramitação mais rápida do serviço/acto
e um atendimento mais rápido e eficaz, aquando da deslocação ao
posto ou secção consular. |
|
O que é possível fazer
no Consulado Virtual? |
|
No Consulado Virtual, sempre que o
serviço não exija a presença física do cidadão no
posto ou secção consular, é possível a realização
integral do serviço/acto solicitado, devendo ser enviados pelo requerente os
dados necessários à sua execução e efectuado o pagamento
do mesmo. Caso o serviço/acto
solicitado exija a presença física no posto ou secção consular,
será possível ao cidadão no Consulado Virtual proceder à
sua marcação. Neste caso poderá ainda, adicionalmente, enviar
antecipadamente a informação necessária ao seu processo, o que
permitirá um atendimento e processamento do pedido mais célere aquando
da deslocação ao posto ou secção consular. |
|
Como sei o estado actual dos meus
pedidos? |
|
O Consulado Virtual disponibiliza
uma área específica em que cada cidadão poderá a qualquer
momento consultar o estado dos seus pedidos pendentes, bem como o histórico
de pedidos já concluídos. Através
do Consulado Virtual, o cidadão receberá as informações
registadas pelo posto ou secção consular sobre as acções
que são necessárias à conclusão do serviço/acto. |
|
Como obtenho a documentação
final referente ao serviço/acto que iniciei no Consulado Virtual? |
|
Para os pedidos de serviços/actos
em que tal seja aplicável (por exemplo, certidões ou certificados), os
documentos finais são enviados para a morada indicada pelo cidadão aquando
do pedido, ficando o serviço/acto concluído. Para
os pedidos de serviços/actos que exijam a presença física nas
instalações consulares do interessado, a documentação será
entregue da forma habitual |
|
Como é tratado o meu pedido
de serviço/acto? |
|
O pedido introduzido pelo cidadão no Consulado
Virtual será tratado no posto ou secção consular da sua área
de residência, da mesma forma que seria caso o cidadão se deslocasse ao
posto ou secção consular. |
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Como efectuo o pagamento do serviço/acto? |
|
Para os casos em que é exigido
o pagamento do serviço/acto no Consulado Virtual, este é realizado através
da utilização de cartão de crédito. |
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O pagamento através de cartão
de crédito na Internet é seguro? |
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No Consulado Virtual, quando o cidadão
realiza um pagamento é accionado o processo que verifica se o cartão
utilizado é válido. Caso se confirme a sua validade, é verificada
a identidade do cliente, recorrendo em tempo real ao Emissor do Cartão de Crédito.
Este valida a identidade do cliente e informa o Consulado Virtual que o cartão
utilizado para pagamento é legítimo. A protecção dada por
este protocolo nomeadamente em compras de origem fraudulenta, é totalmente garantida.
Adicionalmente, o Consulado Virtual encontra-se protegido por um certificado digital,
que permite a identificação inequívoca no mundo virtual, a realização
de trocas de informação com confidencialidade, a certeza de que as mensagens
enviadas não são alteradas e uma total declaração da autoria
de mensagens. |
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5 de Outubro
- Implantação da República - Feriado Nacional (6) |
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A Proclamação da República
Portuguesa foi o resultado da Revolução de 5 de Outubro de 1910 que naquela
data pôs termo à monarquia em Portugal. No dia 5 de Outubro de 1910 um
grupo de republicanos conseguiu derrubar a monarquia. |
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Antecedentes |
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O movimento revolucionário
de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária
e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876,
vinha sendo desenvolvida. |
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Aumentando a contraposição
entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo
tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular,
as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões,
em 1880, e o Ultimato inglês, em 1890, fora aproveitados pelos defensores
das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais
e aspirações populares. Elias Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães
Lima, tal com o operário Agostinho da Silva, foram personagens importantes
dos comícios de propaganda republicana, em 1880.
O terceiro centenário da morte de Camões, foi comemorado com
actos significativos - como o cortejo cívico que percorreu as ruas de
Lisboa, no meio de grande entusiasmo popular e, também, a transladação
dos restos mortais de Camões e Vasco da Gama para o Panteão Nacional.
As luminárias e o ar de festa nacional que caracterizaram essas comemorações
complementaram esse quadro de exaltação patriótica.
Partira a ideia das comemorações camonianas da Sociedade de Geografia
de Lisboa, mas a execução coube a uma comissão de representantes
da Imprensa de Lisboa, constituída pelo Visconde de Jorumenha, por Teófilo
Braga, Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Magalhães Lima e Pinheiro
Chagas.
E o Partido Republicano, ao qual pertenciam as figuras mais representativas
da Comissão Executiva das comemorações do tricentenário
camoniano, ganhou grande popularidade. |
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Quadro - Simbolo da
República |
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A revolta
Durante o breve reinado de D. Manuel
II - que ascendeu ao trono logo após o atentado a D. Carlos, donde resultou
também a morte do seu filho herdeiro Luís Filipe, Duque de Bragança
- o movimento republicano acentuou-se, chegando mesmo a ridicularizar a monarquia.
A 5 de Outubro de 1910 estalou a revolta republicana
que já se avizinhava no contexto da instabilidade política.
Embora muitos envolvidos tenham-se esquivado à participação -
chegando mesmo a parecer que a revolta tinha falhado - foi também graças
à incapacidade de resposta do Governo em reunir tropas que dominassem os cerca
de duzentos revolucionários que resistiam de armas na mão.
Comandava as forças monárquicas, em Lisboa, o General Manuel Rafael Gorjão
Henriques, que se viu impotente para impedir a progressão das forças
comandadas por Machado Santos.
Com a adesão de alguns navios de guerra, o Governo rendia-se, os republicanos
proclamavam a República, e D. Manuel II era exilado. |
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Usos e costumes
alemães de Ano Novo (7) |
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Fogos de artifício, carne de
porco ou carpa, ferraduras, trevos de quatro folhas e o limpador de chaminés
fazem parte dos usos e costumes mais tradicionais do Ano Novo alemão.
A maioria dos costumes de Ano Novo na Alemanha vem de rituais germânicos e da
Roma antiga. Beber, comer e festejar sempre fazem parte de uma festa alemã de
réveillon, seja em família, ao ar livre ou num baile social. Na passagem
de ano também é tradicional o badalar dos sinos. Especialmente nesta
ocasião, pode-se ouvir o "Dicke Peter", o maior sino do campanário
da Catedral de Colónia.
Os fogos de artifício, para espantar os maus espíritos com muito barulho
e receber o Ano Novo com muitas luzes, são um costume praticado nas ruas e parques
de todo o país, seja em família ou entre vizinhos. Como não poderia
deixar de ser no país das regulamentações, os fogos têm
hora para começar e para terminar.
Antigamente, eram usados guizos e chicotes para fazer barulho. Na Idade Média,
os maus espíritos eram afastados com sinos, tambores e trombetas. Mais tarde,
com o descobrimento da pólvora, o barulho passou a ser feito também através
de tiros de morteiro e de espingarda. Esta tradição ainda é seguida
no norte da Alemanha, para que as árvores tragam bons frutos no ano que se inicia.
Um costume em extinção é o do derretimento de chumbo para adivinhar
o futuro. Ele consiste em derreter o metal e deixar cair pequenas porções
dele numa bacia com água. A partir da figura formada pelo metal solidificado,
há os que tentam adivinhar o que irá acontecer no ano que começa. |
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Simbologia dos alimentos |
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A grande variedade de pratos típicos
servidos no final do ano está relacionada directamente às superstições
e crenças. Quando se deseja abundância e fertilidade no ano que se aproxima,
deixa-se na mesa até o dia seguinte os restos da ceia de Ano Novo.
Na lista de pratos típicos para a ocasião, aparecem as sopas de lentilhas,
de ervilhas, de feijão de vagem ou até mesmo de cenoura. Segundo a crença
popular, isto traz bênçãos e riqueza. Ou ainda chucrute com costelinhas
de porco. Mas este prato só dá sorte se, antes de comer, a pessoa expressar
o desejo de no ano seguinte dispor de tantos bens e dinheiro quantos fios de repolho
estão na panela.
Enquanto as aves estão banidas do cardápio de reveillon, pois podem voar
com nossa sorte pela janela, as tradicionais vítimas são o peixe - mais
precisamente a carpa, preparada de diversas maneiras - e o porco, um importante símbolo
de sorte na Alemanha.
Por ser um alimento raro antigamente, a carpa tornou-se objecto de uma crendice: para
ganhar dinheiro no ano seguinte, deve-se guardar na carteira uma escama do peixe comido
na ceia. Ou então espalhar suas escamas pela casa. Mas ele só trará
sorte se permanecer ali todo o ano seguinte. Já as famílias mais modernas
costumam servir raclete ou fondue na noite de Ano Novo.
Também na Alemanha, são confeccionados pães e bolos para presentear
no final de ano. Quando oferecidos a alguém, representam o desejo de fartura,
saúde e sorte. Geralmente, trata-se de receitas comuns, de pães, bolos
ou biscoitos, só que a massa recebe uma forma especial. Seja trançado
ou em círculo, o produto final representa união e infinidade. |
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Símbolos da sorte |
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Quem oferece ao anfitrião da
festa de reveillon um porquinho de marzipã ou um vasinho com trevos de quatro
folhas, lança mão de símbolos seculares, que representam desejos
de sorte e fartura. Vejamos por quê:
- Porco - Porquinhos da sorte modernos são cor-de-rosa e de
marzipã. Há muitos séculos, este animal era venerado como sagrado.
Entre os germanos, o porco era símbolo de fertilidade e sinal de riqueza. Possuir
um porco, significava em tempos passados estar bem abastecido.
- Limpador de chaminé -
Na Alemanha é sinal de
sorte encontrar na rua um limpador de chaminés, com suas roupas pretas e seu
chapéu típico. A profissão é associada com a chaminé,
o elo de ligação entre dois mundos: o céu e a terra. É
seu trabalho limpar as impurezas, abrindo caminho ao ar puro. Esta limpeza tinha uma
profunda importância antigamente, quando o fogo podia se alastrar rapidamente
e destruir uma cidade inteira em pouco tempo.
- Trevo de quatro folhas - Sinal de sorte pela sua raridade. Outros tentam justificar
o símbolo com a associação à cruz de Cristo. Ou ainda a
cruz celta, usada para a protecção dos druidas. Pode também representar
os quatro pontos cardeais ou a ligação entre os quatro elementos essenciais.
- Ferradura - Antigamente era um objecto de muito valor. Serve tradicionalmente
para proteger as propriedades da invasão por estranhos. Todavia, a abertura
tem de apontar para cima, para abocanhar a sorte que cair nela. Outra credice reza
justamente o contrário: colocada com a abertura para baixo, representa a letra
omega, do alfabeto grego, símbolo de sorte.
- Cogumelo vermelho de pintinhas
brancas - Embora impróprio
para o consumo, era considerado sagrado pelos povos germânicos.
- Joaninha - seu nome, Marienkäfer, em alemão, tem origem
no nome da mãe de Jesus. Segundo a crença popular, ele é ao mesmo
tempo mensageiro divino, protector das crianças e curador dos doentes. Nunca
se pode espantá-lo e muito menos matá-lo, pois dá azar.
- Fênigue - antes do advento do euro, a centésima parte de um
marco alemão era guardada com carinho pelos alemães, por ser símbolo
de sorte. Já os antigos romanos presenteavam os deuses com moedas na passagem
do ano. |
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O significado
da Quaresma (8) |
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Durante este tempo especial de purificação,
contamos com uma série de meios concretos que a Igreja nos propõe e que
nos ajudam a viver a dinâmica quaresmal.
Antes de tudo, a vida de oração, condição indispensável
para o encontro com Deus. Na oração, se o cristão ingressa o diálogo
íntimo com o Senhor, deixa que a graça divina penetre seu coração
e, a semelhança de Santa Maria, se abra à ação do Espírito
cooperando com ela com sua resposta livre e generosa (ver Lc. 1,38).
Como também devemos intensificar a escuta e a meditação atenta
à Palavra de Deus, a assistência frequente ao Sacramento da Reconciliação
e a Eucaristia, e mesmo a prática do jejum, segundo as possibilidades de cada
um.
A mortificação e a renúncia nas circunstâncias ordinárias
de nossa vida também constituem um meio concreto para viver o espírito
de Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias,
mas bem, de saber oferecer aquelas circunstâncias quotidianas que nos são
incomodas, de aceitar com alegria os diferentes contratempos que nos apresenta o dia
- dia. Da mesma maneira, o saber renunciar a certas coisas legítimas nos ajuda
a viver o desapego e o desprendimento. Dentre as diversas práticas quaresmais
que a Igreja nos propõe, a vivência da caridade ocupa um lugar especial.
Assim nos recorda São Leão Magno: "estes dias de quaresma nos convidam
de maneira primária ao exercício da caridade; se desejamos chegar à
Pascoa santificados em nosso ser, devemos por um interesse especialíssimo na
aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão
de pecados".
Esta vivência da caridade devemos vivê-la de maneira especial com aqueles
a quem temos mais próximos, no ambiente concreto em que nos movemos. Assim,
vamos construindo no outro "o bem mais precioso e efectivo, que é o da
coerência com a própria vocação cristã" (João
Paulo II). |
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Como viver a Quaresma |
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1. Arrependendo-me de meus pecados
e confessando-me:
Pensar em quê ofendi a Deus, Nosso Senhor, se me dói tê-lo ofendido,
se realmente estou arrependido. Este é um bom momento do ano para realizar um
confissão preparada e de coração. Revise os mandamentos de Deus
e da Igreja para poder fazer uma boa confissão. Sirva-se de um livro para estruturar
sua confissão. Busque o tempo para realizá-la.
2. Lutando para mudar:
Analise sua conduta para conhecer em que esta falhando. Faça propósitos
para cumprir dia a dia e revise à noite se os alcançou. Lembre-se de
não colocar muitos propósitos porque será muito difícil
cumpri-lo todos . Deve-se subir as escadas de degrau em degrau, não se pode
subir toda ela de uma só vez. Conheça qual é o teu defeito dominante
e faça um plano para lutar contra ele. Teu plano deve ser realista, prático
e concreto para poder cumpri-lo.
3. Fazendo sacrifícios:
A palavra sacrifício vem do latim sacrum-facere, significa "fazer sagrado".
Então, fazer um sacrifício é fazer alguma coisa sagrada, quer
dizer, oferecê-la por amor a Deus, porque o ama, coisas que dão trabalho.
Por exemplo, ser amável com um vizinho com quem você não simpatiza
ou ajudar alguém em seu trabalho. A cada um de nós há algo que
nos custa fazer na vida de todos os dias. Se oferecemos isto a Deus por amor, estamos
fazendo sacrifício.
4. Fazendo oração:
Aproveite estes dias para rezar, para conversar com Deus, para dizê-lo que o
ama e que quer estar com Ele. Pode ser útil um bom livro de meditação
para Quaresma. Você pode ler na Bíblia passagens relacionadas com a quaresma. |
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Liturgia
da Semana Santa (9) |
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O DOMINGO DE RAMOS: - JESUS
EM JRUSALÉM
O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos
a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer
a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado
assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras
para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras
nas mãos, o povo o aclamava "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho
de Davi", "Salve o Messias". E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém
despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo
de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à
morte e morte de cruz.
O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré
da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los
da escravidão política e econômica imposta cruelmente pelos romanos
naquela época e, religiosa que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.
Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas,
o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes
e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província,
que o condenasse à morte.
Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois evangelhos:
o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado
pelo povo; depois o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde são
relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas
compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Antes
porém, da sua condenação, Jesus passa por humilhações,
cusparadas, bofetadas, é chicoteado impiedosamente por chicotes romanos que
produziam no supliciado, profundos cortes com grande perda de sangue. Só depois
de tudo isso que, com palavras é impossível descrever o que Jesus passou
por amor a nós, é que Ele foi condenado à morte, pregado numa
cruz.
O Domingo de Ramos pode ser chamado também de "Domingo de Ramos e da Paixão
do Senhor", nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos
da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para
nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão,
Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério
central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer
o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele Vivo e Vitorioso viver
eternamente, é proclamar, como nos diz São Paulo: "Jesus Cristo
é o Senhor", para a glória de Deus Pai' (Fl 2, 11).
Começa a Semana Santa e recordamos a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém.
Escreve São Lucas. "Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia,
junto ao monte chamado das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos dizendo-lhes:
"Ide a essa aldeia que está em frente e, ao entrar, encontrareis um burrico
amarrado que nunca ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém vos
perguntar porque o soltais, dir-lhe-eis: o Senhor tem necessidade dele". Foram
e encontraram tudo como o Senhor lhes tinha dito".
SEGUNDA-FEIRA SANTA: - JESUS EM
BETÂNIA
No Domingo foi a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. A multidão
dos discípulos e outras pessoas aclamaram-no como Messias e Rei de Israel. No
fim do dia, cansado, voltou a Betânia, aldeia situada muito próximo da
capital, onde costumava alojar-se nas suas visitas a Jerusalém.
Ali, uma família amiga tinha sempre disponível um lugar para Ele e para
os seus. Lázaro, a quem Jesus ressuscitou dos mortos, é o chefe da família;
vivem com ele Marta e Maria, suas irmãs, que esperam cheias de entusiasmo a
chegada do Mestre, contentes por poder oferecer-lhe os seus serviços.
Nos últimos dias da sua vida na terra, Jesus passa longas horas em Jerusalém,
dedicado a uma pregação intensíssima. À noite, recupera
as forças em casa dos seus amigos. E em Betânia tem lugar um episódio
recolhido pelo Evangelho da Missa de hoje.
Seis dias antes da Páscoa - relata São João -, foi Jesus a Betânia.
Ali lhe ofereceram uma ceia; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam com
Ele à mesa. Maria tomou então uma libra de perfume de nardo autêntico,
muito caro, ungiu os pés de Jesus com ele e enxugou-os com os seus cabelos,
e a casa encheu-se com a fragrância do perfume.
Imediatamente salta à vista a generosidade desta mulher. Deseja manifestar o
seu agradecimento ao Mestre, por ter devolvido a vida ao seu irmão e por tantos
outros bens recebidos, e não repara em gastos. Judas, presente na cena, calcula
exatamente o preço do perfume.
Mas, em vez de louvar a delicadeza de Maria, entregou-se à crítica: por
que não se vendeu este perfume por trezentos denários para dá-los
aos pobres? Na realidade, como faz notar São João, não lhe importavam
os pobres; interessava-lhe ter acesso ao dinheiro da bolsa e furtar o seu conteúdo.
TERÇA-FEIRA SANTA: - COMO
É A NOSSA FÉ?
A liturgia diz que neste dia anuncia-se que os Apóstolos deixariam Cristo só
durante a Paixão. A Simão Pedro que, cheio de presunção,
afirmava: eu darei a minha vida por ti, o Senhor respondeu: tu darás a tua vida
por mim? Eu te asseguro que não cantará o galo, antes de me teres negado
três vezes.
Em poucos dias cumpriu-se a predição. Todavia, poucas horas antes, o
Mestre tinha-lhes dado uma lição clara, preparando-os para os momentos
de escuridão que se avizinhavam.
Ocorreu no dia seguinte ao da entrada triunfal em Jerusalém. Jesus e os Apóstolos
tinham saído muito cedo de Betânia e, com a pressa, talvez não
tivessem comido nada. O caso é que, como relata São Marcos, o Senhor
sentiu fome. Vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma
coisa; mas, ao chegar junto dela, não encontrou senão folhas, pois não
era tempo de figos. Disse então: "Nunca mais ninguém coma fruto
de ti." E os discípulos ouviram isto.
Ao entardecer regressaram à aldeia. Devia ser já tarde avançada
e não repararam na figueira amaldiçoada. Mas no dia seguinte, terça-feira,
ao voltar de novo a Jerusalém, todos contemplaram aquela árvore, antes
frondosa, que mostrava os ramos nus e secos. Pedro fê-lo notar a Jesus: "Olha,
Mestre, a figueira que amaldiçoaste secou!" Jesus disse-lhes: "Tende
fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a este monte: 'Sai
daí e lança-te ao mar', e não vacilar em seu coração,
mas acreditar que o que diz vai se realizar, assim acontecerá."
Durante a sua vida pública, para realizar milagres, Jesus pedia uma só
coisa: fé. Aos cegos que lhe suplicavam a cura, tinha-lhes perguntado: credes
que posso fazer isso? - Sim, Senhor, responderam-lhe. Então tocou-lhes os olhos
dizendo: que se faça em vós conforme a vossa fé. E abriram-se-lhes
os olhos.
QUARTA-FEIRA SANTA: - JUDAS ATRAIÇOA
JESUS
Na Quarta-Feira Santa recordamos a triste história daquele que foi Apóstolo
de Cristo: Judas. Assim conta São Mateus no seu evangelho: Um dos Doze, chamado
Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse-lhes: "Quanto me dareis,
se eu vo-lo entregar?" Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E, a partir
de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
Por que a Igreja recorda este acontecimento? Para que nos convençamos de que
todos podemos comportar-nos como Judas. Para que peçamos ao Senhor que, da nossa
parte, não haja traições, nem distanciamentos, nem abandonos.
Não somente pelas consequências negativas que isso poderia trazer às
nossas vidas pessoais, o que já seria muito; mas porque poderíamos arrastar
outros, que necessitam da ajuda do nosso bom exemplo, do nosso ânimo, da nossa
amizade.
Em alguns lugares da América, as imagens de Cristo crucificado mostram uma chaga
profunda na face esquerda do Senhor. E contam que essa chaga representa o beijo de
Judas. Tão grande é a dor que os nossos pecados causam a Jesus! Digamos-lhe
que desejamos ser-lhe fiéis: que não queremos vendê-lo - como Judas
- por trinta moedas, por uma ninharia, pois isso são todos os pecados: a soberba,
a inveja, a impureza, o ódio, o ressentimento... Quando uma tentação
ameaça atirar-nos para o chão, pensemos que não vale a pena trocar
a felicidade dos filhos de Deus, que é o que somos, por um prazer que logo acaba
e deixa o gosto amargo da derrota e da infidelidade.
Grandes foram os pecados de Judas e de Pedro. Os dois atraiçoaram o Mestre:
um entregando-o nas mãos dos perseguidores, outro negando-o por três vezes.
E, no entanto, que diferente reação teve cada um! Para os dois o Senhor
guardava torrentes de misericórdia.
Pedro arrependeu-se, chorou o seu pecado, pediu perdão, e foi confirmado por
Cristo na fé e no amor; com o tempo, chegaria a dar a sua vida por Nosso Senhor.
Judas, pelo contrário, não confiou na misericórdia de Cristo.
Até o último momento teve abertas as portas do perdão de Deus,
mas não quis entrar por elas através da penitência.
QUINTA-FEIRA SANTA: - INSTITUIÇÃO
DA EUCARISTIA
Aproximava-se o momento em que Jesus ia oferecer a sua vida pelos homens. Tão
grande era o seu amor, que na sua Sabedoria infinita encontrou o modo de ir e de ficar,
ao mesmo tempo. São Josemaria, ao considerar o comportamento dos que se vêem
obrigados a deixar a sua família e a sua casa, para procurar emprego em outro
lugar, comenta que o amor humano costuma recorrer aos símbolos. As pessoas que
se despedem trocam lembranças entre si, talvez uma fotografia.
Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas
uma realidade. Fica Ele mesmo. Embora vá para o Pai, permanece entre os homens.
Sob as espécies do pão e do vinho está Ele, realmente presente,
com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade.
Como responderemos a esse amor imenso? Assistindo com fé e devoção
à Santa Missa, memorial vivo e atual do Sacrifício do Calvário.
Preparando-nos muito bem para comungar, com a alma bem limpa. Visitando Jesus com freqüência,
escondido no Sacrário.
São João relata que Jesus lavou os pés dos discípulos,
antes da Última Ceia. Temos de estar limpos, na alma e no corpo, e aproximarmos
para recebê-lo com dignidade. Para isso nos deixou o Sacramento da Penitência. |
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SEXTA-FEIRA SANTA: -
CRISTO NA CRUZ
Hoje queremos acompanhar Cristo na Cruz. Recordo umas palavras de São
Josemaria, numa Sexta-Feira Santa. Convidava-nos a reviver pessoalmente as
horas da Paixão: desde a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras até
à flagelação, a coroação de espinhos e a
morte na Cruz. Dizia: atada a omnipotência de Deus por mão de
homem levam o meu Jesus de um lado para outro, entre os insultos e os empurrões
da multidão.
Cada um de nós pode se ver no meio daquela multidão, porque foram
os nossos pecados a causa da imensa dor que se abate sobre a alma e o corpo
do Senhor. Sim: cada um de nós leva Cristo, convertido em objeto de
troça, de uma a outra parte. Somos nós que, com os nossos pecados,
reclamamos aos gritos a sua morte. E Ele, perfeito Deus e perfeito Homem, deixa-nos
agir. Tinha-o predito o profeta Isaías: maltratado, não abriu
a sua boca; como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante os tosquiadores.
Que grande é o poder da Cruz! Quando Cristo é objeto de riso
e de escárnio para todo o mundo; quando está no Madeiro sem querer
arrancar os cravos; quando ninguém daria nem um centavo pela sua vida,
o bom ladrão - um como nós - descobre o amor de Cristo agonizante,
e pede perdão. Hoje estarás comigo no Paraíso. Que força
tem o sofrimento, quando se aceita junto de Nosso Senhor! É capaz de
tirar - das situações mais dolorosas - momentos de glória
e de vida. Esse homem que se dirige a Cristo agonizante, encontra a remissão
dos seus pecados, a felicidade para sempre.
Nós temos de fazer o mesmo. Se perdermos o medo da Cruz, se nos unirmos
a Cristo na Cruz, receberemos a sua graça, a sua força, a sua
eficácia. E encher-nos-emos de paz.
Ao pé da Cruz descobrimos Maria, Virgem fiel. Peçamos-lhe, nesta
Sexta-Feira Santa, que nos empreste o seu amor e a sua força, para que
também nós saibamos acompanhar Jesus. Dirigimo-nos a Ela com
umas palavras de São Josemaria, que ajudaram milhões de pessoas.
Diz: Minha Mãe (tua, porque és seu por muitos títulos),
que o teu amor me ate à Cruz do teu Filho; que não me falte a
Fé, nem a valentia, nem a audácia, para cumprir a vontade do
nosso Jesus. |
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Simbologia da Quadra
da Páscoa |
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SÁBADO SANTO: - SILÊNCIO
E CONVERSÃO
Hoje é um dia de silêncio: Cristo jaz no sepulcro e a Igreja medita, admirada,
o que fez este Senhor nosso por nós. Guarda silêncio para aprender do
Mestre, ao contemplar o seu corpo destroçado.
Cada um de nós pode e deve unir-se ao silêncio da Igreja. E ao considerar
que somos responsáveis por essa morte, esforçar-nos-emos para que as
nossas paixões, as nossas rebeldias, tudo o que nos afaste de Deus, guardem
silêncio. Mas sem estarmos meramente passivos: é uma graça que
Deus nos concede quando a pedimos diante do Corpo morto do seu Filho, quando nos empenhamos
por tirar da nossa vida tudo o que nos afasta d'Ele.
O Sábado Santo não é um dia triste. O Senhor venceu o demônio
e o pecado, e dentro de poucas horas vencerá também a morte com a sua
gloriosa Ressurreição. Reconciliou-nos com o Pai celestial: já
somos Filhos de Deus! É necessário fazer propósitos de agradecimento,
que tenhamos a segurança de superar todos os obstáculos, sejam de que
tipo for, se nos mantivermos bem unidos a Jesus pela oração e pelos sacramentos.
O mundo tem fome de Deus, ainda que muitas vezes não o saiba. As pessoas estão
desejando que se lhes fale desta realidade gozosa - o encontro com o Senhor -, e para
isso viemos nós os cristãos. Tenhamos a valentia daqueles dois homens
- Nicodemos e José de Arimateia -, que durante a vida de Jesus Cristo mostravam
respeitos humanos, mas que, no momento definitivo, se atrevem a pedir a Pilatos o corpo
morto de Jesus, para lhe dar sepultura. Ou a daquelas mulheres santas que, sendo Cristo
já um cadáver, compram aromas e acodem para embalsamá-lo, sem
ter medo dos soldados que guardam o sepulcro.
À hora da debandada geral, quando todo o mundo se sentiu com direito de insultar,
rir e mofar-se de Jesus, eles vão dizer: dá-nos esse Corpo, que nos pertence.
Com que cuidado o desceriam da Cruz e iriam olhando as suas Chagas! Peçamos
perdão e digamos, com palavras de São Josemaria: eu subirei com eles
ao pé da Cruz, apertar-me-ei ao Corpo frio, cadáver de Cristo, com o
fogo do meu amor..., despregá-Lo-ei com os meus desagravos e mortificações...,
envolvê-Lo-ei com o lençol novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei
no meu peito de rocha viva, onde ninguém mo poderá arrancar; e, aí,
Senhor, descansai!
Compreende-se que pusessem o corpo morto do Filho nos braços da Mãe,
antes de dar-lhe sepultura. Maria era a única criatura capaz de lhe dizer que
entende perfeitamente o seu Amor pelos homens, pois Ela não foi causadora dessas
dores. A Virgem Puríssima fala por nós; mas fala para nos fazer reagir,
para que experimentemos a sua dor, feita uma só coisa com a dor de Cristo.
Tiremos propósitos de conversão e de apostolado, de identificar-nos mais
com Cristo, de estar totalmente centrados nas almas. Peçamos ao Senhor que nos
transmita a eficácia salvadora da sua Paixão e da sua Morte. Consideremos
o panorama que se nos apresenta por diante. As pessoas que nos rodeiam esperam que
nós os cristãos lhes descubramos as maravilhas do encontro com Deus.
É necessário que esta Semana Santa - e depois todos os dias - seja para
nós um salto de qualidade, um dizer ao Senhor que se meta totalmente nas nossas
vidas. É preciso comunicar a muitas pessoas a Vida nova que Jesus Cristo nos
conseguiu com a Redenção.
Recorramos a Santa Maria: Virgem da Solidão, Mãe de Deus e Mãe
nossa, ajuda-nos a compreender - como escreve São Josemaria - que é preciso
fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação
e pela penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir então
os passos de Cristo, com ânsia de corredimir todas as almas. Dar a vida pelos
outros. Só assim se vive a vida de Jesus Cristo e nos fazemos uma só
coisa com Ele.
DOMINGO DE PÁSCOA: - JESUS
VENCEU
Transcorrido o sábado, Maria Madalena, Maria a Mãe de Tiago, e Salomé,
compraram perfumes para ir embalsamar Jesus. Muito de madrugada, no primeiro dia da
semana, ao nascer do sol, dirigiram-se ao sepulcro. Assim começa São
Marcos a narração do sucedido naquela madrugada de há dois mil
anos, na primeira Páscoa cristã. Jesus tinha sido sepultado. Aos olhos
dos homens, a sua vida e a sua mensagem tinham terminado com o mais profundo dos fracassos.
Os seus discípulos, confusos e atemorizados, tinham-se dispersado. As próprias
mulheres que acodem para realizar um gesto piedoso, perguntam-se umas às outras:
quem nos tirará a pedra da entrada do sepulcro? "No entanto, faz notar
São Josemaria, seguem adiante... Tu e eu, como andamos de vacilações?
Temos esta decisão santa, ou temos de confessar que sentimos vergonha ao contemplar
a decisão, a intrepidez, a audácia destas mulheres?".
Cumprir a Vontade de Deus, ser fiéis à lei de Cristo, viver coerentemente
a nossa fé, pode parecer às vezes muito difícil. Apresentam-se
obstáculos que parecem insuperáveis. No entanto, não é
assim. Deus vence sempre.
A epopéia de Jesus de Nazaré não termina com a sua morte ignominiosa
na Cruz. A última palavra é a da Ressurreição gloriosa.
E os cristãos, no Batismo, somos mortos e ressuscitados com Cristo: mortos para
o pecado e vivos para Deus. "Oh Cristo - dizemos com o Santo Padre João
Paulo II -, como não te dar graças pelo dom inefável que nos ofereces
nesta noite! O mistério da tua Morte e da tua Ressurreição infunde-se
na água batismal que acolhe o homem velho e carnal, e o faz puro, com a mesma
juventude divina" (Homilia, 15-IV-2001).
Hoje a Igreja, cheia de alegria, exclama: este é o dia que o Senhor fez: regozijemo-nos
e alegremo-nos com ele! Grito de júbilo que se prolongará durante cinqüenta
dias, ao longo do tempo pascal, como um eco das palavras de São Paulo: posto
que vós ressuscitastes com Cristo, procurai os bens do alto, onde está
Cristo sentado à direita de Deus. Ponham todo o coração nos bens
do céu, não nos da terra; porque morrestes e a vossa vida está
escondida com Cristo em Deus.
Temos de permanecer sempre junto à Nossa Senhora, mas mais ainda no tempo de
Páscoa, e aprender d'Ela. Com que ânsias tinha esperado a Ressurreição!
Sabia que Jesus tinha vindo salvar o mundo e que, portanto, devia padecer e morrer;
mas também conhecia que não podia ficar sujeito à morte, porque
Ele é a Vida.
Uma boa forma de viver a Páscoa consiste em esforçar-nos por fazer os
outros participantes da vida de Cristo, cumprindo com primor o mandamento novo da caridade,
que o Senhor nos deu na véspera da sua Paixão: nisto conhecerão
todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros. Cristo ressuscitado
repete agora a cada um de nós. Diz-nos: amem-se de verdade uns aos outros, esforcem-se
todos os dias por servir os outros, estejam atentos aos detalhes mais pequenos, para
fazer a vida agradável aos que convivem convosco.
Mas voltemos ao encontro de Jesus com a sua Santíssima Mãe. Que contente
estaria Nossa Senhora, ao contemplar aquela Humanidade Santíssima - carne da
sua carne e vida da sua vida - plenamente glorificada! Peçamos-lhe que nos ensine
a sacrificar-nos pelos outros sem o fazer notar, sem esperar sequer que nos agradeçam:
que tenhamos fome de passar inadvertidos, para assim possuirmos a vida de Deus e comunicá-la
a outros.
Hoje dirigimos-lhe a oração
do Regina Caeli, saudação própria do tempo pascal. Rainha do Céu
alegrai-vos, aleluia / Porque aquele que merecestes trazer em vosso seio, aleluia /
Ressuscitou como disse, aleluia. / Rogai por nós a Deus, aleluia. / Exultai
e alegrai-vos, ó Virgem Maria, aleluia / Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente,
aleluia. |
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Dia Internacional
da Mulher (10) |
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No dia 8 de Março commemora-se
por todod o mundo o Dia Internacional da Mulher, que celebra a data de 8 de Março
de 1857, em que teve lugar aquela que terá sido, em todo o mundo, uma das primeiras
acções organizadas por trabalhadores do sexo feminino. Centenas de operárias
de fábricas de tecidos, situadas na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram
uma grande greve iniciaram uma marcha de protesto contra os baixos salários,
o período de 12 horas diárias e as más condições
de trabalho. A manifestação foi violentamente dispersada pela polícia.
As mulheres envolvidas nestes movimentos foram as mesmas que fundaram, dois anos depois,
os sindicatos. |
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Dia internacional da
Mulher |
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A ideia da existência
de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na viragem do século
XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão
económica que levou aos protestos sobre as condições de
trabalho.
O Dia Internacional da Mulher, é também um dia comemorativo para
a celebração dos feitos económicos, políticos e
sociais alcançados pela mulher e ainda comemorar o tragico incêndio
na fábrica da Triangle Shirtwaist (Nova Iorque, 1911) em que 140 mulheres
perderam a vida.
Muitos outros protestos se seguiram nos anos seguintes ao episódio de
8 de Março, destacando-se um outro em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam
sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário,
melhores salários, e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional
da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América
após uma declaração do Partido Socialista da América.
Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu
em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional
da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais
de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.
No entanto, logo depois, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist
mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído
às más condições de segurança do edifício.
Além disto, ocorreram também manifestações pela
Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial. |
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Marcos das Conquistas das Mulheres
na História: |
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- 1788 - o político e filósofo
Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego
e educação para as mulheres.
- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros
dos Estados Unidos.
- 1859 - Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento
de luta pelos direitos das mulheres.
- 1862 - Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela
primeira vez na Suécia.
- 1865 - Na Alemanha Louiso Otto, cria a Associação Geral das Mulheres
Alemãs.
-1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto
para as mulheres inglesas
- 1869 - É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para
o Sufrágio das Mulheres
- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medecina.
- 1874 - Criada no Japão primeira escola normal para moças.
- 1878 - Criada na Rússia uma Universidade Feminina
- 1901 - O deputado francês René Viviani defende o direito de voto das
mulheres |
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A história do Dia Internacional
das Mulheres começa com a inserção das mulheres no mercado de
trabalho após a Revolução Industrial. As mulheres saíram
dos lares, mas não conseguiram os mesmos direitos que os homens. Até
hoje as pesquisas revelam que as mulheres ganham menos ocupando o mesmo cargo. Mas
já foi bem pior.
O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações
Unidas como Dia Internacional da Mulher. |
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História
do 25 de Abril (11) |
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No dia 25 de Abril é comemorado
a Revolução dos Cravos que pôs fim ao período salazarista
com a derrubada de Marcelo Caetano. Portugal, hoje membro da Comunidade Europeia, era
um país atrasado em relação ao continente. O país de Camões
não vivia o melhor momento de sua história, o último império
colonial da Europa pagava caro por este título. Angola, Moçambique e
Guiné estavam em guerras de libertação da matriz desde os anos
60, além do desprestígio causado pelas conquistas de Goa, Damão
e Diu pela Índia. Portugal era integrante da ONU e da OTAN, mesmo assim era
condenado por seus aliados, inclusivo pela sua política colonialista e ditatorial.
O esforço de guerra colonial produzia um serviço militar de quatro anos
de duração, repressão às opiniões contrárias
à guerra, partidos e movimentos políticos, exílio de líderes
da oposição e controle da imprensa e sindicatos. Todos eram suspeitos
aos olhos do governo considerado fascista.
A revolução de 25 de Abril de 1974 representa muito mais que uma mudança
na história do Portugal. Ela é o marco do fim do ciclo imperial iniciado
com a expansão marítima no século XV. A revolução
portuguesa deu esperanças aos país latinos a lutar contra as suas ditaduras.
No Chile havia sido imposto uma ditadura em nome da "liberdade", "democracia"
e "mundo livre" em 11 de Setembro de 1973 com apoio do governo estadunidense.
Ou seja, seis meses apenas antes da Revolução dos Cravos.
O motivo da revolução é simples e pode ser resumido nos três
dês: democratizar, descolonizar e desenvolver, que só seriam possíveis
com o fim do salazarismo. António de Oliveira Salazar assumiu o cargo de Presidente
do Conselho de 1932 até 1968. Governou o país com mão-de-ferro
até à sua retirada por incapacitação física. Marcelo
Caetano assume o seu lugar e mantém o regime por mais seis anos. Salazar tentou
manter a todo o custo o fim do período colonial e dirigiu Portugal sob linha
dura até a sua morte. |
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Com a substituição
de Salazar por Marcelo Caetano, a expectativa pela liberalização
do país aumentou, muito embora a demanda por mudanças superasse
a meta do governo de fazer uma transição lenta, gradual e segura;
para eles, obviamente.
Nos anos 70, os portugueses estavam descontentes com a decadência económica
produzida pelo atraso da nação e do financiamento às guerras
coloniais. Os sectores de médio e baixo escalão das forças
armadas estavam ainda menos satisfeitos com guerras inúteis e governos
que não os representavam.
Surge o "Movimento dos Capitães". Eles conviviam com o sentimento
de exploração, antipatia popular e o medo de serem culpados por
uma nova derrota nas colónias, assim como, ocorreu nos territórios
indianos. O Movimento cresce no verão de 1973/1974 e, desta vez, o povo
passa a apoiar a causa dos militares como única via para acabar com
o salazarismo.
O regime de 48 anos cai quase sem derramamento de sangue em poucas horas com
a adesão da população. O golpe não foi uma surpresa.
Em 16 de Março, oficiais de vários quartéis realizaram
u golpe frustrado contra o regime. O "putsch das Caldas da Rainha"
serviu de ensaio para o golpe fatal contra o regime salazarista.
Meia-noite e vinte minutos de 25 de Abril de 1974, neste horário era
dada a senha para o início do fim. A Rádio Renascença
executa "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso, uma música
proibida pela ditadura. Marcelo Caetano é "convidado" a retirar-se
e se exila no Brasil, que vivia os anos negros da ditadura militar. A população
festeja o fim da ditadura distribuindo cravos, a flor nacional, aos soldados
rebeldes.
A revolução dos cravos teve três fases distintas. Até
o golpe de 11 de Março de 1975 não se sabia quem controlava o
país. O general António de Spínola assume a Presidência
e toma atitudes polémicas como legalizar todos os partidos políticos,
inclusive o Partido Comunista.
As forças de esquerda ganham cada vez mais força no país
e em Setembro a MFA (Movimento das Forças Armadas) passa a dominar o
governo. A MFA era influenciada pelo PCP. No mesmo ano de agitações
políticas, as colónias africanas de Angola, Moçambique,
Cabo Verde e Guiné-Bissau conseguem suas soberanias políticas.
Era um desejo popular acabar com a ditadura, mas ao mesmo tempo era um golpe
militar de facto. A peculiaridade aumenta com a segunda fase do golpe, iniciada
pela tentativa frustrada de golpe de Spínola. O novo governo passa a
ser controlado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco
Gonçalves.
Depois do 11 de Março 1975 o país começou a tomar de vez
o rumo da esquerda. Bancos, indústrias e empresas de média foram
nacionalizados, além do início da reforma agrária. Neste
período é registado uma migração em massa para
o Brasil. Em menos de um ano, cerca de meio milhão de portugueses se
mudam para o continente americano num novo processo migratório. |
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Simbolo do 25 Abril |
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A vitória do moderado Partido
Socialista de Mário Soares nas eleições para a Assembleia Constituinte
em Abril de 1975, traz um novo momento ao período revolucionário. Inconformados
com esta reviravolta, oficiais de extrema-esquerda tentam, sem sucesso, um novo golpe
em 25 de Novembro de 1975. Esta tentativa frustrada põe fim ao período
revolucionário.
Mesmo assim, a revolução portuguesa foi um marco para a redemocratização
da península Ibérica e da América Latina. Ela foi decisiva para
as eleições que trouxeram derrotas aos governos "democráticos"
no Brasil e em outros países latino-americanos sem cheiro nem sabor.
A revolução mudou de vez a vida dos portugueses. A Carta Magna de 1976
incluiu temas sociais, garantiu o processo de reforma agrária e a independência
das colónias. No mesmo ano, o general António Ramalho Eanes é
eleito presidente da República. Este foi o mesmo comandante que esmagou a rebelião
de oficiais de esquerda. Com a derrota, Mário Soares tem de governar com a minoria
no congresso. Em 1978 renuncia ao cargo devido a grave crise económica.
Mesmo atravessando instabilidades políticas, como a do fim da década
de 70, a democracia sobreviveu em Portugal com a alternância entre os partidos
de direita e esquerda. Actualmente, os portugueses comemoram o 25 de Abril como uma
data que fez o país renascer do obscurantismo e do fascismo. |
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Dia 24 de Abril - véspera
da Revolução dos Cravos |
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Otelo Saraiva de Carvalho por volta
das 22 horas do dia 24/4/1974 fardado com blusão de cabedal chega ao Regimento
de Engenharia Nº1, na Pontinha. É ali que o major acompanhado de outros
oficiais: Os tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Lopes Pires, o comandante
Victor Crespo, os majores Sanches Osório e José Maria Azevedo, o capitão
Luís de Macedo.
Ali instalam o posto de comando num pequeno anexo com as janelas tapadas por alguns
cobertores, sobre a mesa uns papéis manuscritos e um mapa de estradas do Automóvel
Clube de Portugal edição de 1973 que fazia de carta operacional com os
esboços das movimentações, sendo a base do "plano geral das
operações" que se dividia em duas zonas.
Zona Norte que começava no eixo a sul do Porto e Lamego para norte. Zona Sul
desse eixo para sul, dividido em quatro sectores; Sector Norte, até a sul de
Coimbra, Sector Centro até norte de Santarém, Sector Sul daí para
sul, Sector Lisboa que também incluía Santarém. Dali do Posto
de Comando com o nome de código "Óscar" dão o conhecimento
da situação e as instruções às unidades militares
de todo o país envolvidas nas operações.
O primeiro sinal como combinado seria dado pelo então posto "Emissores
Associados de Lisboa" às 22:55. João Paulo Dinis era lá locutor
e fizera a tropa em Bissau sob as ordens de Otelo, daí a escolha de Otelo. E
cabe a Dinis às 22:55 dar voz e escolher a canção "E Depois Do Adeus" de
Paulo de Carvalho, canção vencedora desse ano do Festival da Canção
RTP e que iria a alguns dias representar Portugal no Festival da Eurovisão.
A segunda senha é dada na "Rádio Renascença". Otelo
fazia ponto de honra que fosse uma canção do Zeca Afonso e estava indeciso
entre "Venham Mais Cinco" e "Trás
Outro Amigo Também" eram
as suas preferidas mas logo os seus camaradas fizeram notar que seriam canções
muito óbvias e que iriam suscitar desconfiança.
Foi assim que o jornalista Carlos Albino sugeriu "Grândola
Vila Morena" e é esta
que acaba por ir para o ar no programa "Limite" de Paulo Coelho e Leite de
Vasconcelos que antes de pôr o disco recita a primeira quadra de "Grândola Vila Morena". São 0:20 e grande parte das forças envolvidas
põe-se em movimento.
O Quartel-General da Região Militar de Lisboa é o centro nevrálgico
das "Forças do Regime". O edifício é tomado pelo Batalhão
de Caçadores 5 com o código "Canadá". A mesma unidade
também se encarrega de proteger a residência do general António
de Spínola, o general Francisco Costa Gomes não foi alvo de protecção
porque não dormiu em casa.
Importante é também o aeroporto da Portela, operação com
o código "Nova Iorque" que fica encarregue à Escola Prática
de Infantaria (EPI) de Mafra que às portas de Lisboa a coluna militar perde-se
nas ruas e becos escuros de Camarate.
Junto ao aeroporto o capitão Costa Martins esperava a coluna da Escola Prática
de Infantaria (EPI) de Mafra e desesperava e decide neutralizar sozinho de pistola
em punho a guarda do aeroporto e entrou mesmo na torre de controlo fazendo "bluff"
durante mais duma hora dizendo que o aeroporto estava cercado e para se interditar
o espaço aéreo português imediatamente.
A Escola Prática de Infantaria (EPI) de Mafra, quando chega toma de imediato
conta do aeroporto e ainda neutraliza o Regimento de Artilharia Ligeira 1 em Lisboa
junto ao aeroporto. A Escola Prática de Transmissões fazia as escutas
telefónicas militares das forças do regime que depois transmitia ao Posto
de Comando.
O Regimento de Cavalaria 3 de Estremoz vem a Lisboa com a missão de controlar
a Ponte Sobre o Tejo, tomando posições do lado sul do Tejo (Pragal).
Enquanto nas colinas adjacentes à ponte de ambos os lados a Escola Prática
de Artilharia de Vendas Novas toma posições apontando baterias junto
ao Cristo Rei, para o Terreiro do Paço e Monsanto. A mesma unidade depois vai
lá baixo à Trafaria libertar os militares que tentaram a 16 de Março
o "golpe das Caldas da Rainha" e que se encontravam presos na Casa de Reclusão
da Trafaria.
Os órgãos de comunicação social também eram de crucial
importância controla-los. Para isso coube à RTP (única emissora
televisiva da época) ser tomada pela então, Escola Prática de
Administração Militar, (operação; código Mónaco)
já que se situava na mesma rua, (Alameda das Linhas de Torres em Lisboa).
A antiga Emissora Nacional, actual RDP na rua do Quelhas foi tomada com meios limitados
pelos capitães Oliveira Pimentel e Frederico de Morais mais 40 praças
de especialidades diversas do Campo de Tiro da Serra da Carregueira. Na rua Sampaio
Pina à porta da Rádio Clube Português estão estacionados
homens do BC5 dali perto (Campolide) chefiados pelo capitão Santos Coelho e
pelo Major Costa Neves da Força Aérea o qual no momento da tomada do
RCP é questionado pelo porteiro; se não podiam aparecer após as
9 horas da manhã, que sempre já lá estaria mais gente para os
receber!
Costa Neves e seus camaradas forçam a entrada e é esse o posto escolhido
para emissor do MFA. Como previram que as forças do regime pudessem cortar as
ligações às antenas do RCP do Porto Alto, tal como vieram a tentar,
então a guarda das antenas ficaram a cargo da Escola Prática de Engenharia,
de Tancos que também controlou a ponte de Vila Franca de Xira e a casa da moeda
em Lisboa.
Então através do RCP o MFA apresenta-se ao país pela 1ª vez
às 4:26 (estava previsto ser às 4 horas mas o engano de percurso da EPI
em Camarate atrasou o comunicado) a voz é do jornalista Joaquim Furtado: "Aqui
posto de comando do Movimento das Forças Armadas...".
A programação é alterada e passa o hino nacional, marchas militares
e canções de protesto e de contestação. Sucedem-se os comunicados
escritos por Victor Alves e Lopes Pires no quartel da Pontinha, que eram lidos aos
microfones do RCP. Mediante esta situação os ouvintes ficam a par do
desenrolar dos acontecimentos.
Mas a missão principal cabe ao capitão Salgueiro Maia e seus homens da
Escola Prática de Cavalaria, vindos de Santarém ficam-lhes encarregues
várias acções desde de "despiste" ou seja; chamar a
atenção das forças fiéis ao regime através dum itinerário
ostenta tório no sentido de dispersar as capacidades inimigas. E ainda de controlar
o Banco de Portugal, a Rádio Marconi e o Terreiro do Paço.
Ali, o ministro do Exército, general Andrade e Silva perante a situação
manda abrir à picareta um buraco na parede do gabinete por onde foge mais os
ministros da Marinha, da Defesa e do Interior acompanhados de militares de altas patentes.
Antes do golpe a Marinha e a Força Aérea haviam sido contactadas para
aderirem mas garantiram a neutralidade. Mas o capitão-de-fragata Seixas Louçã
que comandava a fragata "Almirante Gago Coutinho" integrada na NATO e com
grande poder de fogo, resolve, ameaçar disparar sobre o Terreiro do Paço.Ao
que é posta ao corrente das baterias de artilharia, já prontas a disparar,
posicionadas nas colinas junto ao Cristo Rei. A tripulação ao saber rebela-se
e ao fim da manhã a fragata retira-se e vai fundear-se no Alfeite.
Momento importante, quando a coluna EPC é interceptada na Avenida Ribeira das
Naus por tropas fieis ao regime comandadas pelos brigadeiro Junqueira dos Reis e o
tenente-coronel Ferrand d'Almeida, com tanques Patton M47. É o próprio
Salgueiro Maia que vai tentar dialogar, saindo a pé e de lenço branco
na mão hasteado e uma granada escondida na outra, ao que o brigadeiro dá
ordens para disparar sobre o capitão mas que ninguém obedece! E depois
mesmo alguns tanques de Cavalaria 7 passam-se para o lado de Salgueiro Maia.
Outro momento muito importante dá-se às 5 horas quando o Major Silva
Pais director-geral da PIDE/DGS dá conhecimento ao presidente do Conselho (função
que equivale actualmente à de primeiro-ministro), Marcelo Caetano dos acontecimentos
que este ainda desconhecia.
Referindo que a situação era grave e dando instruções para
se refugiar o mais depressa possível no Comando-Geral da GNR no Largo do Carmo
porque era um dos sítios que não se encontrava sitiado e que passava
mais despercebido. Mas que veio a revelar-se uma grande armadilha! Primeiro porque
soube-se da sua entrada no Quartel do Carmo às 6 horas, ao que o major Otelo
deu ordens para Salgueiro Maia se dirigir para o Largo do Carmo e sitiar completamente
o quartel para que não houvesse fugas pelas traseiras. Na ida da coluna de Salgueiro
Maia para o Largo do Carmo, uma companhia do RI 1 comandada pelo capitão Fernandes
tenta bloquear a passagem mas após curto diálogo, passam-se para o lado
dos revoltosos.
Embora em telefonemas mais tarde tentassem convencer Otelo que Caetano não se
encontrava lá mas Otelo sabia que era para as forças do regime ganharem
tempo. E segundo porque quando as individualidades mais importantes ligadas ao regime
foram socorridas pelo ar, por um helicóptero como no caso do Regimento de Lanceiros
2, esse mesmo helicóptero tentou ajudar a fuga de Marcelo Caetano, só
que não havia sítio para o helicóptero aterrar e por isso Marcelo
Caetano receoso permaneceu encurralado no Quartel do Carmo com blindados apontados
e ouvindo uma multidão crescente que tinha acordado dum sono profundo ou que
tinha aprendido ou descoberto nesse dia que existiam outras coisas como democracia
e liberdade. E gritavam: Por vingança e palavras de ordem contra a ditadura
e guerra colonial e outras coisas. Salgueiro Maia depois terá mesmo pedido calma
ao povo de megafone em punho.
Mesmo que o regime não caísse as coisas já não seriam mais
como antes, o povo nesse dia tinha ouvido coisas novas e ficou a saber em que tipos
de regime e que tipos de politicos governavam o país por isso aderiram de imediato
ao Movimento das Forças Armadas! O tempo passava a GNR não reagia numa
tentativa de ganhar tempo. Maia dá um ultimato à GNR mas nada!
No Posto de Comando desesperavam e Otelo envia um bilhete escrito a Maia: "Com
metralhadoras rebenta com as fechaduras do portão, que é para saberem
que é a sério!" Ás 15:10 são dados 10 minutos. (Temia-se
que um helicóptero afecto às Forças do Regime pudesse largar uma
bomba sobre as forças revoltosas no Largo do Carmo). Após o prazo esgotado,
às 15:25 as metralhadoras duma viatura chaimite disparam contra a frontaria
do quartel. Como não houvera reacção da parte do quartel, passado
algum tempo um blindado toma posição de canhão apontado e é
nesse momento que surgem dois civis: Pedro Feytor Pinto e Nuno Távora, quadros
da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, medianeiros entre Spínola
e Caetano, este último melindrado com a situação dizia: "Não
quero que o poder cai na rua".
Feytor Pinto telefona a Otelo que em nome do MFA, mandata o general Spínola
para receber a rendição de Caetano. Às 18 horas, chega Spínola
de automóvel com farda Nº 1. Caetano submete-se e entrega a Spínola
o poder e pede protecção. Spínola transmite a Caetano a intenção
do MFA de o enviar para o Funchal. (Iria partir para o Funchal no dia seguinte pelas
7 horas, a ele juntaram-lhe também entre outros o Presidente da Republica Almirante
Américo Tomás que durante a longa noite da revolução não
deu sinal de vida, como se não fosse nada com ele, passou o dia na sua casa
no Restelo, saindo sobre escolta para o aeroporto).
E assim às 19:30 sai do quartel o chaimite "Bula", no interior vão
Marcelo Caetano e António Spínola em direcção à
Pontinha, por entre uma multidão eufórica que celebra a "Liberdade"
com cravos vermelhos. Às 19:50 é emitido o comunicado: "O Posto
de Comando do MFA informa que se concretizou a queda do Governo, tendo Sua Excelência
o Professor Marcelo Caetano apresentado a sua rendição incondicional
a sua Excelência o General António de Spínola". Logo após
as 20 horas é lida no RCP a "Proclamação do Movimento das
Forças Armadas". E à 1:30 já do dia 26/4/74 aparecem na televisão
as novas caras do poder: A Junta de Salvação Nacional, como presidente,
António de Spínola, em que lê uma proclamação ao
país: Um novo regime. A democracia. A paz. |
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PORTUGAL - Anterior ao 25/4/74
e suas causas |
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Desde as lutas liberais na primeira
metade do século XIX que o país vive divisões e conflitos internos.
Ainda assim foi um período de progresso sobretudo na segunda parte do século
XIX, contudo a tensão foi enorme nas últimas décadas da monarquia
e que se acentuara após a república, com sucessivos governos a "caírem"
e inflações descontroladas. É neste cenário de instabilidade
e marasmo que na sequência dum golpe militar (de generais a 28/05/1926) que inicia-se
o "estado novo" e que viria a terminar também através dum golpe
militar (mas de capitães em 25/04/1974).
António Oliveira Salazar que no inicio era ministro das finanças, teve
o dom de controlar a inflação, passou a presidente do conselho aquando
da remodelação do governo em 1933, começando aí a designação
"Estado Novo". De inspiração fascista (como em alguns países
na Europa à época).
Regime fortemente centralizado pelo governo/estado e ditatorial. Para isso conseguiu
impor finalmente uma acalmia e uma ordem social no país, contando para isso
com uma polícia específica para o efeito. Primeiramente PVDE (Policia
de Vigilância e de Defesa do Estado).
Depois alteraram o nome para PIDE (Policia Internacional e de Defesa do Estado) este
foi o nome que perdurou mais tempo, por fim DGS (Direcção Geral de Segurança)
já com Marcelo Caetano em presidente do conselho de ministros (1968) após
saída de Salazar por incapacidade sobretudo física provocada por uma
queda quando sentado numa cadeira em São Pedro do Estoril que também
lhe provocou lesões cerebrais.
Após a 2ª guerra mundial o mundo transformava-se enquanto Portugal mantinha-se
estático e inabalável como se o tempo tivesse parado. As potências
coloniais começavam a desfazer os seus impérios enquanto Portugal mantinha
o seu império através da força de defesa militar, que teve inicio
em 1961 na Guiné-Bissau e que depressa se estendeu à Angola e Moçambique.
(Já nesse ano de 1961 Portugal tinha perdido as praças de Goa, Damão
e Diu para a União Indiana).
A guerra em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau aumentava, o inimigo cada
vez mais bem apetrechado belicamente sobretudo com armas Soviéticas mas também
Americanas. O inimigo actuava em guerrilha no mato. Os anos sucediam-se e a guerra
sem fim à vista cansava o sector militar que já mostrava algum cansaço.
Na Guiné-Bissau a situação era já tão descontrolada
que na reunião da ONU de 25/9/73, 47 países reconheceram a Guiné-Bissau
como independente! A sociedade civil também descontente em que as famílias
Portuguesas viam os seus filhos partirem para uma guerra longe com um tempo de serviço
militar obrigatório quase sempre superior a três anos! A fadiga e o descontentamento
militar levaram os militares a fazerem reuniões secretas que começaram
em Agosto e Setembro de 1973 e que se prolongaram pelo inicio de 1974. (Em 22/2/74
sai o livro "Portugal e o futuro" de A. Spínola).
No inicio de 1974 Marcelo Caetano em visita a Londres foi recebido em ambiente hostil
e de contestação devido à situação colonial. Das
reuniões secretas nasce a ideia do golpe de 16/4/74 do Regimento de Infantaria
5 das Caldas da Rainha (cerca de 200 homens entre praças, sargentos e oficiais),
que mal planeado, a 3 quilómetros de Lisboa souberam que estavam sozinhos e
voltaram para trás, vindo a ser detidos. 11 ficaram detidos na Trafaria.
Ficou no pensamento dos militares amigos dos detidos irem salva-los mas sem serem presos,
daí o golpe de estado "25 de Abril" ter-se dado pela questão
militar do Ultramar e não pela razão do regime ser uma ditadura anti-democrática
e contra a liberdade de expressão, já que politicamente os opositores
ao regime estavam exilados ou presos e não tinham qualquer poder ou forma de
fazer face ao regime pela força. A sua força era a cultura de outros
ideais que irritavam o governo fascista que queria manter a situação
imutável e o povo na ignorância. |
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1º
de Maio - Dia Mundial do Trabalho (12) |
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O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por
um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à
greve geral, que aconteceu em 1º de Maio de 1886, em Chicago, o principal centro
industrial dos Estados Unidos naquela época.
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições
de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada
de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações,
passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento
foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre
os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações
operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia
significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para
o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho. |
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Chicago, Maio de 1886 |
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O retrocesso vivido nestes primórdios
do século XXI remete-nos directamente aos piores momentos dos primórdios
do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas
ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extracção da mais-valia,
através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física
e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até
17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos
Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias,
descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos
difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização
- como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos. |
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Simbologia do Primeiro
de Maio |
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Com as primeiras organizações,
surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando
maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves,
nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago,
um dos principais pólos industriais norte-americanos, também
era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações
lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo
o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights
of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos
e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores
de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas.
Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época,
Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado
era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes
jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente
por August Spies e Michel Schwab.
Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes
operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam
criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados
e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados
trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas
estava posicionada a repressão policial. A manifestação
terminou com um ardente comício.
No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica
McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários,
matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores
para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta
apesar dos líderes pedirem calma.
Os oradores se revezavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união
e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo
de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma
bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram.
Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direcções.
Centenas de pessoas de todas as idades morreram.
A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se "Estado
de Sítio" e proibição de sair às ruas. Milhares
de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos
e gangsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os
e destruindo seus pertences. |
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A justiça burguesa levou a
julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph
Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21
de Junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença
foi lida dia 9 de Outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados
à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e
Neeb a quinze anos de prisão. |
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Spies fez a sua última defesa: |
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"Se com o nosso enforcamento
vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões
de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, espera a redenção
- se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma
faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês,
em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo
e vocês não poderão apagá-lo!". |
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Parsons também fez um discurso: |
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"Arrebenta a tua necessidade
e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é
o pão". Fez um relato da acção dos trabalhadores, desmascarando
a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais. A propriedade
das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos,
o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos
que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa
força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações
passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem
para sempre. Este e não outro é o objectivo do socialismo". |
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No dia 11 de Novembro, Spies, Engel,
Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados.
Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se. Seis anos depois, o governo de
Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniquidade do processo, anulou
a sentença e libertou os três sobreviventes.
Em 1888 quando a AFL realizou o seu congresso, surgiu a proposta para realizar nova
greve geral em 1º de Maio de 1890, a fim de se estender a jornada de 8 horas às
zonas que ainda não haviam conquistado.
No centenário do início da Revolução Francesa, em 14 de
Julho de 1889, reuniu-se em Paris um congresso operário marxista. Os delegados
representavam três milhões de trabalhadores. Esse congresso marca a fundação
da Segunda Internacional. Nele Herr Marx expulsou os anarquistas, cortou o braço
esquerdo do movimento operário num momento em que a concordância entre
todos os socialistas, comunistas e anarquistas residia na meta: chegada a uma sociedade
sem classes, sem exploração, justa, fraterna e feliz. Os meios a empregar-se
para atingir aquele objectivo constituíam os principais pontos de discordância:
Herr Marx, com toda a sua genialidade incontestável, levou adiante a tese de
que somente através de uma "Ditadura do Proletariado" se poderia ter
os meios necessários à abolição da sociedade de classes,
da exploração do homem pelo homem. Mikhail Bakunin, radical libertário,
contrapondo-se a Marx, criou a nova máxima: "Não se chega à
Luz através das Trevas." Segundo o Anarquista russo, deve-se buscar uma
sociedade feliz, sem classes, sem exploração e sem "ditadura"
intermediária de espécie alguma! A tendência maioritária
do Congresso ficou em torno de Herr Marx e os Anarquistas foram, vale repetir, expulsos.
Muitos têm apontado nesta ruptura de 1890 os motivos do fracasso do socialismo
dito "real": enfatizou-se mais do que o necessário a questão
da "ditadura" e o "proletariado" acabou esquecido. A própria
China de hoje é disso exemplo: uma pequenina casta de empresários lidera
ditatorialmente uma nação equacionada à força aproximando
perigosamente aquela tendência do neoliberalismo.
Fechando este parêntese que já vai longo, voltemos à reunião
do Congresso Operário de 1890: na hora da votar as resoluções,
o belga Raymond Lavigne encaminhou uma proposta de organizar uma grande manifestação
internacional, ao mesmo tempo, com data fixa, em todos os países e cidades pela
redução da jornada de trabalho para 8 horas e aplicação
de outras resoluções do Congresso Internacional. Como nos Estados Unidos
já havia sido marcada para o dia 1º de Maio de 1890 uma manifestação
similar, manteve-se o dia para todos os países.
No segundo Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, de 16 a 23 de Setembro de
1891, foi feito um balanço do movimento de 1890 e no final desse encontro foi
aprovada a resolução histórica: tornar o 1º de Maio como
"um dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os
trabalhadores devem manifestar os objectivos comuns de suas reivindicações,
bem como sua solidariedade".
Como vemos, a greve de 1º de Maio de 1886 em Chicago, nos Estados Unidos, não
foi um fato histórico isolado na luta dos trabalhadores, ela representou o desenrolar
de um longo processo de luta em várias partes do mundo que, já no século
XIX, acumulavam várias experiências no campo do enfrentamento entre o
capital (trabalho morto apropriado por poucos) versus trabalho (seres humanos vivos,
que amam, desejam, constroem e sonham!).
O incipiente movimento operário que nascera com a revolução industrial,
começava a atentar para a importância da internacionalização
da luta dos trabalhadores. O próprio massacre ao movimento grevista de Chicago
não foi o primeiro, mas passou a simbolizar a luta pela igualdade, pelo fim
da exploração e das injustiças.
Muitos foram os que tombaram na luta por mundo melhor, do massacre de Chicago aos dias
de hoje, um longo caminho de lutas históricas foi percorrido. Os tempos actuais
são difíceis para os trabalhadores, a nova revolução tecnológica
criou uma instabilidade maior, jornadas mais longas com salários mais baixos,
cresceu o número de seres humanos capazes de trabalhar, porém para a
nova ordem eles são descartáveis. Essa é a modernidade neoliberal,
a realidade do século que iniciamos, a distância parece pequena em comparação
com a infância do capitalismo, parecemos muito mais próximos dela do que
da pseudo racionalidade neoliberal, que muitos ideólogos querem fazer crer.
A realidade nos mostra a face cruel do capital, a produção capitalista
continua a fazer apelo ao trabalho infantil, somente na Ásia, seriam 146 milhões
nas fábricas, e segundo as Nações Unidas, um milhão de
crianças são lançadas no comércio sexual a cada ano |
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O 1º de Maio em Portugal |
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Em Portugal, só a partir de
Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou
a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura
do Estado Novo a comemoração deste dia era reprimida pelas polícias.
O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país com manifestações,
comícios e festas de carácter reivindicativo, nomeadamente com mais incidência
em Lisboa e no Porto, promovidas pelas centrais sindicais CGTP- (Confederação
Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) e UGT- (União Geral das
Trabalhadores). |
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O 1º. de Maio em Loriga |
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O 1º. de Maio foi também
comemorado e pela primeira vez em Loriga, no ano de 1974, com as pessoas a manifestarem-se
pelas ruas da vila como nunca se tinha visto igual, ficando na história como
a maior manifestação politica já mais realizada nesta pitoresca
vila serrana, onde se podiam ver patrões, comerciantes, empregados, velhos e
novos, todos unidos no mesmo ideal da liberdade.
O local conhecido por "Praça" lugar central de Loriga na época
e ruas adjacentes, esteve durante longas horas apinhado de gente e também muitos
outros a manifestarem-se percorrendo as ruas principais da vila dando largas ao seu
contentamento por finalmente poderem respirar uma LIBERDADE que à muito se ambicionavam. |
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Cancro
da Mama (13) |
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A importância do cancro da mama
deve-se à sua frequência e à sua mortalidade, constituindo um problema
de saúde pública. Nos países europeus, calcula-se que, uma mulher
em cada onze virá a contrair o cancro da mama. Apesar dos progressos no diagnóstico
precoce e no tratamento, a sobre vida após dez anos, é de 50 por cento |
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A incidência aumenta com a idade,
revelando dois picos na distribuição etária. Um em cada
quatro casos de cancro da mama ocorre no primeiro pico do grupo etário
a partir dos 45. Três quartos dos casos ocorrem no segundo pico a partir
dos 65 anos. No entanto, o cancro da mama ocorrendo muito antes do primeiro
pico do grupo etário, ou seja, muito antes dos 45 anos, ocorre neste
caso com menos incidência, em relação aos primeiros e segundos
picos etários, em cima referenciados. Segundo estudos na península
ibérica, o pico máximo dos cancros da mama é aos 69/70
anos.
Muito da acção do cancro da mama, está centralizada na
sua prevenção, no diagnóstico cada vez mais precoce e
em novas formas de tratamentos. Para prevenir o cancro da mama, há que
conhecer os seus factores de risco. Estes factores devem ser conhecidos das
utentes, se bem que nem todos estes factores de risco são possíveis
de alterar mas muitos deles são possíveis de evitar, contribuindo
para a prevenção desta doença.
Conhecidos os factores de risco, compete aos médicos (clínicos
gerais e ginecologistas) realizar anualmente a observação clínica
com anamenese, inspecção e palpação mamária.
Devem decidir da necessidade dos exames complementares de diagnóstico
cuja escolha deverá ser feita em função da idade e da
realidade das anomalias clínicas observadas. Estes exames complementares
constituem a "chave" do diagnóstico em senologia e a mamografia
tem aqui um papel decisivo.
A incidência é variável de país para país
e aumenta quatro por cento ao ano nos países industrializados, atingindo
sobretudo as mulheres após a menopausa. A taxa de mortalidade tem-se
mantido estável, o que significa uma melhoria na sobre vida que poderá
ser devida a vários factores: detecção mais precoce e
eficácia dos tratamentos. |

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Toda a patologia mamária assenta
num exame mamográfico. Daqui a necessidade que este seja de elevada qualidade
e que seja correctamente realizado. Há várias mamografias mas, a mamografia
digital directa em campo inteiro como aquela que se possui, é sem dúvida
uma ajuda preciosa na observação de pequenos detalhes, nomeadamente nos
seios densos, que levam a permitir fazer um diagnóstico correcto. |
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Prevenção do Cancro
da Mama |
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O que é prevenção
de um tipo de cancro? Prevenir o aparecimento de um tipo de cancro é diminuir
as possibilidades de que uma pessoa desenvolva essa doença através de
acções que a afastem de factores que propiciem o desarranjo celular que
acontece nos estágios bem iniciais, quando apenas algumas poucas células
estão sofrendo as agressões que podem transformá-las em malignas.
São os chamados factores de risco.
Além disso, outra forma de prevenir o aparecimento de cancro é promover
acções sabidamente benéficas à saúde como um todo
e que, por motivos muitas vezes desconhecidos, estão menos associadas ao aparecimento
desses tumores. Nem todos os cancros
têm esses factores de risco e de protecção identificados e, entre
os já reconhecidamente envolvidos, nem todos podem ser facilmente modificáveis,
como a herança genética (história familiar), por exemplo. |
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Como se faz prevenção
do cancro de mama |
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A mama é uma glândula
composta de conjuntos celulares que se organizam em lobos, lóbulos e ductos,
todos compostos de tipos específicos de células. Essas células
podem sofrer uma transformação maligna e, se não forem destruídas
pelo sistema imunológico, podem evoluir para um cancro de mama.
Esse, junto com o cancro de colo uterino, é o tipo de cancro mais comum nas
mulheres (com excepção do cancro de pele não-melanoma). Os homens
também podem ter cancro de mama porém muito menos frequentemente.
O cancro de mama, como a maioria dos tipos de cancro, tem factores de risco identificáveis,
alguns desses factores de risco são modificáveis, ou seja, pode-se alterar
a exposição que cada pessoa tem a esse determinado factor, diminuindo
a sua chance de desenvolver esse tipo de cancro. Há
também os factores de protecção. Ou seja factores aos quais, se
a pessoa está exposta, a sua chance de desenvolver esse tipo de cancro diminui.
Entre esses factores de protecção também há os que se pode
modificar, se expondo mais a eles.
Os factores de risco e protecção para cancro de mama mais conhecidos
e que podem ser modificados são: |
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Exposição a hormonas |
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Terapia de reposição
hormonal (hormonas usados para combater os sintomas da menopausa) pode aumentar o risco
de cancro de mama. Anticoncepcional oral (pílula) também pode aumentar
discretamente este risco. Retirar os ovários cirurgicamente ou usar medicações
que diminuam a hormona feminina estro génio circulante, diminui este risco.
Deixar de usar a terapia de reposição hormonal ou usar medicações
que bloqueiam a acção do estro génio é uma decisão
pessoal, baseada no risco de cada mulher para desenvolver cancro ou alguma outra doença.
Esta decisão deve ser discutida com o seu médico de confiança. |
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Dieta |
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Mulheres que ingerem alimentos ricos
em gordura animal (carne, manteiga, leite integral, queijos, natas, banha, creme de
leite, linguiça, salame, presunto, frituras, pele de frango, carne gorda) têm
mais possibilidade de desenvolver esse tipo de cancro.
Mulheres obesas têm mais chance de desenvolver cancro de mama, principalmente
quando o aumento de peso se dá após a menopausa e/ou após os 60
anos.
Ingerir bebidas alcoólicas está associado a um discreto aumento no risco
de desenvolver cancro de mama. Tomar menos que uma dose de bebida por dia ajuda a prevenir
esse tipo de cancro (um copo de vinho, uma garrafa de cerveja ou uma dose de uísque
são exemplos de uma dose de bebida alcoólica). Comer
legumes, verduras e frutas, pode diminuir o risco para esse tipo de cancro.
Manter-se dentro da faixa de peso ideal, principalmente após a menopausa, comer
dieta sem excesso de gordura e rica em alimentos de origem vegetal e ingerir bebidas
alcoólicas com moderação diminui as possibilidades de desenvolver
esse tipo de cancro. |
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Exercício físico |
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Exercício físico normalmente
diminui a quantidade de hormonas femininas circulantes. Como esse tipo de tumor está
associado a essas hormonas, fazer exercício físico diminui o risco para
esse tipo de tumor, principalmente em mulheres jovens. |
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História ginecológica |
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Amamentar pode diminuir o risco de
uma mulher desenvolver o cancro de mama.
Amamentar por mais de um ano somando todos os períodos de amamentação
já é o suficiente para ter o efeito protector da amamentação.
Ter dois filhos ou mais é um factor de protecção para cancro de
mama. |
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História familiar |
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Mulheres que têm mãe
ou irmã que tiveram cancro de mama, principalmente se eram jovens na época
do diagnóstico também são um grupo de risco.
Essas pessoas devem-se aconselhar com o seu médico para definir a necessidade
de fazer exames para identificar esses genes e para seguir medidas preventivas mais
directas como adenomastectomia preventiva (retirada das glândulas da mama) ou
uso de medicações como o Tamoxifen.
Só a avaliação individual feita por um profissional da área
da saúde, pesando prós e contras é que pode definir a melhor conduta
nesse caso. |
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Perguntas que você pode
fazer ao seu médico |
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A mamografia feita regularmente pode
diminuir a chance de eu morrer de cancro de mama?
Várias mulheres na minha família tiveram cancro de mama, algumas até
antes dos 50 anos. O que posso fazer para não ter também?
Não amamentei os meus filhos porque "não tinha leite". Isso
aumenta o meu risco de ter cancro de mama? |
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Equinócio
em Macapá - Brasil (14) |
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Macapá, no Amapá, é
a única capital brasileira cortada pela linha do Equador. Por conta disso, pelo
menos duas vezes ao ano, os moradores da cidade têm o privilégio de assistirem
ao fenómeno chamado de Equinócio, uma manifestação em que
os raios do sol, no seu movimento aparente, incidem directamente sobre a linha do Equador.
Nesse período, os dias e as noites têm a mesma duração em
todo o planeta. A ocorrência desse fenómeno se dá em dois momentos:
em Março, conhecido como equinócio da Primavera; e em Setembro, chamado
de equinócio de Outono.
A palavra "aequinoctium", vem do latim, quer dizer "dia igual a noite".
Representa a passagem do sol pelo Trópico de Câncer (Hemisfério
Norte), atravessando a linha do Equador e indo incidir pelo Trópico de Capricórnio
(Hemisfério Sul), onde é realizado um movimento de vai-e-vem. Por causa
da inclinação de 13º 27' que a Terra sofre, se tem a impressão
de que o sol é que se movimenta, mas na verdade é o planeta quem faz
essa evolução. Esse vai-e-vem dura, aproximadamente, no período
de 21 de Junho a 21 de Dezembro.
Para os povos antigos, como os caldeus, fenícios, astecas, maias, incas e egípcios,
a posição que o sol ocupa na linha do horizonte tinha uma grande importância
para o dia-a-dia deles. Era nesta data e nesta exacta posição do sol
que eles marcavam o calendário. Era dele que se contava o início para
os 365 dias do ano.
Actualmente, é através da ajuda do GPS- Sistema de Posicionamento Global
Carmin, instrumento que determina posições geográficas (latitude
e longitude) por meio de 24 satélites, que se consegue chegar aos dados astronómicos
de localização. Antes, o homem só conseguia esses dados com a
ajuda do sol e das estrelas.
Em Macapá, o Equinócio pode ser observado do Monumento do Marco Zero.
Além dos moradores da capital amapaense, o fenómeno costuma atrair estudiosos
e turistas. Em 2001, o fenómeno aconteceu dia 20 de Março. No Amapá,
devido a estação chuvosa, o equinócio de Março foi baptizado
como Equinócio das Águas, que se justifica pelo aumento do nível
das águas favorecido pela atracção astral.
Local de observação:
Monumento Marco Zero, Rod. JK, Km 02 s/n, Bairro do Zerão. |
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Marco Zero do Equador - ZERÃO |
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Macapá, juntamente
com outras cidades de expressão, são "cortadas", "atravessadas"
pela Linha do Equador.
A Linha do Equador tem como referencial um marco correspondendo à linha
imaginária, o qual divide o Planeta em dois Hemisférios e privilegia
Macapá como a única capital brasileira cortada por esse paralelo.
Para contemplação do fenómeno natural "Equinócio",
onde pode ser observado através de um obelisco. O fenómeno acontece
nos meses Março e Setembro.
Algumas cidades onde passa a Linha do Equador
- Macapá, capital do Estado de Amapá, localizada na região
norte do Brasil.
- Pontinak, em Bornéu, na República da Indonésia.
- Mbandaka (ex-Coquilhaville), actual capital da Província do Equador,
localizada na região norte da República Democrática do
Congo.
- Entebbe, localizada às margens do Lago Vitória, próxima
a Campala, capital da República de Uganda.
- Quito, a capital da República do Equador. |
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O Monumento Marco Zero de Macapá
no Brasil, com no seu terraço, espaço para show's, além de salão
para exposição, tem café, livraria, lojas para venda de produtos
artesanais, etc. Completando todo o cenário, o obelisco, o relógio do
sol e um amplo terraço para observações.
O Marco Zero de Macapá está localizado à 5 quilómetros
do centro da cidade, com acesso pela Avenida JK. O conjunto é composto por um
complexo turístico chamado "Parque Meio do Mundo". |
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Reunificação
das Alemanhas (15) |
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A reunificação
da Alemanha ocorreu em 3 de Outubro de 1990, quando o território da
antiga República Democrática Alemã (RDA ou Alemanha Oriental)
foi incorporado à República Federal da Alemanha (RFA ou Alemanha
Ocidental).
Após as primeiras eleições livres na RDA, em 18 de Março
de 1990, as negociações entre as duas Alemanhas culminaram no
Tratado de Unificação, celebrado em 31 de Agosto de 1990, enquanto
que os entendimentos entre a RDA e a RFA e as quatro potências de ocupação
Estados Unidos da América, França, Reino Unido e União
Soviética resultaram no chamado "Tratado Dois Mais Quatro"
(celebrado em 12 de Setembro de 1990), que outorgava independência plena
ao Estado alemão reunificado.
A Alemanha reunificada continuaria a integrar a Comunidade Europeia (posteriormente,
União Europeia) e a NATO.
O termo "reunificação" é utilizado para designar
este processo, que é distinto da unificação da Alemanha,
em 1871.
A 3 de Outubro de 1990 ocorreu a reunificação dos territórios
alemães, com o triunfo do capitalismo, por isso algumas pessoas consideram
que a RDA foi efectivamente anexada à RFA.
A reintegração das duas Alemanhas teve um alto custo económico,
que gerou inflação e recessão. Um dos problemas sociais
provocados pela reunificação foi a necessidade de estender a
toda a população o nível de vida e poder de compra alcançado
pelos habitantes do lado ocidental.
Após a Unificação a União Democrata Cristã
(CDU), de Helmut Kohl, venceu com folga as primeiras eleições
na nova Alemanha, em Dezembro de 1990, mas o governo enfrentou graves problemas,
como o aumento da dívida pública, o alto índice de desemprego
e a actuação de grupos neonazistas e de extrema-direita, cujos
ataques visavam sobretudo o grande contingente de imigrantes do país.
Apesar das dificuldades, Kohl manteve-se no governo em 1994, à frente
de uma coligação da CDU com a União Social Cristã
(CSU) e o Partido Liberal (FDP).
O governo alemão foi o que mais se esforçou pela formação
da União Europeia (UE), um grande projecto político do partido
dirigido por Kohl e, anteriormente, por Konrad Adenauer. Os democratas-cristãos
determinaram que a contribuição da Alemanha à UE fosse
a maior de todas e lutaram incansavelmente para concluir o Tratado de Maastricht,
que deu origem à nova entidade política. Contudo, as medidas
de ajuste da economia, sobretudo os cortes de benefícios do generoso
sistema providenciaria, e o aumento do desemprego geraram muitos protestos
no país.
Desgastado pelos dezasseis anos consecutivos como chanceler (primeiro-ministro),
Kohl foi derrotado nas eleições de 1998 pelo Partido Social Democrata
(SPD), sob a liderança de Gerhard Schröder, que formou um governo
com o Partido Verde Alemão. O desemprego continuou a ser um desafio
para o governo, mas Schröder firmou sua reputação política
ao fazer a Alemanha participar, depois de muitos anos, de importantes decisões
internacionais, como a intervenção na Macedônia e a guerra
contra o terrorismo promovida pelos Estados Unidos. Em 2000, completou-se a
mudança da sede de governo de Bonn para Berlim e, em 2002, a social-democracia
de Schröder voltou a triunfar nas eleições. |

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Breve história da Alemanha
Oriental |
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A Alemanha Oriental, Alemanha do Leste
(ou RDA, sigla utilizada para designar a antiga República Democrática
Alemã; em alemão Deutsche Demokratische Republik ou DDR) foi um Estado
nacional criado em 1949 com o fim da ocupação da Alemanha pelos aliados,
após a II Guerra Mundial, quando o território alemão foi repartido
entre os sectores estadunidense, britânico, francês e soviético.
O sector soviético daria origem à República Democrática
Alemã (RDA), enquanto a junção dos outros três formou a
República Federal Alemã (RFA), ou Alemanha Ocidental.
A RDA foi proclamada em Berlim Oriental no dia 7 de Outubro de 1949. Estabeleceu-se
um regime socialista amplamente controlado pela União Soviética. Em Junho
de 1953, após a morte de Stalin, dá-se a violenta repressão da
Revolta de 1953 na Alemanha Oriental. Este facto fez com que cerca de três milhões
de habitantes da Alemanha Oriental fugissem para a Alemanha Ocidental. Foi declarada
totalmente soberana em 1954. Tropas soviéticas continuaram no terreno com base
nos acordos de Potsdam, tendo em vista contrabalançar a presença militar
dos Estados Unidos da América na República Federal Alemã durante
a Guerra Fria. A RDA foi um membro do Pacto de Varsóvia.
A capital da Alemanha Oriental manteve-se em Berlim, enquanto que a capital da RFA
foi transferida para Bonn. No entanto, Berlim foi também dividida em Berlim
Ocidental e Berlim Oriental, com a parte ocidental controlada pela RFA, apesar da cidade
estar totalmente situada em território da RDA. Esta divisão foi reforçada
pela existência do muro de Berlim entre 1961 e 1989.
Antes de 1945, a parte oriental da Alemanha era essencialmente uma região agrícola.
Tinha poucos recursos naturais, à parte a lenhite (carvão de madeira)
e a potassa cáustica, e não estava equipada para pôr em prática
os planos do pós-guerra criados pela URSS para o desenvolvimento da indústria
pesada na década de 1950 e princípios de 1960.
Foi criada em Eisenhüttenstadt (anteriormente Stalinstadt), a leste, nas margens
do rio Óder, uma indústria siderúrgica - bem como em Calber, a
oeste - para tornar a RDA auto-suficiente em gusa e aço. No entanto, foi necessário
recorrer a onerosas importações de minério de ferro, carvão
e coque, transportados da Polónia ou, por comboio, da Ucrânia, a 1600
km de distância. Nas décadas de 1960 e 1970, as importações
de petróleo e gás natural, por conduta forçada, das regiões
do Volgae Urales aumentaram a dependência da RDA em relação à
URSS.
A divisão da Alemanha privara a RDA dos grandes portos de Hamburgo (na Alemanha
Ocidental - RFA) e Stettin (hoje Szczecin, na Polónia). Os portos de Rostock
e Stralsund tiveram de ser ampliados e melhoradas as ligações ferroviárias
e rodoviárias. Iniciou-se um novo surto de progresso económico quando,
em 1959, a URSS alterou as determinações anteriores. Nikita Krushchev,
novo líder soviético depois da morte de Stalin, cancelou as políticas
que obrigavam os países do Bloco Soviético à auto-suficiência.
No futuro, a RDA tinha de concentrar-se em produções especializadas para
os mercados comunistas: os alemães do leste tinham de utilizar as suas capacidades
de produção para pagar o que importavam da URSS.
O rápido incremento na extracção de lenhite de enormes minas a
céu aberto contribuiu para a expansão da produção de energia
eléctrica. A indústria química desenvolveu-se produzindo adubos,
corantes, borracha sintética e fibras de vidro. Na região de Stassfurt,
desenvolveu-se uma importante indústria de potassa cáustica.
Os alemães, trabalhadores incansáveis, em breve fizeram renascer as suas
velhas técnicas e adoptaram novas. As indústrias pertencentes ao Estado
produziam maquinaria, ferramentas e instrumentos, artigos ópticos, eléctricos
e electrónicos. As fábricas e os laboratórios de pesquisa para
estes artigos estavam instalados em cidades com excelente apetrechamento desportivo
e cultural, como Berlin, Leipzig, Dresden, Jena, Dessau, Eisenach e Erfurt. Perto da
sua dissolução, a indústria alastrou-se aos centros da zona rural
do Norte, como Schwerin.
A língua comum tornou acessíveis à RDA os trabalhos tecnológicos
e científicos publicados na RFA. As manufacturas, a agricultura, os transportes
e outras indústrias beneficiaram dos progressos da Alemanha Ocidental, através
de uma espantosa espionagem industrial. Na década de 1970, os líderes
Willy Brandt e Erich Honecker estabeleceram contactos mais estreitos entre as duas
Alemanhas, em resultado dos quais os mercados da RFA e da CEE foram abertos à
RDA.
Em 1984, os alemães do leste já tinham ganho uma vantagem tecnológica
sobre os outros países do Conselho para a Assistência Económica
Mútua (COMECON).
A RDA sublinhava sempre a sua natureza comunista. Toda a produção, comércio,
serviços, acção social, desportos e a maioria da habitação
urbana estavam nas mãos do Estado. As cidades contrastavam notoriamente com
as da Alemanha Ocidental pela sua arquitectura mais simples e repetitiva, os seus mais
amplos espaços abertos, os seus importantes centros culturais.
Os alemães de leste, segundo dados de 1988, usufruíam de um rendimento
anual per capita de 6000 US$. A Alemanha Oriental estava em pleno crescimento e desenvolvimento.
Em 1987, a taxa de crescimento do PIB encontrava-se nos 4%, enquanto que a da RFA encontrava-se,
em 1988, nos 1,8%. |
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A história
do Prémio Nobel (16) |
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Em 1978, Menachem Begin, então
primeiro-ministro israelita e Anuar El Sadat, presidente egípcio, receberam
o prémio visando incentivá-los a resolver o conflito egípcio-israelense,
iniciado em 1948, logo após a criação do Estado de Israel. Em
1994, Yasser Arafat, então líder da Organização para a
Libertação da Palestina (OLP), Shimon Peres, que ocupava o cargo de ministro
das Relações Exteriores de Israel, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro,
receberam o prémio em conjunto apesar dos desacordos dentro do comité
de decisão. Um dos membros do comité preferiu se demitir para não
apoiar a escolha de Arafat, a quem considerava terrorista. Nota-se claramente nessa
indicação o estímulo à paz, já que o prémio
foi atribuído logo após a assinatura do acordo de paz entre Israel e
os palestinos, exortando ambos à busca por uma paz definitiva. O tratado, assinado
em 1993, tornou-se conhecido como Acordos de Oslo. |
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Nobel tornou-se milionário
por causa de suas numerosas descobertas na área de explosivos, em especial
a dinamite, a qual descobriu em 1866 e que passou a ser comercializada em grande
escala no final do século XIX. Detentor de mais de 350 patentes, fundou
companhias e laboratórios em cerca de 20 países. Escreveu poesia
e drama e chegou a pensar em se tornar escritor. Idealista e consciente dos
perigos que envolviam o uso indevido de sua invenção, sempre
apoiou os movimentos em prol da paz.
Dono de um gigantesco império industrial, Nobel deixou, ao falecer em
1896, uma grande fortuna destinada à criação de uma fundação
que deveria financiar, anualmente, cinco grandes prémios internacionais.
Dentre esses prémios, quatro deveriam destinar-se àqueles que
se destacassem em suas descobertas em Física, Química, Medicina
e Literatura. Seu testamento especificava também um prémio para
quem mais se empenhasse em prol da paz e da amizade entre as nações.
Em 1969, foi acrescentado mais um prémio, para as Ciências Económicas.
A cerimónia da entrega dos prémios é realizada anualmente
em Oslo, Noruega, e em Estocolmo, Suécia, em 10 de Dezembro, dia do
aniversário da morte de Nobel. Várias instituições
participam da escolha dos premiados, entre as quais a Academia Real de Ciências
da Suécia para a Física, Química e Economia; a Academia
de Literatura da Suécia; e o Comité Nobel da Noruega, este último
responsável pela entrega do Prémio da Paz. Anualmente, cada comité
manda convites aos meios científicos de vários países,
pedindo-lhes para nomear seus eventuais candidatos. As nomeações
são recebidas pelos comités e, depois de serem estudadas e analisadas
por especialistas, são transmitidas às instituições
que votam em escolher os vencedores. Os escolhidos recebem uma medalha de ouro
com a efígie de Alfred Nobel, gravada com o seu nome, um diploma e um
prémio em dinheiro.
Os laureados têm o direito de recusar os prémios. Entretanto,
fatos assim só ocorreram por pressões políticas, como
em 1937, quando Hitler proibiu os alemães de receber o Prémio
Nobel, pois ficara furioso quando o Prémio da Paz de 1935 fora concedido
a um jornalista antinazista, Carl Von Ossietz, que havia revelado os planos
secretos de rearmamento da Alemanha.
De acordo com a filosofia de Nobel, a política do comité Nobel
da Paz visa recompensar os esforços daqueles que lutam em favor do entendimento
entre as nações. Os prémios simbolizam o reconhecimento
àqueles que conseguem solucionar crises internacionais. Assim, de uma
forma às vezes paradoxal, inimigos eternos se encontram associados no
reconhecimento por seus esforços, com o intuito de estimular a resolução
de conflitos. |
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Os laureados, a cada ano, com o Prémio
Nobel devem sua glória e sucesso ao inventor e filantropo Alfred Nobel. Nascido
em 1833, em Estocolmo, Suécia, filho de um casal de engenheiros que descendiam
de Olof Rudbeck, o mais conhecido génio da tecnologia na Suécia, no século
XVII. Aos nove anos, sua família emigrou para a Rússia, onde Alfred e
seus irmãos receberam excelente educação ministrada por tutores
particulares tanto no campo de ciências humanas quanto no das naturais. |
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O Nobel da Paz é um dos cinco
Prémios Nobel, legado pelo inventor da dinamite, o sueco Alfred Nobel. Enquanto
os prémios para a Física, Química, Medicina e Literatura são
entregues anualmente em Estocolmo, o Nobel da Paz é atribuído em Oslo,
capital da Noruega. O Comité Nobel norueguês, cujos membros são
nomeados pelo Parlamento norueguês, tem a função de escolher o
laureado pelo prémio, que é entregue pelo seu presidente (actualmente,
o Dr. Ole Danbolt Mjøs).
Na altura da morte de Alfred Nobel, a Suécia e a Noruega estavam em união
pessoal, pela qual o parlamento sueco ficava responsável pela política
internacional, estando o Stortinget (Parlamento norueguês) apenas encarregado
da política interna norueguesa. Alfred Nobel decidiu, assim, que fosse a Noruega
a decidir o laureado pelo Nobel da Paz, de forma a prevenir a influência de poderes
políticos internacionais no processo de atribuição do Nobel.
De acordo com a vontade de Alfred Nobel, o prémio
deveria distinguir "a pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção
pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução
dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção
de tratados de paz".
Ao contrário dos outros prémios Nobel, o Nobel da Paz pode ser atribuído
a pessoas ou organizações que estejam envolvidas num processo de resolução
de problemas, em vez de apenas distinguir aqueles que já atingiram os seus objectivos
em alguma área específica. É, portanto, um prémio Nobel
com características próprias. |
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Barack Hussein
Obama (17) |
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Nasceu em 4 de Agosto de 1961 em Honolulu,
no estado americano do Havaí, filho de Barack Obama, um economista queniano,
nascido em Nyang'oma Kogelo, distrito de Siaya, Quénia e de Ann Dunham, antropóloga
americana, branca, nascida em Wichita, no estado do Kansas, EUA. Seus pais conheceram-se
enquanto frequentavam a Universidade do Havaí em Manoa, onde seu pai era um
estudante estrangeiro.
Eles separam-se quando Obama tinha dois anos de idade, divorciando-se em seguida. Seu
pai retornou ao Quênia, encontrando-se com o filho apenas mais uma vez antes
de falecer em um acidente de automóvel em 1982, quando seu filho Obama tinha
21 anos.
Após o seu divórcio, Ann Duham casou-se com o indonésio Lolo Soetoro.
A família mudou-se para o país natal de Soetoro em 1967, tendo Obama
frequentadas escolas em Jakarta até os dez anos de idade. Ele então retornou
para Honolulu para morar com seus avós maternos. Em Honolulu, frequentou a escola
Punahou, desde a quinta série do ensino elementar americano, em 1971, até
a graduação no ensino secundário, em 1979, com 18 anos.
A mãe de Obama retornou ao Havaí em 1972, quando o filho tinha 11 anos,
lá permanecendo por muitos anos. Voltou à indonésia por alguns
períodos para o desenvolvimento de trabalho de campo.
Ela defendeu tese de doutoramento em antropologia pela Universidade do Havaí
em 1992. Faleceu de câncer nos ovários em 1995, quando Obama tinha 34
anos.
Já adulto, Obama admitiu ter usado cocaína, maconha e álcool durante
o ensino secundário, tendo classificado, em evento na actual campanha eleitoral
como seu maior erro do ponto de vista moral.
Após concluir o ensino secundário, com 18 anos, Barack Obama mudou-se
para Los Angeles, onde estudou no Occidental College por dois anos. Ele então
transferiu-se para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde graduou-se em ciência
política com especialização em relações internacionais.
Obama obteve o título de bacharel de artes em 1983, com 22 anos, quando foi
trabalhar por um ano na empresa Business International Corporation, hoje parte do grupo
que publica a revista The Economist e em seguida para a organização sem
fins lucrativos New York Public Interest Research Group.
Após quatro anos na cidade de Nova Iorque, Obama mudou-se para Chicago com 24
anos, para trabalhar como agente comunitário entre Junho de 1985 a Maio de 1988
como director da Developing Communities Project (DCP), uma associação
comunitária religiosa originalmente composta por oito paróquias católicas,
na região da grande Roseland (Roseland, West Pullman, e Riverdale) ao sul de
Chicago.
Nos seus três anos como director da DCP, sua equipe passou de 1 para 13 pessoas
e seu orçamento anual cresceu de 70 mil dólares para 400 mil dólares,
tendo conseguido, entre outros resultados, auxiliar :
- a criação de um programa de educação para o trabalho,
- a criação de um programa de mentora para a preparação
para o estudo universitário, e - o estabelecimento de uma organização
de defesa dos direitos de inquilinos na região de Altgeld Gardens, em Chicago.
Obama também trabalhou como um consultor e instrutor para a fundação
Gamaliel, um instituto que dá consultoria e treinamento para associações
comunitárias. Em meados de 1988, com 27 anos, ele viajou pela primeira vez para
a Europa, onde permaneceu por três semanas, indo em seguida ao Quênia,
onde permaneceu por cinco semanas, lá encontrando-se pela primeira vez com alguns
de seus parentes.
Obama ingressou na escola de direito de Harvard no final do mesmo ano de 1988. Ao final
do seu primeiro ano na escola, foi escolhido como editor da revista Harvard Law Review,
em função das suas notas e de uma competição de redacção.
Em seu segundo ano na escola, foi escolhido presidente da revista, uma posição
voluntária de tempo integral, assumindo as responsabilidades de editor chefe
e supervisionando a equipe de 80 editores.
A eleição de Obama como primeiro presidente afro-americano da revista
teve ampla cobertura jornalística, sendo objecto de longas reportagem sobre
ele. Ele obteve o título de doutor em direito por Harvard em 1991, com 30 anos,
graduando-se com louvor. Retornou então para Chicago onde já havia trabalhado,
inclusive nos períodos de férias de verão de 1989 e 1990, para
os escritórios de direito Sidley & Austin e Hopkins & Sutter, respectivamente. |
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Vida política |
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Graduou-se em Ciências Políticas
pela Universidade Columbia em Nova Iorque, para depois cursar Direito na Universidade
de Harvard, graduando-se em 1991. Foi o primeiro afro-americano a ser presidente da
Harvard Law Review.
Obama actuou como líder comunitário e como advogado na defesa de direitos
civis até que, em 1996, foi eleito ao Senado de Illinois (Órgão
integrante da Assembleia Geral de Illinois, que constitui o poder legislativo local),
mandato para o qual foi reeleito em 2000.
A publicidade associada à sua eleição como primeiro afro-americano
presidente da Harvard Law Review resultou em um contrato e adiantamento para que ele
escrevesse um livro sobre questões relacionadas à raça. Em um
esforço para contratar Obama para o seu corpo docente, a escola de direito da
Universidade de Chicago ofereceu a ele uma posição em pesquisa e um escritório
onde poderia trabalhar no seu livro. |
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Ele planejara terminar o
livro em um ano, no entanto a tarefa consumiu muito mais tempo à medida
que evoluiu para um livro de memórias. A fim de trabalhar sem interrupções,
Obama e sua esposa, viajaram para Bali, onde passou meses escrevendo. O manuscrito
foi finalmente publicado como Dreams from My Father em meados de 1995, quando
Obama estava com 34 anos.
Obama dirigiu a iniciativa Project Vote em Illinois entre Abril e Outubro de
1992. O projecto, voltado para o registo de eleitores, contava com 10 funcionários
e 700 voluntários. Ele atingiu seu objectivo de registar 150 mil dos
400 mil afro-americanos não registados do Estado, motivando a revista
Crain's Chicago Business a incluir, em 1993, Obama na sua lista de líderes
promissores com menos de 40 anos.
Obama ensinou direito constitucional na escola de direito da Universidade de
Chicago por doze anos. Em 1993, Obama juntou-se à firma Davis, Miner,
Barnhill & Galland, um escritório de direito composto por 12 advogados
especializado em casos de direitos individuais e desenvolvimento económico
de vizinhanças, actuando como advogado associado por três anos,
entre 1993 e 1996. Entre 1996 a 2004 possuiu o título de Counsel, posição
de maior independência, não tendo porém actuado entre 2002
e 2004.
Em 1992, Obama foi membro fundador da mesa directora da organização
sem fins lucrativos Public Allies, renunciando ao cargo antes de sua esposa
tornar-se a primeira directora executiva da Public Allies, Chicago, no início
de 1993.
Entre 1993 e 2002, foi membro da mesa directora da fundação filantrópica
Woods Fund of Chicago, que, em 1985, foi a primeira fundação
a financiar o trabalho de Obama no DCP.
Participou da mesa directora da fundação Joyce entre 1994 e 2002.
Entre 1995 e 2002 actuou na mesa directora do Chicago Annenberg Challenge,
tendo sido fundador e presidente. Participou também da mesa directora
das seguintes organizações: Chicago Lawyers' Committee for Civil
Rights Under Law, Center for Neighborhood Technology, e Lugenia Burns Hope
Center.
Entre 1992 e 2004, ensinou também direito constitucional na escola de
direito da Universidade de Chicago. Tendo tentado, em 2000, eleger-se, sem
sucesso, ao Congresso Americano, anunciou, em Janeiro de 2003, sua candidatura
ao Senado dos Estados Unidos. Após vitória nas eleições
primárias, foi escolhido como orador de honra para a Convenção
Nacional do Partido Democrata em Julho de 2004. Em Novembro, foi eleito Senador
dos Estados Unidos pelo estado de Illinois com 70% dos votos. Em 4 de Janeiro
de 2005 assumiu o actual mandato, o qual tem duração até
2011.
Senador dos Estados Unidos da América, com o mandato até 2011.
Pertence ao Partido Democrata. Tem a profissão de Advogado.
Como membro da minoria democrata no período entre 2005 e 2007, ajudou
a criar leis para controlar o uso de armas de fogo e para promover maior controlo
público sobre o uso de recursos federais. Neste período, fez
viagens oficiais para o leste europeu, o oriente médio e África.
Na actual legislatura, contribuiu para a adopção de leis que
tratam de fraude eleitoral, da actuação de lobitas, mudança
climática, terrorismo nuclear e assistência para militares americanos
após o período de serviço.
Fez sua carreira política em Chicago, Illinois, cidade onde trabalhou,
conheceu sua esposa, constituiu família e onde durante anos foi líder
comunitário e professor de Direito Constitucional numa universidade
local.
Em 1996, Obama foi eleito Senador por Illinois. Em 2004, fez campanha pelo
lugar que o senador anterior, Peter Fitzgerald, deixara. Nas eleições
primárias para a candidatura democrata, os seus opositores foram Blair
Hull, um homem de negócios, e Dan Hynes, procurador do estado de Illinois. |
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Barack Hussein Obama |
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Obama começou abaixo de Hull nas sondagens
de opinião, mas isso mudaria depois de um escândalo de violência
doméstica que implicava Hull. A partir daí, melhorou notavelmente a sua
imagem, começando a liderar nas sondagens. Foi recebendo apoios dos líderes
democráticos. Nas primárias, Obama somou mais votos que os outros seis
candidatos combinados, ganhando com 52% dos sufrágios.
Obama enfrentou o candidato Jack Ryan, o vencedor da primária republicana. Durante
a campanha, contudo, um escândalo sexual implicou Ryan (foi acusado de levar
a sua mulher a clubes de sexo). Devido a isso, Ryan retirou-se da campanha. O partido
republicano no Illinois então escolheu como candidato conservador Alan Keyes
para substituir Ryan. Finalmente, Obama venceu as eleições por uma diferença
considerável: 69,97% contra 27,05% de Keyes.
Casou em 1992 com Michelle Obama, é pai de duas meninas, Malia e Natasha. |
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Candidatura à Presidência
dos Estados Unidos da América
Em 16 de Janeiro de 2007, anunciou
a criação de um comité exploratório para recolha de fundos
para uma candidatura à presidência; a 10 de Fevereiro de 2007, declara-se
candidato às primárias embora a sua pouca experiência governativa
e a grande concorrência no seu partido, por parte de Hillary Clinton, sejam grandes
obstáculos. A 15 de Dezembro de 2007, recebeu o apoio do prestigiado jornal
diário nacional The Boston Globe.
Obama ganhou a primeira eleição primária pelo Partido Democrata,
em Iowa, no dia 3 de Janeiro de 2008, saindo na frente de Hillary Clinton e John Edwards.
Já na segunda, Hillary Clinton bateu Obama por três pontos percentuais
nas primárias do Nova Hampshire.
Obama venceu em 26 de Janeiro de 2008 com uma larga vantagem as primárias do
partido democrata na Carolina do Sul, onde recebeu o dobro dos votos da senadora Hillary
Clinton, devido ao grande apoio recebido dos negros que representaram metade dos cidadãos
que foram votar.
Durante os cinco primeiros meses de 2008, Obama e a Sra. Clinton protagonizaram uma
renhida disputa pela nomeação que ficou decidida em fins de Maio, quando
o senador ultrapassou os 2118 delegados necessários para lhe garantir a nomeação
(2156 de Obama contra 1923 de Hillary Clinton). A 4 de Junho, depois de vencer as primárias
do partido no estado de Montana, Barak Obama assumiu-se como o candidato dos democratas
para as eleições de 4 de Novembro, embora tenha ainda de aguardar pela
convenção do Partido Democrata, a ter lugar em Agosto, em que será
formalmente nomeado.
No dia 7 de Junho Hillary Clinton desiste a sua candidatura apoiando Obama a concorrer
às presidenciais. Em 28 de Agosto de 2008, Obama foi nomeado oficialmente para
concorrer à Casa Branca contra o republicano John McCain.
Devido à sua história pessoal (pai negro, mãe branca e padrasto
asiático) é visto por muitos como um unificador, alguém que consegue
transpor a barreira racial. O próprio Obama, já brincou com isso no programa
da popular apresentadora estado-unidense Oprah Winfrey, quando disse que jantares de
sua família "são sempre uma mini-ONU, com parentes de todas as etnias".
Recebeu o importante apoio da Família Kennedy, sendo comparado muitas vezes
ao ex-presidente John Kennedy na sua capacidade de animar os eleitores e oferecer uma
nova liderança.
Ainda recebeu o apoio de artistas como o cantor Will.I.Am e a líder das Pussycat
Dolls, Nicole Scherzinger, que chegaram a gravar um vídeo denominado Yes We
Can para a campanha do senador.
Sua candidatura foi formalizada pela Convenção do Partido Democrata em
28 de Agosto de 2008. É senador pelo estado de Illinois. Obama foi o primeiro
afro-americano a ser nomeado candidato a presidente por um dos principais partidos
políticos estado-unidenses. É também o único senador afro-americano
na actual legislatura. |
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Na madrugada de quarta-feira, dia
05 de Novembro de 2008, Barack Hussein Obama (nascido no Honolulu, a 4 de Agosto de
1961) senador dos Estados Unidos da América, foi eleito o 44º presidente
de seu país, pelo Partido Democrata,
com uma margem de 338 contra 163 votos no Colégio Eleitoral, venceu seu adversário
John McCain. É o primeiro presidente negro eleito no país. Nos votos
populares, Obama conquistou 52% das intenções, contra 47% de John McCain. |
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O Cristo Rei em Almada |
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O Cristo-Rei é um monumento
religioso localizado na freguesia do Pragal, no concelho de Almada, em Portugal.
Situa-se a uma altitude de 113 metros acima do nível do Tejo, sendo constituído
por um pórtico projectado pelo arquitecto António Lino, com 75 metros
de altura, encimado pela estátua do Redentor de braços abertos voltado
para a cidade de Lisboa, com 28 metros de altura, obra do escultor português
Francisco Franco de Sousa. O pedestal, incluindo o pórtico, eleva-se a 82 metros
de altura.
O monumento a Cristo-Rei constitui a maior atracção turística
do concelho de Almada, a seguir às famosas praias da Costa de Caparica. É
de visita obrigatória a todo o turista que visite Lisboa.
Este monumento é o melhor miradouro da cidade de Lisboa, oferecendo uma ampla
vista sobre a capital e sobre a Ponte 25 de Abril. Em numerosas reportagens turísticas
sobre Lisboa, surge o monumento a Cristo-Rei, ex-líbris de Almada. É
uma das mais altas construções de Portugal, com 110 metros de altura. |
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A estátua de Cristo
Redentor, existente no Rio de Janeiro, no Brasil, inspirou, em 1934, durante
uma visita àquela cidade, o Cardeal Patriarca de Lisboa de então,
Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, a construir um monumento de cariz similar
em Lisboa.
No ano de 1936, transmitiu esta ideia ao chamado Apostolado da Oração,
com uma recepção entusiástica. Seguiu-se a sensibilização
de todos os bispos do país, tendo sido obtida a proclamação
oficial do desígnio no ano seguinte, na Pastoral Colectiva da Quaresma.
O monumento a Cristo-Rei foi também edificado em cumprimento de um voto
formulado pelo Episcopado Português reunido em Fátima a 20 de
Abril de 1940, pedindo a Deus que livrasse Portugal de participar na Segunda
Guerra Mundial.
Salazar, não quis violar a velha amizade com o Reino Unido, que data
do século XIV, e preferiu manter a neutralidade, não tendo Portugal
participado na referida guerra.
A primeira pedra da construção do monumento foi lançada
em 18 de Dezembro de 1949, após o fim da guerra. Foi inaugurado a 17
de Maio de 1959, dia de Pentecostes, na presença dos cardeais do Rio
de Janeiro, de Lourenço Marques e de cerca de 300 mil pessoas, entre
autoridades oficiais e cidadãos anónimos.
O Papa João XXIII não esteve presente na cerimónia, mas
enviou uma mensagem de rádio, que foi então transmitida. Na altura,
o Cardeal Cerejeira afirmou que o monumento seria sempre um sinal de gratidão
pelo dom da paz.
Por altura da celebração do 25º aniversário, em 1984,
foi aprovado um plano de ordenamento dos terrenos circundantes, do qual resultou
a construção do edifício de acolhimento do santuário
hoje existente. Nesse edifício, funcionam ainda a reitoria e os serviços
administrativos, possuindo o mesmo uma capela e diversas salas para exposições
e reuniões.
Em 1999, a Diocese de Setúbal passou a tutelar o santuário. Entre
Maio de 2001 e 1 de Fevereiro de 2002, foi submetido a obras de restauro.
Em 17 de Maio de 2007, foi inaugurada a chamada Sala Beato João XXIII,
contendo 8 quadros inspirados pela encíclica Pax in Terris, da sua autoria.
No mesmo dia, foi colocado diante do monumento a Cruz Alta, antigamente pertencente
ao Santuário de Fátima, na sequência da construção
da nova basílica daquele local de peregrinação. |
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Dia da Inauguração
do Cristo Rei (1959) |
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A
História dos Reis Magos (19) |
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Os Três Reis Magos ou
simplesmente os Magos de seus nomes, Melchior, Baltazar e Gaspar, são
personagens da narrativa cristã que visitaram Jesus após seu
nascimento (Evangelho de Mateus). A Escritura diz uns magos, que não
seriam, portanto, reis nem necessariamente três e, sim, talvez, sacerdotes
da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros. Como
não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos.
Talvez fossem astrólogos ou astrónomos, pois, segundo consta,
viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera
Jesus, dito o Cristo. Assim os magos sabendo que se tratava do nascimento de
um rei, foram ao palácio do cruel rei Herodes em Jerusalém na
Judeia.
Perguntaram eles ao rei sobre a criança. Este disse nada saber. Herodes
alarmou-se e sentiu-se ameaçado, e pediu aos magos que, se o encontrassem,
falassem a ele, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções
fossem a de matá-lo. Até que os magos chegassem ao local onde
estava o menino, já havia se passado algum tempo, por causa das distâncias
percorridas, assim a tradição atribuiu à visitação
dos Magos o dia 6 de Janeiro. |
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A estrela, conta o
evangelho, os precedia e parou por sobre onde estava o menino Jesus.
"E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo"
(Mt 2, 10). "Os Magos ofereceram três presentes ao menino
Jesus: ouro, incenso e mirra, cujo significado e simbolismo espiritual
é, juntamente com a própria visitação dos
magos, ser um resumo do evangelho e da fé cristã, embora
existam outras especulações respeito do significado das
dádivas dadas por eles.
O ouro pode representar a realeza (além providência divina
para sua futura fuga ao Egipto, quando Herodes mandaria matar todos
os meninos até dois anos de idade de Belém).
O incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado
nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus
assim como a fumaça sobe ao céu (Salmos 141:2).
A mirra, resina anticéptica usada em embalsamamentos desde o
Egipto antigo, nos remete ao género da morte de Jesus, o martírio,
sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento
de Jesus (João 19: 39 e 40), sendo que estudos no Sudário
de Turim encontraram estes produtos.
"Entrando na casa, viram o menino (Jesus), com Maria sua mãe.
Postando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe
suas ofertas: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11).
"Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não
voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro
caminho a sua terra" (Mt 2, 12). Nada mais a Escritura diz sobre
essa história cheia de poesia, não havendo também
quaisquer outros documentos históricos sobre eles.
Devemos aos Magos a tradição de trocar presentes no Natal.
Dos seus presentes dos Magos surgiu essa tradição em
celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países
a principal troca de presentes é feita não no Natal,
mas no dia 6 de Janeiro, e os pais muitas vezes se fantasiam de reis
magos.
A melhor descrição dos reis magos foi feita por São
Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado "Excerpta
et Colletanea" assim relata: "Melchior era velho de setenta
anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus.
Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante
região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era
mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico,
na Arábia Feliz".
Quanto a seus nomes, Gaspar significa "Aquele que vai inspeccionar",
Melchior quer dizer: "Meu Rei é Luz", e Baltazar se
traduz por "Deus manifesta o Rei".
Como se pretendia dizer que representavam os reis de todo o mundo,
representando as três raças humanas existentes, em idades
diferentes. Assim, Melchior entregou-lhe ouro em reconhecimento da
realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltazar,
mirra em reconhecimento da humanidade. |

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Na antiguidade, o ouro era
um presente para um rei, o olíbano (incenso) para um sacerdote, representando
a espiritualidade e a mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar
corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).
Durante a Idade Média começa a devoção dos Reis
Magos (e que são "baptizados"), tendo as suas relíquias
sido transladadas no séc. VI desde Constantinopla (Istambul) até
Milão. Em 1164, com os três já a serem venerados como santos,
estas foram colocadas na catedral de Colónia (Alemanha), onde ainda
se encontram.
A tradicional crença de que Jesus foi visitado aquando do seu nascimento
não é consensual entre todas as pessoas. Há pessoas que
acreditam que Jesus já possuía uma certa idade.
Segundo seus defensores há quatro linhas de evidência para acreditar
que Jesus já não era mais um bebé quando recebeu a visita:
a tradução para o texto de Mat. 2.11 usa a expressão "uma
criancinha", "um menino", e não um bebe em diversas traduções
de respeito, como a Mat 2.11 também cita que quando Jesus foi encontrado
estava em uma casa e não em uma manjedoura; o facto de Herodes mandar
matar as crianças de até dois anos. |
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Charles Robert Darwin
(20) |
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Charles Darwin nasceu em Shrewsbury,
em 12 de Fevereiro de 1809. Faleceu em Downe, Kent, em 19 de Abril de 1882.
Foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a
comunidade científica da ocorrência da evolução
e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção
natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado
o paradigma central para explicação de diversos fenómeno
na Biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade
Geológica de Londres, em 1859.
Darwin começou-se a interessar por história natural na universidade
enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco
anos a bordo do Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento
como geólogo e fama como escritor. Suas observações da
natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies
e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Selecção Natural.
Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir
ideias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou
a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objecções.
Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido
uma ideia similar forçou a publicação conjunta das suas
teorias em 1858.
Em seu livro de 1859, "A Origem das Espécies" (do original,
em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or
The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu
a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio
de selecção natural. Esta se tornou a explicação
científica dominante para a diversidade de espécies na natureza.
Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série
de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente
"A descendência do Homem e Selecção em relação
ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871)
e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais"
(The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872). |

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Infância e educação
Charles Darwin nasceu na casa da sua
família em Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra, em 12 de Fevereiro de 1809. Ele
foi o quinto dos seis filhos do médico Robert Darwin e sua esposa Susannah Darwin.
Seu avô paterno foi Erasmus Darwin e seu avô materno, o famoso ceramista
Josiah Wedgwood, ambos pertencentes à proeminente e abastada família
Darwin-Wedgwood e à elite intelectual da época.
Sua mãe morreu quando ele tinha apenas oito anos. No ano seguinte, em 1818,
Darwin foi enviado para a escola Shrewsbury. Ali, ele só se interessava em coleccionar
minerais, insectos e ovos de pássaros, caça, cães e ratos.
Em 1825, depois de passar o verão como médico aprendiz ajudando o seu
pai no tratamento dos pobres de Shropshire, Darwin foi estudar medicina na Universidade
de Edimburgo. Contudo, sua aversão à brutalidade da cirurgia da época
levou-o a negligenciar os seus estudos médicos. Na universidade, ele aprendeu
taxidermia com John Edmonstone, um ex-escravo negro, que lhe contava muitas histórias
interessantes sobre as florestas tropicais na América do Sul.
N0 seu segundo ano, Darwin se tornou um activo participante de sociedades estudantis
para naturalistas. Participou, por exemplo, da Sociedade Pliniana, onde se liam comunicações
sobre história natural. Durante esta época, ele foi pupilo de Robert
Edmund Grant, um pioneiro no desenvolvimento das teorias de Jean-Baptiste Lamarck e
do seu avô Erasmus Darwin sobre a evolução de características
adquiridas.
Darwin tomou parte das investigações de Grant a respeito do ciclo de
vida de animais marinhos. Tais investigações contribuíram para
a formulação da teoria de que todos os animais possuem órgãos
similares e diferem apenas em complexidade. No curso de história natural de
Robert Jameson, ele aprendeu sobre geologia estratigráfica. Mais tarde, ele
foi treinado na classificação de plantas enquanto ajudava nos trabalhos
com as grandes colecções do Museu da Universidade de Edimburgo.
Em 1827, seu pai, decepcionado com a falta de interesse de Darwin pela medicina, matriculou-o
em um curso de Bacharelado em Artes na Universidade de Cambridge para que ele se tornasse
um clérigo. Nesta época, clérigos tinham uma renda que lhes permitia
uma vida confortável e muitos eram naturalistas uma vez que, para eles, "explorar
as maravilhas da criação de Deus" era uma de suas obrigações.
Em Cambridge, entretanto, Darwin preferia cavalgar e atirar a ficar estudando. Ele
também passava muito do seu tempo colectando besouros com o seu primo William
Darwin Fox. Este o apresentou ao reverendo John Stevens Henslow, professor de botânica
e especialista em besouros que, mais tarde, viria a se tornar o seu tutor. Darwin ingressou
no curso de história natural de Henslow e se tornou um de seus alunos favoritos.
Durante esta época, Darwin se interessou pelas ideias de William Paley, em particular,
a noção de projecto divino na natureza. Em suas provas finais em Janeiro
de 1831, ele se saiu muito bem em teologia e, mesmo tendo feito apenas o suficiente
para passar no estudo de clássicos, matemática e física, foi o
décimo colocado entre 178 aprovados.
Seguindo os conselhos e exemplo de Henslow, Darwin não se apressou em ser ordenado.
Inspirado pela narrativa de Alexander von Humboldt, ele planejou se juntar a alguns
colegas e visitar a Tenerife para estudar história natural dos trópicos.
Como preparação, Darwin ingressou no curso de Geologia do reverendo Adam
Sedgwick, um forte proponente da teoria de projecto divino, e viajou com ele como um
assistente no mapeamento estratigráfico no País de Gales. Contudo, seus
planos de viagem à Ilha da Madeira foram subitamente desfeitos ao receber uma
carta que lhe informava a morte de um dos seus prováveis colegas de viagem.
Outra carta, entretanto, recebida ao retornar para casa, o colocaria novamente em viagem.
Henslow havia recomendado que Darwin fosse o acompanhante de Robert FitzRoy, capitão
do barco inglês HMS Beagle, em uma expedição de dois anos que deveria
mapear a costa da América do Sul. Isto lhe daria a oportunidade de desenvolver
a sua carreira como naturalista. Esta se tornaria uma expedição de quase
cinco anos que teria profundo impacto em muitas áreas da Ciência. |
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"HMS Beagle" na Austrália
A viagem do Beagle durou quatro anos
e nove meses, dois terços dos quais Darwin esteve em terra firme. Ele estudou
uma rica variedade de características geológicas, fósseis, organismos
vivos e conheceu muitas pessoas, entre nativos e colonos. Darwin colectou metodicamente
um enorme número de espécimes, muitos dos quais novos para a ciência.
Isto estabeleceu a sua reputação como um naturalista e fez dele, um dos
precursores do campo da Ecologia, particularmente a noção de Biocenose.
Suas anotações detalhadas mostravam seu dom para a teorização
e formaram a base para seus trabalhos posteriores, bem como forneceram visões
sociais, políticas e antropológicas sobre as regiões que ele visitou.
Durante a viagem, Darwin leu o livro "Princípios da Geologia" de Charles
Lyell, que descrevia características geológicas como o resultado de processos
graduais ocorrendo ao longo de grandes períodos de tempo. Ele escreveu para
casa que via formações naturais como se através dos olhos de Lyell:
degraus planos de pedras com o aspecto característico de erosão por água
e conchas na Patagônia eram sinais claros de praias que haviam se elevado;[ no
Chile, ele experimentou um terramoto e observou pilhas de mexilhões encalhadas
acima da maré alta o que mostrava que toda a área havia sido elevada;
e mesmo no alto dos Andes ele foi capaz de colectar conchas.
Darwin ainda teorizou que atóis de coral iam se formando gradualmente em montanhas
vulcânicas à medida que estas afundavam no mar, uma ideia confirmada posteriormente
quando o Beagle esteve nas ilhas Cocos (keeling).
Na América do Sul, ele descobriu fósseis de animais extintos como o megaterium
e o gliptodonte em camadas que não mostravam quaisquer sinais de catástrofe
ou mudanças climáticas. Naquele tempo, ele pensava que aquelas eram espécimes
similares às encontradas na África mas, após a sua volta, Richard
Owen lhe mostrou que os fósseis encontrados eram mais similares a animais não
extintos que viviam na mesma região (preguiças e tatus).
Na Argentina, duas espécies de ema viviam em territórios separados mas
compartilhavam áreas comuns. Nas ilhas Galápagos, Darwin descobriu que
cotovias (mockingbirds) diferiam de uma ilha para outra. Ao retornar à Inglaterra,
foi lhe mostrado que o mesmo ocorria com as tartarugas e tentilhões.
O rato-canguru e o ornitorrinco, encontrados na Austrália, eram animais tão
estranhos que levaram Darwin a pensar que "Um incrédulo... poderia dizer
que 'seguramente dois criadores diferentes estiveram em acção'".
Todas estas observações o deixaram muito intrigado e, na primeira edição
de "A Viagem do Beagle", ele explicou a distribuição das espécies
à luz da teoria de Charles Lyell de "centros de criação".
Em edições posteriores, ele já dava indicações de
como via a fauna encontrada nas Ilhas Galápagos como evidência para a
evolução: "é possível imaginar que algumas espécies
de aves neste arquipélago derivam de um número pequeno de espécies
de aves encontradas originalmente e que se modificaram para diferentes finalidades".
Três nativos foram trazidos de volta pelo Beagle para a Terra do Fogo. Eles tinham
sido "civilizados" na Inglaterra nos dois anos anteriores, ainda que os seus
parentes parecessem à Darwin selvagens pouco acima de outros animais. Num ano,
entretanto, aqueles missionários voltaram ao que eram e, de fato, preferiam
esta condição uma vez que não quiseram retornar à Inglaterra.
Esta experiência somada a repulsa de Darwin pela escravidão e outros abusos
que ele viu em vários lugares, tais como o tratamento desumano dos nativos por
colonos ingleses na Tasmânia, o persuadiram de que não há justificativa
moral para maltratar outros homens baseado no conceito de raça. Ele passou então
a acreditar que a humanidade não se encontrava tão distante dos outros
animais como diziam seus amigos do clero.
A bordo do barco, Darwin sofria constantemente de enjoo. Em Outubro de 1833 ele pegou
uma febre na Argentina e em Julho de 1834, enquanto retornando dos Andes a Valparaíso,
adoeceu e ficou um mês de cama. De 1837 em diante, Darwin passou a sofrer repetidamente
de dores estomacais, vómitos, graves tremores, palpitações, e
outros sintomas. Estes sintomas se agravavam particularmente em épocas de muito
trabalho, tais como quando tinha de lidar com as controvérsias relacionadas
à sua teoria.
A causa da doença de Darwin foi desconhecida durante a sua vida e tentativas
de tratamento tiveram pouco sucesso. Uma ideia esposada por Kettlewell e Julian Huxley,
no início da década de 1960, defende que ele contraiu a Doença
de Chagas ao ser picado por um insecto na América do Sul. No entanto, os autores
reconhecem que especialistas nessa doença indicam que não há concordância
dos sintomas de Darwin com os da doença. Outras possíveis causas incluem
problemas psicológicos e a doença de Ménière |
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Carreira como cientista e concepção
da teoria
Enquanto Darwin ainda estava em viagem,
Henslow cuidadosamente cultivou a reputação de seu antigo pupilo fornecendo
a vários naturalistas os espécimes fósseis e cópias impressas
das descrições geológicas que Darwin fazia. Quando o Beagle retornou
em 2 de Outubro de 1836, Darwin era uma celebridade no meio científico. Ele
visitou a sua casa em Shrewsbury e descobriu que seu pai havia feito vários
investimentos de forma que Darwin pudesse ter uma vida tranquila. Mais que isto, ele
poderia ter uma carreira científica auto financiada.
Darwin foi então a Cambridge e convenceu Henslow a fazer descrições
botânicas das plantas que ele havia colectado. Depois se dirigiu a Londres onde
procurou os melhores naturalistas para descrever as suas outras colecções
de forma a poder publicá-las posteriormente. Um entusiasmado Charles Lyell encontrou
Darwin em 29 de Outubro e o apresentou ao jovem e promissor anatomista Richard Owen.
Depois de trabalhar na colecção de ossos fossilizados de Darwin no Royal
College of Surgeons, Owen surpreendeu a todos ao revelar que alguns dos ossos eram
de tatus e preguiças gigantes extintas. Isto melhorou a reputação
de Darwin. Com a ajuda entusiasmada de Lyell, Darwin apresentou seu primeiro artigo
na Geological Society de Londres em 4 de Janeiro de 1837, afirmando que a massa terrestre
da América do Sul estava se erguendo lentamente. No mesmo dia, Darwin apresentou
seus espécimes de mamíferos e aves à Zoological Society.
Os mamíferos ficaram aos cuidados de George R. Waterhouse. Embora, em princípio,
os pássaros parecessem merecer menos atenção, o ornitólogo
John Gould revelou que o que Darwin pensara serem corroídas (wrens), melros
e tentilhões levemente modificados de Galápagos eram de fato tentilhões,
mas cada um de uma espécie distinta. Outros no Beagle, incluindo o capitão
FitzRoy, também tinham colectado estes pássaros mas haviam sido mais
cuidadosos com suas anotações, o que permitiu a Darwin determinar de
que ilha cada espécie era originária.
Em Londres, Darwin ficava com o seu irmão e livre pensador Erasmus e, em jantares,
eles encontravam-se com outros pensadores que imaginavam um Deus guiando a sua criação
unicamente por meio de leis naturais. Entre eles, estava a escritora Harriet Martineau,
cujas histórias promoviam a reforma das leis de protecção social
de acordo com as ideias de Malthus.
Nos meios científicos, ideias como a transformação de uma espécie
em outra (transmutação) eram controversamente associadas com radicalismo
político. Por isto, Darwin preferia a respeitabilidade de seus amigos mesmo
quando não concordava plenamente com as ideias deles, tais como a crença
de que a história natural devesse justificar religiões ou ordem social.
Em 17 de fevereiro de 1837, Lyell aproveitou o seu discurso presidencial na Geological
Society para apresentar as descobertas de Owen em relação aos fósseis
de Darwin, enfatizando as implicações do fato de que espécies
extintas encontradas em uma região fossem relacionadas a outras que viviam actualmente
na mesma região.
Neste mesmo encontro, Darwin foi eleito para o conselho da Geological Society. Ele
já tinha sido convidado por FitzRoy para contribuir com o seu diário
e notas pessoais para a sessão de história natural do livro que o capitão
estava escrevendo sobre a viagem do Beagle. Darwin também estava trabalhando
em um livro sobre a geologia da América do Sul.
Ao mesmo tempo, ele especulava sobre a transmutação de espécies
no caderno de anotações que ele tinha iniciado no Beagle. Outro projecto
que ele iniciou na mesma época foi a organização dos relatórios
dos vários especialistas que haviam trabalhado em suas colecções
em um livro de múltiplos volumes chamado "Zoologia da viagem do H.M.S.
Beagle" (Zoology of the Voyage of H.M.S. Beagle).
Darwin concluiu o seu diário em 20 de Junho e, em Julho, iniciou seu livro secreto
sobre transmutação, onde desenvolveu a hipótese de que, apesar
de cada ilha de Galápagos ter sua própria espécie de tartaruga,
todas elas eram originárias de uma única espécie que tinha se
adaptado à vida nas diferentes ilhas de diferentes modos.
Sob a pressão de concluir Zoologia e corrigir as revisões de seu diário,
a saúde de Darwin deteriorou. Em 20 de Setembro de 1837, ele sofreu palpitações
do coração e foi passar um mês no campo para se recuperar. Ele
visitou Maer Hall onde sua tia inválida estava sob os cuidados de sua irmã
Emma Wedgwood e entreteve seus parentes com as histórias de suas viagens.
Após o seu retorno do campo, ele evitava tomar parte de eventos oficiais que
poderiam lhe tomar um tempo precioso. Contudo, por volta de Março de 1838, William
Whewell o recrutou como secretário da Geological Society. Mas logo a sua doença
o forçou a novamente deixar seu trabalho e ele seguiu para Escócia para
"fazer geologia". Ali, visitou Glen Roy para ver um fenómeno conhecido
como "estradas" (roads) que ele (incorrectamente) identificou como praias
que se elevaram. |
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Charles casou com a sua
prima Emma Wedgwood.
Completamente recuperado,
ele retornou a Shrewsbury. Raciocinando cientificamente sobre a sua carreira
e ambições, ele fez uma lista com as colunas "Casar"
e "Não casar". Entradas na coluna pro-casamento incluíam
" companhia constante e um amigo na velhice ... melhor que um cão
de qualquer modo," enquanto listado entre as desvantagens estavam "menos
dinheiro para livros" e "terrível perda de tempo". Os
prós venceram.
Ele discutiu a ideia de casar com o pai e então foi visitar sua prima
Emma em 29 de Julho de 1838. Ele não propôs casamento mas, contrariando
os conselhos do pai, contou-lhe sobre as suas ideias de transmutação
de espécies. Enquanto os seus pensamentos e trabalho continuavam em
Londres, durante o Outono, sua saúde voltou a definhar e ele passou
a sofrer repetidas crises.
Em 11 de Novembro ele pediu Emma em casamento e, uma vez mais, lhe falou de
suas ideias. Ela aceitou mas permaneceria sempre preocupada que os lapsos de
fé de Darwin acabariam por pôr em risco a possibilidade de, como
ela acreditava, se encontrarem após a morte.
Darwin considerou o raciocínio de Malthus de que a população
humana aumenta mais rapidamente que a produção de alimentos,
levando-a a uma competição e tornando qualquer esforço
de caridade inútil. Ele viu naquela ideia uma forma de explicar - (a)
seus achados sobre espécies extintas que se relacionavam mais com outras
não extintas encontradas na mesma região, -(b) a similaridade
entre espécies próximas umas das outras, -(c) suas dúvidas
derivadas da criação de animais e -(d) sua incerteza quanto a
existência de uma "lei de harmonia" na natureza.
No fim de Novembro de 1838, ele começou a comparar o processo de selecção
de características feito por criadores de animais com uma natureza Malthusiana
seleccionando variantes aleatoriamente de forma que "toda a parte de uma
nova característica adquirida é colocada em prática e
aperfeiçoada", e pensou nisto como "a mais bela parte da minha
teoria" de como novas espécies se originam. Ele estava procurando
uma casa e acabou por encontrar "Macaw Cottage" na rua Gower, Londres,
e então mudou seu "museu" para lá em Dezembro.
Ele já mostrava sinais de cansaço e Emma lhe escreveu sugerindo
que ele descansasse, comentando quase profeticamente "Não adoeça
mais meu querido Charley até que eu esteja aí para cuidar de
você". Em 24 de Janeiro de 1839, Darwin foi eleito membro da Royal
Society e apresentou seu artigo sobre as "estradas" de Glen Roy |

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Casamento e filhos
Em 29 de Janeiro de 1839, Darwin
casou com sua prima Emma Wedgwood em Maer. Depois de primeiro morar em Gower
Street, Londres, o casal mudou para Down House em Downe em 17 de Setembro de
1842.
Os Darwin tiveram dez filhos, três dos quais morreram prematuramente.
Muitos deles e de seus netos alcançaram notabilidade. Eis os nomes dos
seus filhos:
William Erasmus Darwin (1839-1914)
Anne Elizabeth Darwin (1841 - 1851)
Mary Eleanor Darwin (1842 -1842)
Henrietta Emma "Etty" Darwin (1843-1929)
George Howard Darwin (1845 -1912)
Elizabeth "Bessy" Darwin (1847-1926)
Francis Darwin (1848 -1925)
Leonard Darwin (1850 -1943)
Horace Darwin (1851 -1928)
Charles Waring Darwin (1856 -1858)
Muitos dos seus filhos sofreram de doenças ou fraquezas e o temor de
Darwin de que isto se devesse ao fato de que ele e Emma eram primos foi expresso
em seus textos sobre os efeitos do acasalamento entre indivíduos de
linhagens mais próximas (inbreeding) ou mais distantes (crossing). |
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Evolução por selecção
natural
Temendo tanto as críticas científicas
quanto as religiosas, Darwin passou décadas desenvolvendo as suas teorias evolutivas
quase sempre em segredo.
Darwin era agora um eminente geólogo no meio científico formado por clérigos
naturalistas, com uma renda segura e trabalhando secretamente em sua teoria. Ele tinha
muito a fazer, escrevendo sobre todos os seus achados e supervisionando a preparação
dos vários volumes da "Zoologia" que deveriam descrever as suas colecções.
Ele estava convencido da ocorrência da evolução mas, desde muito
tempo, sempre esteve consciente de que a ideia de transmutação de espécies
era vista como uma blasfêmia, bem como era associada com agitadores democráticos
radicais na Inglaterra; portanto, a publicação de suas ideias poderia
significar a demolição de sua reputação e, consequentemente,
a sua ruína.
Assim, ele fazia experimentos minuciosos com plantas e consultava frequentemente muitos
criadores de animais, incluindo criadores de pombos e porcos, na tentativa de encontrar
repostas convincentes para todos os contra-argumentos que ele conseguia antever.
Quando FitzRoy publicou seu livro sobre a viagem do Beagle em Maio de 1839, o diário
e comentários de Darwin foram um grande sucesso. Mais tarde naquele ano, o diário
foi publicado isoladamente em um livro que se tornou um sucesso de vendas hoje conhecido
como "A Viagem do Beagle" (The Voyage of the Beagle). Em Dezembro de 1839,
durante a primeira gravidez de Emma, a saúde de Darwin voltou a ficar comprometida
e ele conseguiu avançar muito pouco em seus trabalhos no ano seguinte.
Darwin tentou explicar sua teoria para amigos mais próximos, mas eles demoraram
a mostrar interesse e pensavam que uma selecção exige um seleccionador
divino. Em 1842 a família se moveu para a sua casa no campo (Down House) para
escapar da pressão de Londres. Ali, Darwin escreveu um pequeno texto esboçando
a sua teoria que, em 1844, seria expandido para um documento de 240 páginas
intitulado "Ensaio".
Darwin completou seu terceiro livro sobre geologia em 1846. Auxiliado por um amigo,
o jovem botânico Joseph Dalton Hooker, ele iniciou um estudo aprofundado sobre
cracas. Em 1847, Hooker leu o "Ensaio" e fez comentários que forneceram
a Darwin a opinião externa que ele precisava.
Darwin temia publicar a teoria de forma incompleta considerando o fato de que as suas
ideias sobre evolução poderiam ser altamente controversas se, de fato,
alguma atenção fosse dada a elas. Outras ideias sobre evolução
- especialmente o trabalho de Jean-Baptiste Lamarck - tinham sido consistentemente
rejeitadas pela comunidade científica britânica e foram associadas à
noção de radicalismo político. A publicação anónima
de "Vestígios da História Natural da Criação"
(Vestiges of the Natural History of Creation) em 1844 gerou outra controvérsia
sobre radicalismo e evolução e foi severamente atacada pelos amigos de
Darwin, o que assegurava que nenhum cientista de reputação iria querer
estar associado com tais ideias.
Para tentar tratar a sua doença, Darwin foi a um spa em Malvern em 1849 e, para
a sua surpresa, verificou que os dois meses de tratamento com água o ajudaram.
Em seu estudo sobre cracas ele descobriu "homologias" que suportavam a sua
teoria por mostrar que partes de um corpo levemente modificadas poderiam servir a funções
diferentes em novos contextos. Foi então que a sua querida filha Annie adoeceu
despertando novamente os seus temores de que sua doença pudesse ser hereditária.
Após um longo sofrimento, ela morreu e Darwin perdeu toda a sua fé em
um Deus benevolente.
Nesta época, ele conheceu o jovem naturalista, e livre-pensador, Thomas Huxley
que se tornaria um amigo próximo e grande aliado. O trabalho de Darwin sobre
cracas (Cirripedia) lhe valeu a medalha real da Royal Society em 1853, estabelecendo
definitivamente a sua reputação como biólogo. Ele completou este
estudo em 1854 e voltou a sua atenção para a sua teoria de transmutação
de espécies. |
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Darwin vs Mendel
Mendel foi o primeiro geneticista
conhecido. Com os seus estudos, por muito que contendo factores alienígenas
incontroláveis, Mendel comprovou que geneticamente (termo ainda não referido
por este) os factores e características passavam de pais para filhos, hereditariamente,
na sua regra de 3:1. Esta explicação era a justificação
necessária na teoria evolucionista de Darwin, para explicar a maneira como algumas
características "evoluíam" e outras se extinguiam.
Porém, ainda que as teorias de Mendel se enquadrassem perfeitamente nas ideias
de Darwin, na altura em que Mendel as começou a estudar, em nada auxiliaria
na teoria evolutiva. Ainda não existiam meios de comprovar completamente os
dados que Mendel obtinha nas suas experimentações (pelo que se explica
os quase 35 anos que as suas descobertas permaneceram na escuridão), e o próprio
Mendel não interligava as suas teorias com algo relacionado com evolução
(enquadremos a situação no termo histórico da época, Mendel
era um monge devotado, logo completamente Criacionista). Para não falar do facto
de que na altura, era impossível Mendel aliar as suas descobertas a Darwin,
ou Darwin aceitar as descobertas de Mendel. Não é por um cientista estar
a escrever uma teoria evolucionária, que irá englobar nesta todas as
ideias "tresloucadas" da altura. Sendo que se Darwin englobasse a teoria
de Mendel na sua, ou se incluísse dados desta, era mais um argumento impossível
de comprovar, e mais um motivo de polémica e de descrédito para o seu
nome no seio da comunidade científica (algo que Darwin temia).
A genética e a evolução Darwiniana foram inimigos desde o início
de ambos os conceitos. Ao mesmo tempo que Darwin afirmava que os seres podiam "evoluir"
para outros seres, Mendel demonstrava que características individuais mantinham-se
constantes. Enquanto as ideias de Darwin se baseavam em fundamentos erróneos
e não testados sobre hereditariedade, as conclusões de Mendel foram fundadas
em experimentação cuidada."
Se Darwin pudesse aceder aos trabalhos de Mendel já comprovados, tal poderia
levar a que mudasse a sua teoria, adicionando factos e argumentos que se enquadram
bem na teoria evolutiva, mas enquanto os conceitos de Darwin se baseavam em "variação,
mutação, e "ligeira" hereditariedade", os de Mendel assentavam
em "variação descontinua e hereditariedade extremamente acentuada,
sem mutações".
Então, se Darwin tivesse tomado conhecimento das teorias de Mendel na altura,
pouco poderia mudar, ou auxiliar na teoria evolutiva. Poderia ter encontrado alguma
resposta para as suas perguntas, mas não existia na altura maneira de comprovar
a genética que apenas começou a ganhar a sua importância no final
do século XIX, vistas comprovadas as teorias de Mendel. Logo não existiria
uma teoria tão sólida como a que apareceu futuramente (neo-Darwinismo)
aliando a evolução à genética, com comprovações
científicas e bases em experimentações cuidadosas. Na altura em
que a teoria evolutiva foi publicada, mesmo com a ajuda dos trabalhos de Mendel, Charles
Darwin nunca teria conseguido interpretar tantos factores, não atingindo uma
teoria tão coesa como o Neo-Darwinismo, que aliou todas as áreas da Biologia,
tornando a Genética e a Evolução irmãos de mãos
dadas. |
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Anúncio e publicação
da teoria
Darwin encontrou uma resposta para
o problema de como géneros divergem ao fazer uma analogia com as ideias de divisão
de trabalho na indústria. Variedades especializadas de um género, ao
encontrarem nichos nos quais sua especialização é mais útil,
forçariam a diversificação em espécies. Ele experimentou
com sementes, testando a sua habilidade de sobreviver à água salgada,
para determinar se uma espécie poderia se transferir para uma ilha isolada pelo
mar. Ele também passou a criar pombos para testar a sua hipótese de que
a selecção natural era comparável à "selecção
artificial" usada por criadores de pombos.
Foi então que, na primavera de 1856, Lyell leu um artigo sobre a introdução
de espécies escrito por Alfred Russel Wallace, um naturalista trabalhando no
Bornéo. Ciente da similaridade entre este trabalho e o de Darwin, Lyell o pressionou
para publicasse o quanto antes a sua teoria de forma a estabelecer precedência.
Apesar de sua doença, Darwin iniciou o livro de três volumes intitulado
"Selecção Natural" ("Natural Selection"), obtendo
espécimes e informações de naturalistas como Asa Gray e o próprio
Wallace.
Em Dezembro de 1857, quando trabalhava em seu livro, Darwin recebeu uma carta de Wallace
perguntando se ele se aprofundaria na questão das origens do homem. Ciente dos
temores de Lyell, Darwin respondeu: "Eu acho que irei evitar completamente este
assunto, uma vez que ele é rodeado de preconceitos, embora eu admita que este
é o maior e mais interessante problema para um naturalista".
Ele então encorajou Wallace a teorizar sobre o tema, dizendo "não
há observações boas e originais sem especulação".
Quando o seu manuscrito já alcançava 250 mil palavras, em Junho de 1858,
Darwin recebeu de Wallace o artigo em que aquele descrevera o mecanismo evolutivo que
concebera. Wallace também solicitara a Darwin que o enviasse a Lyell. Darwin
assim o fez, embora estivesse chocado que ele tivesse sido "prevenido" do
fato. Embora Wallace não tivesse solicitado a publicação, Darwin
se ofereceu para enviar o artigo a qualquer revista que ele desejasse.
Ele descreveu o que se passava para Lyell e Hooker. Estes concordaram em uma apresentação
conjunta na Lynnean Society, em 1 de Julho, do artigo intitulado "Sobre a Tendência
das Espécies de formarem Variedades; e sobre a Perpetuação das
Variedades e Espécies por Meios Naturais de Selecção" (On
the Tendency of Species to form Varieties; and on the Perpetuation of Varieties and
Species by Natural Means of Selection). Infelizmente, o filho de Darwin faleceu e ele
não pode comparecer à apresentação.
O anúncio inicial da teoria atraiu pouca atenção. Ela foi mencionada
brevemente em algumas resenhas, mas para a maioria dos revisores era apenas mais uma
entre muitas variações de pensamento evolutivo. Nos treze meses seguintes
Darwin sofreu com sua saúde precária e fez um enorme esforço para
escrever um resumo de seu "grande livro sobre espécies". Recebendo
constante encorajamento de seus amigos cientistas, ele finalmente terminou o texto
e Lyell cuidou para que o mesmo fosse publicado por John Murray.
O livro recebeu o título "Sobre a origem das espécies por meio de
selecção natural" (On the Origin of Species by Means of Natural
Selection) e, quando foi colocado à venda em 22 de Novembro de 1859, esgotou
o estuque de 1250 cópias rapidamente. Naquela época, o termo "evolucionismo"
implicava em criação sem intervenção divina e, por isso,
Darwin evitou usar as palavras "evolução" ou "evoluir",
embora o livro terminasse anunciando que "um número incontável das
mais belas e maravilhosas formas evoluíram e estão evoluindo".
O livro só mencionava brevemente a ideia de que seres humanos também
deveriam evoluir tal qual outros organismos. Darwin escreveu de forma propositadamente
atenuada que "luz será lançada no tocante à origem do homem
e sua história". |
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Reação
O livro de Darwin iniciou uma controvérsia
pública que ele acompanhou atentamente, obtendo corte de jornais de milhares
de resenhas, críticas, artigos, sátiras, paródias e caricaturas.
Críticos foram rápidos em apontar as implicações não
discutidas no livro de que "homens fossem descendentes de macacos" ("men
from monkeys"). Entretanto, houve resenhas favoráveis, entre elas, uma
publicada no The Times escrita por Huxley que incluía críticas a Richard
Owen, um expoente do meio científico que Huxley estava tentando "destronar".
Owen pareceu inicialmente neutro mas então escreveu um artigo condenando o livro.
O corpo científico da Igreja da Inglaterra, incluindo os antigos tutores de
Darwin em Cambridge, Sedgwick e Henslow, reagiu contra o livro, embora ele tenha sido
bem recebido por uma nova geração de jovens naturalistas. Foi quando
sete ensaios e resenhas feitas por sete teólogos anglicanos liberais declararam
que milagres eram irracionais e atraíram a atenção para si desviando-a
de Darwin.
O confronto mais famoso ocorreu em um encontro da Associação Britânica
para o Avanço da Ciência em Oxford. O professor John William Draper fez
uma longa apresentação sobre Darwin e progresso social e, então,
Samuel Wilberforce, o bispo de Oxford, atacou as ideias de Darwin. Em um acalorado
debate, Joseph Hooker defendeu Darwin com tenacidade e Thomas Huxley se estabeleceu
como o "bulldog de Darwin" - o mais veemente defensor da teoria evolutiva
no palco Vitoriano.
Conta-se que tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de macacos por
parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: "O Senhor o deixou em minhas mãos"
e respondeu que "preferia ser descendente de um macaco que de um homem educado
que usava sua cultura e eloquência a serviço do preconceito e da mentira"
(isto é contestado, veja Wilberforce and Huxley: A Legendary Encounter). Logo
se espalhou pelo país a história de que Huxley teria dito que preferia
ser um macaco a um bispo.
Muitas pessoas sentiam que a visão de Darwin da natureza acabava com a importante
distinção entre homem e animais. O próprio Darwin não defendia
suas ideias em público, embora ele lesse avidamente tudo sobre o debate. Ele
se encontrava frequentemente doente e apenas fazia comentários através
de cartas e correspondência. Seu círculo central de amigos cientistas
- Huxley, Hooker, Charles Lyell e Asa Gray - activamente colocavam seu trabalho em
discussão nos palcos científico e público, defendendo-o de seus
muitos críticos e ajudando-o a ganhar o respeito que lhe valeu a medalha Copley
da Royal Society em 1864.
A teoria de Darwin também foi usada como base para vários movimentos
da época e tornou-se parte da cultura popular. O livro foi traduzido para muitos
idiomas e teve numerosas reimpressões. Ele tornou-se um texto científico
acessível tanto para aos novos e curiosos cidadãos da classe média
quanto para os trabalhadores e foi aclamado como o mais controverso e discutido livro
científico de todos os tempos.
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Últimos anos de
vida
Apesar dos sucessivos problemas
de saúde que acometeram Darwin nos seus últimos vinte e dois
anos de vida, ele continuou trabalhando avidamente. Ele passou a se dedicar
aos aspectos mais controversos do seu "grande livro" que ainda estavam
por ser completados: a evolução da espécie humana a partir
de animais mais primitivos, o mecanismo de selecção sexual que
poderia explicar características de não tão óbvia
utilidade além de mera beleza decorativa, bem como sugestões
para as possíveis causas subjacentes ao desenvolvimento da sociedade
e das habilidades mentais humanas. Seus experimentos, pesquisa e escrita continuaram.
Quando a filha de Darwin adoeceu, ele deixou de lado o seu trabalho e experimentos
com sementes e animais para acompanhá-la em seu tratamento no campo.
Ali, ele iniciaria o seu interesse por orquídeas selvagens que se desenvolveria
em um estudo inovador sobre como as flores serviam para controlar a polinização
feita pelos insectos e garantir a fertilização cruzada. Como
já observara com as cracas, partes homólogas serviam a diferentes
funções em diferentes espécies. De volta ao lar, ele adoeceu
novamente em um quarto repleto de experimentos e plantas trepadeiras. Ainda
assim, continuou o seu trabalho no livro "Variação"
(Variation), que cresceu até ocupar dois volumes, o que o forçou
a deixar de lado "A descendência do Homem e Selecção
em relação ao Sexo". Uma vez impresso, o livro foi muito
procurado.
A questão da evolução humana tinha sido amplamente discutida
pelos seus simpatizantes (e críticos) logo depois da publicação
da "Origem das Espécies" mas a contribuição
do próprio Darwin para o tema só veio uma década mais
tarde com os dois volumes de "A descendência do Homem e Selecção
em relação ao Sexo" em 1871. No segundo volume, Darwin introduziu
por completo o seu conceito de selecção sexual e explicou a evolução
da cultura humana, as diferenças entre os sexos, a diferenciação
entre raças bem como a bela plumagem dos pássaros. Um ano mais
tarde, Darwin publicou seu último grande trabalho, "The Expression
of the Emotions in Man and Animals", que era focado na evolução
da psicologia humana e sua continuidade com o comportamento animal. Ele desenvolveu
a sua ideia de que a mente humana e culturas foram desenvolvidas por meio de
selecção natural e sexual, uma abordagem que foi revivida com
a emergência da psicologia evolutiva. Como ele concluiu em a "Descendência
do Homem", Darwin achava que apesar de todas as "qualidades nobres"
e "capacidades sublimes" da humanidade: "O homem ainda traz
em sua estrutura física a marca indelével de sua origem primitiva"
costumava dizer Dawin. |

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Visão religiosa
Embora vários membros da família
de Darwin fossem pensadores livres, abertamente lhes faltando crenças religiosas
convencionais, ele inicialmente não duvidava da verdade literal da Bíblia.
Ele frequentava uma escola da igreja da Inglaterra e, mais tarde, em Cambridge, estudou
teologia Anglicana. Nesta época, ele estava plenamente convencido do argumento
de William Paley de que o projecto perfeito da natureza era uma prova inequívoca
da existência de Deus. Contudo, as suas crenças começaram a mudar
durante a sua viagem no Beagle.
Para ele, a visão de uma vespa paralisando uma larva de borboleta para que esta
servisse de alimento vivo para seus ovos parecia contradizer a visão de Paley
de projecto benevolente ou harmonioso da natureza. Enquanto abordo do Beagle, Darwin
era bastante ortodoxo e poderia citar a Bíblia como uma autoridade moral. Apesar
disso, ele via as histórias no velho testamento como falsas e improváveis.
A morte da filha de Darwin, Annie,
em 1851 foi o evento que minou definitivamente a crença de Darwin em um Deus
benevolente.
Ao retornar, ele investigou a questão de transmutação de espécies.
Ele sabia que seus amigos naturalistas e clérigos pensavam em transmutação
como uma heresia que enfraquecia as justificativas morais para a ordem social e sabiam
que tais ideias revolucionárias eram especialmente perigosas em uma época
em que a posição estabelecida da igreja da Inglaterra estava sob constante
ataque de dissidentes radicais e ateus.
Enquanto desenvolvia secretamente a sua teoria de Selecção Natural, Darwin
chegou mesmo a escrever sobre a religião como uma estratégia tribal de
sobrevivência, embora ele ainda acreditasse que Deus era o legislador supremo.
Sua crença continuou diminuindo com o passar do tempo e, com a morte de sua
filha Annie em 1851, Darwin finalmente perdeu toda a sua fé no cristianismo.
Ele continuou a ajudar a igreja local e colaborar com o trabalho comunitário
associado à igreja mas, aos domingos, ia caminhar enquanto sua família
ia para o culto. Em seus últimos anos de vida, quando perguntado sobre a visão
que tinha a respeito da religião, ele escreveu que nunca tinha sido um ateu
no sentido de negar a existência de Deus e, portanto, se descreveria mais correctamente
como um agnóstico.
Charles Darwin contou em sua biografia que eram falsas as afirmações
de que seu avô Erasmus Darwin teria clamado por Jesus em seu leito de morte.
Darwin concluiu dizendo que "Era tal o estado de sentimento cristão neste
país [em 1802].... Nós podemos apenas esperar que nada deste tipo prevaleça
hoje". Apesar desta crença, histórias muito parecidas circularam
logo após a morte de Darwin, em particular, uma que afirmava que ele havia se
convertido logo antes de morrer. Estas histórias foram disseminadas por alguns
grupos cristãos até ao ponto de se tornarem lendas urbanas, embora as
afirmações tenham sido refutadas pelos filhos de Darwin e sejam consideradas
falsas por historiadores. |
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Legado
A teoria de Darwin de que evolução
ocorreu por meio de selecção natural mudou a forma de pensar em inúmeros
campos de estudo da Biologia à Antropologia. Seu trabalho estabeleceu que a
"evolução" havia ocorrido: não necessariamente por meio
das selecções natural e sexual (isto, em particular, só foi comummente
reconhecido após a redescoberta do trabalho de Gregor Mendel no início
do século XX e o desenvolvimento da Síntese Moderna).
Outros antes dele já haviam esboçado a ideia de selecção
natural: em sua vida, Darwin reconheceu como tal os trabalhos de William Charles Wells
e Patrick Matthew que eles (e praticamente todos os outros naturalistas da época)
desconheciam quando ele publicou a sua teoria. Contudo, é claramente reconhecido
que Darwin foi o primeiro a desenvolver e publicar uma teoria científica de
Selecção Natural e que trabalhos anteriores ao seu não contribuíram
para o desenvolvimento ou sucesso da Selecção Natural como uma teoria
estável.
Apesar da grande controvérsia que marcou a publicação do trabalho
de Darwin, a evolução por selecção natural provou ser um
argumento poderoso contrário às noções de criação
divina e projeto inteligente comuns na ciência do século XIX. A ideia
de que não mais havia uma clara separação entre homens e animais
faria com que Darwin fosse lembrado como aquele que removeu o homem da posição
privilegiada que ocupava no universo. Para alguns de seus críticos, entretanto,
ele continuou sendo visto como o "homem macaco" frequentemente desenhado
com um corpo de macaco. |
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Reconhecimento
Ainda durante a vida de Darwin, muitas
espécies de seres vivos e elementos geográficos foram baptizados em sua
homenagem, entre eles, o Monte Darwin, nos Andes, em celebração ao seu
vigésimo quinto aniversário. A capital do Northern Territory na Austrália
também foi baptizada com o seu nome em comemoração à passagem
do Beagle por ali, em 1839. No mesmo território, foram baptizados com o seu
nome uma universidade e um parque nacional.
As 14 espécies de tentilhões que ele estudou em Galápagos são
chamadas "tentilhões de Darwin" em honra ao seu legado. Em 1964, foi
inaugurado em Carmbridge o Darwin College em honra à sua família e, parcialmente,
porque os Darwin eram os donos do terreno usado.
Em 1992, Darwin foi posicionado em décimo sexto lugar na As 100 maiores personalidades
da História, compilada pelo historiador Michael H. Hart. Darwin também
figura na nota de dez libras introduzida pelo banco da Inglaterra em 2000 em substituição
a Charles Dickens.
Sua barba impressionante e difícil de ser copiada foi apontada como um dos factores
que contribuíram para a escolha. Darwin também aparece em quarto lugar
na 100 Greatest Britons, uma lista compilada por meio de voto popular pela BBC. |
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Eugenia
Seguindo a publicação
da "Origem das Espécies", o primo de Darwin, Francis Galton, aplicou
as ideias de Darwin à sociedade, de forma a promover o conceito de "melhorias
hereditárias". Ele iniciou este trabalho em 1865, completando-o em 1869.
Em "The Descent of Man", Darwin concordou que Galton tivesse demonstrado
que "talento" e "genialidade" em humanos eram provavelmente herdados
mas acreditava que as mudanças sociais que ele propunha eram muito utópicas.
Nem Galton nem Darwin concordavam que o Estado devesse interferir nestas questões.
Acreditavam que, no máximo, a hereditariedade deveria ser considerada na escolha
de cônjuges. Em 1883, depois da morte de Darwin, Galton começou a chamar
a sua filosofia social de Eugenia. No século XX, movimentos de eugenia ganharam
popularidade em vários países e foram associados a programas de controlo
de reprodução tais como leis de esterilização compulsória.
Tais movimentos acabaram sendo estigmatizados após serem usados na retórica
da Alemanha Nazista em suas metas de alcançar "pureza" racial. |
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Darwinismo Social
Em 1944 o historiador americano Richard
Hofstadter aplicou o termo "Darwinismo Social" para descrever o pensamento
desenvolvido durante os séculos XIX e XX a partir das ideias de Thomas Malthus
e Herbert Spencer, que aplicaram as noções de evolução
e sobrevivência do mais apto às sociedades e nações. Estas
ideias caíram em descrédito após serem associadas ao racismo e
ao imperialismo. Note que na época de Darwin a diferença entre o que
mais tarde seria chamado de "darwinismo social" e simplesmente "darwinismo"
não era clara. Contudo, Darwin não acreditava que sua teoria científica
implicasse em qualquer teoria particular de governo ou ordem social.
O uso do termo "Darwinismo Social" para descrever as ideias de Malthus não
é muito adequado uma vez que Malthus morreu em 1834, portanto antes que a teoria
de Darwin tivesse sido concebida. Além disso, de fato, a teoria de Darwin é
que foi inspirada em um ensaio de Malthus de 1838, Princípio da População.
O "progressivíssimo" evolutivo de Spencer e suas ideias políticas
e sociais também foram muito influenciadas pelas ideias de Malthus e seus livros
sobre economia (de 1851) e evolução (de 1855) são ambos anteriores
à publicação da "Origem das Espécies" (de 1859).
Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado
na Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac
Newton. Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa
a ter um funeral de Estado no século XIX |
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Fonte:- Wikipédia |
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A História da
Nossa Senhora de Fátima (21) |
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Efemérides |
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1916 - Primavera, Verão
e Outono - Aparições do Anjo.
1917 - Nos dias 13 dos meses de Maio, Junho, Julho, Setembro e Outubro - Aparições
de Nossa Senhora na Cova da Iria; em 19 de Agosto, nos Valinhos.
04.04.1919 - Morre o vidente Francisco Marto, em Aljustrel.
28.04.1919 - Início da construção da Capelinha das Aparições.
20.02.1920 - Morre a vidente Jacinta Marto, no Hospital de Dª Estefânia,
em Lisboa
13.10.1921 - É permitida a celebração da Missa, pela primeira
vez, junto à Capelinha das Aparições.
06.03.1922 - A Capelinha das Aparições é destruída,
sendo restaurada um ano depois
03.05.1922 - Provisão do Bispo de Leiria, mandando instaurar o processo
canónico sobre os acontecimentos de Fátima
13.10.1922 - Inicia-se a publicação da "Voz de Fátima"
26.06.1927 - O Bispo de Leiria preside, pela primeira vez, a uma cerimónia
oficial na Cova da Iria, depois da bênção das estações
da Via-Sacra, desde o Reguengo do Fetal (11 km)
13.05.1928 - Lançamento da primeira pedra da Basílica
13.10.1930 - Pela Carta Pastoral "A Divina Providência", o
Bispo de Leiria declara "dignas de crédito as visões das
crianças na Cova da Iria" e permite oficialmente o culto de Nossa
Senhora de Fátima
13.05.1931 - Primeira Consagração de Portugal ao Imaculado Coração
de Maria, feita pelo Episcopado Português, no seguimento da Mensagem
de Fátima
12.09.1935 - Trasladação dos restos mortais de Jacinta Marto,
do cemitério de Vila Nova de Ourém para o de Fátima.
13.05.1942 - Grande peregrinação para assinalar o 25º aniversário
das Aparições
31.10.1942 - Pio XII, falando em português pela rádio, consagra
o Mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção
velada da Rússia, segundo o pedido de Nossa Senhora
13.05.1946 - Coroação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima,
da Capelinha das Aparições (coroa oferecida pelas mulheres portuguesas),
pelo Cardeal Masella, Legado Pontifício
01.05.1951 - Trasladação dos restos mortais de Jacinta Marto,
do cemitério de Fátima para a Basílica do Santuário
13.10.1951 - Encerramento do Ano Santo (Universal), em Fátima, pelo
Cardeal Tedeschini,
Legado Pontifício
13.03.1952 - Trasladação dos restos mortais de Francisco Marto,
do cemitério de Fátima para a Basílica do Santuário
07.07.1952 - Consagração dos Povos da Rússia ao Imaculado
Coração de Maria, pelo Papa Pio XII
07.10.1953 - Sagração da Igreja do Santuário de Fátima
12.11.1954 - O Papa Pio XII concede o título de Basílica menor
à Igreja do Santuário
13.05.1956 - O Cardeal Roncalli, Patriarca de Veneza, futuro Papa João
XXIII, preside à Peregrinação Internacional Aniversaria
01.01.1960 - Início do Sagrado Lausperene no Santuário de Fátima;
21.11.1964 - Ao encerrar a 3ª sessão do Concílio Ecuménico
Vaticano II, o Papa Paulo VI anuncia diante dos 2.500 padres conciliares, a
concessão da Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima
13.05.1965 - Entrega da Rosa de Ouro pelo Cardeal Fernando Cento, legado Pontifício,
durante a Peregrinação Internacional Aniversaria
13.05.1967 - O Papa Paulo VI desloca-se a Fátima, no cinquentenário
da 1ª Aparição de Nossa Senhora, para pedir a paz no mundo
e a unidade da Igreja
13.05.1977 - A Peregrinação do 60º aniversário da
1ª Aparição foi presidida pelo Cardeal Humberto Medeiros,
Arcebispo de Boston, legado Pontifício
10.07.1977 - Peregrinação a Fátima do Cardeal Albino Luciani,
Patriarca de Veneza, depois Papa João Paulo I.
19.09.1977 - Elevação de Fátima à categoria de
Vila
12/13.05.1982 - O Papa João Paulo II vem em peregrinação
a Fátima agradecer o ter escapado com vida, um ano antes, na Praça
de S. Pedro, e, de joelhos, consagra a Igreja, os Homens e os Povos, com menção
velada da Rússia, ao Imaculado Coração de Maria
25.03.1984 - Na Praça de S. Pedro, no Vaticano, diante da Imagem de
Nossa Senhora de Fátima ida expressamente da Capelinha das Aparições,
João Paulo II faz, uma vez mais, a consagração do mundo
ao Imaculado Coração de Maria, em união com todos os Bispos
do Mundo
2/13.05.1991 - O Santo Padre João Paulo II vem pela segunda vez a Fátima,
como peregrino, no 10º aniversário do seu atentado na Praça
de S. Pedro, no Vaticano, presidindo à Peregrinação Internacional
Aniversaria
04.06.1997 - A Assembleia da República Portuguesa eleva a Vila de Fátima
à categoria de cidade
13.05.2000 - Beatificação de Francisco e Jacinta Marto
13.02.2005 - Falecimento da Irmã Lúcia
02.04.2005 - Falecimento de João Paulo II. |
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Jacinta, Francisco
e Lúcia |
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Nossa Senhora de Fátima
e os Pastorinhos |
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Jacinta e Francisco. Pequenas crianças
que, com sua prima Lúcia, guardavam o rebanho à sombra das azinheiras
de um lugar chamado Cova da Iria. Um dia mudou as suas vidas. O dia em que viram a
"Senhora vestida de branco". Uma experiência de fé e transcendência
confirmada pelo milagre, à vista de todos, no "dia em que o sol bailou" |
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O dia 13 de Maio de 2000 também
foi histórico. O Papa João Paulo II veio a Fátima. Beatificar
as duas crianças. Ajoelhar aos pés da Senhora do Rosário.
Anualmente, mais de seis milhões de pessoas
seguem o seu exemplo e chegam à Cidade da Paz. |
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A 12 e 13 de Maio, milhares de peregrinos
rumam ao Altar do Mundo para se ajoelharem aos pés de Nossa Senhora de Fátima,
numa das mais impressionantes manifestações de fé, paz e espiritualidade
a que o mundo assiste todos os anos desde 1917.
A história de Fátima está permanentemente associada à existência
de três crianças: Lúcia e seus primos, Francisco e Jacinta Marto.
A doçura e fé inocente de pequenos e humildes pastores levou-os a vislumbrar
a mais santa das imagens: a de Nossa Senhora.
A 13 de Maio de 1917, na Cova da Iria, a poucos quilómetros de Fátima,
vislumbraram um clarão, onde agora se localiza a Capela das Aparições.
A Virgem pediu-lhe que rezassem muito pelo bem do mundo, e anunciou que voltaria durante
os próximos meses, a todos os dias 13. A última Aparição
ocorreu no mês de Outubro, sendo presenciada por cerca de 70.00 peregrinos que
assistiram ao Milagre do Sol.
Fátima é hoje por muitos considerada como o Altar do Mundo, onde cheira
a promessas e velas queimadas e onde acorrem milhões de peregrinos movidos pela
maior força do mundo: a Fé. |
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Fátima, cidade da Paz.
Terra de Milagres e Aparições. |
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A Gripe A (H1N1) (22) |
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Cada vez mais na ordem do dia, esta
Gripe A - ano de 2009 - que teve a sua origem no México. Esta Pandemia causada
por uma variante do Vírus Influenza
do Vírus A, de origem suína
(Porcina) (subtipo H1N1) está afectar o mundo inteiro, com o aparecimento diariamente
de novos casos. São muitos os
riscos de contagio, por isso, muitos os cuidados a ter, entre eles um dos mais importante
é lavar as mãos muitas
vezes ao dia, gesto simples que pode eventualmente evitar a gripe A.
Segundo a ciência médica, parece que o pior estará para vir lá
mais para o Outono, apelando os serviços de saúde do países do
mundo inteiro, no sentido dos cuidados a ter pelas pessoas, que por vezes um simples
gesto pode ser importante para evitar o contagio. |
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Esta infecção respiratória
causada pelo vírus Influenza pode afetar milhões de pessoas a cada ano.
É altamente contagiosa e ocorre mais no final do outono, inverno e início
da primavera. Diferentemente do resfriado
que, na maioria das vezes, se dissemina pelo contato direto entre as pessoas, o vírus
Influenza se dissemina, principalmente, pelo ar. Quando a pessoa gripada espirra, tosse
ou fala, gotículas com o vírus ficam dispersas no ar por um tempo suficiente
para ser inaladas por outra pessoa.
A gripe é uma doença com início súbito e mais grave que
o resfriado comum. O período de incubação - tempo entre o contágio
e o início dos sintomas da doença - é de 1-2 dias. |
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Sintomas: |
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Febre - Calafrios - Suor
excessivo e Tosse seca (pode
durar mais de duas semanas) - Dores
musculares e articulares (podem
durar de 3 a 5 dias) - Fadiga (pode levar mais de duas semanas para desaparecer) - Mal estar
- Dor de cabeça - Nariz
obstruído - Irritação
na garganta |
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Aqui se documentam PERGUNTAS E RESPOSTAS
a ter em conta: |
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1 .- P: Quanto tempo pode durar o vírus vivo
em uma superfície?
R: Até 10 horas.
2. -P: Qual a utilidade do álcool para limpar as mãos?
R: Deixa o vírus inativo e mata-o.
3 .- P: Qual é o meio mais eficaz de infecção deste vírus?
R: O ar não é a forma mais eficaz de transmissão do vírus,
o fator mais importante para a fixação do vírus é a umidade,
(revestimento do nariz, boca e olhos), o vírus não voa e não atinge
mais de um metro distância.
4 .- P: É fácil a infectar-se em aviões?
R: Não é um meio propício.
5 .- P: Como posso evitar a infecção?
R: Não levar as mãos ao rosto, olhos, nariz e boca. Não ter contato
com pessoas doentes. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.
6 .- P: Qual é o período de incubação do vírus?
R: Em média 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase que imediatamente.
7 .- P: Quando você deve começar a tomar medicação?
R: Se tomada até 72 horas depois, as perspectivas são muito boas, a
melhora é de 100%.
8.- P: Qual é a forma como o vírus entra no corpo?
R: Contato ao dar a mão ou beijar na bochecha. Ele penetra pelo nariz, boca
e olhos.
9 .- P: O vírus é letal?
R: Não, o que provoca a morte é a complicação da doença
causada pelo vírus, que é pneumonia
10 .- P: Quais os riscos dos familiares de pessoas que morreram?
R: Elas podem ser portadoras e formam uma cadeia de transmissão.
11 .- P: A água nas piscinas transmite o vírus?
A: Não, porque ele contém substâncias químicas e clorados
12 .- P: O que faz o vírus para provocar a morte?
R: Uma cascata de reações, tais como insuficiência respiratória,
a pneumonia grave é a causa da morte.
13 .- P: Quando pode iniciar o contágio, mesmo antes ou só quando os
sintomas ocorrem?
R: Desde que se tenha o vírus antes dos sintomas
14 .- P: Qual é a probabilidade de recaída com a mesma doença
R: 0%, pois fica-se imune ao vírus.
15 .- P: Onde é que o vírus se encontra no meio ambiente?
R: Quando uma pessoa contagiada tosse ou espirra , o vírus pode permanecer em
superfícies lisas, como portas, dinheiro, papéis, documentos, desde que
haja umidade. Uma vez que não se pode esterilizar o ambiente é extremamente
recomendada higiene das mãos.
16 .- P: Se eu for para um hospital particular podem cobrar-me o remédio?
R: Não, existe um acordo de não cobrar, porque o governo o está
proporcionando a todas as instituições de saúde públicas
e privadas.
17 .- P: O vírus ataca mais os asmáticos?
R: Sim, esse pacientes são mais sensíveis, mas este é um germe
novo, todos são igualmente suscetíveis.
18 .- P: Qual é a população que este vírus está
atacando?
R: 20 a 50 anos de idade.
19 .- P: A máscara é útil para cobrir a boca?
R: Há algumas melhores do que outras, mas se você for saudável
é contraproducente, pois o vírus, por seu tamanho, atravessa-a como se
ela não existisse e usando a máscara, é criado dentro da área
do nariz e da boca um microclima úmido favorável ao desenvolvimento do
vírus. Mas se você já está infectado, melhor usá-la
para evitar infectar outras pessoas, neste caso ela é relativamente eficiente.
20 .- P: Posso fazer exercício ao ar livre?
R: Sim, o vírus não vai para o ar e não tem asas.
21 .- P: Existe alguma vantagem em tomar vitamina C?
R: Não serve de nada para evitar a infecção por este vírus,
mas ajuda a resistir aos sintomas.
22 .- P: Quem está a salvo da doença
ou quem é menos suscetível?
R: Não há ninguém a salvo, o que ajuda é a higiene dentro
de casa, escritório, utensílios e não ir a lugares públicos.
23 .- P: Será que o vírus se move?
R: Não, o vírus não tem nem pernas nem asas, só com um
empurrão para entrar no interior do corpo.
24 .- P: Os bichos de estimação podem propagar o vírus?
R: Este vírus não, talvez alguns outros vírus.
25 .- P: Se eu for a um velório de alguém que morreu deste vírus
posso infectar-me?
R: NÃO.
26 .- P: Qual é o risco de mulheres grávidas com o vírus?
R: As mulheres grávidas têm o mesmo risco de qualquer pessoa, mas é
por dois, elas podem tomar antivirais em caso de infecção, mas com rigorosa
supervisão médica.
27 .- P: O feto pode ter lesões se uma mulher grávida é infectada
por este vírus?
R: Não sabemos o que pode acontecer, pois é um vírus novo.
28 .- P: Posso tomar ácido acetilsalisílico (aspirina)?
R: Não é recomendado, pode causar outras doenças, a menos que
tenha sido receitado para problemas coronários, nesse caso, deve-se continuar.
29 .- P: Existe alguma vantagem em tomar antivirais antes dos sintomas?
R: Não é bom.
30 .- P: As pessoas com HIV, diabetes, aids, câncer, etc. podem ter mais complicações
do que uma pessoa saudável, quando do contágio pelo vírus?
R: Sim.
31 .- Q: A gripe convencional poderia tornar-se Influenza A?
R: NÃO.
32 .- P: O que mata o vírus?
R: O sol, mais de 5 dias no ambiente, o sabão, os antivirais específicos,
o álcool gel.
33 .- P: O que fazer para prevenir infecções, nos hospitais, para outros
pacientes que não têm o vírus?
R: Isolamento
34 .- P. O álcool gel é eficaz?
R: Sim, muito eficaz.
35 .- P: Se eu sou vacinado contra a gripe sazonal eu estou segura?
R: Não serve de nada, ainda não há vacina para o vírus.
36 .- P: Este vírus está sob controle?
A: Não totalmente, mas estão sendo tomadas medidas agressivas de contenção.
37 .- P: O que acontece com a mudança de alerta 4 para 5?
R: Fase 4 não é diferente da fase 5, só significa que o vírus
se propagou de pessoa a pessoa em mais de 2 países, e a fase 6, é que
se propagou para mais de 3 países.
38 ..- P. Quem foi infectado por este vírus e está saudável, é
imune?
R: Sim.
39 .- P: As crianças que têm tosse e constipações podem
estar com a gripe A?
R: É pouco provável, as crianças são pouco afetadas.
40 .- P: Quais medidas as pessoas que trabalham devem tomar?
R: Lave as mãos várias vezes ao dia.
41 .- P: Eu posso pegá-lo ao ar livre?
R: Se as pessoas estão infectadas e tossem ou espirram perto de você,
pode acontecer, mas o ar é um meio de pouco contágio.
42 .- P: Pode você comer porco?
R: Sim você pode e não há risco de contágio.
43 .- P: Qual é o fator determinante para saber que o vírus já
está sob controle?
R: Embora a epidemia esteja controlada agora, no inverno boreal (hemisfério
norte) pode retornar e provavelmente não haverá vacina ainda. |
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A história da descoberta
do espaço (23) |
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A característica do desenvolvimento
tecnológico actual, também a conquista espacial tem se desenvolvido a
passos largos. Os primórdios dos foguetes actuais foram construídos há
mais de mil anos na China. Semelhantes aos fogos de artifício de hoje, tinham
a finalidade de diversão e de sinalização. No início do
século um cientista russo, Konstantin Tsiolkovsky, defendeu a ideia de que foguetes
com proponentes líquidos poderiam chegar ao espaço. O primeiro lançamento
de um foguete desse tipo foi realizado por um americano, Robert Goddard, em 1926.
O grande avanço dessa tecnologia, porém, começou na década
de 30 com o desenvolvimento do foguete V2 por militares alemães, onde se destacou
o génio de Wernher von Braun. Em 1944, perto do fim da II Guerra, essa nova
arma foi usada para atacar Paris, Londres e Antuérpia. O V2 chegava a alcançar
160 km de altitude, sendo assim o primeiro objecto construído pelo homem a alcançar
o espaço. O fim da II Guerra nos deixou dois grandes legados científico-militares:
a bomba atómica e os foguetes de proponentes líquidos. |
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A UNIÃO SOVIÉTICA |
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Em 1957 a União Soviética
surpreendeu o mundo ao lançar o primeiro satélite artificial de nosso
planeta, o Sputnik 1, uma esfera de alumínio com menos de 50 cm de diametro
e quatro antenas que transmitiam ininterruptamente sinais de rádio para a Terra.
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O Sputinik 1 levou instrumentos
para medir a temperatura e a densidade da alta atmosfera e nos enviou esses
dados por 21 dias, até que suas baterias se esgotaram. Depois de passar
96 dias em órbita o Sputnik 1 reentrou na atmosfera e incendiou-se,
devido ao atrito com o ar.
Seres humanos sobreviveriam no espaço? A resposta a essa pergunta também
foi-nos dada pela União Soviética. Um novo Sputnik levou ao espaço
a cadela Laika, que não sofreu nenhum efeito nocivo por uma semana,
até que o suprimento de ar que levava se esgotou e ela morreu. Foi também
a União Soviética que colocou o primeiro homem no espaço:
Yury Gagarin, em 12 de Abril de 1961. A bordo da nave Vostok 1, Gagarin gastou
108 minutos para dar uma volta completa em torno de nosso planeta. Como ainda
não se conheciam bem os efeitos da falta de gravidade sobre o ser humano,
o vôo de Gagarin foi totalmente controlado da Terra.
A União Soviética continuava liderando a "Conquista Espacial".
Em Outubro de 1964 a Voskhod 1 foi a primeira nave a transportar mais de uma
pessoa (três) ao espaço. Em 18 de Março de 1965, a Voskhod
2, com duas pessoas a bordo, registou o primeiro "passeio" espacial.
Aleksey Leonov foi a primeira pessoa a sair de uma nave espacial e "flutuar"
no espaço, onde ficou por dez minutos.
Em 1959 a União Soviética havia dado início à "conquista
da Lua" com o projecto Luna, que enviou várias naves ao nosso satélite
natural. A Luna 1 foi a primeira nave a ir além da Lua e entrar em órbita
do Sol; a Luna 2 foi o primeiro objecto construído pelo homem a alcançar
o solo lunar; ainda em 1959 a Luna 3 foi a primeira sonda a fotografar a face
oculta da Lua (a que nunca é vista da Terra); a Luna 9 fez o primeiro
pouso suave na Lua e nos enviou imagens de TV de sua superfície; a Luna
10 entrou em órbita da Lua, tornando-se seu primeiro satélite
artificial.
O projecto Luna se desenvolveu até 1976, mesmo depois da estada dos
norte americanos em nosso satélite. Totalmente automatizadas, três
sondas Luna recolheram amostras do solo lunar e as trouxeram à Terra,
em 1970, 1972 e 1976. Após o pouso essas sondas estendiam um braço
mecânico que perfurava a superfície da Lua para extrair solo e
rocha. Esse material assim recolhido era colocado em uma cápsula no
topo da nave, que fazia a viagem de volta com a amostra. |
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Laika, em 1957.
O primeiro ser vivo
no espaço não foi um homem, mas a cadela russa Kudriavka,
da raça laika. Ela subiu ao espaço em 3 de novembro de
1957 a bordo da nave espacial Sputnik II. |
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Yuri Gagarin
(1934-1968)
Foi o primeiro homem no espaço, em um voo orbital de 48 minutos,
a bordo da nave Vostok I. O voo de Gagarin ocorreu em 12 de Abril de
1961. Neste voo ele disse a famosa frase: "A Terra é azul,
e eu não vi Deus". |
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OS ESTADOS UNIDOS |
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Do ponto de vista da ciência,
havia a necessidade de se enviar uma nave tripulada à Lua? Mais que uma necessidade
científica, pisar na Lua era um sonho da humanidade desde épocas imemoráveis.
Em 1961, John Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, prometeu que um
norte americano pisaria no solo lunar antes do fim da década. O desenvolvimento
científico e tecnológico acumulado estava prestes a nos propiciar a realização
desse sonho. Teve início assim um dos maiores e mais fantásticos empreendimentos
já realizados pelo homem. Naquela época ainda se sabia muito pouco sobre
a superfície da Lua e nenhum americano tinha estado em órbita da Terra. |
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Lançamento
de foguete Bumper 2 (baseado nas V-2) pelos EUA em Julho de 1950 em
Cabo Canaveral. |
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Os cientistas norte americanos
se viram frente a uma tarefa gigantesca. Em menos de dez anos deveriam construir
um foguete com potência para levar à Lua uma nave grande e pesada
o suficiente para comportar astronautas em seu interior. Essa nave após
pousar na Lua deveria vencer a gravidade de nosso satélite e retornar
com segurança à Terra. Isso além da escolha de um local
seguro para o pouso.
Foram dois os programas predecessores do projecto Apollo. Entre Março
de 1965 e Novembro de 1966 foram enviadas dez missões tripuladas ao
espaço como parte do programa Gemini. O objectivo desse programa era
testar e desenvolver técnicas que seriam necessárias para as
missões Apollo, como os encontros espaciais e o acoplamento de duas
naves. Entre Agosto de 1966 e Agosto de 1967 cinco naves do programa Lunar
Orbiter entraram em órbita da Lua, com o objectivo da escolha de possíveis
locais para pouso, assim como a realização de medidas de intensidade
de radiação e densidade de poeira espacial nas proximidades da
Lua. Essa poeira e essa radiação poderiam ser danosas, com efeitos
imprevisíveis sobre o ser humano. |
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O PROJETO APOLLO |
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Para levar as naves Apollo ao espaço,
foi desenvolvido um dos maiores e mais poderosos foguetes já construídos,
o Saturno V, com três estágios e 110 metros de comprimento. Os dois primeiros
estágios colocavam a Apollo no espaço, em órbita da Terra. A partir
daí era accionado o terceiro e último estágio, colocando a nave
na trajectória correcta em direcção à Lua.
A nave Apollo era composta por três partes: o módulo de comando, onde
ficavam a tripulação (que mal tinha espaço para se mexer) e as
provisões; o módulo de serviço, onde ficavam os motores, geradores
eléctricos, equipamentos de sobrevivência dos tripulantes, etc; e o módulo
lunar, que levava os astronautas à superfície da Lua.
Se o espaço no módulo de comando já era pequeno, no módulo
lunar era menor ainda. Nele não havia assentos, os dois astronautas que desciam
na Lua tinham espaço suficiente apenas para permanecer em pé. O módulo
lunar por sua vez era constituído de duas partes: a superior com a cápsula
de permanência dos astronautas e a inferior, que servia de plataforma de lançamento
quando do retorno dos astronautas aos módulos de comando e de serviço,
que ficavam em órbita da Lua. |
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AS MISSÕES APOLLO |
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O projecto Apollo começou de
maneira trágica. Em 27 de Janeiro de 1967, quando os astronautas da Apollo 1
testavam os equipamentos do módulo de comando, uma faísca provocaram
um incêndio. O interior da cápsula estava cheio de oxigénio puro,
que é altamente inflamável, fazendo com que o fogo se espalhasse violentamente.
Os três não conseguiram escapar.
Lançada em 21 de Dezembro de 1968 a Apollo 8 foi a primeira nave tripulada a
sair da gravidade da Terra, entrando em órbita lunar em 24 de Dezembro. Durante
as dez voltas que deu em torno da Lua seus tripulantes observaram possíveis
futuros locais de pouso. Nunca o ser humano havia estado tão longe. Faltavam
agora apenas os testes com o módulo lunar antes de pisarmos na Lua.
A Apollo 9 testou manobras de separação e acoplamento na órbita
da Terra, enquanto que a Apollo 10 completou os testes necessários para a descida
do homem na Lua. O módulo de comando desta última ficou em órbita
de nosso satélite, enquanto dois de seu tripulantes, no módulo lunar,
desciam a apenas 15 km da superfície da Lua.
Em 20 de Julho de 1969, presenciávamos uma das cenas mais emocionantes proporcionadas
pela ciência em todos os tempos. Em todo o mundo cerca de um bilhão de
pessoas assistiram pela televisão ao pouso do módulo lunar da Apollo
11, baptizado de "eagle", no solo de nosso satélite. Duas horas após
o pouso, Neil Armstrong saiu da nave e entrou para a história como o primeiro
homem a pisar na Lua, sendo logo seguido por seu companheiro Edwin Aldrin. Os dois
passaram 22 horas na Lua, sendo dessas, 2 horas e 40 minutos fora da nave.
A primeira pedra nas proximidades de nossa ilha foi assim conquistada. |
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O HOMEM NA LUA |
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A Lua sempre atraiu a atenção
do homem, e este interesse ficou registado na poesia, na literatura e na ficção
científica. Há duzentos anos, em uma famosa obra de ficção
intitulada "De la Terre à la Lune" (1865), Júlio Verne escreve
sobre um grupo de homens que viajou até a Lua usando um gigantesco canhão.
Na França, Georges Melies foi um dos pioneiros do cinema, e em seu filme "Le
voyage dans la Lune" (1902) acabou criando um dos primeiros filmes de ficção
científica em que descrevia uma incrível viagem à Lua.
Com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, os EUA e a URSS capturaram a maioria
dos engenheiros que trabalharam no desenvolvimento do foguete V-2.
Particularmente importante para os EUA foi a captura de Wernher von Braun, um dos principais
projectistas alemães, que participou activamente do programa de mísseis
balísticos dos EUA e depois dos primeiros passos do programa espacial estadunidense
(tendo sido, inclusive, o líder da equipe que projectou o lançador Saturno
V que levou as naves Apollo para a Lua).
Historicamente, a exploração espacial começou com o lançamento
do satélite artificial Sputnik pela URSS a 4 de Outubro de 1957, no Cosmódromo
de Baikonur (base de lançamento de foguetes da URSS), em Tyuratam, no Cazaquistão.
Este acontecimento provocou uma corrida espacial pela conquista do espaço entre
a URSS e os EUA que culminou com a chegada do homem à Lua. |
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O lançamento da Sputnik e a
colocação do primeiro homem no espaço devem-se, em grande parte,
ao talento do engenheiro soviético Sergei Korolev, o engenheiro-chefe do programa
espacial soviético, que conseguiu convencer Nikita Khrushchov, na época
o líder da URSS, a investir no programa espacial. Foi ele quem primeiro teve
a ideia de levar (realmente) homens à Lua.
Quatro meses após o lançamento da Sputnik I, os EUA responderam com seu
primeiro satélite, o Explorer I, em 31 de Janeiro de 1958.
O número de satélites artificiais terrestres e sondas espaciais lançados
pelos EUA e pela URSS multiplicaram-se nos primeiros anos da corrida espacial. Aos
Sputniks da URSS seguiram-se, além do Explorer I, as Vanguard I, II e III dos
EUA, e uma grande quantidade de satélites de comunicação, meteorológicos
e espiões. Por volta da metade da década de 1960 ambos, EUA e URSS, haviam
lançado tantos satélites que se tornaria inconveniente indicá-los
a todos num artigo generalista como este. Além das Sputniks, os soviéticos
haviam lançado 12 satélites da série Cosmos, e os EUA haviam lançado
16 satélites Explorers e mais 38 satélites de reconhecimento Discoverer,
só para citar alguns. |
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Os feitos iniciais da URSS na corrida
espacial, que incluem o primeiro satélite artificial - o Sputnik - e o primeiro
homem no espaço - Yuri Gagarin, desafiaram os EUA, cujo programa espacial ainda
dava os primeiros passos - o primeiro estadunidense iria ao espaço só
em 5 de Maio de 1961, mesmo assim apenas em um voo sub-orbital.
Em Julho de 1958 é criada a agência espacial dos EUA, a Nasa, responsável
por coordenar todo o esforço estadunidense de exploração espacial
e administrar o programa espacial dos EUA.
Muito do atraso inicial do programa espacial dos EUA pode ser atribuído a um
erro estratégico de investir inicialmente nos lançadores Vanguard, mais
complexos e menos confiáveis que os lançadores Redstone (baseados nas
antigas V2 alemãs). Isto acarretou que a capacidade de lançamento estadunidense
era de 5 kg no momento em que a Sputnik I, de 84 kg mas com capacidade de 500 kg, foi
recém lançada pela URSS.
No famoso discurso na Universidade Rice suas palavras foram: We choose to go to the
moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because
they are easy, but because they are hard ("Nós decidimos ir a Lua. Nós
decidimos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não
porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis").
A partir de então, os EUA colocaram em marcha um ambicioso programa espacial
tripulado que iniciou com o Projecto Mercury, que usava uma cápsula com capacidade
para um astronauta em manobras em órbita terrestre, seguido pelo Projeto Gemini
com capacidade para dois astronautas, e finalmente o Projeto Apollo, cuja espaço
na nave tinha capacidade de levar três astronautas e pousar na Lua.
Os primeiros astronautas a circum-navegar a Lua foram os tripulantes da Apollo 8, Frank
Borman, James A. Lovell, Jr. e William A. Anders, na noite de Natal de 1968.
Por problemas em suas missões Zond (que usavam a nave Soyuz modificada para
circum-navegação da Lua), os soviéticos não foram capazes
de levar homens à órbita da Lua antes dos EUA, e nunca mais o fariam.
Apenas missões Zond não tripuladas, Zond 5 e Zond 6, o fizeram em Setembro
e Novembro de 1968. Após isto, ainda houve as missões não tripuladas
Zond 7 e Zond 8 que circum-navegaram a Lua em 1969 e 1970, já após os
bem sucedidos vôos tripulados dos EUA para a Lua.
Os EUA foram bem sucedidos em seu objectivo de alcançar a Lua antes da URSS,
em 1969, com a missão Apollo 11. Para atingir este objectivo, o Projecto Apollo
envolveu um fantástico esforço de US$ 20 bilhões, 20 mil companhias
que desenvolveram/fabricaram componentes e peças, e 300 mil trabalhadores. |
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O PRIMEIRO HOMEM NA LUA |
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A missão Apollo 11 pousou na
superfície lunar em 20 de Julho de 1969, em um local chamado "Sea of Tranquility"
(Mar da Tranquilidade). Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se os primeiros homens
a caminhar no solo lunar.
Depois da Apollo 11, outras seis missões Apollo foram lançadas, sendo
que cinco delas pousaram na Lua (no total de doze astronautas que caminharam na Lua).
Ficou famosa a frase do primeiro astronauta a pisar na Lua, Neil Armstrong: "Um
pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade".
Neil Alden Armstrong nasceu a 5 de Agosto de 1930, astronauta dos Estados Unidos, piloto
de testes e aviador naval que escreveu seu nome na história do século
XX e da Humanidade ao ser o primeiro homem a pisar na Lua, como comandante da missão
Apollo 11, em 20 de Julho de 1969. |
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Nascido no estado norte-americano
de Ohio, antes de se tornar astronauta Neil Armstrong foi aviador da Marinha,
tendo combatido na Guerra da Coreia como piloto de caça. Após
a guerra, ele retornou aos Estados Unidos e se tornou piloto de testes de empresas
fabricantes de aviões, testando mais de 900 tipos de aeronaves diferentes
durante a década de 1950, incluindo o famoso X-15, o primeiro avião
do mundo a voar na estratosfera terrestre.
Armstrong interessou-se pela NASA cinco ou seis meses depois da abertura das
inscrições para a formação de um novo grupo de
astronautas, em 1962, e foi escolhido para o chamado Grupo dos Nove, denominação
decorrente do modo como eram conhecidos os primeiros astronautas norte-americanos
seleccionados em 1960 para o Projeto Mercury, o Grupo dos Sete, tornando-se
o primeiro astronauta norte-americano civil.
Os primeiros dois anos de Armstrong e do novo grupo na NASA foram dedicados
ao treinamento e ao acompanhamento da fabricação dos motores,
foguetes e espaço-nave que se destinariam aos projectos Gemini e Apollo.
Em Março de 1966, ele realizou seu primeiro voo ao espaço como
comandante da Gemini VIII, em companhia do astronauta David Scott, que anos
depois comandaria a Apollo 15 e também pousaria na Lua. A missão,
problemática, era a junção no espaço com um foguete
Agena não-tripulado, como teste para as futuras missões Apollo,
em que a nave de comando precisaria se conectar e se separar do Módulo
Lunar. Problemas de estabilidade no foguete, que começou a rodar sem
controle sobre si mesmo após o engate das duas espaço-naves,
causaram o aborto e o encerramento mais rápido da missão.
Após esta primeira missão, Armstrong, a mulher dele e um grupo
de astronautas e dirigentes da NASA acompanharam o Presidente dos Estados Unidos
Lyndon Johnson numa viagem de relações públicas pela América
do Sul, visitando 11 países e 14 cidades, com Armstrong impressionando
por fazer suas saudações aos povos visitados na língua
local. No Brasil, ele chegou a falar sobre sua admiração pelos
pioneiros experimentos de Alberto Santos Dumont. |
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O primeiro passo
na Lua |
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Em Dezembro de 1968, Donald Slayton,
antigo astronauta do Projeto Mercury e então Chefe do Comité de selecção
de astronautas do Projecto Apollo, ofereceu a Armstrong o comando da Apollo 11, a missão
que desceria primeiro na Lua. Esta escolha surgiu de uma reunião semanas antes,
entre os principais directores do programa Apollo, que decidiram que Armstrong seria
o primeiro na Lua por causa de seu perfil parecido com o grande herói americano
Charles Lindbergh, um homem de características discretas e essencialmente técnicas,
sem grandes egos. |
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Camera de TV externa do
ML Eagle
mostra Neil Armstrong pisando
pela primeira vez a Lua |
O astronauta Buzz Aldrin
fincando
a bandeira dos Estados Unidos.
Fotografia de Neil Armstrong
urante a missão Apollo 11 |
"Buzz" Aldrin
ao lado do Módulo Lunar - Apollo 11 |
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Famosa frase de Neil Armstrong
ao pisar na Lua |
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Ficou famosa a frase do primeiro astronauta
a pisar na Lua, Neil Armstrong: "Um
pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade".
Foi a sua frase épica, ao pisar pela primeira vez na superfície lunar,
é uma das mais conhecidas na história, mas só veio à cabeça
de Neil poucos momentos antes de descer da nave, já pousado na Lua. |
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Além dos importantes
experimentos científicos que ali fizeram, ele e o piloto do ML, Aldrin,
fincaram na Base da Tranquilidade uma bandeira metálica dos Estados
Unidos e colocaram uma placa junto à perna do Módulo Lunar Eagle,
assinada pelos astronautas e pelo presidente americano Richard Nixon: "Aqui
os homens do planeta Terra puseram pela primeira os pés na Lua. Julho
de 1969. Viemos em paz em nome de toda a humanidade".
Após a volta da Lua e um período
de 21 dias de quarentena na Terra, Armstrong e a tripulação da
Apollo 11 fizeram uma torne mundial por dezenas de países, sendo recebidos
em triunfo, das trincheiras dos soldados americanos no Vietname à União
Soviética, onde foi recebido pelo Alexei Kossygin, conheceu a primeira
mulher a ir ao espaço Valentina Tereshkova e foi o primeiro ocidental
a visitar o Centro de Treinamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, no cosmódromo
de Baikonur, Cidade das Estrelas, até então um dos locais mais
secretos da antiga União Soviética.
Depois de anunciar que não mais iria
ao espaço após a saga da Apollo 11, Neil Armstrong retirou-se
da NASA em fins de 1971 e tornou-se professor de engenharia na Universidade
de Cincinnati, rejeitando ofertas milionárias de grandes empresas para
trabalhar como relações públicas ou em cargos de directoria,
assim como a oferta de todos os partidos políticos que desejavam tê-lo
como candidato a qualquer coisa, (ao contrário dos ex-astronautas John
Glenn e Harrison Schmitt que entraram na política e se elegeram senadores).
Desde então, e depois de ter casado
pela segunda vez, Neil Armstrong passou a levar uma vida discreta, aparecendo
somente em solenidades do governo americano relativas a tecnologia espacial
e em palestras sobre o passado e o futuro da conquista do espaço.
Existe uma pequena cratera na Lua, perto do
local onde aterrou a Apollo 11, chamada Armstrong em sua homenagem.
Neil Armstrong, quando jovem, foi escoteiro.
Em homenagem ao escutismo, ele levou para a Lua o brasão símbolo
da Organização Mundial do Movimento Escoteiro, que está
lá até hoje ao lado da bandeira dos EUA. |
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Ano 2000 - Neil
Alden Armstrong |
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Em Outubro de 1978, recebeu do Presidente dos Estados Unidos Jimmy
Carter, a Medalha de Honra Espacial do Congresso, criada em 1969 para
premiar astronautas responsáveis por feitos excepcionais para a nação
e a Humanidade, a maior honraria civil outorgada a um astronauta pelo governo norte-americano.
Ele foi o primeiro a recebê-la. |
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O Muro de Berlim - "Berliner
Mauer" (24) |
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O Muro de Berlim foi uma barreira
física, construída pela República Democrática Alemã
(Alemanha Oriental) durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental,
separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Este muro, além
de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois
blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído
pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e República
Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas
simpatizantes do regime soviético. |
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Berlim fora conquistada pelo
Exército Vermelho em maio de 1945. De comum acordo, acertado pelo tratado
de Yalta e confirmado pelo de Potsdam, entre 1944-45, não importando
quem colocasse a bota ou a lagarta do tanque em primeiro na capital do III
Reich, comprometia-se a dividi-la com os demais aliados.
Desta maneira, apesar dos soviéticos tomarem antes a cidade, e também
um expressivo território ao seu redor, tiveram que ceder o lado ocidental
dela para os três outros membros da Grande Aliança, vitoriosa
em 1945. Assim Berlim viu-se administrada, a partir de 8 de Maio de 1945, em
quatro sectores: o russo, maioritário, o americano, o inglês e
o francês.
Com o azedar da relação entre os vencedores, em 1948 as quatro
zonas reduziram-se a duas: a soviética e a ocidental. Em seguida, Stalin
decidiu-se por um bloqueio total contra a cidade em represália ao Plano
Marshall, que visava promover o reerguendo económico da Europa destroçada
pela guerra.
Todas as estradas de rodagem e de ferro que ligavam Berlim com a Alemanha Ocidental
foram então fechadas pelos soviéticos, na tentativa de fazer
com que os aliados ocidentais desistissem da sua parte na cidade. Ou saíam
ou os berlinenses morreriam de fome e frio.
A população de Berlim, ex-capital do Reich alemão, com
mais de três milhões de pessoas, padeceu uma experiência
ímpar na história moderna: viu a cidade ser dividida por um imenso
muro. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica
que cortou-a em duas partes, cada uma delas governada por regimes políticos
ideologicamente inimigos. |
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Mapa da Divisão da
cidade de Berlim (1945) |
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Abominação provocada
pela guerra fria, a grosseira parede foi durante anos o símbolo da rivalidade
entre Leste e Oeste, e, também, um atestado do fracasso do socialismo real em
manter-se como um sistema atraente para a maioria da população alemã.
Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de
gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas
electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda.
Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares
aprisionadas nas diversas tentativas de o atravessar. |
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O muro já
em contrução
(1961) |
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Os planos da construção
do muro eram um segredo do governo da RDA. Poucas semanas antes da construção,
Walter Ulbricht, líder da RDA na época, respondeu assim à
pergunta de uma jornalista da Alemanha Ocidental:
"Vou interpretar a sua pergunta da maneira que na Alemanha Ocidental existem
pessoas que desejam que nós mobilizemos os trabalhadores da capital
da RDA para construir um muro. Eu não sei nada sobre tais planos, sei
que os trabalhadores na capital estão ocupados principalmente com a
construção de apartamentos e que suas capacidades são
inteiramente utilizadas. Ninguém tem a intenção de construir
um muro!"
Assim, Walter Ulbricht foi o primeiro político a referir-se a um muro,
dois meses antes da sua construção.
Os governos ocidentais tinham recebido informações sobre planos
drásticos, parcialmente por pessoas de conexão, parcialmente
pelos serviços secretos. Sabia-se que Walter Ulbricht havia pedido a
Nikita Khrushchov, numa conferência dos Estados do Pacto de Varsóvia,
a permissão de bloquear as fronteiras a Berlim Ocidental, incluindo
a interrupção de todas as linhas de transporte público.
Depois desta conferência, anunciou-se que os membros do Pacto de Varsóvia
intentassem inibir os actos de perturbação na fronteira de Berlim
Ocidental, e que propusessem implementar um guarda e controle efectivo.
No dia 11 de Agosto de 1963, a Volkskammer confirmou os resultados desta conferência,
autorizando o conselho dos ministros a tomar as medidas necessárias.
O conselho dos ministros decidiu dia seguinte 12 de Agosto, usar as forças
armadas para ocupar a fronteira e instalar gradeamentos fronteiriços.
Na madrugada do dia 13 de Agosto de 1961, as forças armadas bloquearam
as conexões de trânsito a Berlim Ocidental. Eram apoiadas por
forças soviéticas, preparadas à luta, nos pontos fronteiriços
para os sectores ocidentais. Todas as conexões de trânsito ficaram
interrompidas no processo (mas, poucos meses depois, linhas metropolitanas
passavam pelos túneis orientais, mas não servindo mais as estações
fantasma situadas no oriente). |
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Bem cedo ainda da manhã do
dia 13 de Agosto de 1961, a população de Berlim, próxima à
linha que separava a cidade em duas partes, foi despertada por barulhos estranhos e
exagerados. Ao abrirem suas janelas, depararam-se com um inusitado movimento nas ruas
a sua frente.
Vários Vopos, os milicianos da RDA (República Democrática da Alemanha),
a Alemanha comunista, com seus uniformes verde-ruço, acompanhados por patrulhas
armadas, estendiam de um poste a outro um interminável arame farpado que alongou-se,
nos meses seguintes, por 37 quilómetros dentro da zona residencial da cidade.
Enquanto isso, atrás deles, trabalhadores desembarcavam dos caminhões
descarregando tijolos, blocos de concreto e sacos de cimento. Ao tempo em que algum
deles feriam o duro solo com picaretas e britadeiras, outros começavam a preparar
a argamassa. Assim, do nada, começou a brotar um muro, o pavoroso Mauer, como
o chamavam os alemães.
Até o ano de 1961, os cidadãos berlinenses podiam passar livremente de
um lado para o outro da cidade. Porém, a partir desse Agosto de 1961, com o
aceiramento da Guerra Fria e com a grande migração de berlinenses do
lado oriental para o ocidental, o governo da Alemanha Oriental resolveu então
construir um muro dividindo os dois sectores. Decretou também leis proibindo
a passagem das pessoas para o sector ocidental da cidade.
O muro, que começou então a ser construído, não respeitou
casas, prédios ou ruas. Policiais e soldados da Alemanha Oriental impediam e
até mesmo matavam quem tentasse ultrapassar o muro. Muitas famílias foram
separadas da noite para o dia. O muro chegou a ser reforçado por quatro vezes.
Possuía cercas eléctricas e valas para dificultar a passagem. Havia cerca
de 300 torres de vigilância com soldados preparados para atirar. |
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Reacções da Alemanha
ocidental
Ainda no mesmo dia, o chanceler da
Alemanha ocidental, Konrad Adenauer, dirigiu-se à população pelo
rádio, pedindo calma e anunciando reações ainda não definidas
a serem implementadas junto com os aliados. Adenauer tinha visitado Berlim havia apenas
duas semanas. O Prefeito de Berlim, Willy Brandt, protestou energicamente contra a
construção do muro e a divisão da cidade, mas sem sucesso. No
dia 16 de Agosto de 1961 houve uma grande manifestação com 300.000 participantes
em frente do Schöneberger Rathaus, em Berlim Ocidental, para protestar contra
o muro. Brandt participou nessa manifestação. Ainda em 1961, fundou-se
em Salzgitter a Zentrale Erfassungsstelle der Landesjustizverwaltungen a fim de documentar
violações dos direitos humanos no território da Alemanha Oriental. |
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Reações dos aliados
As reacções dos Aliados
ocidentais vieram com grande demora. Vinte horas depois do começo da construção
do muro apareceram as primeiras patrulhas ocidentais na fronteira. Demorou 40 horas
para reservar todos os direitos em Berlim ocidental em frente do comandante soviético
de Berlim Oriental. Demorou até 72 horas para o protesto ser oficial em Moscovo.
Por causa desses atrasos sempre circulavam rumores que a União Soviética
havia declarado aos aliados ocidentais de não afectar seus direitos em Berlim
ocidental. Seguindo as experiências no Bloqueio de Berlim, os Aliados sempre
consideravam Berlim ocidental em perigo, e a construção do muro manifestou
esta situação. Foram 28 longos anos, de 1961 a 1989, a cidade de Berlim
dividida, uma vergonha para o mundo. |
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Nos 28 anos da existência
do Muro morreram muitas pessoas. Não existem números exactos
e há indicações muito contraditórias, porque a
RDA sistematicamente impedia todas as informações sobre incidentes
fronteiriços. No dia 17 de Agosto de 1962, Peter Fechter de sangrou
no chamado corredor da morte, à vista de jornalistas ocidentais, sendo
a primeira vitima. A segunda vítima foi Günter Litfin que foi baleado
pela polícia dia 24 de Agosto de 1961 ao tentar escapar perto da estação
Friedrichstraße. Em1966, foram mortas duas crianças de 10 e 13
anos. O último incidente fatal ocorreu no dia 8 de Março de 1989,
oito meses antes da queda, quando Winfried Freudenberg, de 32 anos, morreu
na queda de seu balão de gás de fabricação caseira
no bairro de Zehlendorf, quando tentava transpor o muro.
Estima-se que na RDA 75.000 pessoas foram acusadas de serem desertores da república.
Desertar da república era um crime que, segundo o artigo §213 do
código penal da RDA, era punido com até 2 anos de prisão.
Pessoas armadas, membros das forças armadas ou pessoas que carregavam
segredos nacionais eram mais severamente punidas, se considerado culpado de
escape da república, por pelo menos 5 anos de prisão.
Também houve guardas fronteiriços que morreram por causa de incidentes
violentos no muro. A vítima mais conhecida era Reinhold Huhn, que foi
assassinado por um Fluchthelfer (pessoas que ajudavam cidadãos do Leste
a passar a fronteira, ilegalmente). Estes tipos de incidentes eram utilizados
pela RDA para a sua propaganda, e para posteriormente justificar a construção
do muro de Berlim.
Em 9 de Novembro de 1989, com a crise do sistema socialista no leste da Europa
e o fim deste sistema na Alemanha Oriental, ocorreu a queda do muro. Cidadãos
da Alemanha foram para as ruas comemorar o momento histórico e ajudaram
a derrubar o muro. O acto simbólico representou também o fim
da Guerra Fria e o primeiro passo na reintegração da duas Alemanhas. |
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Trabalhos da contrução do Muro (1961) |
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O Muro de Berlim começou a
ser derrubado na noite de 9 de Novembro de 1989 depois de 28 anos de existência.
O evento é conhecido como a "Queda do muro". Antes da sua queda, houve
grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade
de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas
embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta
entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl. |
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No dia da "Queda
do Muro de Berlim" o povo em festa (1989) |
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O impulso decisivo para a
queda do muro foi um mal-entendido entre o governo da RDA. Na tarde do dia
9 de Novembro houve uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo
pela televisão da Alemanha Oriental. Günter Schabowski, membro
do Politburo do SED, anunciou uma decisão do conselho dos ministros
de abolir imediatamente e completamente as restrições de viagens
ao Oeste. Esta decisão deveria ser publicada só no dia seguinte,
para anteriormente informar todas as agências governamentais. Pouco depois
deste anúncio houve notícias sobre a abertura do Muro na rádio
e televisão ocidental.
Milhares de pessoas marcharam aos postos fronteiriços e pediram a abertura
da fronteira. Nesta altura, nem as unidades militares, nem as unidades de controlo
de passaportes haviam sido instruídas. Por causa da força da
multidão, e porque os guardas da fronteira não sabiam o que fazer,
a fronteira abriu-se no posto de Bornholmer Strabe, às 23 h, mais tarde
em outras partes do centro de Berlim, e na fronteira ocidental. Muitas pessoas
viram a abertura da fronteira na televisão e pouco depois marcharam
à fronteira. Como muitas pessoas já dormiam quando a fronteira
se abriu, na manhã do dia 10 de Novembro havia grandes multidões
de pessoas querendo passar pela fronteira.
Os cidadãos da RDA foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental.
Muitas boatos perto do Muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve
uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que
nunca se tinham visto antes cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental
subiram o muro e passaram para as Portas de Brandenburgo, que até então
não eram acessíveis aos ocidentais. O Bundestag interrompeu as
discussões sobre o orçamento, e os deputados espontaneamente
cantaram o hino nacional da Alemanha. |
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Processos pelas mortes
do muro
Com a "Queda do Muro
de Berlim" e já com a reunificação da Alemanha Ocidental
e Oriental, foi levado em frente um longo processo judicial que ficou conhecido
por Schießbefehl para punir os responsáveis das leis e quem atirou
em todas as pessoas que tentaram cruzar o Muro entre 1961 e 1989, processo
que demorou até Outono de 2004. Entre os responsáveis acusados,
estavam o presidente do Conselho de Estado, Erich Honecker, o sucessor dele,
Egon Krenz e os membros do Conselho Nacional de Defesa Erich Mielke, Willi
Stoph, Heinz Keßler, Fritz Streletz e Hans Albrecht e ainda o presidente
regional do partido SED em Suhl. Além disso, foram acusados alguns generais,
como o chefe das forças fronteiriças, Klaus-Dieter Baumgarten
e vários soldados que eram parte do Exército Popular Nacional
(NVA) ou das forças fronteiriças da RDA.
Como resultado dos processos, 11 dos acusados foram condenados à prisão,
44 foram condenados a uma pena, que foi suspensa condicionalmente, 35 acusados
foram absolvidos. Entre estes, Albrecht, Streletz e Keßler foram condenados
a vários anos de prisão. O último processo acabou dia
9 de Novembro de 2004, exactamente 15 anos depois da derrubada do Muro, com
uma sentença condenatória. |
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Memoral em memórias
das vitimas do Muro (1999) |
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